23.3.19

O meu dia mundial da poesia, dois dias depois

quando cagas poesia.
e em reagentes de desilusão
esperas um potro de luz,
na qualquer sombra devolvida
ao sol em que se afunda o teu
reverso,...

deixa-me pois em paz,
pois que me desilude o celeiro que me
auto transformou o conformismo,
e esperar assim a fulcral maneira desalento,
desfaz o amor a uns pequenos versos

22.3.19

e iremos morrer esfolados

dizem-nos sempre que despida de versos,
a pele floresce,
as nossas entranhas inventam paises que ainda nem ha,
acabando com a porcaria dos pobres,
e os miudos que se deitam e acordam com a meninice vazia,
por terem fome,
e o rosto sem os bons dias do amor,
e as boas noites da devoção até à morte,..

ca para mim há um ricardo reis em tudo isto,
a caminhar de bracos cruzados atrás dos quadris,
e a entrar nos Prazeres achando que nada disto faz sentido,
e depois a sentar-se entregue à eternidade una com o outro que lhe deu à luz, ...

com a lua por cima,
fazendo a sífilis brotar do sangue,
nada disto faz realmente sentido,
a pele nunca ira florescer,
e iremos morrer esfolados,
sem noticia que valha o sono a quem cá ficar


21.3.19

Dia Mundial da Poesia

josé de almada negreiros / se é dever dizer o que




Se é dever dizer o que
sem mestre aprendi da
vida digo:
a natureza tem tudo
mas cada coisa de
sua vez.
É simultânea como o
conhecimento:
sabe-se bem uma coisa
por causa de várias
que se sabem mal.
E tive paz quando
soube que antigos
me tinham deixado
isto mesmo.



josé de almada negreiros
poemas
assírio & alvim
2017

Sem título (76)

e no entanto à noite,
parecia a sorte
o que tracejava os halos
fosforescentes dos velhos andrajosos,
que vinham repisar o mesmo chão
onde tinham perdido os três,
e aprendido a ler a maledicência da vida



20.3.19

O homem que tinha fobia de Marx

o homem que tinha a fobia de marx,
vivia assoberbado em contas,
vegetava numa casa que nao
conseguia pagar,
lambia facilmente as gotas de água que em carreiro desciam as paredes,
porque as torneiras estavam secas com as contingencias da pobreza,
e estava a mentalizar-se de que comer é inútil,...

lamentava haver barbas brancas no mundo,
desprezava a igualdade,
lia todos os dias a bula dos  medicamentos,
porque odiava as pessoas a ponto de se sentir doente,...

e como fobias são uma doença como outra qualquer,
escolheu ter medo da filosofia,
enquanto isso pinta quadros com o estuque de uma casa a desfazer-se

19.3.19

Mancharei o teu nome

mancharei o teu nome quando já não houver
mais luz para pensar,
nem caminho para perceber os erros,
restando reescrever a sorte.
com diferentes
tracejados irregulares,...

só me resta deixar de entender os momentos
que me deste,
a frase percepcionada,
os segundos deitados no chão,
esfumando-se como a chuva
breve do fim do Verão,...

mancharei o teu nome para te
dizer que lamento,
riscos por toda a parte
em que pisaste,
para partir


18.3.19

Laços

até porque já nada havia mais por que nos abraçarmos.  Por que dizer que os dias sabem melhor quando os desenhamos para se poderem apagar,  e desfazer erros.  Corrigir insatisfações,...
Já nada sobrava de momentos indisfarcavrlmente perturbadores como os que vivemos desde que do sol subtraímos esta sombra anónima onde nos achávamos perturbados,...
num silêncio encoberto pelas nuvens.  que nos lia como romances sem nome onde a tragédia sucumbe aos números da morte sorridente,
descobri que,  tal como eu,  falavas melhor com as marcas que o tempo te tinha encastrado no corpo.  Sem sorrisos,  mas de olhos paralisados pela certeza do dizer adeus.  se efetiva fosse a dor de escrever com letra capitular,  afirmavam se aqui os despojos de qualquer coisa 

17.3.19

Praça de malucos

imagino como era o
lamento,
no meio daqui
tudo em desalento,
frase fútil,
janela de esperança,
 não, não sou inútil,
talvez um complemento,...

sem que nada fosse o fomento,
resumido a rimas
indesejadas e frias,
de tudo que quando resumias,
se desconsiderava do tempo,
amedrontado,
sem invento,...

e por fim o que nos diziam
que unia,
reordenava,
com o maluco que tinia,
na praça solta,
tudo acabava


16.3.19

Carta à solidão


Caríssima solidão, aqui me tens porventura calmo. De certeza insuficiente nas agruras que cada dia se esforça em ter, para passar diferente do anterior, e o mais parecido possível com o que virá no fim de tudo isto. Estou vestido de transparências, a minha pele já nem no lamento protege. Acima das minhas expectativas, estarão as minhas decepções. Abaixo do que me dói, está o que consigo perceber no silêncio falante de cada segundo das noites em que me afundo numa loucura indesejada. Aqui me tens inteiro. Apercebendo-me do que não infiro nas palavras de todos os dias de todos os que quem nem consigo estar.
Magoa-me que desprezes o que te escrevi, em verso real.  Talvez em todas as prosas infindas do que sabemos existir, me entendas o suficiente para de mim fazeres o juízo que nunca fizeste. Por enquanto, despeço-me com a ingratidão que me devotas. Nada mais sei dizer-te, que lugares comuns desfeitos e irreais. Por isso, até quando queiras. Eu por cá continuarei, lamentavelmente insonoro. E infindamente sem lamentos.
Escuridão, fim dos tempos.



15.3.19

Escrever a razão em silêncio

tanto insistes que conheces a razão,
que não tens medo das noites
em que ela te destapa,
e te encrusta a pele com
desnecessários fogos de artifício,...

eu acho que não conheces,
troveja quando to digo,
bebemos goles de chá de
olhares afastados,
até que uma flor morre na rua,
e isso nada muda na desfaçatez
de achar que tudo se sabe,...

almejo só um pouco mais de tranquilidade
depois de tudo isto acabar,
por isso talvez pouso as maos
secas no colo
e digo-te quero escrever,
escrever um livro,
dar azo a que as pessoas falem mal
de mim,
e considerem arte os intervalos dos meus silêncios,
e lixo o choro dos personagens enfadonhos que farei questão de criar,...

apouca tudo isto que basicamente criámos com estes silêncios,
vou levantar-me sem dizer palavra


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