8.8.20

Exegese

terás de me matar
de novo,
se quiseres um
lugar de escrita,
duas linhas
imprescindíveis que façam sentido,
para que não me perca
a respirar por cima da minha subida aos céus,....

terás que renovar o
esforço,
fazer de mim
um troféu sem valor,
e assim a redação
de um final credível,
com plena aceitação
da escassa condição finda dos imperfeitos, será palpável,
muito mais que um verso inutilizado,....

pedir que me mates,
sim,
era a frase que faltava
neste raciocínio,
com pouca lama na
engrenagem de todos os dias


7.8.20

Primado da pessoa humana

Assim como o que se pretende que seja discreto,
E acima de tudo anuido apenas pela presença,
Não fazia tencoes de descrever este dia como diferente dos outros,...

Havia dinheiro suficiente para comprar silêncio,
Armaduras antigas à porta do a antiquário da minha infância,
E tanta lama de conhecimento,
Livros rasgados por nenhuma ordem em especial,
Que atapetavam o caminho para fora daquela atafulhada desordem emocional,...

Pensei como a razão,
Enquadrado pelo primado da pessoa humana,
E sem a profundidade necessária,
A música levou-me até ao próximo contacto racional,
Um mundo de estátuas sem nomes,
E que me agravava a dor de infelicidade


6.8.20

Sítios multicolores

Não é desenxabido acreditar que se nos despedaçarmos sem adulação,
Não haverá a mão invisível que nos desenha a carvão multicolor,
Restará eventualmente o amor próprio possível,
As presenças do passado como dança mórbida,
À espera de nos levar para sítios multicolores,
Sem luz,
Com uma penumbra chamada falsidade 

5.8.20

Viajar sem propósito


quase todos os viajantes,
pelo menos os que falando sobre costumes,
relativizam a ausência de sentimentos
nos dias e dias em que só observam mato solto,...

acabam por descender de um estatuto
inalcançável,
passeiam-se pelo restolho da vulgaridade,
e quando o martírio das resoluções se
lhes afigura no destino,
escrevem cartas,
trocam voltas para nunca
mais regressarem ao passado,....

escrevo-o por já ter sido viajante,
e agora viver com a minha respiração agrilhoada
ao pó dos livros sobre destinos exóticos

4.8.20

Amarelecido

A alegria de não ser amarelecido,
Uma imprecisão,
A nota de fintar o tempo,
A acreditar que envelhecer vibra indefinidamente pela berma da estrada,
Como se a tristeza se equivalesse às estórias que o caminho conta,
E o horizonte esconde,...

Se me minimizasse dores de parto da solidão,
Acreditava  que me descobrias assim a verdade


3.8.20

A criação gera revolta

Deves estar revoltado,
Enojado,
A ponto de perderes o condão de falar,
E os desejos alinhados como estrelas no segundo antes do fim dos tempos,...

Não te merecem o silêncio,
Desdizem-te como criador,
Da forma mais pueril que um sonho pode descrever,
E no entanto aqui estás,
Sensível,
Criador de pequenas histórias profundas,
E com os sentidos que o verbo possui como argumentos parcialmente consolidados,...

Mas mesmo assim permites que conversemos,
Como se das tuas mãos brotasse qualquer coisa que dói só de pensar,...

Ao fim de um dia não me ocorre nada mais que escrever,
Do que a luxúria comprometida


2.8.20

Tempo apascentado

Talvez no princípio tenha sido sem chuva,
A terra afonica,
Incapaz de gritar o pânico de assumir solidões presas,
De tantos e tantos anos,...

O desvendar do céu começou,
Grosso modo quando os velhos desataram a empacotar histórias de vidro,
Das que se tinham de preservar antes de se esgotarem num horário sem termo,
E cheio de planícies a retroceder no tempo,...

Não me importei que houvesse autores que aflorassem a falta de cheiro,
Disto que chamava envelhecimento apascentado,
Com tanta e tanta ovelha a insuflar a morte,
Regurgitando o alimento com que se brindavam de amor,...

Fim de projeto chamava-se aquela casa,
em que aprendi a falar em voz alta para a parede,
Só ali aprendi o dom de congelar cada momento,
Como efetivamente o último de todas as vivencias sem propósito


1.8.20

Auto de compaixão

Os limites consigo traçá-los,
as dúvidas não se colocam neste cenário,
até porque não saem do tracejado irregular
do papel,
ficam escritas num tom mortiço,
e ali as deixo,
procurando que não se enraizem de mais,....

tudo isto para explicar como
os meus dedos só servem para uma definição,
dois cenários,
e talvez tudo o que de mais me procurem
no incerto da manhã,...

não serei a proposta mais fiável de uma
teoria moribunda,
mas esforço-me,
ganho margens,
e se o que florescer restar no dealbar da noite,
tolero introspeções,..

de outra forma nunca



31.7.20

Grande poeta


o grande poeta,
jogo de espelhos,
dá-nos folga para pensarmos
mais além,
recolhendo os espinhos,
a dizer que sim,
que talvez,
mas porque o não mata a vontade
de criar,
refugia-se no som,
na degustação do silêncio feita barulho,...

este grande poeta não tem idade,
nem identidade,
soma-se a tudo o que pode insinuar,
deslindar,
e perfaz o tempo suficiente do
descrédito,
simulando uma perfeita renovação,
sem que voltar ao início,
seja solução,
para matar,
e renascer

30.7.20

Ghost writer


segue o texto com emendas,
desiquilibrado,
reconheço,
mas arrumado o suficiente para criar
alojamento,
sítios onde existam personagens que 
reflitam no mal,
mas também pensem bem sobre as 
ações por concluir,
que deixam as pessoas felizes,
e o leitor anunciado para uma 
reconversão de sentimentos,...

se não gostares,
burila a indecisão que eu sei que
demonstro,
recomendo que deixes pássaros aninhar-se por
entre os teus braços,
e depois refaças tudo,...

quero um princípio de obra que desnivele
as pessoas o suficiente,
até se encontrarem

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