segunda-feira, 24 de agosto de 2026

...a minha moral

 Eu sabia que era uma vantagem ter bolsos fundos. Não é cativante descrever o que podemos transportar, provavelmente sem sequer precisarmos. Mas, naquele dia, consegui encaixar um papel de desejos, como lhe chamava, num espaço reduzido de uns jeans velhos e rossados.  Escrevia o que me apetecia nestas folhas. Versos de Rima, versos de viagem, prosas curtas e reveladoras, a minha moral quase traduzida em desenhos de esquadria. De tudo um pouco, o que me traduzia como pessoa e ser pensante. Caminhei pela beira mar, num dia cinzento e que me presenteava com chuvas aquecidas e com cheiro a cidade decrépita e envelhecida. Gostava disso. Conseguia, em dias como o de hoje, arranjar ainda espaço para dizer a mim mesmo, em quatro, cinco curtas palavras no máximo, que ainda assim me sentia poucochinho. A precisar de um reforço, que só talvez viesse de um ocaso em silêncio, num dos vértices daquele mundo que eu lutava por manter pequeno e sem importância. 

                                                                                  Tirado daqui

domingo, 23 de agosto de 2026

Com paredes sujas,...

 as nossas coisas,

o mesmo de sempre,

embebido em sangue,

em crimes por explicar,....


a razão porque

o dia começa enegrecido,

com paredes sujas,

sem estarem,

com uma música repetitiva,

e que convida à morte,...


as nossas coisas,

as que só vemos,

dispostas em alternância,

no chão enevoado

da casa que não é nossa


                                                                           Thanks so much

sábado, 22 de agosto de 2026

Atrasado na idade,...

 As ondas chegam recuadas,

Como prenúncio de destruição que o mar anuncia,

Encorpado,

Atrasado na idade,

No que diz de insultuoso,...


E desta vez abstendo-se de escrever no areal,

Como toalha estendida à sevícia e ao resumo de um adeus

                                                                              Tirado daqui

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Serei breve,...

 

                                                                                   Tirado daqui


Aconteceu me de poema para poema,
Deixar de saber escrever a luz,
E ouvir a perfeita conjugação do adeus,....

Serei breve,
Tanta coisa ficará por dizer,
Quando me apresentar perante a revolta,
Encarnecido e com a presença da vida nos olhos

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A prova,....

 

E sua,

Sua uma testa,

A roupa rasgada e única que se tem,

E um olhar,

Atrasado,

Sem os ajustes normais,....


Continua difícil dizer que se odeia,

Antes de se amar desesperadamente,

Fingir que se sabe uma página perdida,

E nem ter livro para acalmar,

Sentir o tranquilo desabrochar de uma noite escurecida,....


A prova,

É a luz deseperada do novo dia 

Atypical
(2017)
                                                                     Tirado daqui


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Chama se a voz,...

 Não é daquele,

Nem da minha raiva,

Não está dentro de nós,...


Tão pouco nos acorda a um qualquer fim de madrugada,

A pedir que balancemos a vida,

A façamos de todos,

Porque assim tem de ser,....


Chama se a voz,

Talvez seja maior de idade,

Constante,...


Dona de um corpo e de uma atratividade,

E é ilusão deste lado do que se descreve em prosa,

Com um titulo desafiador,

E uma única ordem coloquial como vontade,....


E agora,

Para que reparemos na bondade das flores de beira de estrada,

Que ainda restam,

Sentiremos o amor na ponta fria da língua de um felino

                                                                                 Tirado daqui

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Com o ar irresponsável,...

 Estava sempre assombrado,

pela ideia de que este espaço ja não era meu,..


Talvez um dia tenha sido,

Quando me chamavam,

E eu respondia em vazio,....


Com o ar irresponsável,

A fazer perigar um coração velho,

E diatendido,.....


Já não estamos nos tempos que se confiem,

E ha uma volúpia nas mãos que o confirma,....


Porque do dezembro desse encorpado desejo de amor,

Eu quero entender o suficiente,

Para que aqui seja de novo meu

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Este é um poema desatento,...

 À noite contávamos um número infindo de pardais,

Uns atiravam se contra os vidros embaciados das janelas,

Numa mistura opaca de loucura e amor por corresponder,.....


Outros alinhavam se nos beirais das janelas do bairro,

Cabisbaixos,

Sempre atentos às conversas impuras e desordenadas do final de dia,....


Este é um poema desatento,

Inspirado neles,

As criaturas que sem esforço,

Contribuem para a recolha de suspiros,

De uma rotina sem cor,

Mas com sons aperfeiçoados,

E fugidos da rotina,....


Dedico a pássaros de beiral,

Estas letras desordenadas

domingo, 16 de agosto de 2026

Com uma peça de roupa ao sol,..

 Mas a verdade,

E o publico,

As canções que por ali estão a passar,

Sem que a alma doa mesmo às pessoas,.....


Acho que o tempo até pode ter parado,

E um sorriso de um adulto em construção que o prova,....


Com uma peça de roupa antiquada,

Mas intensidade na forma de se relacionar com os outros,

E principalmente atractividade,

Muita mesmo,....


O tempo pára sempre quando assim é 

sábado, 15 de agosto de 2026

Escrito a 9 de dezembro de 2025, a ver o canal 180

 


De um rotundo não,

As penas de um corvo,

Desejo vos como

 um todo,

Sentindo nos abraçados

 na noite,....


Com um velho desiludido,

Que conforta uma mulher do mal,

Vestida de tudo o que o negro desfaz,....


Sim,

Falei de um rotundo não,...


O dia hesitará em 

regressar,

Enquanto saltamos,

Desfazemos,

Nos desiludimos,

Sendo nós,

Por mais algum momento 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A gente descobre,....

 A gente descobre,

Ao acaso,

Dizerem da vida a pouca sorte,...


Roupas espalhadas pelo chao,

 Narizes ainda por formar,

Com muco seco,

E olhos tristes a acompanhar, .. 


A gente descobre que falta pouco para o entortar do dia,

Vir a mulher de todos os dias,

Aba de grilo irregularmente pendurada no antebraço,

E a dizer desculpas sem qualquer atenção e prazer, .. 


E ao recomeçar a ler o livro,

Descobrimos ainda assim alguma solidão,

Nao pesa,

Está nua,

E teremos de a aquecer,

Enquanto o jazz não termina 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

E fossem as recusas,...

 Ao fundo da rua,

A experiência de um ato interrompido,...


Como a respiração inconsequente,

Dolorosa,

Andando por aí como se o andar doesse,...


E fossem as recusas,

Todos os naos ditos e espalhados pela calçada,

Que nos condicionassem como seres humanos,....


Como criaturas da malvadez medida em cigarros mal fumados,

Em experiências desnorteadas de amor por nós próprios,...


E depois disto,

Percorrido o calvário das estrofes,

Chegado o tempo de ao provar o teu corpo,

Palmilhar as imprecisões que te deixei na mesa da cozinha