terça-feira, setembro 27, 2022

Espinho de uma rosa

 A todas as que conhecia desejava o mal,

Frases ocas,

Gestos sem sentido,

O habitual no caminho de uma mulher que é falsa para o semelhante,

E inconsequente para tudo o resto,...


E assim tornava-se velha,

Anacrónica,

Incapaz de se explicar quanto mais de sentir,...


Resta o amor pelas flores,

E o prurido do sangue a escorrer pelos dedos,

Dado pelo espinho de uma rosa



segunda-feira, setembro 26, 2022

Vagamente inspirado na Banda do Casaco

 Faz o dia,

Faz a noite,

Restos de alegria,

A luz espera-te,

O lado esquece,

Recorda a vilania,...


Faz o prato largo e forte,

Dois de casa não dão a rua,

Solitário não serás,....


E o caso de uma pressa,

Fraca e sem contornar,

Fica-te no sangue,

Presa e sem voltar



domingo, setembro 25, 2022

No voltar de um conto

Por entre as nuvens,

O sol batia a porta sem pedir licença,

As paredes dançavam porque não havia música que lhes permtisse o contrário,..


Certos homens pensavam que a dor não existe,

O corpo é que se recolhe e nos faz acreditar que a ilusão é passageira,

E nada custa tanto como a espera de uma ausência,....


Tudo o que aqui se reproduz,

Se dá por terminado com um som prolongado de um navio,

Que se arrasta inútil pelo mar moribundo




sábado, setembro 24, 2022

Montmartre

 Em montmartre estava um livro que bamboleava,

Abandonado no chão,

A frase certa parecia pregar-se ao olho de quem passava,

Não há esperas que se façam num quarto,

Nem desejos incorporeos que por lá se possam esconder,...


A fleuma de um especialista em desenho manteve-se,

E dois corações que se amam continuaram a ouvir-se




sexta-feira, setembro 23, 2022

Memória disforme

 Pronto, 
está escrito,
Só me ficaram a doer os dedos,
Pensei que fosse pior e a luz morresse espremida,
Pelo que resta desta janela velha e carcomida,...

Não falo mais de ter que pensar às cores,
Seja lá o que isso for,
Nem toco por segundos que seja
no que ficou de uma memória disforme,...

Neste quarto que amanhã já não me terá,
Só me resta sair,
E reatar a dúvida onde o sol mais aquecer


 

quinta-feira, setembro 22, 2022

números inúteis da morte

Prometi voltar antes do meio
do dia,
lembro-me ter dito,
a quem me ouvisse,
que o silêncio era sempre maior
do que a distorção do som,
e antes até de sair,
marquei território como as feras,
espalhando em cima das mesas
folhas toscas,
com a minha letra disforme a escorrer
poesia invisível,
que parecia tingir o chão de ocre,...

ao regressar,
as paredes falavam-me que 
tudo se tinha esvaziado,
não havia pessoas,
nem ideias,
nem sequer os números inúteis da
morte,
só mesmo um chão ensaguentado,
e que recitava desconexo a mudança
do dia

quarta-feira, setembro 21, 2022

A desilusão

Entristecia-me a desilusão, palpável, entre duas pessoas que se admiravam, respeitavam-se às vezes, e optavam por só usar a linguagem certa. A ideia, sempre pensei, era evitar ferimentos gratuitos. No lado de dentro daquela porta, eu que passava o tempo a atender pessoas, ouvir reclamações insuportáveis de mães falhadas, pais medrosos, e filhos indesculpáveis, até aprendi a ser paciente. Admirava-a mais do que a ele. Era uma mulher bonita, que não se esmerava na roupa, mas punha interesse na forma como caminhava, olhava para os semelhantes e os que tutelava, e principalmente como cuidava de um cabelo louro, timidamente ondulado, e que parecia manter-se intocável mesmo perante as intempéries. Ele tinha tomado a decisão de abrirem aquele espaço. Foram tempos difíceis. Tinha-se precipitado ao sair de um emprego de escritório que o consumia, e as coisas ficaram incertas durante longos meses,...
que pareceram anos.
Até encontrar um cubículo pequeno, meio escondido da luz do sol, numa ponta da rua por onde raramente passava. Estava vazio há tempo demais e, tempos depois, já era dele. Imaginou uma coisa simples, isenta de presunções, e onde pudesse haver um ambiente escolar, aplicado à rotina sem horas e sem cheiros. Ela aprovou, quase sem palavras. Como o fazia sempre. Trouxe-a num dia de chuva, pela primeira vez, à espera de um sorriso. De uma mão amiga, cúmplice,... Já não pedia amante porque se tinha habituado a não exigir mais do bem-querer daquela mulher. E teve um sorriso, meio rasgado meio tímido. Uma crença de que as coisas iam correr bem.
Houve flores naquele mundo. Uma criança, duas crianças,...
mas um abandono crescente,...
Até que se sentiu a desilusão a instalar-se. Como uma corrente de ar leve, primeiro, que depois revira tudo num ápice, levanta sujidade, más memórias, dívidas de gratidão, e instala-se sem querer nunca mais sair.
Eu cheguei numa tarde quente de Verão. Timidamente, com um pequeno pedaço de cartão na mão, onde se lia 'Ajuda Precisa-se', disse estar interessado. Fui ficando. Como já disse, ela enchia-me as medidas. Se calhar via-a como mais do que uma mulher distante. Se sim, já escondi esse pensamento entre os nós dos dedos, à espera que ele não se liberte. 
E pesou-me tanto a desilusão. Até me apeteceu, como agora o faço, escrever sobre ela...




terça-feira, setembro 20, 2022

Confissão de egoísmo

este era o facto consumado que te 
apresentava,
o mundo a exigir-me disfarces,
tantas mãos que passavam pelas
portas de todos os dias,
cerceando a minha possibilidade de
fuga,...

um papel escrito toscamente,
com indicações de um percurso de 
retorno à sanidade,
e algum dinheiro,
provavelmente já desaconselhado,
como todas as invenções do egoísmo
humano,...

e assim nascia outra manhã,
sem que a redenção fosse
uma possibilidade



segunda-feira, setembro 19, 2022

Só porque sim


 

Sonho de mel

e a minha mão,
um rosto desfigurado pelo silêncio,
havia a frase da despedida,
e a certeza do regresso,
e tantos pontos brilhantes que desenhavam
o sol,
na escuridão,...

e a minha mão,
como rosto ínfimo do
prazer,
que desenhava amor nas fronteiras
longínquas do teu corpo,
e depois agarrava poesia,
nas gotas secas de um
amanhecer que se repetia



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