terça-feira, 14 de julho de 2026

Um Deus de corpo deformado,...

 A jura protegida,

Saiste de casa com ela num saco de compras,

Por entre o suave arremesso de um disco de jazz,,....


Não irás longe,

Com peso assim desproporcionado,.. 


Talvez ao café,

que está para fechar desde que ao fim da nossa conversa séria,

Surgiu um beijo secular que ainda sobrevive,...


De ti poderá ainda vir uma enseada,

Um Deus de corpo deformado,

Vida finita,

Mas que zele,

para que te recomponhas da violência natural que virá 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Vês me na esquina?,....

 As pingas,

A delícia de uma tarte,
Amolecida,...

E dois copos de zurrapa que estava escondida,
Entre dois livros de filosofia que já amarelecem,....

Que horas são?,
Os deuses e uma mulher entediada,..

Vês me na esquina?,
Aqui,
De braços bem levantados,
Roupa emprestada,...

Sou o leitor,
A página fina dos mesmos livros de filosofia,....

E a combinação daqui,
Amanhã à mesma hora,
Como se o filme ainda 
continuasse a ser bom 

domingo, 12 de julho de 2026

Quem lia sem perguntar,....

 Esquecido como que estendido estava sobre a mesa,

Um nariz de fumo erguia se no ar,

Com anéis de conhecimento que colavam os presentes....


Achei me noticia,

Capa de crime num jornal de anonimos,

Eu era o esquecido,

Quem lia sem perguntar,

Quem nem sabia questionar,....


E ao fim de uma roda de tempo,

Uma simples e irregular volta ao mesmo de sempre,

Revivi na pergunta básica do silêncio,

Se iria continuar,

Ou desfazer este nó de indiferença feito

                                                                                      Tirado daqui

sábado, 11 de julho de 2026

E vê como está o miúdo,....

 É preciso comprar pão,

O que há apodreceu,....


Se conseguires vê das maçãs,

Não passo sem uma antes de sair para o trabalho,....


O chão da cozinha tem cotão,

Se conseguir varro mais logo,...


E vê como está o miúdo,

Anda a dormir mal,

Parece macambuzio,

Só quer espreitar à janela quando anoitece,

Acho que deve ser a vizinha da frente que toma sempre banho à mesma hora,....


Ah,

E gosto do cheiro que se te agarra nestes dias,

Acho que ja não passo sem ele,...

Até logo


                                                                               Tirado daqui

sexta-feira, 10 de julho de 2026

E para lá da noite,...

 Sei do formato das desculpas,

Sei dos sapatos que não lhe cabem,

Já soube a música distante e descompassada que a segue,

Mas esqueci-me,....


Sei a forma,

A novidade,

A mulher bonita que há sempre quando a desculpa,

É o falhanço,....


E para lá da noite,

A mesma que nunca falha para comprometer o pensamento,

Sei de me tapar na cama,

Por haver um frio que viaja a pé,

Para nos matar 

                                                                          Tirado daqui

quinta-feira, 9 de julho de 2026

E o menos,...

 Aprendo por partes,

A loucura encenada numa comédia sem voz,

O desejo,

Na sede,

 agarrada ao calor que escorre do tempo que passa,...


E o menos,

A soma de todas as verdades que esqueci,....


Como o grito na praça vazia,

A comida que a doença faz saber mal,

Não ter ninguém,

Nem uma alma viva,

A quem contar como acaba aquele último livro de cabeceira,...


E meu,

Só meu e de mais ninguém,

É o troco de tanto

 investir no silêncio 

De: Studio Oliver Gustav
                                                                              Tirado daqui


quarta-feira, 8 de julho de 2026

26 degraus para baixo,..

 E dizia se,

26 degraus ate ao topo do negrume,...


Uma casa perdida,

Feita nota de rodape ousada,

E sem estilo ou vontade,

Colorida, 

Em que dos relógios brotavam letras seccionadas,

Sem que o silêncio lhes permitisse vida,...


Houve morte,

Autoridade,

Passos de romancistas e livros de cordel incompletos,....


26 degraus para baixo,

E o horizonte reganhava a verdade de croma e passado 

terça-feira, 7 de julho de 2026

Com livros sem idade,....

 Eu às vezes previa a verdade,

Nos olhos das pessoas,...


No que havia para comer,

Em Dizeres azul,

Vermelho,

Cores que não existem,

Quando a vida era um caleidoscópio difícil de definir,....


A verdade estava escondida aos pés de mesas,

Onde as pessoas concordavam entre si antes de se cumprimentarem,

E regressarem onde tudo estava preso no tempo,

Com livros sem idade,

E perfumes de mulheres traídas que se conformaram 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

De.choro,...

 Dual sensação de diletante,

Porção de um choro,

Para aqui a presença,

De lá a ausência,....


Risco maior de uma perfeita,

E forçada percepção,

De choro,

De abraço,...


De uma luz porvinda da Terra,

Em forma de nascituro,

E com a permissão,

De deixar lá longe a vontade de lutar

domingo, 5 de julho de 2026

Acho por achar,...

 Acho que é só noite uma vez,

E por isso o permitido terá de ser curto,...


Acho que esquisito escreve se com X,

De xilofone,

O ribombar único que justifica a parcimónia,....


Acho que achar será proibido daqui a pouco,

E não haverá prémios de noite às escuras,

Nem crianças alouradas que recitem Goethe,...


Acho por achar,

Nada mais

sábado, 4 de julho de 2026

Percebo e concordo,..

 Entendido,

há silêncios diferentes de água,

e homens a sair à rua inocentes,

ainda antes de uma condenação colorida à morte,…


percebo e concordo,

a explicação de amor que me deste,

havia a forma em detrimento do conteúdo,

e um livro por ler,…


como te disse, entendo,

talvez to diga com um silêncio

descolorido


https://thesegladtidings.com/2025/07/29/traditions-of-men/

sexta-feira, 3 de julho de 2026

E o agora daqui a bocado,..

 Cortar te de algum vulcão,

Deixar palavras por escrever,

E sim,...


Fumo nos olhos,

Corpos insinuados na indecisão de uma janela de inverno,.....


Eu sou o apresentador desta vida,

partida em bolo de cenoura,

Com fatias às meias horas,...


E como te direi,

Talvez um horizonte bordado a neve,

Em que regressas ao magma do topo de montanha,...


E voltar a ser o passado tapado com uma caldeira Invisível,

Para que de futuro percebemos nada,

O presente seja a manta que nos afasta da noite, ....


E o agora daqui a bocado,

Quando a dor de cabeça da morte ja me tiver chegado

Pier Paolo Pasolini nas filmagens de O Evangelho segundo São Mateus (1964)