janeiro 21, 2021

Pedra genocida

 


Diziam-nos que éramos genocidas,

Teríamos assim perdido o caminho para uma razão melhorada,

Novas visoes de uma cisão possível,

Ao longo desta maneira tosca de organizar as coisas,...


Nunca foi o que quisemos,

Essa coisa possível de ser destruidor de rotinas,

Mas mesmo assim sentia sermos tomados como opulentos,... 


Se calhar já nada havia a fazer,

Ao longe percebiam-se os lábios pouco solitários da loucura 

janeiro 20, 2021

Fluxo gástrico

 

Uso o intruso para um bem maior,

Tanto amor sem dizer de cor,

Farto fluxo de lage ao céu,

Amiúde estrago,

Sem reparar,

Ao lado da cor,

Sem o opaco presente,...


Nada de mais,

Só a residência da certeza, 

Sem que dela se extraia a doença,

Certa para reparar,

Inocente no respirar,

E no fim abstrusa,

Marca de solidão

janeiro 19, 2021

Desumanizar

 Se queres saber,

Ainda é a mesma hora de doer as letras,

Como se lembrar uma fresca e inodora reflexão de despedida, fosse o mesmo que te anunciar que sou iletrado,

Não entendo o coração deste autor,

O egoísmo do outro,

Não entendo sequer que possa haver diferentes formas de amor na criação,...


Para que mesmo assim saibas o que pretendo, 

Repara neste esgar de preocupação, 

Não é meu, 

Emprestaram-mo sem opção de retorno, 

Quando me desumanizei





janeiro 18, 2021

Mal observado

 

Puta,

Mil vezes repetido,

Era um gigante empedernido,

Gritava-lhe aos ouvidos,

Puta,

Soava mal,

A comida estragada,

A meninos tão mas tão doentes,

E mesmo assim continuava,

Puta,

Recitado ao expoente próximo à loucura,...


Havia de fazer mal as contas para prosseguir um caminho mal escrito,

E ser sempre puta pesava,

Até que uma voz,

Correta e apaixonada,

O pudesse corrigir com laivos de certeza insegura

janeiro 17, 2021

Um dia gostava de saber escrever assim

 não nenhum fim em vista justifica

esta hora de carne de compêndio
de tudo o que sonhei o grito fica
em bailundos que atacam o incêndio
 
um homem impassível verifica
ponto por ponto o nível da cascata
que foi de quartzo feldspato e mica
agora espanto pénis pus e pata
 
nem um rato que fosse   nem um verme
nem um   no hemiciclo sopra e geme
aqui ou no rossio ou na avenida de berne
 
quem não deve não teme
devoremos o cherne
com dvorjak ao creme
 
 
 
 
mário cesariny
primavera autónoma das estradas
assírio & alvim
1980

Anotações infernais de qualquer coisa



 tanto tempo depois,

ainda me correspondo comigo

mesmo,

termino missivas com um silêncio

propositado,...


depois de as começar com a intenção

que a vida sempre me deu,

de ser afetuosa,

incandescente até,

mas fazendo-o com anotações

de hipocrisia,

bocas cheias de pecado que

me dizem,

tanta coisa que nem entendo,...


por isso, 

este hábito de me corresponder

com o que resta de folhas,

amarfanhadas,

hesitações pequeninas,

mas que estão lá,

e a minha criação emprenhada,

de tanta coisa sem peso

janeiro 16, 2021

Liberdade, a possível

 


tinha ganho de presente um olhar,

dois olhos,

um espelho a servir de boca,

duas indecisões como braços,

e as pernas possíveis quando

só se ouvia o vento,....


dizia querer a lua e um céu esquartejado,

mas a cada passo só ganhava uma 

reflexão,

dores nas metáforas de solidão,

e tanta vontade de iniciar

o sono indolor,...


só que os dias consentiam-lhe a 

comiseração,

e tudo doía,

o mesmo que um sol oculto,

e mais que nuvens com rosto

de amor

Amadurecido

 um clique ajuda a perceber 

as coisas,

a partir de agora é

sempre igual,

apanhamos o barco,

há sol,

só o suficiente para que nos

escondamos por entre 

o empedrado das nuvens,

na terra molhada,...


contorna-se a costa até

perder de vista,

até que o desembarque se faz

num pontão em forma de coração,

onde as pessoas amadurecem como 

o espírito de cada um,

mas fazem-no com ponderação,

sem pressas,

como se fossem anéis nos dedos

de viúvas conformadas,....


e há agora mais luz,

menos especulação nas desculpas

que damos para prosseguir,

só se olha em volta,

e o silêncio casa connosco,

sem que deixemos




janeiro 15, 2021

Ao colo



 Sinto-me ao colo da minha mãe,

tenho uns cinco anos rasteiros,

sinto-me indefeso,

a chorar,

as árvores perguntam-me se

nunca saí dali,...


encontro-me parado na rua,

as pessoas habituais,

as sem cara,

passam-me ao lado,

e não saio do colo de minha mãe,....


há uma conversa qualquer 

sobre um menino doente,

choro,

a rua não tem carros,

e uma mulher gasta passa por

mim,

com um riso que mais me 

inquieta,...


eu próprio recebo o silêncio

que de mim enviei,

e hoje sou triste,

tão triste

janeiro 14, 2021

Nubência

 O som das minhas loucuras,

Os passos dos inconseguimentos que ainda não descrevo,

E já é tão tarde,

Como se todo o mundo arrendondasse a esperança que tenho na nubencia,

Na virtude explicada da razão,...


Se me sinto fraco para continuar a errar nas ilusões das palavras,

Delas espero a beleza que me redima,

Aproximado que estou da redoma da vulgaridade




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