dezembro 31, 2019

Inatingível 2019 doesn't go out with a bang

regresso das palavras,
Não me recordo de serem lado esférico de uma ideia,
De estares no fim de uma hesitação,
De um vale gelado que me acorda assustado,....

Constato porventura se a pergunta certa a fazer neste momento,
Tenha de se afastar das ditas palavras,
Do que quem escreve abomina,
E recolhe quando o tempo espezinha mais do que aconselha,...

Mas já de tudo desistimos,
Não serve preferir o medo à resistência à dor




dezembro 30, 2019

Quase, quase adeus inatingível 2019

aprendi a dizer-me pelos atalhos em que me deixavas,
Sempre com medo de parar de saber escrever silêncio,
E sobrar só para dizer-te o egoísmo da noite,
Como oposto a um dia cobarde,
Sem cheiro,...

Comigo a tentar escrever o mal,
Escondido no arredondar das letras,
No que fica para dizer do que silenciamos,
Às vezes,
Para que nunca mais me tenhas de ver como pormenor,
E sim como práxis de uma ideologia que arrasta o pessoal,
E sublinha o coletivo em sangue,...

Em suma adeus,
Nunca mais ter de voar ajuda-me a só te ter nos intervalos dos meus sufocos


dezembro 29, 2019

Um tudo trabalhado

tudo, rasuras num poema, indecisões de amor, a frase certa num rascunho de morte,
nada maior que a lonjura de uma pedra trabalhada, tudo mais perto que nós dois sem nos conhecermos,
fazia frio ao decidir que não dormir ia mais com este gargula, e renunciaria à volúpia de escrever sozinho,
tudo por arriscar escrever nós sem efe, de fim



dezembro 28, 2019

Age sucks


No cenário de 'The Godfather' (1971)

2019, 'The irishman', foto de Marco Grob,
para a Variety

nos últimos dias


nos últimos dias,
talvez,
as pessoas sem eira nem
beira,
comigo não achavas
bem à situação de distropia,
em que todos os passos
ficavam gravados,
e desenhados,...

talvez,
dizendo que nos últimos
dias,
a sorte sabia a azul,
e nada fazia
sentido,
(talvez a maior parte
das coisas nascessem tortas),....

nos últimos dias,
soando ao deve
e haver,
somados sem quociente,...

talvez,
nem haja últimos dias

dezembro 27, 2019

Pressão

É uma coisa minha,
Nao liguem,
Estar aqui a ser devassado enquanto a minha voz se desfaz,
Pouco a pouco,
E sinto um arfar pouco saudável no peito,
E as costelas a subir e descer,
Como que o ar a pedir licença para me entrar no peito,...

Se quiserem nem me façam perguntas,
Deixem-me só estar inadvertido,
Como se a pressão do ar me quisesse matar,
Ao mesmo tempo que me alivia a
Pressão

dezembro 26, 2019

dezembro 24, 2019

quando eu era curioso

quando eu às vezes era curioso,
não esperava que me perguntassem
se era curioso,
dizia só ter expetativas medianas,
e que gostava de arranhar a terra
à espera de cordiais saudações
da vida,....

deixei de ser curioso desde o momento,
em que a curiosidade me surgiu
sem roupa,
cheia de frio,
e a perguntar para que lado era a felicidade,...

escrevi-lhe a direção do hospital
mais próximo,
e hoje acho que sou cauteloso


dezembro 23, 2019

às vezes, nem sempre

os sentimentos não se compram
avulso,
a formulação certa para este pensamento
julgo ser esta,
não me ocorre descrever melhor
um beco sem saída,
com pessoas a medirem-me
as hesitações na rua,
e frases sem ritmo cardíaco
suficiente para que eu as profira,
nem sequer livros prontos a morrerem
na minha falta de bom senso,...

achar portanto que sentir é o mesmo
que duvidar,
não nos deixa em dúvida perante a
a militância de uma incerteza política,
nem resgata o que já se sentiu
por uma pessoa que já cá não está,....

às vezes não há palavras que completem
a forma como isto,
pode fazer sentido


dezembro 22, 2019

Artes

eu tinha-te mostrado filmes
marcantes,
quando o genérico fechasse,
já estaríamos a conversar sobre
o destino dos hesitantes,
enquanto degustávamos qualquer
coisa que nem vem ao caso,...

também me lembro da música que
fingimos ouvir,
talvez um Brel,
não me lembro da voz,
só da mensagem,
uma série de putas a arrastar-se no
porto de Amsterdão,
e mais uma vez isso fez-nos falar,...

agora,
não há mais nada para falar,
só para escrever,
não me refiro a mais nada de importante,
do que alguns versos
que nem sei se vais ler,....

amanhã,
talvez,
pare tudo e seja
obrigado a recomeçar,
uma visão onírica do mundo


dezembro 21, 2019

Já há neve

Já há neve,
Não me critiquem tanto por o tempo ter parado,
E já não passar a mesma água dos indecisos,
Que sempre houve debaixo deste sol,...

Talvez a precisa medida do frio,
Com que meço os Restos da minha frase de todos os tempos,
Sirva para que as pessoas se acomodem a achar sentido,
No que soa a madrigal indefinido e sem donzela perdida,...

Repito que talvez amanhã,
O calor desminta esta depressão de todas as almas



dezembro 20, 2019

Ter tempo para

Canta-se sobre aquilo que se passou ao nosso lado,
A criação foi madrasta,
Insuportavelmente cruel,
Para as razões deste desnorte,
Sobram os insatisfeitos,
Os predicados insuficientes de
Um social sem futuro,...

E ao nascer do sol,
Já nada mais do ser resta,
Que a fortuita razão do que nunca foi



dezembro 19, 2019

Farias 75 anos hoje

😢

Aliás, a loucura

Se nos desejávamos mais que
Uma loucura saudável,
Tudo seria de começar a ser escrito com outro cheiro,
Com sons menos violentos,
Com um final recortado pelos traços invisíveis,...

Sim,
Disse-to assim de ânimo leve,
Com o último resgate que guardava em casa,
A amparar-me as lágrimas,
E uma forte vontade de nunca mais recitar estes versos sem dono,...

Daquele dia em diante abominaria a poesia,
Solicitada estava a chave do silêncio,
Para que não mais se perdessem livros sem autor





dezembro 18, 2019

More joking days

como se aquilo que conta para
um nevoeiro,
fosse a nossa raiva incontida
no desprezo,
e os murmúrios que ninguém
pensa entender,
e as nossas mães caladas porque
já cá nem estão,...

como se aquilo que conta para
a loucura,
fosse o estar no meio
de um erro








Tirado daqui

dezembro 17, 2019

Mais que qualquer um

Mais que qualquer um,
Não me percebia como assim ninguém de quem,
Se pudesse esquecer,
Adormecer no ser que nem peso tem,
Não é possível deixar assim o que se viveu,
Por muito que queira escrever-me fora de tudo isto,
Ainda é a minha roupa a que mais pesa quando sinto o vento,
A perguntar-me que horas são dentro da minha maneira de ser,...

Eu não fui por ali,
Por medo de me ver à saída de um médico que assina por baixo,
A morte das pessoas,
E pelo caminho deixar cair todas as moedas já sem valor,
Que fui guardando nesta encenação de vendilhao do templo,
Que tem sido a minha vida descascada,
Como a banana das noites tão femininas de que ainda me lembro



dezembro 16, 2019

frase irregular

calo-me meu amor,
estou uno com o tempo que
me deste,
em pequenas caixas de porcelana,
espalhadas pelo nosso recanto de todos
os segundos,
antes de saíres com as mãos
apertadas de tristeza,...

não percebo o longe,
se o perto me quiser
explicar onde estás,
posso descrever a nuvem que
imagino envolver-te,
com todas as línguas do mundo
a apertarem os corações,....

e no fim de tudo,
mesmo no fim das
indecisões com que durmo,
não saberei mais de mim
como a frase irregular
que te completava


Obrigados juntos a ver

o que te obriguei a ver,
o que juntos vimos,
doíam os olhos,
sangrava a vista,
porque de ver nada tirámos,
só sentimos,...

sei que o que vimos,
anotámos na areia,
e depois a chuva veio,
e tudo se desfez,
desaguando no nada,...

doem ainda os olhos,
de termos visto o que vimos,
recordas-te do que vimos?,
eu acho que já não,...

não importa,
ainda cá estamos,
para que se calhar,
já nada mais haja para ver

poesiadesconectada:
“love
by Foba
”


Tirado daqui



dezembro 15, 2019

Ato solitário de escrever

escrevo pouco,
sei que não se devem importar
com isso,
a minha caligrafia até é tremida,
nunca construí um bom
personagem que fosse,
nem muito menos um enredo
que importasse ler,...

escrevo só pelas minhas mãos,
para que as tremuras acabem,
e valha a pena enrolar letras
tanto,
mas tanto,
que depois valha a pena desenrolá-las
só o suficiente para que me,
considerem,
desdigam,
leiam,
arrotem o que quero fazer
e dizer,
pouco me importa,...

desde que leiam o que escrevo,
só o suficiente para
que não consiga mais,
parar


dezembro 14, 2019

The same jiberish of always

perguntavas-me,
enquanto eu ainda era
um apóstrofo da tua retórica,
se escrever ainda pintava os nossos
sonos,
se era a noite a caixa de aguarelas,
que nos resplandecia sorrisos,
quando de mão dada enfrentávamos
o monstro,
sem voz,
de cada manhã,...

nunca respondi,
percebias pelo silêncio comprometido,
coisa de Pessoa sem óculos,
que não sabia,....

ao menos,
como nota de rodapé de mim
mesmo,
ainda olho os tampos das mesas
dos cafés à chuva,
em busca da resposta


dezembro 13, 2019

Novo auto-retrato

vejo no meu retrato,
a impressão digital que
julgava perdida,
a lousa dos dias perdeu-se
neste rosto,
e em seu lugar ficou um vai e vem
do mar,
a única coisa que me retrata
como pessoa falível,
que adorna à menor tempestade,....

ainda desenho o que penso ser
a correção que o tempo traz,
aos honestos,
sem resultado aparente,
adormeço perante a raiz insustentável
da falta de respostas

dezembro 12, 2019

Praça sem nome



Hoje foi o último dia em que
do ar,
recitámos a idosa porção de
estar vivo,
voltamos qualquer dia ao parque
de todos os dias,
com os falhados de sempre a passar por
nós,
e a recebermos na cara aquela poeira
que nem sabor tem,...

amanhã não sei se estaremos aqui,
aliás,
prevejo escrever um texto sem tema,
e deixar-to à ilharga da tua porta,
para que leias quando saíres pronta
para a chuva,
e te recordes de mim,
dos dias em que comemos
da mesma partilha,
só para nos avançarmos em
direção ao silêncio,
e à troca indelével de não
ter o que dizer,
em redor da mesma praça
sem nome,
onde ainda te espero 

dezembro 11, 2019

Em que nos recomecemos

Dos versos em que te escolhi,
Se te acertei a sorte saberá,
Não sem livros lidos e chorados,
Passeios a menos,
Choros a mais,...

Recuso-me em todos os poemas
que juntos despimos,
Até só restar a verbalidade dos desentendimentos,
Não fazer sentido,
Sim,
Talvez,
E querermo-nos à noite,
Sabendo que amanhã não haverá dia,
Em que nos recomecemos


dezembro 10, 2019

Pessoas normais


Que restem no mundo poucas pessoas normais,
E as encomendas postais fossem combinadas entre as pessoas sãs,
A variação de tudo isto chegaria num dia sem fim,
Num daqueles dias em que comunicar pelas imprecisões,
De pouco chegasse,...

Sentava-me tranquilo num banco de jardim,
Fazendo o deve e o haver com pequenos rabiscos nas costas da mão,
E era um tempo bem passado o que nada nos dissesse,
Se afinal ainda existem pessoas normais no mundo




dezembro 09, 2019

Leitura

já não preciso do
que me leste,
a mansidão de
silêncios estudados,
de escrever sem braços,
e com pernas trémulas,
 fará porventura de mim
o máximo expoente da indecisão,
alcançar a frase com a maresia
a violar-nos os sentidos,
e o ar poluído de todos os dias
a matar as nossas casas,
amedronta-te?,....

talvez fiques bem
como foste antes de,
todos os números
da ausência,
serem os teus indultos
de um prazer negado

dezembro 08, 2019

e a questão de sempre

às vezes não sei do tempo,
nem sei do que fizeste com o tempo,
sei que desenhas bem as nossas expetativas,
e o contrário de felicidade
que desejamos,
fica encoberto na bruma
de todas as manhãs indecisas,....

talvez o tempo te traga hoje
no ventre,
talvez ninguém saiba
deste tempo como a matriz
de ti,
talvez só,
e a questão de sempre


dezembro 07, 2019

O tempo à beira dos desenhos

Estava sempre a olhar para trás,
A acreditar que o tempo à beira dos desenhos,
Das coisas deixadas à beira rio,
Pelo vento,
Quando parecia explicar melhor os equívocos,
Fosse a coisa certa para fazer,
Para ponderar,...

Ao menos não havia registo de músicas com ritmo único,
Era sempre uma explosão étnica daquilo que deve ser a humanidade,...

Como se o tempo à beira dos desenhos,
Não se medisse pelas vezes que estamos sozinhos,
Sem remédio

dezembro 06, 2019

Hesitações

....não me consigo desculpar,
se os nós das minhas ausências não se desatam,
se caminhar arde nas pontas dos pés que
já nem sinto,
com tudo isto,
anotar as experiências falhadas,
os relatos consistentes das conversas
desprezíveis que fui tendo,...

..., tudo é sem sentido,
as falhas experienciam,
os conseguimentos não
chegam,
a noite cai sobre o
que não se alcança


dezembro 05, 2019

abstração sem sublinhado

procuramos casa,
da mesma maneira
que nos adoçam toda a tralha que nos resta,
de quando esmigalhávamos
aviões contra as casas,
dentro desta divisão ideológica
própria de um fim de tempo,...

e início de uma abstração
sem sublinhado

dezembro 04, 2019

Início e fim da noite

quando a noite começou, há muito muito tempo, 
conseguíamos percorrer
a distância entre um beijo
e um adeus,
antes que o relógio desse a volta
que tinha de dar,
havia a razão inaudita das escrituras falsas,
porque as pessoas têm
de ser falsas,
antes que a benesse da 
santidade venha,
com a morte,....

e havia muitas crianças,
para que espiássemos as frases incompletas
que faziam parte do quotidiano,...

e prestes a terminar,
a noite quer agora
tirar-nos isso,
acomodemo-nos à 
lage da fratura nas 
nossas crenças



dezembro 03, 2019

Interrogação

se eu soubesse explicar a cor do fogo,
não andaria aqui mão na mão com o velho que o tempo tem,
E daria passos maiores do que a perna,
Só para chegar a lados onde nunca tinha estado,
E ver as ervas a crescerem-me por entre os dedos,
Como se nada mais interessasse do que o sublinhado nos gritos

dezembro 02, 2019

desloquei-me do teu toque

os meus dedos,
a sombra indecisa
 dos meus dedos,
sem que percebesse
nunca o toque,
e a saber que o sol
descose o contacto
que os olhos fazem,...

desloquei-me do teu
 toque,
sabendo dos
meus dedos,
o mesmo que soube de ti,
quando me fugiste
para aquela sombra
almejada,
e de ti fiquei perto
 ainda menos
que um adeus





Tirado daqui

dezembro 01, 2019

Ensaio sobre masculinidade

dizer que não tenho
fronteiras,
salienta o prurido
de me dar anonimamente,
fruto das inconsistências
 de uma personalidade
desgastada,
de dizer sempre as
mesmas coisas ao vento,...

por exemplo,
escrever sem sentido,
como esta indecisão com
que te brindo ao entardecer,
faz de mim uma
impossível maçã de adão,
com a masculinidade possível

novembro 30, 2019

lê-me nas entrelinhas

casadabiqueira:
“ Sleeping biker, Moldavia
Anthony Suau
”


Acabou para mim,
Não me recordo se te disse
que a frase é mais longa do,
que o silêncio,
por isso,
até que mais se veja o sublinhado
dos desejos,
não estarei cá para te perceber
quando ao longe,
ficam as tuas intermitências
do todo de desejo que já foste,....

até por que vou deixar de escrever
na primeira pessoa,
considera este o lamento último 
do que tivemos,
e de um todo feito livro que,
acho,
te deixei debaixo da almofada
ao partir,....

lê-me nas entrelinhas,
nada mais a partir de agora

novembro 29, 2019

Reverencial

assobiam o suficiente para que
a terra normalize,
há o registo das coisas criadas,
com que avançamos,
mão na mão,
à procura do que nos desafie antes
do fim anunciado,....

ladeada a referência do amor,
no ar ouço o que a mais sobra do cheiro
de cada dia,
e por fim um descanso merecido,
reverencialmente merecido



novembro 28, 2019

os dias tornaram-se azedos

os dias tornaram-se azedos,
a minha vantagem no
jogo de luz perdeu-se,
quando dos teus olhos
se desligou o que escrevia,
os versos inconsequentes
que mesmo assim te
adormeciam à chuva,
com a resolução indevida
dos problemas sem que ninguém o previsse,...

e ao mesmo tempo
adoramos a frontalidade com que,
nada,
mas nada se desfaz
em som


novembro 25, 2019

Depressiva razão

então ela sonhou com mais
um dia de discrição,
olhos semicerrados,
boca anulada pelo arrastar
da falta de auto-defesa,...

e permitiu que a ajuda fosse
a suficiente,
só a suficiente para que não mais
se permitisse chorar,
anunciar ao mundo que o detestava,
porque a voz pesa sempre
mais que o silêncio,....

e ela andou apenas até
que a razão aparecesse,
e disse-lhe adeus,...

caminha agora na etérea porção
de um sonho




Tirado daqui

novembro 24, 2019

Precisar

demora-se o precisar,
duas desculpas sem dono,
denota-se o fraco,
a força de um argumento sem
falta,
sem escrita fina em lembrança
que fica para sempre,
estaríamos cá não fosse
a alvorada,
quantos amanheceres quisessemos
para que a noite nunca nascesse,
e fazendo falta o amor,
só cá está a arrogância,
o plebíscito de dois
suspiros que morrem a cada segundo,

sem que já haja mais precisar


novembro 23, 2019

Se publicasse a minha voz

se publicasse a minha voz
na vetusta denúncia pública,
o povo saberia como arranho o
destino só porque sim,
e me forço a avançar por entre os espaços
do que nunca se construiu,
e do que sempre se leu,....

ouviriamos a possibilidade de denúncia
de um silêncio,
a irresponsabilidade feita futuro,
e o futuro decomposto nos estrados
das casas onde me reencontrei,
com os versos que hoje
unto na pele,...

se publicasse a minha voz,
nada me faria mais útil neste mundo


novembro 22, 2019

Isto será poesia?


Tirado daqui



“Poetry isn’t a profession, it’s a way of life. It’s an empty basket; you put your life into it and make something out of that."
- Mary Oliver


“Poetry isn’t a profession, it’s a way of life. It’s an empty basket; you put your life into it and make something out of that." 
- Mary Oliver

...chamar-se mulher

deixara de ter corpo quando do
corpo desaprendera as horas,
os dias,
os segundos perdidos a querer
mais tempo para fazer parar o tempo,...

e com as razões alusivas ao medo,
ao sentir-se só quando da alegria
não restava mais que um choro,
sufocado,
escrevia loucuras na bruma,
nos passeios sem destino,
a ladear a loucura,
e com o abstrato pela mão,...

tudo isto era chamar-se mulher,
e não ter sobrenome fixo por
mais que uma ânsia
de carinho


novembro 21, 2019

What's National is good!!!

Abreviatura

Tão depressa da minha boca não sairão dores,
A coragem da única vez em que,
Contigo,
Percebi que a luz é um desenho de morte na praia,
Desapareceu,...

Por isso permanecerei mudo à espera que em todas as casas,
Nas únicas casas onde ainda restar o conformismo,
Subsistam para sempre pequenos vestígios do ouro que lá deixaste,
Quando te bastava a anuência de respeito,
Que para ti era o único beijo que te sabia dar

novembro 20, 2019

Quis ir mas não foi

ao jumento do
fim de tarde,
o homem atrelava-se,
temprano,
relinchava impropérios,
com a pinga doce
a pintar-lhe as veias
de arco íris,
subia as mesmas
ruas de sempre,
e em duas vezes
escorregava pelo vómito,
levantando-se sempre
antes de o corpo
apagar o suficiente,
para cair numa cama de hospital,....

 a todos lavava a
alma com desprezo,
fitava o pôr do sol,
esperando que fosse
o último,
mas havia sempre
mais um,
e outro,
e mais outro...

 tudo acabou com uma
decisão de dez réis,...

ia dar cabo da vida,
e fá-lo-ia acompanhado,
juntou o jumento,
e mais um cão,
e dois gatos velhos,
e todos os patos que alguma
vez quis matar e nunca teve coragem,....

e deitou-se no pelourinho
da aldeia num dia
de borrasca de neve,...

na manhã seguinte
 ainda lá estava,...

mas os bichos estavam
como haviam de ir,
congelados....

ninguém quis mais
pensar em maneira
de resolver este embrulho


novembro 19, 2019

Memória de infância,.... para sempre....


Se só estivesse eu

E se só estivesse eu,
Se fosse um mundo de duas pernas,
E asco pelo silêncio,
Com pessoas a mostrar o sexo,
Sem que ninguém sequer parasse para a luz,...

Se só estivesse eu,
A dúvida nunca faria escola,
E das escolas anotavam-se urros de ignorância,...

Apetecer representar a solidão em estados de espírito,
Deu-me para o egocentrismo,
Se só estivesse eu,
Não haveria música a escorrer das paredes,
Só cada vez mais dúvidas



novembro 18, 2019

no inverso de uma dor

afinal,
a saída para uma
das portas estava nos olhos,
ainda que a frase me
dissesse o contrário,...

arredondadas as letras,
tudo chorava
no inverso de uma dor

novembro 17, 2019

Cartas de amor


mas seriam todas cartas de
amor,
a julgar pelos espaços que guardavam,
inexplicavelmente,
entre elas quando espalhadas na
areia da praia,
e havia uma razão para que
quem escreve chorasse,
e também a presença de um
lado anómalo,
difícil de explicar,
como que uma razão para a razão
se travestir de vento,
e ali só ficar a desordem de ver
a devoção desfazer-se,
em rodopio,
na vastidão de um terreiro de Inverno
semelhante ao que se via,....

e havia lonjura para que nada
se preparasse,
ao fim e ao cabo,
longe deste destino que se esperava

novembro 16, 2019

Lado esdruxulo da linguagem

Condenava-se ao degredo das exclamações,
Nós as frases feitas carne,
Sem entoação especial,
Comandadas porque nada mais resta que o silêncio,
No fim,...

Admirava o lado esdruxulo da linguagem,
O falar porque nós teríamos de perceber,
Sem que a luz fosse de comum percepção,....

E precisava sempre de ar para que o distinguissem,
E o refratassem como a passagem do tempo

novembro 15, 2019

Insegurança

Humedeceu os lábios,
Do interior avançou como
Que o dia não pesasse,
E dos minutos já mortos viesse a insuflada vontade de prosseguir,...

Amor a postos,
E sem vontade de definir sentimentos em personagens,
Recriou-se como depressiva,
Escrita a dois tempos seria a transparente da sua rua,
Quem nunca iria fazer com que houvessem noites dignas de nota,
E madrugadas que em verso fizessem filhos como quem planta ideias revolucionárias

novembro 14, 2019

não me protejas

não me protejas,
fazendo a ponte entre
o deve e o haver,
amanhã serão novos
desafios,...

o que comemos
entre as frases incompletas
de um adeus,
já não está cá,
por isso a haver
razão para um fim,
ela está talvez na
retina do que dissémos
de infeliz, um ao outro






Voz

não se sentia confortável com
a voz,
da que está untada numa pele,
o silêncio inchava como um filho
indesejado,
havia inoculações de sombra por entre
as paredes descontruídas
de qualquer abrigo,...

amontoavam-se palavras como
se de mosquitos da morte se,
tratassem,
e o refúgio fosse aquele resguardo
de tabique,
numa parede que iria ruir,
de velha,....

a voz doía,
ainda assim,
menos que a soma de todas
as exclamações


novembro 13, 2019

Carta de ir embora

O que tinhas visto em nós?,
Talvez de um modo inofensivo,
Preparando quase o caminho para que uma criança aprenda sobre a morte,
Te explique que vejo previsões onde a certeza assusta,
Que anoto qualquer irracionalidade que as pessoas me contem,...

Nunca irias perceber a minha pele de chagas assustadas,
O sono desconfiado com que me evado do medo,
Quando lá fora só há silêncio,...

E assim de um engano,
De um aceno incompleto,
Me consiga despedir sem que o teu choro seja a minha hesitação

novembro 12, 2019

Amotinadas

Quando percebi o que estava em causa,
Como as coisas já eram inúteis se nem conversar se conseguia,
Recordo-me do olhar de todas as pessoas que conheci,
Vazio,
Sem referências solidárias ou sequer de distância,...

Amotinadas estavam todas as ideias de consenso,
Porque todos optaram pela poesia rebelde e sem sentido



novembro 11, 2019

Tudo parece contido

Tudo parece contido,
Nada sem ser estranho permanece à nossa frente,
Sem que este tempo se continue a assemelhar a espiões que desdenham a vida,
A putas que sendo meninas de golas de renda,
Têm dúvidas que cheiram a doença venerea,
E certezas sem cores que não frutificam mais que um par de sapatos de um morto,...

Sou snob ao mesmo tempo que sou pobre,
E estafermo que todos detestam,
Soa a linha intransponível defender este risco,
Mas do mundo já não se esperam gritos,
Tudo parece contido,
Como se a mudez se ouvisse até ao osso de todas as coisas

novembro 10, 2019

na minha casa




Tirado daqui


só poderás perceber se na minha casa,
eu for o momento em que o tempo parou
nas nossas mãos,...

não me chames equívoco,
nem espaço entre as razões que não entendes,
na minha casa,
no espaço em que rastejo pelas
mensagens que nunca formulámos
ao sol,
sei menos que um moribundo,
não percebo sequer os precedentes da minha vida,...

e enquanto isso,
há lá fora uma música que te
entende melhor que alguma vez o consegui

novembro 09, 2019

desmancha-prazeres

sem sequer saber o que dizer,
um dos desmancha-prazeres de toda
esta questão,
não falava,
respirava aos solavancos,
descrevia escrevendo o que se tinha
arrependido havia não sei quanto tempo,...

afinal era só uma tarde pintada a opaco,
em que não se sabia como desatar
um nó invisível,
e na rua os cães olhavam nus para o chão,...

a que mais se aspirava quando
o mundo perde assim a esquadria



novembro 08, 2019

No mundo lá de fora

No mundo lá de fora,
Não há muito a dizer sobre o mundo lá de fora,
A não ser que de duas em duas portas se fala mal do destino,
E as rosas cheiram sempre menos a lousa do que os vestígios da minha escola,...

Talvez quando amanhã lá chegar,
Lá for a cima e disser às pessoas que odeio,
Como é incompreensível este sentimento sem rosto,
Passe a haver mais a dizer sobre o mundo lá de fora,...

Até lá troco só os dedos a escrevinhar mais um poema



novembro 07, 2019

Anúncio

Esvaziam a caixa de correio
Do que me deixaste ao amanhecer,
Fazendo a luz aparecer pela porta do escuro,
As pessoas reúnem-se,
Anúncio de partida deixado debaixo,
Da porta onde te viram desintegrar



novembro 06, 2019

Espelho de água

os outros fazem
para que me esqueça
do,
traço que removeste
do meu corpo,
 recuso a sobriedade
de me confrontar com a
lividez dos factos,
consumados em si mesmos,....

prefiro desenhar
o que sobrou da
privacidade dos nossos abusos,
das vezes em que me faltaste
 para sobrar a outros,
de me encarar
num espelho de água,
que acreditávamos ao amanhecer,
ser falso


novembro 05, 2019

Sair sem retorno

Havia dívidas de gratidão,
De somenos importância a saudade,
Espelhos gastos com velhices por partilhar,...

Na minha raiz da frase mais pequena que inventei,
Perdura a agonia de não saber usá-la,
Fazer de ti o que o tempo se escusa a dizer-me,
E o laço que uma comunhão não consegue matar,...

Havendo a porção de livros espalhados e por terminar,
Saímos para a rua pobres de cores e de percepção


novembro 04, 2019

Mar....



Maio,...até morrer

como cantava Maio,
dizia de Zeca o que o povo
se esqueceu,
trazia o milho moído nas gargantas
secas da mães,
e fazia de um lagar de vinho,
o prazer acintoso das crianças
desviadas do amor,....

Maio cantava ao desbarato,
partia aos bocadinhos a sorte
invisível,
distribuía livros de páginas brancas,
recitava versos,
sem sentido e sem cor,...

como Maio cantou até morrer,
tudo acabou no arco íris
do estio,
com chuva


novembro 02, 2019

Supernova

Do outro lado de um sentimento,
Onde não há vento das dúvidas,
Nem aquele calor que se nos escapou quando já esquecemos,
Parece calmo explicar-te que me doi em tanto sitio que já me conformei,
Valendo-me a decisão de desaprender de radicalizar,
E quanto espero pela supernova de ti



novembro 01, 2019

Dia de finados




o mar,
de noite,
quase circunda o
desfeito em que a
razão se move,....

traça caminhos,
desfaz a porção menor
da secura das luzes,
e como me movo nesta
indisfarçável vontade de
nada descrever,
de tudo guardar por entre os
dedos soltos,
sem anéis,
escolho disfarçar a
nudez do tempo,
contigo,....

se me servires de pele,
prometo que amanhã a
horas do sono,
dormirás com o
meu contorno na nossa cama

outubro 31, 2019

Ao fim e ao cabo o tempo

hoje podia ser as
faltas de alfabeto,
a mudez de
às vezes,
com a rouquidão
 de um beijo de vício,
podia ser tanto
ou quanto um campo de morte,
com tantos e tantos velhos
sem hesitações,...

 sem cheiro,
podia ser a minha
frase incerta,
contra a tua ideia de podridão,
não sinto falta de
conjeturar as coisas
que não entendo,
por isso pode ser
quando tu quiseres,
e sempre que
entendas útil,...

hoje ainda
não acabou,
e o amanhã talvez possa
 nunca ter-te dentro de um sonho


outubro 30, 2019

Alongado

se te faço chegar uma oferta,
um adeus acinzentado,
em refresco de qualquer coisa,
reages como o que recheia
as conclusões precipitadas,
falando em culpa,
culpa desenhada,
arredondada,
que enche todas as ruas
da cidade em que nunca estivemos,
fazendo do que conhecemos uma
perda de tempo,
uma razão inexplicada,....

não sabendo descrever como te
escrevo,
e reajo às limitações de não
poder criar o mundo,
em que querias alternar o teu
cansaço,
se calhar assumia a minha finitude,...

mas como se fazem as
lonjuras de agir em reação?


outubro 29, 2019

Teoria da pena

pena que o português
soasse infiel,
não me refiro
às migalhas de
prosápia que
ficaram de um resto de retiro,
espiritual para os estranhos,
de fim para mim,
e para ti que
inconsciente,
percebias só a diminuta
réstia de esperança,
sempre sobrante quando a
palavra emudecia,
e o argumento ficava trôpego,
sem andar,
 envelhecido a um canto
inaudito,
ao espelho da irrefletida
provocação da bestialidade,...

pena que Pessoa
não fosse aqui chamado,
com um carimbo mais ou menos
frio,
e de um lado da noite nos aninhássemos
a esta inevitabilidade


outubro 28, 2019

Unhas


das unhas,
porventura como senhor,
das unhas recordaste-me frontal,
Incapaz de com capitulares te falhar
Um som,
O silêncio das noites em que não estive para te somar,
Deixando-te na imediata subtração dos silêncios,

outubro 27, 2019

Conclusão de solidão

Enquanto dormia a frase não mais se repetiu,
Tudo era longo,
A possibilidade de um delito de opinião mantinha-se,
Já que as pessoas não eram livres,
E por mais que circulassem livros,
E no piano se ouvisse qualquer coisa parecida com a felicidade eterna,
Não era a mesma coisa,...

Ao acordar era velho,
As posições dos equívocos tinham mudado,
Não havia mais professores,
Nem lições de frontalidade,
Por muito que não lhe agradasse,
Tinha de prosseguir,...

O mundo ia acabar sem alusão à
Felicidade

outubro 26, 2019

Desafio criativo

gostei da lua.
gostei do sol,
 achava cada dia
um bolo de várias
camadas,
como se a face secreta
fossem as vezes
 em que caminhava sozinho à chuva,...

sem perspetivas,
sem sons,
 só com a inesperada vontade de
fazer melhor,...

importunar-me a mim mesmo,...

desenvolver o lado
inesperado da inteligência
interrogativa, mal educada,....

e sem vontade de mais
 escrever do que
qualquer inenarrável
qualidade questionável
de ideias cruzadas,
acabar tudo à sombra,
sem fome,
sem sede,
só eu e a certeza
de que amanhã
poderá nem haver mais



outubro 25, 2019

Joga-se o nosso futuro

Logo mais esperávamos por noticias,
O mau tempo iria amainar,
A força inaudita dos minutos,
Daria às pessoas a finalidade de um beijo,..

Resolvemos entretanto adiantar o trabalho de reflexão,
Dar oportunidade à escrita,
Aos momentos mal percebidos,...

E hoje,
Joga-se o nosso futuro
Nas estrelas


outubro 24, 2019

talvez quantas vezes queiras

talvez a minha memória não
conte mais para ti,
escrevendo o suficiente,
a dizer que as minhas pernas
engolem a minha voz,
talvez assim me entendas o
que não entendeste por recusa,
por afastamento do
ser dos silêncios,...

talvez nada disto tenha explicação,
e o que sobre
afinal sejam caminhos findos,
sítios onde nem a porção
remota dos nossos encontros,
sirva para esboçar
um triângulo de felicidade,...

talvez sendo banal como
consigo agora ser,
sirva para que acordes


outubro 23, 2019

Last ride

a partir de uma certa idade,
ganhamos a expetativa de ter
de lavar os pés antes de dormir,
a qualquer momento
somos levados por ruas sinuosas,
e espera-nos a sorte de
ter cheirar bem


outubro 22, 2019

Toquei na capa de um livro

toquei na capa de um livro,
se visse uma sala onde nem
o sol entrasse,
reconsiderava tocar num livro,
tocaria numa biblioteca,...

a falta de luz acalma
a alma

outubro 21, 2019

no final

no final,
é o final que mais dói,
que custa a passar,
nem o conseguimos pintar
para que não soe a silêncio,
a frases opacas
e sem cheiro,...

o final aclarava
as noites,
desobedecia ao
que nos diziam ser o correto,
o menos impossível,...

agora só dói,
não soa


outubro 20, 2019

Sonho, quando chegas finalmente?!?!?!


carta incompleta

todos os dias continuo a tal
carta,
a mesma que prometi ir chegar-te
em mãos,
mas sei agora que nunca a receberás,
o tempo arredonda nos propósitos
de nos desunir,
e farei o sentido certo de tudo
o que me diz a chuva,
que bate eunuca na base
da janela que tu sempre gostaste

outubro 19, 2019

Vida transparente

diziam não gosto do árbitro,
e para o ano com estes jogadores
não chegamos lá,
arrecadavam as mãos nos bolsos
e tiravam-nas de novo,
diziam mundos e fundos
de tudo,
e a banalidade era tanta que
os olhos azulavam,
e tudo em volta cegava,
havia música sem acordes,
velhinhas inauditas,
que trajavam de som e
sem recordação,...

e diziam não gostar do chuto
na bola,
quando comiam a sandes de couratos,
entremeada com a cerveja azeda,
e diziam que queriam mais
na próxima semana,
e quando o sol se vestia de noite,
regressavam a casa,
e nem ouviam que estava lá vida,
só pensavam não gostar do árbitro


outubro 18, 2019

Distantes formas de solidão

até que a distância os separe,
e haja estrada,
rasto de poeira que alimente
as vestes de estar só,
até que tudo não seja mais
que uma ilusão,
só aí haverá margem para
o lateral das coisas,...

e eles já longe,
cada um percebendo os sentimentos
da forma iludida,
descomprometida,
só aí lavarão as roupas em seco,
e seguirão com a vida a
perceber que,
o melhor de nós está nos momentos
que não se entendem,
e não se vivem juntos,
e o pior está nas alegrias
que ninguém compreende,...

só quando a distância os separou,
perceberam a razão de
não se saber escrever o percetível,
e de haver roupas que
não se devem usar mais,
quando perdem cheiros
que nos completam


outubro 17, 2019

Mundo redondo

Nem sequer precisas foram as notas,
As pessoas conheciam-se ao sol,
Desprezando que tudo tinha sido indeciso antes de ter chovido,...

A mesma foto de felicidade estava no centro do amor,
Adoravam-se os rebordos fúteis,
As porventura certas descrições do redondo,
Das certezas paradas,
E ninguém queria sequer saber escrever,...

Chamava-se mundo previsível à felicidade de não perceber os sentimentos anotados sem sombra



outubro 16, 2019

Inevitabilidade

Nunca sentiu o perigo,
Também se recusava a ver
Os contornos da frase,
Do que lhe diziam ser melhor para deitar o rosto num leito improvisado,
Afinal,
Por dias nunca verdadeiramente gastos,
Este era um assunto talvez político,
Da luta de classes dos desanimados resultava sempre a derrota,
A indicação sublime de que o amanhã pode nunca vir,
Se não houver a roupa certa,
A possível desmemorizacão de factos consumados,...

E por ali foi ficando,
A evitar dormir,
Fazendo fé de que a poesia aveludasse a solidão que se avizinhava

outubro 15, 2019

Sabe mal

sabe tão mal
a minha força,
o meu desnorte,
 não me lembrar
do pó do teu beijo,
de ser doce até
a sombra do teu partir,
o medo de te
perder na noite cruzada
com dor,...

digo sabe mal,
porque antes de florescer
 o que nos uniu
antes de nós,
havia muita coisa
 que recusava o depois,
e a inconstância do existir,
do nascer para desaparecer,
e voltar a existir,
a partir de uma ideia,
de um conceito,...

sabe mal
a minha força,
porque não há força
sem que o
tempo que te dou
seja cheiro,
seja pó


outubro 14, 2019

Cura

as precisas razões
para entender a perda,
lavavam os teus cabelos,
amor como este quadro,
como este falhanço,
como a frase em
que fingi entender
tudo isto,
não me valiam como cura

outubro 13, 2019

Teatro

e no fim toda a gente faz
um teatro,
com a funcionalidade pronta
para a tragédia,
dois atos,
várias cenas sem fim,
uma mulher gorda que em plena
inocência,
e falta de perspetiva de vida,
se torna mãe de toda a gente,...

como se nada mais interessasse a não
ser,
a misoginia de momentos apáticos,
indolentes,
com um texto pobre e sem falas
coerentes,...

acabado o teatro,
a noite renasce mais fria,
com impossibilidades
transformadas em romances
entre pessoas menos tristes


outubro 12, 2019

Poucos resistentes de um ideal

Conheciam-nos sem prazo,
Dor,
Restos de frases soltas,...

Conheciam-nos a metro,
Longe dos factos consumados,
Dos almoços de nobres apimentados a morte,...

De menos que o local certo,
Que a precisão métrica das noites mal pensadas,
Conheciam-nos como os poucos resistentes de um ideal,...

E assim estava bem



outubro 11, 2019

medi uma dor

nos teus lábios,
aí como se fosse
uma razão,
sem perigos razoáveis,
a prisão não tinha portas,
o longe parecia perto,
como que as paredes
não existissem,
e as hesitações
estivessem a um passo
 da liberdade,
e morressem de coração partido,....

medi uma dor,
duas,
e nada mudou
na alternância dos teus
lábios 


outubro 10, 2019

Adormeçamos

nesta meia hora nós devíamos
adormecer,
porque lá fora as pedras pesam,
o ar remata as conversas,
e devíamos ir dormir,
só porque sim,...

tudo é melhor que estar
acordado,
pesar os prós e contras,
andar sempre pelo caminho
mais estreito,
e no fim sentarmo-nos a
ver formigas ser fortes,...

adormeçamos à sombra,
assim não vamos evaporar


outubro 09, 2019

Dizia-se escritor

Arranjava todas as desculpas para se dizer escritor,...

No meio das indecisões,
Após o amor e as despedidas sem cor,
No fim de um caminho sem pedras,
Dizia-se o Tolstoi suficiente,
A Marguerite que se escondia num par de calças,...

Tantas anotações que um dia frisou
a morte de cada personagem,
Alongando o anonimato de não querer viver para a posteridade

outubro 08, 2019

Poema enviesado

Não é do sentido da vida,
Nem dos ideólogos do equalitarismo,
Não pertence ao sol,
Nem aos velhos sem
Cama,
Não sei escrevê-lo,
Nem afirmá-lo,
Do que é que estava a falar mesmo?,...

Será importante,
Sei que reúne cidades em redor
De um ideal,
E da a pobres a lonjura para o
Pináculo da razão,
Mas não percebo o seu sentido,...

Sendo a noite talvez perceba o que está em causa

outubro 07, 2019

O início de algo que pode ser muito bom

não preciso de mim mesmo,
a vida diz-me o suficiente
 para que as minhas
mãos sejam doces,
o meu rosto envelheça
 ao som da dança
insinuante das árvores
 com o vento,...

queiras conhecer-me assim,
e ainda hoje
te conto as minhas faltas,
como como com o
amor os restos da desilusão,
e de sobra fica a amargura,
a vontade sórdida de me
agarrar à sombra de um amor,
às duas faces da mesma
lua que,
 noturnamente,
 me pinta o quarto
onde espero por ti,
sem esperar,
só fazendo força
que venhas para
que,
como só tu pareces saber,
tornes tudo fácil,
tudo possível,
dês razão às despedidas,
emoção ao sexo
mecânico,
amor,
em suma,
amor a tudo o que
não consigo ser sem ti,....

agora,
leva-me pela mão
a descobrir o outro
lado dos teus beijos


outubro 06, 2019

Unnecessary violence





Fuck that shit. Let's kill this bastard!!!
Death proof (2007), Directed by Quentin Tarantino


Tirado daqui

Possas

possas fazer bem,
possas fazer mal,
possas o mundo travestido
em mãos trémulas,
possas querer ser mais que um
som,
que um desejo,
possas lamentar as não
ideias que se perderam,
os quase planos forjados,...

possas esquecer tanto desperdício,
beijos,
solidão com mais solidão
permanente e desfigurada,
possas tudo,
e quando o nada finalmente
chega,
possas esperar morto que
o tempo recomece


outubro 05, 2019

Não me lembro

não me lembro da sorte,
 nem do barulho
que os indecisos fazem,
não me lembro do vento
ordenando a morte,
das frases escritas
no que o acaso
quer de nós,...

 não me lembro
de nada que possa interessar,
 interessar-te,
só me lembro talvez
da licença que o tempo
nos dá,
por isso lamento as
vezes em que
perdi o perder,
e achei o
proveito do mar


outubro 04, 2019

Perspetiva de escuridão

Parece-me que o dia está claro o suficiente para começarmos a caminhar sem destino,...
    pelo menos até parecer que chegámos ao fim do mundo. E de lá, com o sol a descer sobre o horizonte como se o tempo estivesse a acabar, com a perspetiva de que nada mais virá a seguir, possamos dizer um ao outro que afinal existe mais qualquer coisa do que um texto escrito sem pontuação. Do que todas as pausas irrefletidas que possamos pensar e que, juntas, fazem a mestria de viver bem,...
   não vou estar bem ao dizer que me considero uno. Que nunca soube pensar em nós. Nos intervalos da felicidade como um passeio anormalmente longo, por entre pessoas que nem nos olhos conseguem expressar a felicidade sentida num sorriso. Numa troca de juras de compromisso,...
    sim, parece-me que o dia está claro o suficiente para dele nada tirarmos. E esperarmos pelo amor,.... independentemente da forma que possa ter.

outubro 03, 2019

ganharam vida os diálogos

e de repente ganharam vida os diálogos
de inverno,
as pernas de um lamento,
enquanto fugíamos de nós
sem formação,
incapazes de ler,
de escrever,
sequer até de poetar depois
do amor em dias frios
de fim rápido,....

amanhã haveriam sempre
mais amanhãs,
com a fealdade de não ter esperança,
a fratura exposta no envelhecimento
de nos termos,
sem nos termos,...

ganharam vida todas estas conversas
de pé firme,
para que nos tivéssemos a pairar
almejando qualquer coisa,
sem cores explícitas


outubro 02, 2019

Para viver sozinho

para viver sozinho,
há-que dispor o tempo
em estendais,
como se a roupa molhada,
e com os cheiros que são só nossos,
nem cheirasse a nada,
só mesmo a solidão estivesse ali,
a fazer de paredes,
de uma casa que nem existe


outubro 01, 2019

Inação

sabemos que o homem não registava
os sentimentos,
não era todo dúvida,
nem todo fascínio,
só não gostava de se deitar de
cabeça para baixo,
e se sentisse a luz cerzida nos olhos,
voltava ao registo de feto,
inumano,
solitário às ambições do mundo,....

registámos estas variações
em semanas intercaladas,
e hoje escrevemos este poema,
para frisar a inação
do sentimento humano


setembro 29, 2019

um pouco de trás do meu adeus

consegues ver um pouco
de trás do meu adeus?,
eu não,
só me viro para o Sol,
de braços abertos em rosa,
e desaperto os nós do ar
de quando em vez,
chamo-me imperdoável,
risível,
pedaço sem explicação
da terra morta,....

e lá por cima,
onde a vida permanece intocável
e impoluta,
livre de diabolizações,
sou feliz sozinho,
sabendo que anulas o meu
perfil inalienável de poeta


setembro 28, 2019

Politics

os revolucionários comem o
suficiente para nunca se enfartar,
a medida certa de exploração,
as frases decompostas
em lassidão de nada saber

setembro 27, 2019

e sobre a frase que não se
acaba,
virás do mar,
atenuada na dor,
capaz de com irrefletidas
sintaxes,
fazer entender que não
há no tempo tampas
de sentido,
cozinhados que não cheirem
a amor,
a perceções indiferentes,
ao fim de tudo isto
que criámos


setembro 26, 2019

Esperar pela manhã

No que achas que o destino mudou,
Que a dor é diferente,
Todas as percepções de ajuda terminam em relatos,
Em precisoes indefinidas de luz,...

Não há momentos perdidos de tempo ao pensar na sombra,
Nem a altura certa das várias infâncias que perdemos,
Só mesmo anotar no rodapé da madrugada,
Que daqui a pouco haverá menos momentos para reganhar tudo,
E perder só o lavar doloroso do rosto


setembro 25, 2019

Louça partida no silêncio

não me faças louça
de predicados,
recados de beijos
a meio,
e frases prontas
para desvendar,
como se a meio de
uma nova revolução,
a lavra de um pousio
de fome,
fosse a menina de
todos os olhos,...

a cegueira predisposta
ao conformismo,
às admissões de culpa,
termina aqui,
seguem-se transmissões
de tristeza


setembro 24, 2019

Passagem de responsabilidade

Não estava quando foi para escrever o poema,
Algures naquela casa branca,
Onde me disseste que um pequeno dispositivo congelava as depressões,
Fazia de mim fazendo de ti a fazer de mim,...

Custou tanto às dúzias mudar de pele,
Entrar como se fosse um equívoco nas precisas indicações da vulgaridade,
E sair mudado e sem tempo,
Como se me comprimisse ao máximo em mil momentos sem corpo,...

Quando voltei,
Tinhas escrito um poema sobre nós


setembro 23, 2019

Aliás estou aqui

Desculpa aquilo do tempo,
Se ontem fosse o que me disseste
da luz invisível,
Aquelas histórias por acabar que se nos agarram à pele,
Como se cada esquina contribuísse para a nossa tristeza,
Não haveria tristeza,
Nem diferenças entre tempo passado e tempo gasto,..

Se calhar,
Tudo o que não entendemos está naquelas coisas que não se entendem,
Presas entre as estrelas,
E tudo o que nos poder acontecer acontece mesmo,...

Só queria sair pela forma em que desconheça que perdi tanto tempo,
Dececionei tanta gente,
Deitei tanto a perder,...

Desculpa-me tudo,
Porque se calhar nunca soube o que era o tempo

setembro 22, 2019

Burning tree

De volta a nós

de volta a nós como nunca
se tivesse repetido o tempo,
como as fábulas em que o chão
é de flores,
e as pessoas morrem porque a vida
incomoda,...

fizessem com que o amor
possa prosseguir numa dimensão
sem choros,
sem desilusões,
só com água a humedecer um bem
querer,
atrás do outro,...

não sei como descrever facilidades,
surreais imprecisões como estas,
sei dizer-tas,
não descrever porque não
alcanço o limite da racionalidade,
só me sei de volta a nós,
como se o tempo me pressionasse
a ser vulgar,
e a só sentir uma saudade
impossível de se desenhar


setembro 21, 2019

e para lá está a partida

eu gostaria de
um som interrompido,
afirmar o político,
as fábulas ocas
dos tolos do destino,
sem que ninguém
me ouvindo,
permitisse ao mundo
explicar,
 que os bolsos
 das fábulas são vazios,
 e as razões fáceis
de um compromisso
 são quebradas,
enlaçadas,
num tear partido
que não pára
aos pés de uma
velha sem destino,...

eu gostaria de
qualquer som
sem pausa,
ser mudo,
oco de ideias,....

 e para lá está a partida


setembro 20, 2019

Alfabetização

por ordem alfabética arrumo os
cheiros,
as coisas resolvidas e por
resolver,
para que faça sentido o discorrer
de memórias,
os passeios arredondados
escritos com sol e enublados
nos extremos,
risos sem erres e fáceis
de se perceber no silêncio,...

enumeram-se letras da mesma forma
que estas dúvidas,
para que se opte por não
escrever,
e sentir



setembro 19, 2019

Solitude standing

vê-se tão bem a
minha solidão,
a filha da puta
da minha solidão,
tem olhos,
pernas,
desespero que
chegue para um quadro,...

anda trôpega,
a filha da puta
da minha solidão,
já fez um retrato
de dois sóis,
um sou eu
deprimido,
o outro é a lua
travestida

setembro 18, 2019

Gnose

não importa quem és,
à tarde sairás das cores inusitadas
da modorra de sempre,
e quando do sol se levantarem
os olhos,
farás de um quarto a
frase inexcedível,
as datas incontidas
em que perdeste os números,
as contas de uma lasca
de felicidade,....

das árvores,
de todas as árvores onde fizeste
poemas,
o ar sairá menos importunado,
com novos modelos de avanço
social,
e a ti restará o conformismo,
com a palavra no silêncio a crescer,...

e depois de tudo,
os teus olhos terminarão a tudo deixar


setembro 17, 2019

Não presto

o carro chega,
saem todos os olhos que
a sorte quer,
e na rua o azar,
os prismas indefinidos de quem não
se quer bem,....

há muito que não valho mais
que qualquer coisa,
não presto,
e o carro arranca,
deixo-me sozinho à
espera que um livro se escreva,
nas mãos chagas amorfas,
dificuldades em respirar
fundo as letras,....

não valho as ruas cheias
de lágrimas como se pretende
no escuro


setembro 16, 2019

Tratado quântico de desamor

havendo todas as frases
 por construir,
e um limite de
instrução definido
para que saiamos
conformados com a
pretensa eloquência de um beijo,...

a existirem fronteiras
para o que se expõe
à volúpia,
ao olhar reprovador
dos fins de tarde de chuva,....

existindo sempre
um mar entre o
que nos falta,
e um espaço restrito
para que nunca
nos toquemos,....

faremos o nojo em
períodos escassos de choro,
sem que  haja
uma consequência,
a morte inocente
de desejos inúteis,
sem corpo,
sem felizes
desnortes numa praia deserta,....

 havendo algo que se
 ponha num livro sem letras,
ninguém mais será virgem
antes de conhecer
o que ladeia o amor


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