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sexta-feira, 7 de junho de 2019

Sem título (65)

nem sempre é ao sol,
só com a frase simples de
um encanto,
que as coisas se
lamentam menos
que o impossível,...

digo isto comprado
de tudo o mais
que não a sombra 

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Sem título (66)

sons da terra,
abalos maiores que
a porção finda da água,
arrumados os intentos sem nome
das rochas,
e os meninos sem nome,
de idade desdobrada,....

findas as frases,
ficam os silêncios

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Sem título (67)

porque nem chove sempre
tanto,
nem sempre é a mesma hora para
chorar,
e as coisas ditas da mesma forma,
só servem para escurecer os segundos
do que não restas ao final de cada dia,...

acho-me a amarar assim
as expetativas,
o tempo passado a esperar
que voltes de pele
suja de orvalho,
olhos enublados
com a chuva independente
dos dias

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Sem título (68)

mil sortes sem norte,
razão prestes a dizer,
fazemos assim com
a parte forte,
do lamento que não tem fim,...

e eu a fraquejar,
sem pernas, luz,
ou olhos que praguejam,
se latejar,
será a minha veia que
vocês lamentam,...

saberei o suficiente para rimar,
como poeta sem noz moscada na voz,
sinto-me sem vontade de te dizer,
o que saberei serem rios sem foz,...

tudo acabou sem que te preocupes,
deixa-me a morrer mil mortes de vida,
seguem para a fonte cartas sem nome,
e anónimo morrerei para depois viver

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Sem Título (69)

e se fosse o que desenhamos nos nossos sonhos,
luz infinda,
apartada pelos ziguezagues de
distância que os olhos nos dão,
com o tempo a passar por entre
as frestas de lá longe,...

não me sinto paz,
nem desnorte por explicar,
ao não me sentir nada,
como se o nada fosse o que resta
no bolso depois da miséria,...

talvez me apeteça deixar a caneta rolar,
e passar pelas Praças todas que conheço,
a chorar sem lágrimas,
encarar de frente a solidão que nunca
me desvaneceu em surdina,....

desenhando nos sonhos,
não me fazemos a mim
nem ninguém,
nem sequer a fome de amor
que não mata de inércia


domingo, 21 de abril de 2019

Sem título (70)

fala,
dizias ter escrito,
mas reúne a frase certa,
o pensamento incorreto,...

e ao falares,
não deixes nada por dizer,
porque o silêncio riscado na terra,
arredonda as sucessivas
ondas mortas do desejo




domingo, 14 de abril de 2019

Sem título (71)

às melhores formas de dizer não,
respondemos talvez a um sorriso,
não à certeza de acordar felizes,.
e quem sabe
apenas quem sabe,
haja presença de espírito de escrever nas paredes de qualquer rua,
os segredos negros da imortalidade 

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Sem título (73)

não haveria mais se tudo fosse pouco,
as pessoas perdem outras pessoas,
como se eu te conseguisse ver de perto,
de dedos entrelaçados na opção certa do amor,...

e enlameados seguíamos à míngua de caminho para palmilhar,
até à loucura


quinta-feira, 28 de março de 2019

Sem título (75)

quisesse eu um resto assim,
desnorteado de aconchego,
e esperava aqui que os
chapéus da noite se entortassem,
para que a madrugada entrasse de mansinho,
pelos resvalos do teu cabelo,...

e assim adormeceria nos teus
braços,
encostado ao som,
mudo,
que a proximidade do
teu querer me dispõe,
num envelhecer tranquilo,
e conformado 

quinta-feira, 21 de março de 2019

Sem título (76)

e no entanto à noite,
parecia a sorte
o que tracejava os halos
fosforescentes dos velhos andrajosos,
que vinham repisar o mesmo chão
onde tinham perdido os três,
e aprendido a ler a maledicência da vida



quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Sem título (77)

as métricas,
os lados de subir escadas
de rir,
e de chorar,
tudo onde possas estar
valida de choro,
com uma escrita que faça
sentido


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Sem título (78)

eu tenho até de tentar escrever
enquanto arranho as paredes,
porque já li isto em qualquer lado,
não aguento mais a treta habitual
da caneta na folha branca,
e os versos certinhos,
que tendem para a rima
à esquadria,...

é tudo tão chato,
que só me resta dizer que
tenho a frase certa para
esperar ao sol pelo iluminismo,...

só que me esqueci dela


domingo, 25 de novembro de 2018

Sem título (79)

quando disseste que os sonhos eram mentiras, 
eu estava lá,
lembro-me de teres contornado
 todos os poucochinhos 
que sobravam ao final 
de cada dia,
e apertares a 
madrugada 
entre as pernas,
de tal forma 
que as estrelas 
guinchavam um 
desnorte incompreensível,
alarmante,...

percebeste isto 
tudo como a 
mentira dos sonhos,
não me compete 
a mim contrariar-te 


terça-feira, 20 de novembro de 2018

Sem título (80)

 não importa, na verdade, se eu no décimo primeiro dia de mil novecentos e noventa e três me estava a sentir mal. Nem se estava sozinho, sentindo o avesso de tudo o que já tinha experimentado. Só me recordo de que, naquele momento, e pelo menos nos tempos que se seguiram, o relógio parou. Não havia nem deve, nem haver. As coisas estagnavam à porta do meu ser, porque eu não permitia a sua entrada no registo transversal da minha existência.
Sabia que era um puto sem eira nem beira. Vestia-me mal. A comida sabia-me a lama. Não importava, realmente, se os barulhos que ouvia ao acordar de manhã, e os que tentava afugentar ao adormecer, importavam para alguma coisa. Ao meu lado na cama, estava sempre um buraco enorme, que eu sabia não estar lá, mas que me acompanhava ridiculamente a cada noite.
E sei que me cravei à vida naquele dia.
Não consigo escrever mais que isto.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Sem título (81)

ela não sabia como pedir desculpa,
só sentia que ao abrir a boca,
ninguém a entendia como alguém válido,
capaz de ser levado em conta 
quando surgissem as dúvidas,
e as indecisões 
que sempre existem 
nos minutos que se 
seguem ao ensandecimento 
coletivo,... 

escolheu por isso o silêncio,
e o rosto por entre as 
mãos em face do falhanço,
e o acumular de 
frustrações em 
vez da poesia,...

não queria 
melhorar até que 
um dia abrisse a 
porta de casa,
e o tal Principe,
que nem 
precisava de ser o 
mais belo da história,
lhe perguntasse 
porque é que o 
cabelo dela não 
ficava melhor 
ao sol do entardecer 


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Sem título (82)

estive aqui, 
talvez,
por uma soma de todos 
os acasos com que fodi,
lembro-me de rostos 
a fecharem-se sobre si mesmos,
com o calor a estrangular 
pausadamente a 
vida de toda a maldade,
que normalmente 
pinta as ruas,...

as pessoas falavam 
por si próprias,
talvez desejando-me a 
morte com 
duas pinças,
capazes de 
me desligar 
com compasso do real,
deixando-me 
nesta confusão 
em que todos 
os dias tomo banho

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Sem título (83)

eu não gostava que em todas as minhas
tardes existisse uma demissão,
o tal entendimento complementar que
era preciso escrever,
dizer que os momentos nem passavam
se não estivesses lá,...

preferia que os passeios do mundo
se pintassem de transparências,
de morte,
em vez de tentar perceber o envelhecimento,
sem o complemento direto do teu sorriso


sábado, 13 de outubro de 2018

Sem título (84)

era dele,
era minha,
era arredondada na ambição
de passar despercebida,...

anulada quando se passava naquela rua,
não dizia nada às formas
indesejadas de todas as ruas,
talvez lhe chamasse sorte,
amor meu feito morte,
que passeava pelas ruas com pés
de flores,
que cheiram mal do desnorte
de caminhar tortos,
para a solidão,...

e assim feito fadista,
enrolei a vida e pisei
o risco,
de ficar para sempre,
sem saber o nome,
do que meu já não era



quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Sem título (85)

sobre mim caíam ódios, vistos do lado de fora da vida,
as pessoas esmagavam os próprios bons sensos com apertos
inopinados,
enquanto o mundo corria
em corrimão,
 pelo meio das ruas que entortavam
com o passar dos momentos,
das contrições sem rosto,
sem caminho,....

aguardava na esquina da cidade
sem nome,
à procura de uma perspetiva
de vida para desenhar

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Sem título (86)

por estas horas a solução estava no rasgar
da estrada,
havia minutos que era em silêncio que a rua
se escondia de um suspiro,
de duas catarses,
até de três adeus para nunca mais voltar,...

sobravam indecisões redescobertas
numa fábula sem fim,
para que as recordações dos suspirares felizes,
se tornem nome de rua
para todo o sempre