Os miúdos deitados,
Sopra e deixa ficar o desejo na mesa,....
Há uma comida de corpo a suprimir a de espírito,
Que espera pelo desenrolar do tempo em forma de madrugada nua,....
Toma,
Ofereço te a vontade em forma de poema
Os miúdos deitados,
Sopra e deixa ficar o desejo na mesa,....
Há uma comida de corpo a suprimir a de espírito,
Que espera pelo desenrolar do tempo em forma de madrugada nua,....
Toma,
Ofereço te a vontade em forma de poema
O coração andará perdido,
Enquanto rebenta o ódio em certas ruas deste país,....
As pessoas caminham sem destino,
Roupas gastas,
A espicaçar o sangue,
Do que sobra nas esquinas do tempo,....
Personificado em projeto livresco,
O coração cria um enredo de segundas feiras,
Invisível como o ar de inicio de inverno,
Para assistir à calma que vem depois da violência,....
Gritos,
Desenhos de amanhãs redescobertos,
E um sermão teutónico,
Que não tardará a dissolver se no silêncio comprometido dos que concordando,
Amedrontam se com o Sublinhado a fel das mudanças
Breve,
Breviário,
Aviltado pela ausência,
Gritos despidos,
E números,
Contas mal feitas,
Com roupas de mulher,
Uma e apenas uma nudez de homem,...
Tempo breve,
Já não morando na casa de outras alturas,
Com um desenho a acompanhar,...
E percebo que és quem descreve,
Esta parte,
De loucura mal feita,
De um fim de dia diferente de outros
Tirado daqui-era a escritora.
Todos a observavam no centro da vila, sem que a mesma percebesse. Era uma mulher assustada. Cabisbaixa. Olhava ocasionalmente para o céu, enquanto levava as mãos ao peito, fingindo estar num transe que so ela percebia. Já tinha sido bela, num passado que optara por esquecer. Era ainda a escritora. As pessoas lembravam se quando passava tardes sentada no único assento público, instalado junto ao coreto da cidade. Olhava muito. Um olhar penetrante, que dissecava a razão das coisas, e as opções que tomavam na vida.
Mas estava agora diferente. E tomava todos preocupados. Ninguém queria deixar de saber como estava a escritora
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| Foto tirada em Jacareí, Brasil |
Uns cá que gritam impropérios,
Nadam em confiança,
Outros à volta do sol,
Desabridos,
Em ilusão,....
Por ali,
Onde o pombo se perde,
E há passos para contar verdades,
Os daqui razam a proposta,
A ideia de mudar,
E nem sorriem para o ar,....
Amor haverá por aqui,
Até que o ar desinche a razão,
E as coisas deixem de novo,
De ter aquele sentido de odor
A Luísa,
O nome não existe,
Deixa que permaneça escondido na base da janela da sala,
Por onde a chuva vai entrando em fila,
Nas dobras deste inverno que nao desaparece,....
A Luísa fez costura há muito tempo,
E viveu aqui,
Por entre as roupas que o silêncio desenhou,
E longe da chuva que ficava de fora,
Porque o tempo a julgava improcedente,....
A Luísa amanhã voltará,
Basta que deixes a gaveta aberta,
A segunda a contar do fim
Algo deixou de pesar,
A voz,
Pedir-te que nos uníssemos em brisa de menta,...
E ia sendo hora do desejo,
Pé ante pé,
Ele chegava,
Despia-te com gestos fluidos,
Sem idade,....
Obrigado a observar,
Percebia-me como um estudo,
Um método de possibilidades sempre eventuais,
Testadas toscamente numa nudez,
Como a tua,
Que hesitava em ficar como ungento nas minhas mãos
A Mira mata mas ao menos,
Meticulosa a vontade mediana,
De por mais qualquer coisa,
Dar menos a mostrar,
E aproveitar frases de menta,....
Tudo o que de medíocre nada tiver,
Nem deixar mares por dobrar,
Serve nos para que,
Ao desconfirmar a mediania,
Faça da mala,
Onde o coração perde a melena,
Perde também a Mira,
E ganha margem de morte
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| Perchta De: Marko Karadjinovic |
Sim cheguei a amanhã,
O tempo atrasado,
E o chão arrasta um par de pés velhos,
E desinteressados,....
Pensei me preso no passado,
A desconstruir verdades,
E falando a maioria de números rotos e sem sentido,....
A verdade agora,
Liberta sons e reside ao lado do silêncio,
Sem que de mim precise de mais que um afago
Haverá pouco que um risco evite,
Nem desejar mal quando se respira,
Muito menos fugir,...
Deixar para trás os mundos que foram os nossos,
E os que palpitam por um corpo despido,....
E querer diferente falando assim,
É entreabrir uma janela,...
Olhar fixamente para a chuva que reabre livros,
E querer ficar,
Amar desalmadamente com todas as letras
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| Artwork De: Stephen Mackey |
reparaste no sossego,
árvores a dar e dar,
um ribeiro encastrado
no frio de janeiro,
e nós escudados num longe
que sabia a perto,….
Não era tempo,
nem espaço o que sentíamos,
antes flores como componentes
elétricos,
e o solo,
o erotismo da terra,
a confortar o corpo único da nossa ambivalência,…
e veio a noite,
o borrado da noite,
o grito indeciso das primeiras horas do que ali vem,
e sempre morre antes de ser pessoa,…
e a verdade,
a verdade desenhada voltou