31.1.10

Ondas



Quero-te aqui. No intervalo dos meus dedos encarquilhados e que cheiram a degredo dos dias que me tornam azedo como as mortes que nunca se dizem. Tornas-me solto. Impulsionado pela felicidade de ser acometido pelas mais lindas indecisões de beijos eternos que já conheci. Sou o princípio do fim. Sou o fim em que cabem todos os princípios que nunca conheceste, e que verás no canto avermelhado do desespero com que te quero assim, plena de equívocos naturais dos textos por acabar. Dos beijos por dar. Das vidas que teimam em não querer ser vividas...

Nova de escrita automática

velho sopro de



pressão cardíaca



com amores por



resolver assim como



o segundo demora



a cair na infalibilidade



do dia que nos sova



em inconsequentes necessidades



de estupro emocional e infelicidades



tudo assim emparedado em



resoluções que



automaticamente são



impossíveis de determinar neste



tipo de escrita....

30.1.10

Ficções de sábado à tarde

 

Podemos falar sobre um livro. Dizer com a noite a abraçar-nos de sufoco que gostamos de pensar em dois tons. Sobre os dias com prólogos bem escritos, e personagens a nascer em sinais indefinidos de histerismo, fica a ânsia. À noite, e com toda a indefinição que trazem as criaturas efectivamente descontruídas pelos infelizes, que se brindem enredos bem construídos. Com mortes onde elas devem surgir, e a vida no fim, a triunfar onde menos se acredita que o fechar de olhos é escuridão eterna. Conversemos então ficcionalmente sobre a realidade. Espera-nos o que se diz daqui, e dali, de somenos sobre a tristeza.....

27.1.10

Febre

 
 
A febre faz isto. Com desdém das situações rosadas que o lápis escuro da tristeza não traça, aqui nos achamos à porta de casa dos proscritos da sorte efectiva. Com sol, sem chuva, de nuvens destapadas na cara, e o livro dos trovões na mão, cantamos sortes que os azares desfizeram. Males da morte, bens do amor, coisas mal feitas em noites de fornicanço com chuva ácida a aquecer a pobreza de não ter gente nos intervalos do que se sente. A febre é o que fica. Somar duas parecenças com calma, é dizer que tudo nem sequer valeu a pena.

25.1.10

'Num há'

">

Canto aplicado ao escuro I

Nos olhos, naqueles afundados lagos negros de choro, estava o jeito para cantar. Viam-se pombas brancas a voar nos dias em que quase chovia, antes de fazer sol, e todas sorriam. Morava sozinho, naquele canto de rua suja que os escritores gostam de descrever indeterminadamente, sem nunca conseguir dizer nada que as pessoas percebam. Comia só o suficiente para o ar vencer a resistência dos pulmões mirrados, e o resto do tempo passava a sonhar. Influenciado até pelo palpitar do coração da terra, definia-se como o herdeiro solitário da escapatória que Deus deu ao canto do universo, quando criou este planeta. E, para tanto, cantava até um sangue esbranquiçado lhe sair da garganta. Cantava aos céus, aos lagos mortos pela perfídia do homem. Aos animais desaparecidos e infelizes que começavam a tornar o local onde morava insuportável, e até à sombra que amava como mulher. Guardava, para ela, um acinzentado caderno de apontamentos poéticos. Coisas sem importância, sem métrica, nem poeira que ensombre os olhos.

21.1.10

Som



 

Defendo-me, no som. Ao silêncio, chovem-me arrependimentos desfeitos do que julguei perfeito de considerar, mas ineficaz de fazer. Sentir-me-ia ao sol quando o tempo quisesse de mim qualquer coisa de menos escrito nas nuvens. Associo-me às ondas calmas do ruído, quando assim me sinto. Pronto para embalar considerandos de que vale a pena mudar a nossa inconsistência. Os nossos bem-estares serem postos em causa assim do nada, e com sabor de primavera. Inscrevo-me no posto avançado dos que mexem com o ribombar dos dias.....

20.1.10

Pelo menos sou são XII

este céu,
o das coisas furadas,
pinga-se por dentro
dos anjos reformados,
que nos reste esperar
por eles nas paragens
dos autocarros
do desejo.....

#XI, #X, #IX, #VIII, #VII, #VI, #V, #IV, #III, #II, #I

O vento entre as coisas

 

 
Sim, há vento nas coisas. O espaço do que significa para nós uma carícia do dia que entardece, o sol que ampara o sorriso de quem nós amamos, é amparado por um tranquilo desfiar de brisas. No âmago do que se ouve por trás dos passos inseguros com que acariciamos a terra, está a música de quem já aterrou medos noutras épocas, naquele mesmo sítio. Há quem pense no infinito deste círculo que há séculos nos permite subir e descer até expirarmos tudo o que temos para dar ao mundo. Escreve-se, o pensamento de tudo isto em poemas inconsequentes e sem sentido.
Mas no momento, no segundo descontrolado em que tudo se perde, há o vento das coisas a pacificar o que se duvida....

Ponto dois mil e dez




Um aceno. A fria consequência de dizer adeus que mata aos poucochinhos, e depois ficar. Escrever penas de morte, assoberbadas pelos redondos das vogais anasaladas com o choro.
Dizer ao tempo que se querem odes perto do sinistro para explicar o sentido torpe da vida.
E cá no fundo, o sexo. Parecer com luz. Com o tempo a moldar-nos em barro suado do desejo.

19.1.10

Nova crónica no Inatíngivel (Crónicas)...

...., e está aqui

No bar a pensar...




na véspera da minha sorte
de meter florzinhas no
sorriso que faço ao fracasso,
fui um homem só mas
feliz com os contornos do
coração que então tinha,
hoje desenho Marte
num esboço de pacote
de açucar do café por
onde gosto de me arrastar
com a sedução da lua por
companhia,...


lá ao fundo a morte,
sorri sorrateiramente para a parte de trás
do meu desconsolo,
e tenta fazer amor com ele,...


o balcão esfregado pela sorte,
chama-se Aníbal e acho
que não tem nada para
dizer às pessoas,...


acho-me aqui preso
mas com liberdade para desenhar
criancinhas a sorrir neste
manuscrito de esperar
o fim que
me assusta como
nada
nunca o fez,.....

17.1.10

Está tudo escrito



 

Vou comprar tabaco, e depois pô-lo-ei no bolso deste casaco que quero queimar. Aos bocadinhos, procuro cortar o umbigo desta depressão, e se calhar, se puser esta veste do diabo a fumar, consiga desapertar a cabeça, e no lugar dela pôr o amor. Chamei-me esta manhã, porque me apetecia mesmo fazer isto. Sou casado com as nuvens negras com que os poetas costumam foder. E é um matrimónio para a vida. Refugio-me no tabaco, pronto. Mas estou farto de tanto caldo peganhento a devorar-me as entranhas, para depois usar-me como tapete de limpar o pénis. Estou naquela de nem desdenhar uma ginástica daquelas de pé de prédio velho. Nas ruas bafientas de Lisboa, onde cheirar a tabaco é um crime, e sonhar com pintelhos de mulheres a arder dá cadeia mental pro resto da vida. Há um outro plano para este maço putativo que há-de sair destes trocos. Ser de morte. De destruição de conceitos, e acabar com a boca à banda de tanto tentar entender o sentido da vida no fundo de uma garrafa de cervejo com cheiro a mijo.
Tenho tudo isto escrito num papelinho com as pontas queimadas, escondido nas badanas do cu. Se me matarem, quero que saibam que o céu me há-de segregar como um fumador não arrependido.


Este texto tem hiperligação. Carregue no título...

15.1.10

Paz comprometida

Sobre a névoa atípica daquele dia que se tinha desabraçado da noite, pensava que nunca devia ter desamarrado o cabelo dourado com que ainda se prendia ao suave. às coisas fartas e difíceis de não querer pelo lado simples e mais enternecedor.





Era hoje unha com carne com a brutalidade. sentia o amargo de boca do ódio por tudo que até merecia um pouco de compaixão. Não queria paz, quando era de guerra que latejavam as veias do seu querer. Queria morte, sonhos desfeitos. Paz comprometida e copos de água por sobre o fogo com que devorados os inimigos, ficavam os amigos pouco declarados e mudos. Estava isto tudo assinado com um vermelho de surdez gritante. Acabara a obra repartida das porções com que ainda pisava o caminho tortuoso do ter de acordar cada santo dia....

Blogue interminável,...e chove

 

tens os pés das minhas mãos,
as sociedades abertas do
que ponho atrás das
orelhas do espírito de velório
com que
abraço a noite
todos os entardeceres,
és paz e guerra,
enleadas na aranha
súbita dos desdizeres
de quem faz por ti
o que nunca te
encorajaste a pedir-me,...

fiz assim o que infindáveis
contas de
sorriso pensavam das
tristezas que nunca
conto a ninguém,...

e no fim o tu que nós
nunca sonhámos ser possível
na fronteira deste reino adormecido,
que espezinhámos para
depois fazer renascer...
 

Este post tem hiperligação para um vídeo. Clique no título....

13.1.10

Sem título (17)


Disse,
parto tudo se não
me fizerem a vontade,
chamo-me cereal,
coisa pouca nesta chuva
de sangue que
encanta a rua,
fazes assim,...



inflacionas as coisas
para te achares bem,
e no fim o silêncio,
e o quente bom de
cheirar mal nestes
lençóis de frio lá fora....

5.1.10

E porque hoje já não é Sábado I




desminto-me na mão,
quando o sol inflado mata-me o sorriso de que só
sobram pétalas de morte,
faço por aqui o pouco que só sonho quando a
placidez das desditas de criação me permitem
respirar,
deitado na cama atroz de não querer o que já
possivelmente desfiz em
pequenos sonetos,
nada disto fez outrora sentido,
quando agora se lê na
transgressão do criar,
estas breves e insonoras linhas de gritos findos,
e descompensados de
cá andar só para marcar
as possibilidades infindas de possuir o
mundo de um trago....

2.1.10

Novo ano, novo poema no Singelo....

..., e está aqui

O ano começou, e ainda não voltou aquela coisa de escrever porque se sente necessidade disso....

Eu sou de quem conseguir fazer de mim a antítese do bem estar que a escrita proporciona. Sentado à sombra daqueles parquezinhos de cidade recém-promovida, faço a mesma sombra que uma bosta. E, menos ainda, contribuo para a fotossintese dos dias fatais do envelhecimento, menos que o cão da velhinha que já desistiu de viver....

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