sexta-feira, julho 16, 2010

Choro suficiente para perto das coisas más.....


nexo farto de todos nós,
sobe mete carne vã,
presa torna à luz da esperança,
vácuos soltos,
inéditos prazos
de choro,
levantei-me de
si coisa escura,
a luz penteava
a lágrima opaca,
cego torno,
de luz amarela,
braço de fogo,
corpo de sal.....

quarta-feira, julho 14, 2010

Sem título (13)


dou a culpa às estrelas,
mas uma coisa
mesmo
de censurar,
de lhes dizer
tudo porque não
dizer nada dá
borbulhas de
arrependimento,
e quero fazer-lhes mal,
e dizer que sou ruim,
e dar o dito por não
dito quanto ao antecipar
de um futuro eterno no céu,
e enrolar todas as
doenças insuficientes
numa bola e atirá-las lá
para cima até
tudo rebentar
num orgasmo
de fumo de todas as cores,

mas,

não sei se terei coragem,
afinal de contas nem
o etéreo e sem cheiro
sei descrever....

terça-feira, julho 13, 2010

...nada saber porque assim o desejo


estas são pequenas coisas,
deslindes próprios das situações que ficam
por resolver nos dias
de sol escondido nas
dúvidas,
escrevo-as na palma da
mão ao lusco-fusco,
depois com toda a força
que a ignorância me permite sopro,
e tudo se desvanece
no voo solto do que
almejei para este momento,
soluções,
factos consumados,
segundos milimetricamente dispostos
em círculo para me fazerem sentir bem,
de tudo abdico para ficar solitariamente a planear
acabar com este sentimento de malha fina que
é o nada saber porque assim o desejo.....

sábado, julho 10, 2010

Regresso X

Pedido escuro. Coisas sem sentido ofertadas de mão estendida, com objectivos indefinidos. Gosto da sala. Dá-te aquele estrangulamento indefinido, que explicas com recuos e avanços se não aprecias o ar de com quem falas. É um pedido escuro. Apoiam o desejo que tens de ganhar o mundo. De deixar tudo bem desenhado com a insatisfação com que acordaste, e que foi construindo dentro de ti castelos assustadoramente cinzentos. E agora querem-te rei. Mas monarca das coisas invisíveis. Quase como se governasses para mortos que só já esperam o desfazer de tudo enquanto os olhos se fecham para sempre. Mas há também o renascer da alegria. O sol que não sai do rasgo do horizonte pouco mais que um tímido sorriso, mas que está lá. Que já aquece o que frio está.....

terça-feira, julho 06, 2010

Regresso IX


Cá me espero no dia
Encoberto das raivas,
Distendido por sobre
A amarela incandescência
Dos dizeres que nada fazem,...

Sou amanhecer,
Não sou ninguém,
Decano dos que
Sonhando perfazem
Cem maneiras de
Razões soltas
De inspiração,...

Feito caule,
Nada de árvores,
Somos folhas
Os que aqui resumem
Pintos mortos,...

Sonhos pardos,
Mulheres tortas,
Escrito isto nada
Dá,
Só mar
Desnorte total
No pó que
Se come às
Mãos cheias,...

Para no fim
Vir o fim,
E dizer dos princípios,
Coisas intragáveis
E desnorteadas
De se dizerem,
De um só trago....

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