quinta-feira, agosto 27, 2009

Nota sobre falta de higiene pessoal

hão-de chegar pequenos homens-mulheres das frestas das janelas em que
no passado,
deixei que escorresse o sebo do esquecimento,
pintados de fresco,
são hoje as moscas que
mato quando me sinto medianamente feliz....

segunda-feira, agosto 24, 2009

Editar consumos externos de comiseração

exponho-me de mais,
repito soletrações
inúteis para a razão
de estar cá,
sou prensa,
desnorteada de
pensar por desporto,...

mentira persistente,...

resiste nas tardes
com que acordo
a noite,...

menor face,...

sempre a escrever
no que ninguém repara,
levo daqui o que sem
pesar,....

nem derramar consegue
o sorrir dos outros,....

sábado, agosto 22, 2009

Sem título (20)

apanhei-te no fumo preto
da paragem dos desejos,
eras colónia de seres
de cheiro,
adoráveis assexuados
de querer vidas longas
de querer bem,
aninhei-me aos pés
de entardecer que
com o sorriso
de nascer te apresentaste,
apresentei-me,
'olá, sou o teu destino',
fizémos desenhos
rabiscados com crianças,
pequenos desejos de
suspiros de final de noite,
com mãos entrelançadas a esperar
pelo beijo doce do amanhã
que sabíamos
estar à porta da toca
de carinho com que
nos envolvemos,
amor de poema o que
escrito assim,
serve para sereia,
nome de amor
com que os olhos
moribundos do descrente,
amarram a vida-
carrossel que
dá gosto experimentar....

quarta-feira, agosto 19, 2009

À espera de um bom título para o amor



Esperou pelo momento determinante naquela sonda de equívocos. O mesmo chegava quando o pêndulo do relógio da praça parava de bater e, sempre de seguida, abasteciam-se os ouvidos das pessoas de latidos dos cães vadios. Não se sentia uma pessoa normal. Só queria namoriscar conforme tinha aprendido com a pessoa que admirava por correspondência. Com um banquinho de madeira de pinho na mão.
Não precisava de mais.
O esqueleto deformado por causa das febres pesava-lhe só quando o álcool oleava as dobradiças, o que não era o caso naquela tarde. Escolheu a árvore que vira plantar por um génio inconformado da poesia abstracta. A mesma que, pela sua origem intelectual, repousava morta aos abanos do vento assuão das tardes daquele recanto de cidade-estado. Assentou a alma, depois o corpo, depois o espírito, depois a capacidade criativa, e só no fim o 'ai' com que brindava todos os momentos com que sonhava previamente.
Erecto, com a espinha hirta, ou pelo menos em vias disso, assentou o calcanhar direito na rótula esquerda. Ao longe, o luar. Sempre com vento. Esperou, adiantou-se por entre o que ansiava ser o final de tarde perfeito de espera pela pessoa certa, até que ela chegou.
Mas não parou.
Nem olhou.
Só chorou.
Ele escreveu.
Iria dizer adeus, a tudo o pouco que tinha comprado. Mas fá-lo-ia com um bilhete de despedida.
Tinha aprendido noções de sânscrito com o monhé do rés-do-chão entretanto regressado à pátria-natal, e por isso homenagearia as ansiedades que normalmente pintam a morte de escarlate.
A cor dos balanços cínicos.

terça-feira, agosto 18, 2009

Sem título (21)



final
izado,
fico tropa
de mim fito,
pena sois
rapaz de mel,
que com arma
posta e sorriso,
preto,
de pretos,
sombra
clemente,
dito assim,
pensaste mal,
com todos os
predicados postos,
à larga de suar,
trabalho,
e conjugar verbos
termina no choro....

segunda-feira, agosto 17, 2009

Moisés mar morto pena finda acabou



eu costumava encontrar-me
de sons perdidos,
ao esvair de projectos
nunca concebidos,
fui perto de mais de
mil pessoas,
todas gritaram liberdade,
desci por sonho
de sangue abaixo,
acabei acho que morto,
sem certezas findas,
e em rotunda de fácil
digestão ácida,
desabotoado tudo de
insonora certeza,
nem por sombras me acho perigoso....

quinta-feira, agosto 13, 2009

Homem preocupado com o tempo

acompanho-me no debate que se desprende do tempo encaracolado.Sou de pedacinhos deste afã que ginga com os segundos petulantes que saltam do relógio com que pontuo os desvarios irritantes do tempo que despenteia. Nem quero partes findas de tudo isto que caminha não sei para onde. E muito menos sou de psicoses nulas. Coisas de quem analisa o tempo, consoante os urros que ele vai dando quando se comem desilusões. Sou de tudo. Não debato nada. Gosto dos caracóis do tempo que me titila para o estímulo.

Artista de rua


perco pouco,
ganho o suficiente,
desfaço rotas
sombras de nada,
peço o que quero,
quando não querer é o frio
como companheira,
e na rua o mal,
somos todos este mal,
sem que pensar,
deixe de fazer,
bem a este bem,
que é conceber
sem remédio,
e paixão.....

Psicologizar de dia

escrevo-te isto pela simples simplicidade
daquela tarde que se apagou,
com dois corações nas mãos,
preta a mancha de saudade numa,
incandescente orgulho noutra,
e com solenidade o sol
desfiava a manta da noite....

terça-feira, agosto 11, 2009

Regresso VIII

confiar,
luz do amor
feito cadáver,
parecer,
norte perdido
em lume brando
de acreditar,
desejar,
fazer bem
sem querer
enlouquecer,
e dar,
dar-se parte
com medo de desejar
que o todo
se perca
no vórtice de
os outros quererem,
o mesmo,
que faz,
com que as noites,
tenham um pouco de dia,

e no fim,
o silêncio.....

Regresso VII

sei escrito o que
dito,
desdiz somas assim
estranhas de tardes
incompletas,
ao suor de nada
fazer,
pouco pensar,
discorridos falhanços
em passar de momentos
incompletos,
nas manhãs de
madrugadas
que nem nasceram,
para terminar,
findas,
de soar,
a estranho,
redondel de partes
incompletas do
todo que descrito,
reflectido,
escrito,
filosofado no inverso,
parte só e sem voltar,
desfaz sabores,
parte convicções,
e deixa no restolho um
dormir sem membros,
cheio de sonhos pictorizados,
em neutro....

segunda-feira, agosto 10, 2009

Regresso VI


tenho saudades de nada saudar,
esperar por fazer de conta,
de regresso com presos
de abraçar,
parecer sonhar,
quando o que somos
se escreve com
dedos do morto luar,
findo este incompleto
dedilhar,
parecem sons
o que resta de querer
rimar,
com o arrastar de nada
ter para dar...

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