sábado, 12 de setembro de 2026

Posta na mesa,..

 De um prato meio vazio de comida,

As mãos,
O rosto acabrunhado,
A vontade de mudança escondida num bolso,
E no outro nada,....

A marca da loucura permaneceu assim,
Posta na mesa,...

Enquanto uns olhavam para a demência descrita desta forma,
Outros deixavam o passeio do desespero avolumar se à porta
                                                                       Tirado daqui

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O perdão virá,...

 esperemos pelo perdão,

pelas meninas de
vestidos ajustados,
cor de sonho,
e destino de paraíso,...

esperemos pela água
que o céu não verte,
e faz um rio à porta das
casas dos silenciosos,...

esperemos pelo vento,
o que vem em carros de
doces,
para fazer dos olhos das
crianças,
lagos de floresta esverdeada,...

o perdão virá,
mas não acredito que fique,...

vai partir
Ghost in the Shell (1995)
                                                                               Tirado daqui

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

De um livro de vidro...

 Perguntava se,

Andavam a ve lo como uma cor?...


A verdade debaixo da mesa,

Confirmada,

Despedida da ficção,

Uma personagem dispensável talvez?,...


De um livro de vidro,

Adensado por um enredo de outras origens,

Desconhecido,....


Custava caminhar pelos dias sem conhecer este,

Que era um enigma de fato e sapatos,

Vestido para assustar 

A Paixão de Anna (1969)
 de: Ingmar Bergman
                                                                           Tirado daqui

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Faltava só quem o entendesse

 A menina não queria saber do escuro,

Do claro cozinhado de vegetais pelo dia,...


Nada lhe diziam as cores dos pontos finais,

Nem os choros,

 abafados pelo baque de agressões rosas e azuis,...


Ela estava nas paragens de transporte no interior,

Perdidas e bafejadas pelo vento amadurecido,

Estava no último virar de página,

Do livro das resoluções falhadas,...


Estava em pequenos defeitos por resolver,....


Faltava só quem o entendesse 

Kiko Mizuhara
De: Alex Leese
                                                                              Tirado daqui

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Primeira coisa escrita em 2026

 Não me mostres piedade,

A verdade,

Polvilhada de queijo e

 escondida na massa,...


Não me definas como sinal de

 pontuação,

Pausa para almoço,

Ansia de ser noite,....


E ter te nos meus braços,

Para que o sol venha depois da luta,

O solo árido e virgem,...


Se sobreponha ao pó,

E haja enfim luz,

Antes de o nosso

 nome ser o nada

                                                                               Tirado daqui

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O que invejo,..

 Dizes que o irremediável são dois sapatos,

Gastos e que já não palmilham caminho,....


Mas eu ainda gosto da verdade,

Pequenos lábios de pássaros invisíveis,

A beijar me o que desejo,...


O que invejo,

Sabendo que o irremediável continua lá,...


Como dois sapatos,

Ou acordes,

Pequenos e desesperados sons de música,

Que servem para tapar,

Invejas que não vêm ao caso 

                                                                                  Tirado daqui

domingo, 6 de setembro de 2026

E pensou em pássaros,..

 Quando lhe tiraram as amarras, que mais não eram do que luzes invisíveis que a agarravam a uma rotina monocórdica e de uma cor, ela andou. Havia um único caminho disponível, enlameado, que passava por baixo de uma árvore altaneira, mas que se percebia estar moribunda. Andou, com esforço para desenvolver os músculos, até senti Los quentes e a pedir uma marcha cada vez mais intensa. Não procurava nada, nem ninguém, ate porque se tinha habituado a uma solidão demonstrada, que falava consigo própria, e a afastava de todas as explicações racionais para a situação única em que se encontrava.pensava numa rotina que pudesse readotar, que lhe desse cor e especialidade, num resto de vida que queria marcante. E pensou em pássaros. Poderia ser com isso, amar o céu, e entregar se à vontade de se exceder sempre, e a qualquer momento.

                                                                               Tirado daqui

sábado, 5 de setembro de 2026

E a apologia do certo,.. .

 Nenhuma vez mais do que as outras vezes,

As desilusões,

As caixas de sonhos perdidas nas ruas de todos os dias,...


Os outros voltarem para casa,

Sem que tu e eu sequer nos importemos,...


É atirar para fora a escolha de dias de reflexão,

E a apologia do certo,

Desdizer a versão correta do errado 

Foto de Jean Marie Périer
                                                                                Tirado daqui

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Um dia gostava de saber escrever assim


 

E é solitário,...

 Porque é Solitário falar do que achamos que ja fomos,

E há um homem alto,

Que finge passear crianças pela mão,....


E uma mulher fantasmagorica,

Acentuada nas esquerdas e laudatoria nas direitas,... 


E é Solitário,

Talvez abrir mais a boca,

E redige se o nome e a data,...


Para que se satisfaça 

quem não é da casa

                                                                                  Tirado daqui

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Chama me religioso,...

 Eu não disse quem me podia salvar,

Não defini a temperatura do chá,

Nem sei se és melhor na poesia,

Ou em descrições puras de cenários de rotina,...


Nada passa por mim entendes,

A cor da minha pele exala transparência,

Os meus olhos não sabem definir,

Por nunca terem visto um horizonte,....


E hoje em dia espero da noite,

A paz que ela nunca me deu,...


Chama me religioso,

Se quiseres

There are two means of refuge from
the miseries of life: music and cats.
                                                                    Tirado daqui

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Que deixei de ouvir

 As plantas têm anemonas,

Um pontinho de mar apenas,

E um cheiro inofensivo e também literário,....


Trouxe te para escreveres algo assim,

Uma paisagem de um mar saturado de sujidade incompreensível,

Com árvores alargadas,

À beira mar,

Que se curvem à indiferença,

E perpetuem o silêncio sobre o amor, ...


De qualquer destas formas esta é uma pressão admitida,

Querer fazer de ti a presença e a herança das ondas,

Que deixei de ouvir