quinta-feira, 9 de julho de 2026

E o menos,...

 Aprendo por partes,

A loucura encenada numa comédia sem voz,

O desejo,

Na sede,

 agarrada ao calor que escorre do tempo que passa,...


E o menos,

A soma de todas as verdades que esqueci,....


Como o grito na praça vazia,

A comida que a doença faz saber mal,

Não ter ninguém,

Nem uma alma viva,

A quem contar como acaba aquele último livro de cabeceira,...


E meu,

Só meu e de mais ninguém,

É o troco de tanto

 investir no silêncio 

De: Studio Oliver Gustav
                                                                              Tirado daqui


quarta-feira, 8 de julho de 2026

26 degraus para baixo,..

 E dizia se,

26 degraus ate ao topo do negrume,...


Uma casa perdida,

Feita nota de rodape ousada,

E sem estilo ou vontade,

Colorida, 

Em que dos relógios brotavam letras seccionadas,

Sem que o silêncio lhes permitisse vida,...


Houve morte,

Autoridade,

Passos de romancistas e livros de cordel incompletos,....


26 degraus para baixo,

E o horizonte reganhava a verdade de croma e passado 

terça-feira, 7 de julho de 2026

Com livros sem idade,....

 Eu às vezes previa a verdade,

Nos olhos das pessoas,...


No que havia para comer,

Em Dizeres azul,

Vermelho,

Cores que não existem,

Quando a vida era um caleidoscópio difícil de definir,....


A verdade estava escondida aos pés de mesas,

Onde as pessoas concordavam entre si antes de se cumprimentarem,

E regressarem onde tudo estava preso no tempo,

Com livros sem idade,

E perfumes de mulheres traídas que se conformaram 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

De.choro,...

 Dual sensação de diletante,

Porção de um choro,

Para aqui a presença,

De lá a ausência,....


Risco maior de uma perfeita,

E forçada percepção,

De choro,

De abraço,...


De uma luz porvinda da Terra,

Em forma de nascituro,

E com a permissão,

De deixar lá longe a vontade de lutar

domingo, 5 de julho de 2026

Acho por achar,...

 Acho que é só noite uma vez,

E por isso o permitido terá de ser curto,...


Acho que esquisito escreve se com X,

De xilofone,

O ribombar único que justifica a parcimónia,....


Acho que achar será proibido daqui a pouco,

E não haverá prémios de noite às escuras,

Nem crianças alouradas que recitem Goethe,...


Acho por achar,

Nada mais

sábado, 4 de julho de 2026

Percebo e concordo,..

 Entendido,

há silêncios diferentes de água,

e homens a sair à rua inocentes,

ainda antes de uma condenação colorida à morte,…


percebo e concordo,

a explicação de amor que me deste,

havia a forma em detrimento do conteúdo,

e um livro por ler,…


como te disse, entendo,

talvez to diga com um silêncio

descolorido


https://thesegladtidings.com/2025/07/29/traditions-of-men/

sexta-feira, 3 de julho de 2026

E o agora daqui a bocado,..

 Cortar te de algum vulcão,

Deixar palavras por escrever,

E sim,...


Fumo nos olhos,

Corpos insinuados na indecisão de uma janela de inverno,.....


Eu sou o apresentador desta vida,

partida em bolo de cenoura,

Com fatias às meias horas,...


E como te direi,

Talvez um horizonte bordado a neve,

Em que regressas ao magma do topo de montanha,...


E voltar a ser o passado tapado com uma caldeira Invisível,

Para que de futuro percebemos nada,

O presente seja a manta que nos afasta da noite, ....


E o agora daqui a bocado,

Quando a dor de cabeça da morte ja me tiver chegado

Pier Paolo Pasolini nas filmagens de O Evangelho segundo São Mateus (1964)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Uma mulher que o entendia,....

 Por cada grito sobre campos afastados dos olhos,

Recebia se em casa um vento de duas vozes,...


Uma mulher que o entendia,

E todos os que ouvindo sem barulhar, 

O percebiam de forma muito própria,....


E era mesmo de todos,

Desenhar um traço que fosse comum,

Por cima da presença do amor

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Julhando a 23 de Outubro de 2025

 Deixava que fosse com damascos,

A pele das pessoas refletia a simplicidade,

E era o entardecer quando se chamava pelo passado,....


Num cesto a fruta disposta,

Um jarro de água com vários copos,

E chamavas me,....


Longas e possíveis formas de me prenderes à tua passividade de sempre,

A tua longa,

E deliciosa calma cativante,....


Comigo num silêncio de cetim,

O meu respirar continuava,...


Parecias assegurar,

Seres o vestido de cetim da jovem que ali tinha vivido décadas antes,

E saia de casa para percorrer os verões intermináveis de então,....


Será que havia também damascos 

                                                                                Tirado daqui

terça-feira, 30 de junho de 2026

Via esse homem despido,...

 lembrou-me o homem de chapéu tirado,

o que acenava a tudo,

e com quase nada recebia a voz,...


 o homem de todas as roupas,

que fez muito quando precisava,

e nadava no nada do silêncio,....


via esse homem despido,

de roupa,

de argumentos,

de palavras que concretizassem,...


o homem que descia a rua,

no sentido descendente,

passava sem falar,

comia o que descansava

                                                                         Tirado daqui

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Especiais

 Antes que seja tarde,

Dizer de forma intensa que um par de lábios envelhecidos,

De tez ressequida,

Que provaram o amor,

Disseram adeus consecutivamente,

Entre estações,....


São espécies ainda vivas,

De proporção desmesurada,

E trazem por arrasto vários pares de olhos raiados a sangue,....


Desnecessários porque anónimos,

Anónimos de dois em dois Desesperos que o anonimato costuma trazer 

                                                                               Tirado daqui

domingo, 28 de junho de 2026

As pessoas tiravam anos de cima,...

 Foi essa árvore, a mesma senhora distinta, de casaco comprido de inverno, plumas ao pescoço, e pés delicados cravados no chao, que ensinava a rir. As pessoas tiravam anos de cima, procurando o prospecto daquela maravilha da criação por todos os lados. Nas estações do ano, nas parangonas dos jornais quando caminhavam para os seus trabalhos. Houve até o caso de uma mulher, atrasada no tempo, e de amores tépidos e sem sabor, que estendeu manta de retalhos na abertura do jardim onde a multidão de pessoas se concentrava, e ali ficou o tempo necessário ate conseguir um pouco de tempo para se confessar defronte de ramagens, folhas, folículos, caules e raízes ocultas. Falou, depois de comprovar a ausência de testemunhas, do que tinha deixado para trás em vários pontos das redondezas. Conversas por acabar. Amores ocasionais e desnecessários. E ate o sitio escolhido onde, num acaso de loucura depreciativa, deveriam deixar as suas cinzas quando morresse. A árvore respondia como sempre. Deixando o vento percorre la em mil acasos de brisa, o que inexplicavelmente despertava nas pessoas a vontade e o estímulo do riso. 

                                                                Tirado daqui