16.11.19

Lado esdruxulo da linguagem

Condenava-se ao degredo das exclamações,
Nós as frases feitas carne,
Sem entoação especial,
Comandadas porque nada mais resta que o silêncio,
No fim,...

Admirava o lado esdruxulo da linguagem,
O falar porque nós teríamos de perceber,
Sem que a luz fosse de comum percepção,....

E precisava sempre de ar para que o distinguissem,
E o refratassem como a passagem do tempo

15.11.19

Insegurança

Humedeceu os lábios,
Do interior avançou como
Que o dia não pesasse,
E dos minutos já mortos viesse a insuflada vontade de prosseguir,...

Amor a postos,
E sem vontade de definir sentimentos em personagens,
Recriou-se como depressiva,
Escrita a dois tempos seria a transparente da sua rua,
Quem nunca iria fazer com que houvessem noites dignas de nota,
E madrugadas que em verso fizessem filhos como quem planta ideias revolucionárias

14.11.19

não me protejas

não me protejas,
fazendo a ponte entre
o deve e o haver,
amanhã serão novos
desafios,...

o que comemos
entre as frases incompletas
de um adeus,
já não está cá,
por isso a haver
razão para um fim,
ela está talvez na
retina do que dissémos
de infeliz, um ao outro






Voz

não se sentia confortável com
a voz,
da que está untada numa pele,
o silêncio inchava como um filho
indesejado,
havia inoculações de sombra por entre
as paredes descontruídas
de qualquer abrigo,...

amontoavam-se palavras como
se de mosquitos da morte se,
tratassem,
e o refúgio fosse aquele resguardo
de tabique,
numa parede que iria ruir,
de velha,....

a voz doía,
ainda assim,
menos que a soma de todas
as exclamações


13.11.19

Carta de ir embora

O que tinhas visto em nós?,
Talvez de um modo inofensivo,
Preparando quase o caminho para que uma criança aprenda sobre a morte,
Te explique que vejo previsões onde a certeza assusta,
Que anoto qualquer irracionalidade que as pessoas me contem,...

Nunca irias perceber a minha pele de chagas assustadas,
O sono desconfiado com que me evado do medo,
Quando lá fora só há silêncio,...

E assim de um engano,
De um aceno incompleto,
Me consiga despedir sem que o teu choro seja a minha hesitação

12.11.19

Amotinadas

Quando percebi o que estava em causa,
Como as coisas já eram inúteis se nem conversar se conseguia,
Recordo-me do olhar de todas as pessoas que conheci,
Vazio,
Sem referências solidárias ou sequer de distância,...

Amotinadas estavam todas as ideias de consenso,
Porque todos optaram pela poesia rebelde e sem sentido



11.11.19

Tudo parece contido

Tudo parece contido,
Nada sem ser estranho permanece à nossa frente,
Sem que este tempo se continue a assemelhar a espiões que desdenham a vida,
A putas que sendo meninas de golas de renda,
Têm dúvidas que cheiram a doença venerea,
E certezas sem cores que não frutificam mais que um par de sapatos de um morto,...

Sou snob ao mesmo tempo que sou pobre,
E estafermo que todos detestam,
Soa a linha intransponível defender este risco,
Mas do mundo já não se esperam gritos,
Tudo parece contido,
Como se a mudez se ouvisse até ao osso de todas as coisas

10.11.19

na minha casa




Tirado daqui


só poderás perceber se na minha casa,
eu for o momento em que o tempo parou
nas nossas mãos,...

não me chames equívoco,
nem espaço entre as razões que não entendes,
na minha casa,
no espaço em que rastejo pelas
mensagens que nunca formulámos
ao sol,
sei menos que um moribundo,
não percebo sequer os precedentes da minha vida,...

e enquanto isso,
há lá fora uma música que te
entende melhor que alguma vez o consegui

9.11.19

desmancha-prazeres

sem sequer saber o que dizer,
um dos desmancha-prazeres de toda
esta questão,
não falava,
respirava aos solavancos,
descrevia escrevendo o que se tinha
arrependido havia não sei quanto tempo,...

afinal era só uma tarde pintada a opaco,
em que não se sabia como desatar
um nó invisível,
e na rua os cães olhavam nus para o chão,...

a que mais se aspirava quando
o mundo perde assim a esquadria



8.11.19

No mundo lá de fora

No mundo lá de fora,
Não há muito a dizer sobre o mundo lá de fora,
A não ser que de duas em duas portas se fala mal do destino,
E as rosas cheiram sempre menos a lousa do que os vestígios da minha escola,...

Talvez quando amanhã lá chegar,
Lá for a cima e disser às pessoas que odeio,
Como é incompreensível este sentimento sem rosto,
Passe a haver mais a dizer sobre o mundo lá de fora,...

Até lá troco só os dedos a escrevinhar mais um poema



7.11.19

Anúncio

Esvaziam a caixa de correio
Do que me deixaste ao amanhecer,
Fazendo a luz aparecer pela porta do escuro,
As pessoas reúnem-se,
Anúncio de partida deixado debaixo,
Da porta onde te viram desintegrar



6.11.19

Espelho de água

os outros fazem
para que me esqueça
do,
traço que removeste
do meu corpo,
 recuso a sobriedade
de me confrontar com a
lividez dos factos,
consumados em si mesmos,....

prefiro desenhar
o que sobrou da
privacidade dos nossos abusos,
das vezes em que me faltaste
 para sobrar a outros,
de me encarar
num espelho de água,
que acreditávamos ao amanhecer,
ser falso


5.11.19

Sair sem retorno

Havia dívidas de gratidão,
De somenos importância a saudade,
Espelhos gastos com velhices por partilhar,...

Na minha raiz da frase mais pequena que inventei,
Perdura a agonia de não saber usá-la,
Fazer de ti o que o tempo se escusa a dizer-me,
E o laço que uma comunhão não consegue matar,...

Havendo a porção de livros espalhados e por terminar,
Saímos para a rua pobres de cores e de percepção


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