Eu gostava de escrever. O apelo estava lá, independentemente da hora do dia, da disposição. Das experiências que ia adquirindo à medida que vivia uma vida de escusa a obstáculos. Mas deixei de gostar. Preferia agora fazer tostas. Experiências diferentes, eu sei. Não me perguntem porque deixei de querer criar. De pôr personagens à frente de rotinas desnecessárias. Simplesmente aconteceu. E agora sinto que não consigo mais voltar atrás. Contento-me em sentir o pão a queimar. A evitar fios escuros de monóxido de carbono a sair de torradeiras. E muitas vezes a deitar fora verdadeiros pedaços de carvão, que outrora foram irregulares porções de trigo ou centeio, que tinham passado por um forno, algures, antes de chegarem às minhas mãos. Não tostava para ninguém. Resolvi faze-lo apenas para mim. Apreciava o momento de solidão, como já disse. A escrita, apesar de ser um ato puro de contrição, atira-nos por essência para os braços do mundo. Ao contrário de tostar. É pessoal, intransmissível. Banal, com todo o sentido de vulgaridade que isso traz. E agora, acho que ficarei por aqui até, se calhar, me cansar disto...
Inatingiveis 2026
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Os de amigos imaginários,....
Às vezes há abraços,
Os de amigos imaginários,
Os que me dizem quando chove,
E se soluça tanto por ausências que nem entendemos,....
Às vezes esses abraços inocentam,
Os culpados,
Quem espera atrás de portas por simples desenhos de amor,....
E agora,
Que sei isso e me apercebo da falibilidade de demonstrações como estas,
Vou terminar os contornos do melhor abraço que souber,
Terei de o desenhar para sair perfeito
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| Fireflies De : Emanuela Cau Tirado daqui |
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Traços tremidos
| De:Ride, ride now |
domingo, 15 de fevereiro de 2026
As gargantas nao irão secar
As dores,
O que se desenha das dores,
A vocês meus irmãos,
Já não se servem cervejas frias,...
Chorem antes em silêncio,
E há o que se crava nas vossas costas,
Envergonhadas de chibatada e desprezo,....
E o que vos contaram é verdade,
Voa-se quando se tem de voar
Encolhe-se o orgulho,
Finge-se notar a presença de um tempo que em si confunde,
Entristece até,....
E permaneçam assim entrevados no medo,
As gargantas não irão secar,
E as dores porventura nem vão prever novo tempo
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Corres sem destino,....
E vais correr,
Entre os desalinhados,
Os infindos,
As vozes estranhas,
As fugas a abraços indesejados,
A irritação de sons nasalados mal pronunciados,....
Corres sem destino,
Mais depressa que a verdade,
Que a mentira matada e morrida,
Saltas por cima de bocas,
Anuladas e outrora ferozes,...
E quase no destino,
Uma queda violenta,
A súbita presença notada da gravidade,
Trava-te a fuga,...
E a finitude do que desejas,
E podes esperar,
Ressurge escorreita
Tirado daquisexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Eu sou findo,...
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
E saber de outros,....
só posso assim,
abeirar-me do que frutifica,
dizer de uma ideia tantos contrários,
do contrário do ar
a noite em branco,
com o sofrimento que
nos vai queimando as extremidades,....
e saber de outros,
de tantos outros,
como nos odeiam,
nos desejam o
pouco mal que sabem
conceber,
e de mim exigem o mesmo
que conseguem dar,....
o pouco,
nada mesmo
que se escreva
De: On the beach at night alone (2017)
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
É o caminho que se me fez,....
Desci das palavras sonhadoras,
Havia um peito a doer,
Dois olhos sonhadores e descontrolados,
E o corpo dorido mas experiente,
Capaz de experiências que se explicavam a si próprias,...
A espera,
O que o tempo me dava sem critério,
Tinha pessoas dentro,
Analogias de passados díspares,
E futuros sem nome nem idade,....
E o caminho que se me fez,
Tirava do céu nuvens desfeitas,
Que se me ofereciam como o alimento de uma vida,...
A forma como prosseguir,
Sabendo que no fim de um caminho discrepante,
Estariam os que já tinham estado das outras vezes iguais a estas,
E agora esperavam por mim
Tirado daquiterça-feira, 10 de fevereiro de 2026
A eles,...
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Faça sopro sem sol,..
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Tudo se resume a um gesto,...
A loucura,
Um prato assim de comida fria,E dizer-te como as verdades se desenham jovens,
Com a recusa violenta que o tempo passe por elas,....
Dize-lo com gritos incendiários,
E sem roupa,
Ou pelo menos com uma nudez encapotada pelo pudor da velhice,
Encastrada e insubmissa,...
Tudo se resume a um gesto,
O toque possível,
O dizer que se conhece e partir sem olhar para trás,..
Isto é loucura,
E digo-o com a virtude a
pulsar nos bolsos Tirado daqui
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Medo....
Estava a ouvir a minha mãe. É difícil, porque ela já nem viva está. Mas juro que sim. A voz arranhada, maltratada pela doença. A carinhosa com que sempre me acompanhou, e nunca me deixava ficar mal. Sentia-a acariciar-me o rosto, com os dedos de pele mediamente áspera que eu sentia como conforto. Falava-me da ingenuidade. Do sol por entre as cortinas da sala, e de como ele recita poemas, se lhe pedirmos educadamente.
Eu sei que ela já cá não está. Mas ainda me agrada. Ainda me conforta. Ainda me acalenta as saudades, como um bichinho normal que até devemos deixar que nos roa.








