| De:Ride, ride now |
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As dores,
O que se desenha das dores,
A vocês meus irmãos,
Já não se servem cervejas frias,...
Chorem antes em silêncio,
E há o que se crava nas vossas costas,
Envergonhadas de chibatada e desprezo,....
E o que vos contaram é verdade,
Voa-se quando se tem de voar
Encolhe-se o orgulho,
Finge-se notar a presença de um tempo que em si confunde,
Entristece até,....
E permaneçam assim entrevados no medo,
As gargantas não irão secar,
E as dores porventura nem vão prever novo tempo
E vais correr,
Entre os desalinhados,
Os infindos,
As vozes estranhas,
As fugas a abraços indesejados,
A irritação de sons nasalados mal pronunciados,....
Corres sem destino,
Mais depressa que a verdade,
Que a mentira matada e morrida,
Saltas por cima de bocas,
Anuladas e outrora ferozes,...
E quase no destino,
Uma queda violenta,
A súbita presença notada da gravidade,
Trava-te a fuga,...
E a finitude do que desejas,
E podes esperar,
Ressurge escorreita
Tirado daquisó posso assim,
abeirar-me do que frutifica,
dizer de uma ideia tantos contrários,
do contrário do ar
a noite em branco,
com o sofrimento que
nos vai queimando as extremidades,....
e saber de outros,
de tantos outros,
como nos odeiam,
nos desejam o
pouco mal que sabem
conceber,
e de mim exigem o mesmo
que conseguem dar,....
o pouco,
nada mesmo
que se escreva
De: On the beach at night alone (2017)
Desci das palavras sonhadoras,
Havia um peito a doer,
Dois olhos sonhadores e descontrolados,
E o corpo dorido mas experiente,
Capaz de experiências que se explicavam a si próprias,...
A espera,
O que o tempo me dava sem critério,
Tinha pessoas dentro,
Analogias de passados díspares,
E futuros sem nome nem idade,....
E o caminho que se me fez,
Tirava do céu nuvens desfeitas,
Que se me ofereciam como o alimento de uma vida,...
A forma como prosseguir,
Sabendo que no fim de um caminho discrepante,
Estariam os que já tinham estado das outras vezes iguais a estas,
E agora esperavam por mim
Tirado daquiA loucura,
Um prato assim de comida fria,Estava a ouvir a minha mãe. É difícil, porque ela já nem viva está. Mas juro que sim. A voz arranhada, maltratada pela doença. A carinhosa com que sempre me acompanhou, e nunca me deixava ficar mal. Sentia-a acariciar-me o rosto, com os dedos de pele mediamente áspera que eu sentia como conforto. Falava-me da ingenuidade. Do sol por entre as cortinas da sala, e de como ele recita poemas, se lhe pedirmos educadamente.
Eu sei que ela já cá não está. Mas ainda me agrada. Ainda me conforta. Ainda me acalenta as saudades, como um bichinho normal que até devemos deixar que nos roa.
E reincide,
Agnóstico,
Molhado em suor,
Maduro,
O desejo de te desenhar,...
A mão resvala,
A vista falha na confiança,
Mas será um traço tratado,
Firme e musical,....
Com o corpo azulado,
Olhos escuros
antes da cor surgir,
E alma,
Deitada,
A ler Baudelaire,
A espreitar a madrugada,
Mas lá,....
Ao custo indefeso
do toque
Daniele Huilet e Jean Marie Straub, filmagem de 'Crónicas de Anne Magdalene Bach (1967)
Esperar as melhoras,
Ver um corpo que diz cores,
E a luz a filtrar os despojos do escuro,
A clamar terror,...
E palavras,
Numa alameda de silêncio,
As coisas escritas arredondadas,
Até parece que com esteiras nos extremos,...
E o corpo que se afasta,
Não vai voltar,
Deixou cores póstumas,
Mas acreditamos que vá ficar
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