terça-feira, junho 30, 2009

Formato das coisas podres

Pela forma como as formas tomavam forma naquele minuto deformado, nasceu sem forma o que se pretendia ser uma forma de descobrir a forma de deixar sem forma o disforme de ser o 'sem forma'. Pretendida a resolução de um enigma conforme a forma do ridículo, está aberta a sessão conforme o regulamento que permanece em subtil forma de descrédito.....

sexta-feira, junho 26, 2009

:-(

A minha escrita é pequena. Entristece-me concluir que nem o mundo cabe numa frase de irritação que produzo.À falta de melhores argumentos, restrinjo-me às palavras de solidariedade com os princípios de luta que me educaram desde que conheço a luz do dia. Luto só mesmo para não desaparecer criativamente. SInto-me afogado. O titilante de criar, passou ao exaurido desejo de ter algo para dizer. Aquecer conceitos, é diferente de arrefecer ímpetos de mudança. Já fui refém da catadupa de coisas que me deixavam a ser pouco mais que uma coisa criada, rebuscada, e depois inovada. Se calhar foi ilusão. É possível que engano, esteja a escorrer nos micro-espaços que compõem os milhões de organismos vivos que eu já fiz brotar nos ecrãs de computador onde já escrevi. Mas sinto-me desanimado. O mundo não se fez para mudar. O mundo já nasceu mudado, e nós só preenchemos os espacinhos em branco que são os dias que nos restam para viver. Não sendo de outra forma, só me resta o silêncio.

Sem título (23)


pleno,
tenho medo,
de fazer nada
sinto dó,
sentir parte,
de tudo o que
a meio,
ressuscito,
para morto dizer,
ao longe asseguro,
estar-me sentido,
desfeito,
e à luz do escuro....

quinta-feira, junho 25, 2009

Escrever nem sempre é a solução


trocado na nascença
de afagos,
deixaste assim sem pintura
o que nunca sequer
chegaste a lamentar,
fui a pedra da calçada
do teu choro de criança,
encaixado naquele palacete de fomento
de amizades falhadas,
renovei por sentir que
nascer de novo,
eram respostas inúmeras ao escasso de
presente do passado
que nunca vivemos,
só quero fazê-lo bem,
nem me perguntes por
onde passa desejar isto,
só vejo o dia a nascer
trocado com o que me move neste momento,
e quero recuperar,
o mundo há-de ser meu
tanto,
mas tanto que o será digno de voltar a ser
resumido num só verso...

quarta-feira, junho 24, 2009

Presença solitária

mosca de vez possivelmente
na ténue esperança
de um gás solto,
é farto,
foi extensa a solução
enfartante da nova
solidão,
da luz presa
lá longe,
no resplandecer caro
que pinta a rua das putas,
só mentiras,
as mãos em cruz,
a alma solta
e desfeita,
e do caos a renascer
no esperanto das coisas vãs....

domingo, junho 21, 2009

Crítica literária

Boa tarde. Está um dia atravessado de Verão. Gosto de chamar assim o que não entendo, e como nunca consegui encaixar a capacidade do planeta de nos fazer inflar, para depois exalar, deixo-me arrastar ao sabor do imprevisto. Mas falemos de coisas simples. Procuro um livro que me liquefaça. Passo a explicar. Sofro de alienação abrupta. O real, para mim, nunca será um contínuo espaço-tempo. Talvez porque não entendo o que aqui ando a fazer. De qualquer das formas fico-me sempre pela poesia.
Também gosto de prosa.
Não gosto de crónicas.
A vida não é tão caótica como um expôr de argumentos desordenados que pretendem fazer sentido só porque o homem é um animal político.
Digo, e que conste...
Fico-me assim pela simplicidade literária da sua poesia. Gosto desta.
Chama-se 'Valências de um louco'.....

sexta-feira, junho 19, 2009

Desde Setembro que andava mudo....

....mas o Singelo tem novo post. Está aqui

....e o mundo caminha para o fim

ei-lo só,
feto de mim,
preso de facto,
conjunto de ratos,
pessoa menor,
em fauna labiríntica
com sonhar à peça,
desdém pintado,
claro,
de facto,
menor por menos
que tu,
perfeita desdita de
terminar,
como se terá
começado,
pelo fim,
por mim,
em ti.....

terça-feira, junho 16, 2009

Sem título (24)

neste mundo pequeno
redondo,
nem é meu este querer
topázio,
onde me agarro para sem
desejos desfiar momentos
em bocadinhos
de carne para esfomeados,....

Sinopse

"Desmotivava-me tanto saber que o amor estava escrito em cirilico, naquele bocado de papel de rebuçado dr. bayard."
O romance estava a começar a ser escrito como que num tom de desprendimento. Não tinha data de maturação. Nem prazo de possíveis arrependimentos. Lidaria com uma constipação, e um sorriso de compromisso inadiável. Talvez fosse o suficiente....

sexta-feira, junho 12, 2009

Se pensar medisse menos que explodir.....


fala de mim como se o invólucro de um assunto fosse,
dispendido assim em comesinhos pedaços de
de alternância,
pareço o que pareço,
mas sem revelar nada
a mais do que verdadeiramente quero,
em suma por qualquer coisa,
o dia nasce e eu nem
me apetece fazer com que ele morra de novo,
só se for para nunca mais haver sonhos
a meias com o destino.....

quarta-feira, junho 10, 2009

Empresa de faianças solares

estava dito,
ou tinha ficado implícito,
que a decisão de escrever
uma carta ao âmago do
ser teria de ser feita
à luz do luar,
em dia de morte inexplicada,...

sentei-me à chuva,
garatujo melhor quando
penso com nuvens por cima,...

segredaram ao vento
que o velho das porções
totalitárias morrera de
morte causada,
tiraram-lhe o aspecto
frugal de desfrutar de um sonho,
e depois cravaram-lhe o peito
até o sangue se tornar azul,...

pedido feito para tornar
isto em moças sorridentes,
senti a minguar o que de
noite entendível restava,...

recusei,
levantei os ossos gastos,
e tomei caminho para o nada,...

sou redactor de factos,
não de suores de trabalho
que é findo por
nunca ter existido....

terça-feira, junho 09, 2009

Aculturado


Li este livro por tua causa. Falaste da rispidez do papel maché que nos parecia abraçar com braços envolventes e magros, desdizentes da crueldade dos crimes de sangue com que se insinuava no palato desmaiado de quem o havia comprado. Redigido em caracteres indigentes, senti-o frutificado em mim. Falava de dar oportunidades à oportunidade de sermos oportunos. Fazia-o com pretensões que tu nunca me descreveste com palavras que interessassem. Dizias, 'deixa-te embrenhar'. 'Fala ao que desejares falar, e escuta quando sentires que precisas de ser escutado'. A tudo, com a simplicidade com que a cultura nos beija, e nos deixa pituitariamente desfeitos, respondi com o sorriso com que me apresentei ao insensível. E li tudo isto. No fim, nada. Adormeci sobre o assustador que a palavra esclarecido despertou no reino de insondáveis dúvidas em que me movo.


Menina perfeita à chuva XI

Sentia-se a ficar sem pele, porque da pele sangrava sem sequer ver o que podendo ser sangue, era água tingida do vermelho das possibilidades infindas do armagedão com que o planeta parecia desdobrar-se. Deturpada na essência de ser de certezas feito, era hospedeira do cancro da dúvida. Sentia crescer por dentro o que a tomava por alvo de estupro. Entravam-lhe por si. Saíam-lhe pelo que queria deixar de ser. Entravam de novo por aquilo em que se estava a transformar, para no fim dizerem estar a vencer. Menina-Sol cessara de ser um processo de essências libidinosas em transformação, e só respirava. Azotos perfumados, com misturas do suave com que a água nos envolve, arremessavam-lhe as fossas nasais para o profundo do desconhecimento. Era portadora de hóspedes, que de hóspedes tinham o desejo de matar. Acabar com o previsto da respiração, e deixar em vez disso a plenitude do andar para sempre à espera que o ar encha de novo pulmões gastos pela indecência. Seria confusa toda a envolvência de morte, se a morte ela própria já não se tivesse tornado companheira desta viagem. Guia para um horizonte que restava-se a si mesmo para se manter lá onde sempre esteve. Menina-Sol já não chora. Tinha desaprendido de ser Ser.

#I, #II, #III, #IV, #V, #VI, #VII, #VIII, #IX, #X

Sem noivas, e sem irmãos

viste as noivas da sombra de mim,
lampiões de sonho na rua
em que lambusado,
discorro sobre o que nunca
fiz para autopromoção
do conceito da minha morte,

viste-as soltas,
a correrem nuas nas vielas que fazem as vezes de sinapses na
correria de lama que
carrego entre orelhas,...

sofrido,
casado pela borrasca do meio dia de copos de água de fome,
findou-se tudo assim,...

deixo-te para surpreeenderes a existência que te apresentei,
com o ar pútrido com que te banhas....

sexta-feira, junho 05, 2009

Pedomedos ocultos

sentir boca feita
duna de céu
escarlate,
coma assim dourado,
disseste-o escrevendo?,
pisado acredita o rodar
desta pedra,
escreveste-o no tombado da
luz de um
dia de choros,
e com o fim cheio
de princípios assim.....

quinta-feira, junho 04, 2009

Mal descrito assim


desenhámos sorrisos
avarentos na ardósia,
para o fazer bem,...

mas mal de si,
mal de todos,
o sol descende pela
mal querença do incerto,...

puxava a ficha deste
mundo à corda solta,
e mal de si,
mal de todos,...

por fazer ficaram as
consolas das
velhinhas sorridentes
das alvoradas....

terça-feira, junho 02, 2009

14 anos

quero que esquecido,
de esquecer o esquecimento,
reste-me a mim penas
de anjo....

instado a levantar-me
do balcão dos aflitos,
não consegui,
14 anos a ver o
lado prisão
das coisas....

Revolução, meretriz, revoluciona!!!

foi o que semelhante
a uma revolução de
sopros,
desnudou uma ventania
incontida na praça de
descansos parecidos
ao anoitecer,
republicanizado o desejo
do rei de parcelas descobertas,
povo foi quem habituado
a viver mal à sombra
de pedras,
libertou-se para
libertada consequência
do desleixo,....

por ínfimo que parecesse,
estaríamos a falar
de mulheres inconsequentes a
dizerem perceber
das políticas de controlo
de pensamentos incómodos....


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