segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O que invejo,..

 Dizes que o irremediável são dois sapatos,

Gastos e que já não palmilham caminho,....


Mas eu ainda gosto da verdade,

Pequenos lábios de pássaros invisíveis,

A beijar me o que desejo,...


O que invejo,

Sabendo que o irremediável continua lá,...


Como dois sapatos,

Ou acordes,

Pequenos e desesperados sons de música,

Que servem para tapar,

Invejas que não vêm ao caso 

                                                                                  Tirado daqui

domingo, 6 de setembro de 2026

E pensou em pássaros,..

 Quando lhe tiraram as amarras, que mais não eram do que luzes invisíveis que a agarravam a uma rotina monocórdica e de uma cor, ela andou. Havia um único caminho disponível, enlameado, que passava por baixo de uma árvore altaneira, mas que se percebia estar moribunda. Andou, com esforço para desenvolver os músculos, até senti Los quentes e a pedir uma marcha cada vez mais intensa. Não procurava nada, nem ninguém, ate porque se tinha habituado a uma solidão demonstrada, que falava consigo própria, e a afastava de todas as explicações racionais para a situação única em que se encontrava.pensava numa rotina que pudesse readotar, que lhe desse cor e especialidade, num resto de vida que queria marcante. E pensou em pássaros. Poderia ser com isso, amar o céu, e entregar se à vontade de se exceder sempre, e a qualquer momento.

                                                                               Tirado daqui

sábado, 5 de setembro de 2026

E a apologia do certo,.. .

 Nenhuma vez mais do que as outras vezes,

As desilusões,

As caixas de sonhos perdidas nas ruas de todos os dias,...


Os outros voltarem para casa,

Sem que tu e eu sequer nos importemos,...


É atirar para fora a escolha de dias de reflexão,

E a apologia do certo,

Desdizer a versão correta do errado 

Foto de Jean Marie Périer
                                                                                Tirado daqui

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Um dia gostava de saber escrever assim


 

E é solitário,...

 Porque é Solitário falar do que achamos que ja fomos,

E há um homem alto,

Que finge passear crianças pela mão,....


E uma mulher fantasmagorica,

Acentuada nas esquerdas e laudatoria nas direitas,... 


E é Solitário,

Talvez abrir mais a boca,

E redige se o nome e a data,...


Para que se satisfaça 

quem não é da casa

                                                                                  Tirado daqui

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Chama me religioso,...

 Eu não disse quem me podia salvar,

Não defini a temperatura do chá,

Nem sei se és melhor na poesia,

Ou em descrições puras de cenários de rotina,...


Nada passa por mim entendes,

A cor da minha pele exala transparência,

Os meus olhos não sabem definir,

Por nunca terem visto um horizonte,....


E hoje em dia espero da noite,

A paz que ela nunca me deu,...


Chama me religioso,

Se quiseres

There are two means of refuge from
the miseries of life: music and cats.
                                                                    Tirado daqui

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Que deixei de ouvir

 As plantas têm anemonas,

Um pontinho de mar apenas,

E um cheiro inofensivo e também literário,....


Trouxe te para escreveres algo assim,

Uma paisagem de um mar saturado de sujidade incompreensível,

Com árvores alargadas,

À beira mar,

Que se curvem à indiferença,

E perpetuem o silêncio sobre o amor, ...


De qualquer destas formas esta é uma pressão admitida,

Querer fazer de ti a presença e a herança das ondas,

Que deixei de ouvir 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Setembrando a 26 de Dezembro de 2025

 Nao são as nossas vitórias,

A sopa fria que nos servem ao final de cada tarde,

Nem é um pedaço de pão que nos confiam por pena,

Nada é a verdade inquestionável,

Nem a loucura instalada numa casa isolada,....


Descreve me tu o à vontade que,

Para mim,

Não existe nesta questão,

Sou o farol de estranheza nesta porção de loucura,

E não entendo,

Só talvez se me recitarem algo irracional

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Elas que disseram,...



Protestam Porque me deixei descobrir,
Tenho a pele colada ao vento,...

A pressão está do lado das pessoas,
Dos seus gritos,...

Elas que disseram,
De olhos abertos e preconceitos nos corações,
Não aceitar razões desenhadas,
Vozes empobrecidas,
E o desejo solto em sopros avulsos de vento,....

E por isso protestam,
Chamam a nova razão para o amor,
Ao que vão deixando pelas ruas 

domingo, 30 de agosto de 2026

A voz imprópria da previsão

 Anda é por aqui,

Nao tinha medo do escuro,

E repetia um mantra tão antigo como o tempo,

E desnecessário como o vento absoluto,

Enquanto deitava pelo chao,

A voz imprópria da previsão 

Apartamentos Hilliard (2025)
Bertrand Goldberg

sábado, 29 de agosto de 2026

E andei por sitios afiançados,

 Escolhi parar o tempo. Foi uma decisão intempestiva, tomada num final de tarde como os outros,....


Em que as letras se juntavam em cacho,

Com laivos de clima tropical,

Ao lado dos homens silenciosos que escolhiam acentuar a vida,

Sentados no mesmo cafe de sempre,...


E andei por sítios afiancados,

Promessas de paraíso que nunca antes havia conhecido,...


E apenas para que a razão fosse minha,

A mim viessem os laivos de uma filosofia moderna,

Efetivamente transformadora,

 e que adiasse os pormenores estouvados de uma existência isolada,...


Agora,

Dois decimetros de dia depois,

Vejo que falhei no meu propósito,

O dia corre ainda,

 fétido neste ribeiro escurecido

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Diz me para dizer...

Man with a movie camera (1929)
De: Dziga Vertov


Dizem dos que evitam,
Dos que deixam a cara ao sol,...

De mãos no peito,
Maioridade alcançada,
Dizem a poderosa forma de silêncios,
Que este cenário ajuda a exaurir,...

Dizem o fim e o princípio do mesmo verbo,
Como se facilitasse um pouco de expectativa na presença táctil da felicidade,...

Diz me para dizer,
Como ainda fomos sem continuar a ser próximos,
E deixamo lo provado,
No concilio da palavra e do fulgor