28.2.10

Texto #100

Destituiste-me de seres pátria. Deixada a fardos de sonhos, encontrei-te depois como continente de beijos. Assomada na varanda que a madrugada lançou sobre o dia que não queria nascer, estavas parada. A aguardar entronizações dessas parcerias amor-ódio que formavas com olhares enrijecidos por tomadas de posição enérgicas sobre a morte.
Desenhavas assim como um raio de sol. Daqueles que esmagam a areia quando querem deixar o mar sem resposta a perguntas inofensivas sobre a existência. Criavas pessoas pequeninas, que cantavam. E descarnavam crianças para depois as amarem. Mas tu, continuavas a ser tu. Talvez com menos intensidade de depressões, e sempre a meia-luz de amor. Não te alcanço, nunca o fiz. Talvez porque não quis. Talvez porque o teu não deixar, sempre foi mais forte que o meu querer. E restavas-te assim. Sentada com um toque infindável de brisa nos cabelos cor de malva que o vento insistia em acariciar distantemente.

27.2.10

O amor disse-se assim....


daqui,
é meu o sonho,
perto,
com o tépido do
ar com que durmo,
no além,
tu acordada,
desfeita,
apertada com a força
de sentir-te,
bem,
feito mal,
revolta,
dia desponta,
aceno leve de retorno
ao real,
com o sol,
insolúvel,
despudorada o sentes,
beijando-nos em som
de querer,
bem...

23.2.10

Sobre o que rola, quieto....

Ando farto de escrever estas flores por dentro de pétalas mortas. Sinto o bafio acrescentado de andar sempre à volta das mesmas coisas bonitas, que as coisas feias revelam como herdeiras naturais do bater do coração que pare estas discrepâncias de criação.
Não sou ponto. Tento ser exclamação. E de mim saem mundos. Coisas sem sentido, que para o sentido em si só contribuem com o realismo de quererem mostrar de mim o que nem eu próprio conheço.
À chuva de imberbes declarações de amor para com o outro que me revela a mim mesmo, aqui me fico. À espera que sonhar, seja realmente o que pretendo fazer da herança ao mundo que quero sejam estas coisas todas que nascem de debaixo do tapete do sentido.

20.2.10

Sem título (16)


a um só passo o desnorte,
as linhas amarelas do
falar baixinho,
do receio de incomodar,
das meninas firmes e impolutamente
capazes de ofender,
os pássaros que somam tudo isto lá longe,
no horizonte que implode sangue dos anjos hermafroditas que
se embebedam com esta tristeza de romance afável e mal escrito,
fazem-se balanços com
as carpideiras dos funerais de conceitos assim,
quer-se o mundo pronto
para a luta de classes,
com fruta podre a finalizar a frase...

17.2.10

Oferece-me assim ao dia que raia....


De bocadinhos de tempo. Vivias do sol, a raiar na solidão que comias todas as manhãs, quando um olho forçava o outro a abrir, sondando o que de mau a abrasiva tempestade de estar só tem. Histórias de gritos, que te varavam o feminino da tristeza com que te comprometeste em manter-te na vida, se esta se mantivesse no assento dos teus segundos de ébano. Vivias para a noite, quando tudo isto acabava. E vinham os sons da esperança, transfigurados no que te pareciam grasnares saídos dos pássaros do amor que, inocentes, procuravam ainda o belo em ti.
Conheci-te assim. Prodígio insonso das coisas que foram deixadas por fazer no meio do redondo patrocínio que a madrugada dá às especialidades do choro. Se soubesse melhor que isto, descrevia-te numa folha de lágrimas de felicidade. Aquelas coisas diáfanas, que mudam de cor consoante as crianças sorriem, ou deixam de chorar porque lhes faltam as lágrimas. Mas é a mim que me faltam as lágrimas. Por tudo o que isso possa conter....

14.2.10

Preces

enrola fora da hora
a pseudo forma de ter
consequência,
sem que a pedestre
rosa do minuto
encravado no
fogo baço do
olhar,
comprometido
e abstraído,
com a história
prevista,
e dada à liça
em som dos
crentes de fim
de dia,
sirva para descrever
babilónias presas,
no redondel
do querer ínfimo
das porções de
choros presos....

Religiosamente indecente


A santa cruz dos infelizes escorrega nas mãos ímpias e secas de quem desliza por entre o som mudo dos gritos infelizes.
Pinta-se um, muitos, nenhum sol no horizonte deslizante do dia que se esventra.
A religião sente-se nos poros. Desfaz-te por ser mais forte que a fraqueza que te canta.
Contas-te por nada, sem sequer fazer por olhar o mundo, adorando o outro que vem atrás.
E almas.
Sons perfumados de pessoas-conceito.
Corpos que a terra comeu, passando para o azoto das ideias que o tempo nunca apagará.
A religião é isto. É aquilo.
Náo é nada, para ser tudo quando decides à noite enviezar o grito de solidão abafado e,...de dor.
Não somos aquilo que pensas ser apenas para fazeres sentido na pequenez das tuas abstracções.
Somos insuficiência. Paraíso invertido com a parcela apenas suficiente de querer continuar, e desdizer a desdita de nunca terem acreditado que tu sabes acreditar.
Somos povo-chão. Crença afastada destas definições de circunstância, porque definir o que será quando se fechar os olhos, é desaproveitar os olhos abertos para o sangue que pulsa ideias.
Que desfaz a crosta insana do comodismo, e te dá parcelas de conformismo tão necessário ao inconformismo.
Eu acredito que sonhar é bom. Desdizer é mau.
Mais ou menos, será um caminho em que a garantia de tudo isto, se faz por escrever ao superior que não vês, não sentes, tentas ouvir, e acaba confundido com o suor que escorrer do som inconformado das mulheres que choram a infelicidade.

13.2.10

enes notas de perder


sempre na frente
do descrente,
reside a latente
eminência de com
a residência fosca
dos sons mudos,
se alcançarem consoadas
em pedacinhos de céu
de fel remendados,
perdidos afáveis nas
enes notas de perder
o ar da vida aterrada....

Texto simples


Ela disse-me tens de escrever, com o sol a desfazer-lhe o cabelo em milhões de cores mortas. Sentava-se na esquina da sala impressionante de espíritos. Nunca me cansei de olhar ao longe aquela velhice de inconsistências. E quando a recordei de que existia, que estava aqui para algo, não só para amparar o chão preto que gostava de descrever, ela sorriu. Pousou a mão direita no colo esquelético, que só a saia de lá cinzenta enfeitava. Respirou fundo duas vezes, com o ar a retirar-lhe para o éter mais dois sorrisos descomprometidos.
-Tens de escrever, já disse.
Não precisava de mais, estava convencido. Prostrei-me aos pés do gigantesco candeeiro a petróleo. Era assim que tratava aquele adamastor da minha infância, e deitei-me. O ar dançava com suaves e abafados acordes um fado do alfredo marceneiro. Não me lembro do nome. Só me recordo que adormecia ao som daqueles lamentos de bêbedo quando era criança. E ela varria. Dizia que nunca mais iria maltratar o mundo. E quando chovia, escrevia poemas de amor ao menino dos olhos da infância dela, o tal que morreu lá longe, onde Portugal nunca passou de um caroço de azeitona.
Procuro ainda coragem para conseguir ilustrar tudo isto sem cores...

10.2.10

Saber assim


Sabes a sonho meio finito. Os minutos passam no retorno dos teus cabelos, e não voltam. Ao sabor acentuado do teu beijo incompleto, fico com desenhos imprecisos. Coisas de som, relatadas assim de passagem. Com o incómodo do vento a traçar caminhos desnudos de tudo o que já esqueci das relativas inconsistências dos teus gritos de apego à vida....

3.2.10

O homem que mijava perfume


Eu gosto de escrever baboseiras. Mas coisas com nível. Desmantelar assim o argumento de que as pessoas gostam de beber copos de água, só porque têm sede, é tão chato. Antes pôr a questão desta forma: bebe-se, porque o ar é demasiado perfumado para as pessoas mijarem. Assim, se cansarem a bexiga com uma coisa que não tem cheiro, e muito menos sabor, é mais normal. Na medida em que o normal é uma conta de somar que ninguém sabe fazer, e as pessoas não perdem tempo a tentar resolver. É, em suma, o que normalmente serve para que massacre o velho teclado do meu computador. Também serve o sabor ácido dos tomates. Que me doem porque, realmente, ando a mijar perfume. Acho eu. Pelo menos, acordei ontem com duas garrafas de Chanel n.º 5, em cima da mancha que o meu lençol branco acusava de vestígio impoluto de uma noite tranquila.....

2.2.10

Serafim Serafim, Vasquinho,...a alma do verdadeiro artista



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fracofortepenamorte



ontem de mansinho com
copos de luxo nos pés
de pobreza,...

seria assim a precisar
de conforto que nos
embrenhámos na
possível decisão
de insalubridade deste ar
ilegível,...

gostamos do vento,
dos cortes translúcidos
de sorte com que nos brindamos nas decisões
que o outono traz antes de irmos dormir assustados,...

e a impressão desnivelada
destas coisas com
que nos pintámos
ontem ao fim
do amor,..

parecíamos até consolos
imortais de querer bem em sonhos,...

ao desenhar os contornos
plácidos da
palavras desejo,...

veio o real,
o azar ácido de ter
que pôr pé-ante-pé,
antes do passo para
o precipício da fortuna
pobre....

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