Inatingiveis 2026
2026/02/09
Faça sopro sem sol,..
2026/02/08
Tudo se resume a um gesto,...
A loucura,
Um prato assim de comida fria,E dizer-te como as verdades se desenham jovens,
Com a recusa violenta que o tempo passe por elas,....
Dize-lo com gritos incendiários,
E sem roupa,
Ou pelo menos com uma nudez encapotada pelo pudor da velhice,
Encastrada e insubmissa,...
Tudo se resume a um gesto,
O toque possível,
O dizer que se conhece e partir sem olhar para trás,..
Isto é loucura,
E digo-o com a virtude a
pulsar nos bolsos Tirado daqui
2026/02/07
Medo....
Estava a ouvir a minha mãe. É difícil, porque ela já nem viva está. Mas juro que sim. A voz arranhada, maltratada pela doença. A carinhosa com que sempre me acompanhou, e nunca me deixava ficar mal. Sentia-a acariciar-me o rosto, com os dedos de pele mediamente áspera que eu sentia como conforto. Falava-me da ingenuidade. Do sol por entre as cortinas da sala, e de como ele recita poemas, se lhe pedirmos educadamente.
Eu sei que ela já cá não está. Mas ainda me agrada. Ainda me conforta. Ainda me acalenta as saudades, como um bichinho normal que até devemos deixar que nos roa.
A mão resvala,...
E reincide,
Agnóstico,
Molhado em suor,
Maduro,
O desejo de te desenhar,...
A mão resvala,
A vista falha na confiança,
Mas será um traço tratado,
Firme e musical,....
Com o corpo azulado,
Olhos escuros
antes da cor surgir,
E alma,
Deitada,
A ler Baudelaire,
A espreitar a madrugada,
Mas lá,....
Ao custo indefeso
do toque
Daniele Huilet e Jean Marie Straub, filmagem de 'Crónicas de Anne Magdalene Bach (1967)
2026/02/06
E o corpo que se afasta,...
Esperar as melhoras,
Ver um corpo que diz cores,
E a luz a filtrar os despojos do escuro,
A clamar terror,...
E palavras,
Numa alameda de silêncio,
As coisas escritas arredondadas,
Até parece que com esteiras nos extremos,...
E o corpo que se afasta,
Não vai voltar,
Deixou cores póstumas,
Mas acreditamos que vá ficar
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| Last ruins of a future Marvin Brutus |
2026/02/05
...apenas o silêncio total
Onde, perguntei lhe sem saber a resposta...
O silêncio intrigava me. Olhos insatisfeitos, que diziam histórias sem soluções e sem personagens.ele esforçava se por contrariar isso, dizer das pessoas o que fosse possível, nem a mais nem que as deixassem como menos.
Preferiu, durante muito tempo, nem dizer como se chamava. Apenas que soubessem que não tinha família, entes queridos. Deixara pessoas a quem desejou bem, algures onde o mundo tinha perdido o sentido e a beleza. E continuava sem saber a resposta. Apenas que lhe perguntava desinteressadamente várias coisas.
E em troca tinha apenas o silêncio total, e despido de preconceitos
Tirado daqui
2026/02/04
Mais vale um sumário,...
correr para onde?,
se é escuro,...
o desenho não se entende,
não há caminho de todo,...
e apenas uma breve música,
um assobio inofensivo,
nos convida para onde ir,....
mais vale um sumário,
e um homem de braços
cruzados,
e esperar,
um inocente vai
agradecer-nos
2026/02/03
.....yves montand de estimação
Ninguém foi ensinado a concentrar um olhar,
Uma decisão,
Um passo para longe da segurança,....
São compras de impulso,
Como levar um pano sem cores de uma banca de uma idosa sem nome,
Ou trocar de alma perante o diabo na rua,...
Ensinados estamos a mentir,
Como se as horas nos acrescentassem,
Em vez de termos o Yves Montand de estimação,
A impedir-nos de saltar da janela agora,
E pôr a rua a falar de nós uma última vez
2026/02/02
Tudo desabava,...
Via onde as coisas enegreciam,
E o céu ficava sujo,....
Estávamos vestidos de malte,
Mas a garganta seca impelia que prosseguissemos,...
Só se viam restos de comida apodrecida,
E o céu escondido atrás de nuvens amarelas,...
Éramos muitos,
Sem pavor de parar,
nem vontade de ser diferentes,...
Tudo desabava,
Mas a ideia,
A luz do momento e o apetecível da ideia,
Já se viam pra lá
dos montes envelhecidos
2026/02/01
Fevereirando de 2026 a 3 de julho de 2025
Nao implicava esforço. Apenas um rosto intacto, incólume de expressões e desalento. A vontade de ouvir. Perceber que a sucessão de manhãs de chuva, não faz o desalento de um homem, mas é apenas a fatalidade de um mundo finito que tem tanto de autofagico, como de pai que devora as suas próprias criações. E também ajudava gostar de cores. Preferir a neutralidade do branco, mas defender que uma emoção perdida, pode estar em movimentos conformados, mas ainda assim felizes, de lavar uns quantos morangos. Expressarmo-nos na intensidade daquele vermelho. Olhar para o lado, e esboçar um sorriso com as verduras acondicionadas num cesto de vime. E findo este senso de rotina, dar uns passos, abrir de par em par as cortinas de seda envelhecidas, mas ainda funcionais da cozinha, e deixarmo-nos perder naquele azul de céu que sempre lá esteve. Desde o início dos tempos que é um amparo de anseios, a explicação de alegrias. Está lá. É esta a verificação, e a possível desilusão aconchegante da condição humana. Aqui explicada de forma sucinta, mas empenhada, verificando que entretanto a inevitabilidade da chuva já veio.
2026/01/31
Outros nomes de batismo,...
Não se pode fugir de mim,
de ser dia,
de querer andar com nós múltiplos
na garganta,….
e o ar em vez de estar dentro,
dá-me a mão,
por um caminho de lajes
acizentadas abaixo,…
não deixo que fujam de mim,
e pronto,
sirvam-se deste irregular,
sem rosto e com duas mãos,
escrito quando anoitece,...
e já não vale fingir ter outras
idades,
outros nomes de batismo,
e mais livros para depurar
2026/01/30
E há um pouco de Kafka,...
Nao tinha,
mas o compromisso,
Ser meio de cada noite,
e a voz ser o ultimo atributo que deixo desligar,
Faz-me obrigar a estar de olhos abertos,....
E há um pouco de kafka,
Um choro de pre metamorfose em falar assim,...
Deixando para tras a consciencia,
A canina consciencia que nos fideliza à sombra de um outro eu,
Ja desaparecido,....
E é tanta madrugada a pensar assim,
Que dói,
Magoa,
Arrasta nome e precisao de nós mesmos pela lama,
A ponto,
De o sono ser a melhor e mais fiel amante,
Que os olhos fechados nos trarão











