2026/02/04

Mais vale um sumário,...

 correr para onde?,

se é escuro,...


o desenho não se entende,

não há caminho de todo,...


e apenas uma breve música,

um assobio inofensivo,

nos convida para onde ir,....


mais vale um sumário,

e um homem de braços

cruzados,

e esperar,

um inocente vai

agradecer-nos


2026/02/03

.....yves montand de estimação

 Ninguém foi ensinado a concentrar um olhar,

Uma decisão,

Um passo para longe da segurança,....


São compras de impulso,

Como levar um pano sem cores de uma banca de uma idosa sem nome,

Ou trocar de alma perante o diabo na rua,... 


Ensinados estamos a mentir,

Como se as horas nos acrescentassem,

Em vez de termos o Yves Montand de estimação,

A impedir-nos de saltar da janela agora,

E pôr a rua a falar de nós uma última vez


Lost in her dreams 
1835
De: friedrich Von amerling 

2026/02/02

Tudo desabava,...

 Via onde as coisas enegreciam,

E o céu ficava sujo,....


Estávamos vestidos de malte,

Mas a garganta seca impelia que prosseguissemos,...


Só se viam restos de comida apodrecida,

E o céu escondido atrás de nuvens amarelas,...


Éramos muitos,

Sem pavor de parar,

 nem vontade de ser diferentes,...


Tudo desabava,

Mas a ideia,

A luz do momento e o apetecível da ideia,

Já se viam pra lá

 dos montes envelhecidos 

Beauty im a marble room
1894
De: John William Goodward

2026/02/01

Fevereirando de 2026 a 3 de julho de 2025

 Nao implicava esforço.  Apenas um rosto intacto, incólume de expressões e desalento. A vontade de ouvir. Perceber que a sucessão de manhãs de chuva, não faz o desalento de um homem, mas é apenas a fatalidade de um mundo finito que tem tanto de autofagico, como de pai que devora as suas próprias criações.  E também ajudava gostar de cores. Preferir a neutralidade do branco, mas defender que uma emoção perdida, pode estar em movimentos conformados, mas ainda assim felizes, de lavar uns quantos morangos. Expressarmo-nos na intensidade daquele vermelho. Olhar para o lado, e esboçar um sorriso com as verduras acondicionadas num cesto de vime.  E findo este senso de rotina, dar uns passos, abrir de par em par as cortinas de seda envelhecidas, mas ainda funcionais da cozinha, e deixarmo-nos perder naquele azul de céu que sempre lá esteve. Desde o início dos tempos que é um amparo de anseios, a explicação de alegrias. Está lá.  É esta a verificação, e a possível desilusão aconchegante da condição humana. Aqui explicada de forma sucinta, mas empenhada, verificando que entretanto a inevitabilidade da chuva já veio.

De: Julius Granstrom

2026/01/31

Outros nomes de batismo,...

 Não se pode fugir de mim,

de ser dia,

de querer andar com nós múltiplos

na garganta,….


e o ar em vez de estar dentro,

dá-me a mão,

por um caminho de lajes

acizentadas abaixo,…


não deixo que fujam de mim,

e pronto,

sirvam-se deste irregular,

sem rosto e com duas mãos,

escrito quando anoitece,...


e já não vale fingir ter outras

idades,

outros nomes de batismo,

e mais livros para depurar


                                                                                 Tirado daqui

2026/01/30

E há um pouco de Kafka,...

 Nao tinha,

 mas o compromisso,

Ser meio de cada noite,

e a voz ser o ultimo atributo que deixo desligar,

Faz-me obrigar a estar de olhos abertos,....


E há um pouco de kafka,

Um choro de pre metamorfose em falar assim,...


Deixando para tras a consciencia,

A canina consciencia que nos fideliza à sombra de um outro eu,

Ja desaparecido,....


E é tanta madrugada a pensar assim,

Que dói,

Magoa,

Arrasta nome e precisao de nós mesmos pela lama,

A ponto,

De o sono ser a melhor e mais fiel amante,

Que os olhos fechados nos trarão 


Uma mulher deslocada transporta o seu gato
Foto de 2016

2026/01/29

Um odor tal a sereia,...

 Talvez maresia,

Um vento puxado a ferros,

Que desilude o pessimista,

Incentiva covas desordenadas,

No bairro dos doze irrefletidos,....


Sim,

Um odor tal a sereia,

Que faça desembocar no amor a reprimida indecisão da liberdade,...


E em cada canto dos desalinhados,

Plante flores mortas do fundo do oceano,

Obrigando à ascensão meteórica de tudo o que,

As gargantas mudas seguram,...


E depois,

A valsa sem som de um entardecer a meio sol

2026/01/28

O dia muda

 Um homem endireitado,

Encovado,

Tenta reverenciar a estatua do fundador,...


Chove,

Não há mais tempo para a memoria,

So choro,

Lágrimas perdidas no adensar de gotas de chuva,....


O dia muda,

O momento perde-se,

O homem abraça o que vier,

E cores encorpadas desnudam o céu 

(José Saramago fala sobre a melancolia)

Sem sentido

 Ando a jogar ao stop,

Vai pedra,

Regressa sem voltar,

As loucuras ficam pelo caminho,

E a zombar, a zombar,....


Algures,

A presença solta de um aceno,

Olho pro gato,

E a luz, e a luz,...


Sem sentido,

O que me diz a palavra,

País, sinceridade, nome, alimento,...


Ganhei,

Foi só o stop,

Peçam a palavra que repetimos 


2026/01/27

Alvoroçado

   
                           Tirado daqui

Robert Malherbe
Figure 13
2020

Levanta-se a aurora,
E com o automatismo de um sorriso,
Reescreve-se a felicidade,....

Não quero ser ninguém,
Não particípo na solidão dos indesejados,
Só constato aquilo que o tempo traz,
Alvoroçado,
Indefeso de explicações,...

E eu admito o anonimato,
Como melhor forma de defesa,
Num mundo explosivo como este

2026/01/26

E por muito que falte,....

 Quando eu a quero,

São flores que almejo,

Tanta verdade em cima desta cama,

Com anseios,

Nós os dois feitos previsão,....


Se a quero,

Os meses correm na mesma cadência da chuva,

E os pés conseguem desenhar o caminho,

Ainda antes de a noite,

se entrosar com as nossas peles,....


E por muito que falte,

O destino chega antes da decisão final de descoberta 

                                                                      Tirado daqui

2026/01/25

Era só uma mulher,...

 Como se posicionava para os conflitos,

As brechas na rotina,

Achava o pior de discussões fortuitas,

Virulencias gratuitas que mostrassem o pior das pessoas,....


Mas iria sempre haver força no seu âmago que a impulsionasse,

Para a auto defesa,

O escalar da condição humana que não conhecia limites, ...


Era só uma mulher,

Conhecia-se apenas como tal,

A querer sobreviver 

The 400 blows
(1959)
De: François Truffaut