quarta-feira, fevereiro 28, 2018

Apaga a noite da minha noite

Apaga a noite da minha noite,
É madrugada e só sinto outra
Perda de pele para renascer ,
Cansado em cima de camas de
Solidão,
Preciso de amanhecer em cima
Do seguro de ser,
Em ti...

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terça-feira, fevereiro 27, 2018

Um dia gostava de saber escrever assim

Tu és ainda o maior dos mares...

À tua palavra me acolho lá onde
o dia começa e o corpo nos renasce
Regresso recém-nascido ao teu regaço
minha mais funda infância meu paul
Voltam de novo as folhas para as árvores
e nunca as lágrimas deixaram os olhos
Nem houve céus forrados sobre as horas
nem míseras ideias de cotim
despovoaram alegres tardes de pássaros
O sol continua a ser o único
acontecimento importante da rua
Eu passo mas não peço às árvores
coração para além dos frutos
Tu és ainda o maior dos mares
e embrulho-me na voz com que desdobras
o inumerável número dos dias

Ruy Belo

de novo o dia

a um novo amanhecer a rua abraça com
momentos díspares,
hoje,
por exemplo,
pressenti o bom dia com cabeças
pequenas a sair de entre as frestas
do caminho de sempre,
só eu as via e pareciam dizer-me
para não lhes ligar,...

eram os momentos perdidos da vida,
transumados em distintos avisos de
qualquer coisa,
escolhi encará-los como prenuncios
que guardei no bolso,...

amanhã espero para ver se
vão aparecer outra vez.....





segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Sem título (99)

neste fio de prumo da tarde que segue,
as pernas dos verbos são a rotina dos
relógios de cada motivo,
ignorar,
ensandecer,
solitariar,...

pintam-se acreditares para que o amanhã,
seja igual ao que ontem
se dissolveu na poeira....


domingo, fevereiro 25, 2018

It's Sunday, m'lord!!!


Foto de General Melchett.

Poema de limão à noite

....via a noite como um limão,
de casca forrada a estrelas,
os gomos eram as mulheres sem corpo
que deslizavam pelos espaços
menos possíveis em busca não
se sabe do quê,...

e os caroços,
os poucos caroços,
pintavam-se de sem espíritos como os que
se recolhem no vácuo da ausência de luz,
em fuga de si mesmos,..

quando o dia fez o desenho na folha branca
da madrugada,
dormia a pensar em como citar o
verbo solidão,
sem arrancar a pele vazia que me velava
o frio da inquietude.....


Lobo antunesar a coisa....


pôs o sorriso esquecido no banho maria dos anos. Nos pés os sapatos ratados na biqueira, e com os calcanhares gastos._De meio salto para ajudar com os trampolins escorregadios da calçada gasta do bairro da Bica. Era a saia pelo joelho, com a racha até meio da coxa. Foi da irmã que morreu de desgosto quando o homem, embarcadiço, se foi embora para o ultramar e deixou escrito, em papel de manteiga, que tinha deixado de gostar dela. A blusa florida, com o decote que deixava os marinheiros americanos entusiasmados por uns minutos na pensão do 1.º andar da Mouraria, puxada para baixo, dava-lhe o renascer das décadas,…nem que fosse por um instante.
Trabalhava ainda só para respirar. Ninguém lhe conseguia explicar porque é que um cadáver com pouco mais de 40 quilos, com olhos debruados a cotão, as maçãs do rosto coladas à testa, e pouco mais que duas linhas de coser baínhas a servir de pernas, que a arrastavam como uma serpente pela baixa pombalina, atraíam magotes de homens. Sim, eram todos órfãos. Claro que sonhavam com as mães à noite, enquanto se esforçavam para não roçar as costas nas costas moles das esposas. Só que porquê ela?

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sábado, fevereiro 24, 2018

Krranngg!!!


anoiteces-me a vontade de ter o que viver


Não és tu a precisa inconsequência,
o vento explica o erro de pensar
em certezas no tempo,
coisas dadas de mão beijada
a chorar por qualquer coisa,
por todas as coisas,…

escrevo-te como o que já existe
que surge antes dos verbos todos de ter,
e dos sintagmas sem nome,…

anoiteces-me a vontade de ter o que viver,
sem comer para poder continuar…..


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Sem título (100)


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e gosto de gostar das coisas pequeninas de ser sério,
o ratinho na barriga de sair em dias de frio,
a menor parcela do entendimento
nos momentos de abstração,....

isto tudo pelo faro,
a ideia criativa de saber viver....

Tempo lamento


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nunca houve o verbo português
na manhã,
com a sombra de um dia inconsequente,
só a frase por entre os desavindos relógios
da noite,
percebe o que é indiferente aos lamentos....

sexta-feira, fevereiro 23, 2018

Tomorrow is after today


Fim

Desusa-te do amor,
É melhor a força iludida do vento nos ramos cruzados em morte dos bosques,
Do que com sangue definirmos um fim de dia que se desdobra em manhãs sem peso,...

Do tempo recuperamos os gritos sem som das espécies sem nome ,
O mal dobrado em milhões de mortos à nascença na seiva bruta das árvores,
Com uma casa em círculos concêntricos para a perdição,...

Os minutos somados em milénios
Perdidos no continuo do espaço,
Irão levar-nos ao dilema dos solitários,
Persistir no desdém pelo já,
Pensando em amanhãs sem forma,...

Espera-nos o deserto na brisa retalhante da pele,
Fim...



quinta-feira, fevereiro 22, 2018

Anos que nunca assumimos em amor


O vento corre como nas ruas, por entre os rumores do dealbar da madrugada. Naquela sala, na frente de paredes pintadas com sangue invisível de todos os adeus que nunca dissemos, desfiávamos parcelas de desentendimentos. Infidelidades pressionadas pela chave da vida desenhada nas árvores que morrem aos poucos por entre as imortalidades das estrelas. Não seremos para nós o que fomos em anos que nunca assumimos em amor…

Quando se tem aquela 'itchy feeling'

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Ondas


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não me digas sim pelo impulso
do sentir,
a água corre como cães tuberculosos
a arrastar-se por entre os dias,
que assim passam,...

é o que esperamos ressentidos
desta forma,
que me assusta quando mergulho
a cabeça no outro mundo,…

sei ser árvores de ti quando me menorizo
a escrever versos que são cola para a sanidade,
resisto com pés de areia,
e o corpo
a desmaterializar-se num passeio
com ondas a rebentar….

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

Because this shit is mine...


Sem título (1)



queres o suficiente do nada?,
a ti,
que és um céu descontextualizado
de estrelas
que brilham longe
dos meus olhos pintados a morte,
dou-te a frase consciente desta ideia,...

o suficiente do nada é
continuar a vida a
partir do ter que
ir para o vazio,
de andar a ver os passos
de tremor de terra,
com o que resta da memória
a embrulhar-se nos pés dolorentos,
bolorentos,...

a fim do mesmo que te dei,
com o que te dei,
guarda-me pelos instantes
de som que achares que consegues....


terça-feira, fevereiro 20, 2018

Se for

Desenho-o como um dia de frases que ninguém quer completar . Isto em nuvens eficazmente deslizantes depois de o sol descoser a pele que o prende à escuridão. Ando perdido num sítio que não conheço, com pessoas sem olhos, sem alma, e de pernas grandes que palmilham por cima da inocência . Passaram meses, anos, séculos perdidos no choro de noites sem dormir, e foi hoje que quiseste . Só hoje, quando já me sinto velho, desnecessário e desenquadrado de mim mesmo e do que sei ter sido o gostar violentamente certo que senti por ti. Só agora quiseste mostrar-te. Sair das sombras, desenhar-te sensual da forma mais assustadora possível.
Pensei em chuva. Em vento cortador e esfacelador de ossos e medos, para este dia. Mas veio um calor de estanho.
Por ti espero, esperarei as translações que forem necessárias .
E quando surges, choro sem saber se morrer poderá significar um fim desenhado para um propósito tão desesperante como este...


Ausência sem corpo


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Seriam segundos as formas inodoras que passaram no céu,
Espero pela desilusão inesperada da tua ausência sem corpo,
Com os minutos esperados a desenrolarem um filme mudo de conformismo por entre os meus sonhos,
Acho o refúgio na chuva e na espera do vento que sei ter todas as tuas formas,...

É ele que nas manhãs frias iguais às madrugadas quentes e sós,
Beija-me a pele enrugada e enfeudada nas lágrimas sem Desfeita,...

Voltarás quando reabrir os olhos para a vida?

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Sem título (2)

Escreve-me distância nas costas da mão,
Vou ler e resolvo a equação das nuvens
Escuras de cada dia,
E sentado num sonho desfio os olhos
Até perder o teu afastar,...

És de todos os mundos sem dono agora ...


domingo, fevereiro 18, 2018

Água morna do esquecimento

se me moldasses o choro,
dando de mim o que peço que os outros nunca se lembrem,
esperava aqui na cintura dos dias,
onde sempre procuro o perdido já passado por mim,
e mastigava o horizonte à espera que me viesses buscar,...

quando o próximo segundo se desmaterializar,
estou como sempre me tiveste nos bolsos da distância,
acomodado,
devotado a cada fibra do teu ser que queres que conheça,..

e agora conto os momentos em música até voltares,
não quero que acabe na água morna do esquecimento,...

 
a única coisa do baralhado do tempo,
é precisar de ti no respirar desesperado das noites acordado...

Being homeless

Sonhei que era uma ideia suicidária,
Chamava-me John,
Tinha 53 anos,
Baixa auto-estima,
Gostava das cores baças e que
Fizessem lembrar o dia a morrer,
E morei em Nova Iorque algum tempo,...

Estava aos pés de Deus sem conseguir falar,
Via pessoas de órbitas salientes a passar por mim,
Com braços colados às pernas,
E muitos carros sem condutor,...

Quando acordei fui ver se estava sol,
Mas já não tinha casa para espreitar pela janela,
Acho que foi a chuva a despertar-me para a realidade ....

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sábado, fevereiro 17, 2018

Mais escrita criativa


Saturday afternoon something

manhã que vale a pena desbravar

dá-me refúgio no pouco do teu verbo gostar,
contento-me com o acordar sorridente,
mesmo ao longe ver no transparente da tua pele um bem querer,
um afago de desejo apagado,...

ao menos quisesse eu a tua frase de agasalho,
uma carícia perdida que deixe a pele intocável e carente,
só assim me pensaria como manhã que vale a pena desbravar,...

como estou,
é a noite recolhida numa recusa de sorriso...


Um dia gostava de saber escrever assim

Trabalhos do olhar/Al Berto

I

escrevo-te a sentir tudo isto
e num instante de maior lucidez poderia ser o rio
as cabras escondendo o delicado tilintar dos guizos nos sais de prata da
fotografia
poderia erguer-me como o castanheiro dos contos sussurrados junto ao
fogo
e deambular trémulo com as aves
ou acompanhar a sulfúrica borboleta revelando-se na saliva dos lábios
poderia imitar aquele pastor
ou confundir-me com o sonho de cidade que a pouco e pouco morde a
sua imobilidade

habito neste país de água por engano
são-me necessárias imagens radiografias de ossos
rostos desfocados
mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
repara
nada mais possuo
a não ser este recado que hoje segue manchado de finos bagos de romã
repara
como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar

Termina esta ideia por mim

Mimetizada em silêncio, ocultavas-te com vestes transparentes. O medo dava-te o escudo continuador do manto de invisibilidade que havia algum tempo te começava a envolver a pele. Ninguém te disse o passado, só te falaram do presente como escolha múltipla de erros não assumidos. E foi isso que te fez florir do avesso.
Observo-te à entrada do sítio onde me mandaste ir, e confesso não saber o que fazer. Avanço, um passo escondido pelo outro, e só trocamos olhares de por favor, suspiros de porque vieste. O bulício de gente mascarrada que se atropela sufoca-me num silêncio doloroso. Peço água e ficamos a...

Termina esta ideia por mim...

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sexta-feira, fevereiro 16, 2018

Porquê aos comos

A razão impediu-me de escrever poesia quando o teu corpo era musgo num correr de água,
À sombra do que pensei ser quando chuvisca a tristeza,
Imaginei adjetivos para dedilhar o cabelo de fogo que te envolvia o sono,...

Dormi por entre o leite de felicidade que te entranha o corpo,
Fazendo a luz trespassar a pele que me forrou o de dentro dos olhos,...

Acordei tantas vezes como a única vez de um eu que já não recordo,
Em soluções fáceis de me trazer felicidade do âmago de todos os minutos felizes,...

E agora laços de tristeza com um silêncio sepulcral,
A vida continua sem que saiba responder porquê aos comos...



Só um grão de poeira na roupa do teu coração

Deixei de acreditar no sono da verdade,
É como se bebesse minutos longe
No que já fui,
E sou sempre forçado a respirar de novo,...

Recosto-me no encosto da solidão ocasional,
E vejo o amanhecer,
Mais outro deslizar de dia,
Sabendo que muito longe,
Sou só um grão de poeira na roupa do teu coração...


quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Avenged return to loneliness

Estranho serem altas as paredes da noite,
Lá dentro estamos cativos da indiferença,
Em reclusão pintada a diáfano e presa pelos pormenores que mais
Cativam os criadores,...

Recuando ao antes destes horizontes mortos,
Lembro-me de ti capaz de te atreveres no caminho da madrugada certa,
A pintar quadros de nascer só 
Com o poder dos olhos fechados a sonhar,...

Depois vieram os muros,
Os velhos a morrer em esquinas onde só há barulhos surdos de revolução,
E a ficarem os jovens sem olhos,
Com mães amarradas à casa pelos braços que,
Caídos,
Recusavam-se ao martírio,...

Se calhar nunca sairei destas pernas estendidas de comodismo,
Será talvez a melhor escolha fora do teu coração que já chamei meu...

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Mesmo numa multidão eu ia encontrar-te,
Trarias as roupas transparentes mais carregadas de saudade naquela tarde à beira rio,...

No meio do desprezo,
Do empurra vida,
E das pedras ásperas do desentendimento,
Ia seguir-te para o pôr do sol
De fogo,
O céu chamava-te em chamas
E percebi o teu anseio,...

Já não és minha,
Nunca o foste ao contrário da marca da minha ilusão teimosa,
Mas não sentia mal em ignorares quem quis lamber o teu sentir de lágrimas todas as noites,...

Só estava ali,
Onde me querias distante e coberto 
Do sal da solidão sem cor..



...:(...

...cortando-me a cabeça em pequenos bocados,
Virás agarrada a cada minúscula parte de sol que ainda resta,...

O tempo passou na roupa estendida por cima de cada acordar,
De todos os respirares insuficientes 
Que cortavam o sono para que fosses tu a essência de todos os sonhos,...

Mas acabaste com o luar que foste e em que me banhava,
Dói caíres assim deste sentir feliz e de todas as cores,
Deixando-me sem razão,
Esquecendo o chão para caminhar agora em nuvens sem fundo,...

E de dor...

quarta-feira, fevereiro 14, 2018

...não duvides das estrelas

....não duvides das estrelas,
nem penses no céu como poema,
nunca sobraram frases feitas de quem
contempla o tempo a escorregar do horizonte,..

...só pessoas infelizes que arrastam o arrastar
de nuncas feitos sempres,
duvidando das estrelas,
partes o contínuo espaço-momento que
te prende à vida....

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terça-feira, fevereiro 13, 2018

trago-te em cada pedra que viro

as nuvens estão forradas de ti, 
das árvores pendes em folhas de cores 
uníssonas em milhão,...

e nos caminhos enleantes que me perco, 
trago-te em cada pedra que viro,..

nos sonhos arredados do negro da existência, 
estás como vigor da vida pintada nos olhos 
de mogno que recordas, 
e na pele de água do amanhecer 
que corre nos destinos que conheces,...

não me morras no centro do equilíbrio 
perene da existência,
viro-me do 
avesso para evaporar se te perder,...


Deslarguem-me, deslarguem-me!!!!


A dor ia recuando

Estavam deitados próximos do sol. Os corpos sentiam a aspereza da relva do jardim, mas servia para atenuar a indiferença. A dor ia recuando,
à medida que a sombra da rotação despreocupada do planeta trazia a noite, para frisar o desrespeito que a criação tem pelas pessoas. Já debaixo das estrelas, e de um brilho baço que parecia fazer as árvores banharem-se sem explicação, levantaram-se...
A dor ia recuando.
 Uma mão envolveu a outra, e caminharam até à rua.
Amanhã há mais....

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segunda-feira, fevereiro 12, 2018

Colar corpos ao teto

Estas coisas de colar corpos ao
Teto para resolver qualquer coisa
Que as pessoas nem sabem o que é,
Tem de acabar como começou,...

O homem é banal no que o banal tem de fogo raso ao chão,
Como aqueles incêndios de fim de verão que são para as pessoas verem ao longe e sentirem que o pior já passou,...

Colar corpos ao teto é o voltar para 
Casa a pisar o mato queimado,
Com o crepitar da caruma debaixo das botas,
Enquanto o vento aliseo de princípio de outono empurra 
O sol do céu,
E traz as estrelas que prenunciam a
Depressão dos dias curtos escondidas debaixo do sovaco...

Inatingivel 2018: Amor com a certeza de que não se volta amanhã

Inatingivel 2018: Amor com a certeza de que não se volta amanhã



Vai a caminho de nove anos, escreveu-se isto no Inatingivel.

Não tá feio de todo...

I hate weeks, all kinds of weeks....

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domingo, fevereiro 11, 2018

Sem título (3)

não sei em que música foste um silêncio desenhado,
lembro a frase em que to disse,
na qual me propus uma sinfonia de jardins
indefinidos nas nuvens de um final de tarde,...

teve verbo,
desejar,
complemento direto,
o passado de dois que
só quiseram um,...

e que acabou no particípio remoto da solidão,...

resto por isso em duas faces
do destino inacabado de um dia de cobre....

Mudar o mar de sítio

Cansaço nas mãos transparentes de medo,
Luz de frio em olhos apagados 
De chama,
Eram cabelos ao som do vento mudo a fechar um ciclo,...

Chovias-te para interromper 
Qualquer coisa,
Com o tempo sem explicar 
O tempo que demora a
Mudar o mar de sítio,...

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sábado, fevereiro 10, 2018

Estratocumulos

Tinhas olhos lago,
Corpo encurvado para
Parecer a linha de água,
Pernas como Ramos defensores
De uma mãe árvore...

Em parque de fim de outono,
Suprias nos meus dedos 
O imprevisto do adeus ao estio,
Para sombra de minuto inverno,
Fechavas os olhos,
Anoitecendo em poema de
Estratocumulos...

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sexta-feira, fevereiro 09, 2018

auto de fé


Sangravam-te facas do teto da boca,
Eras a res publica com olhos
à vista do corte de almas,
Com o sol a passear pelas sombras
de um corpo atónito,
refrescante em ardência difícil de caber
entre as sobras da populaça,…

chamaram-te noite,
amaldiçoada pedra do mal
com pernas e braços,
olhos de vazio e cheiro e coisa nenhuma,…

evaporaste o céu materializada
em fumo sem cor,
bruxa dos dedos cortados,
ululava a verve sem rosto….

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Trespassado em vozes


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De todo o ódio pelo sol porfiado nos
Frascos de final de tarde,
Sem se poder maldizer o som,
Caminha-se aprovado em monstros,
Nas sombras disformes que mascarram as esquinas impolutas 
Dos superiores,...

De todas as coisas gerar rodas para travar,
A impoluta versão do medo
Escondida no canto húmido de
Todos os olhos que usas,
Da folha branca em que te equilibras no abismo,...

E para fins princípios consentâneos
Com o amor,
Trespassado em vozes que não cantam por medo da falésia final ...

Casas estridentes

Entraste no cimo da rua junto à árvore morta, 
Havia uma pedra grande
Junto a um banco sem cor,
Sem forma,
Gasta nas pontas e
Coberta com o ocre do tempo,
Homenageava a mulher desaparecida Por cada criança que ali tinha abençoado a vida,...

Sentada com as pernas em coração,
Tomaste uma última refeição de verde comiserante antes
De partir de vez,
em direção ao horizonte assoberbado das casas estridentes ...



quinta-feira, fevereiro 08, 2018

Fomos a certeza dos nuncas

Sorriste um comboio a rasgar a planície,
Traçavas o destino preso em hesitações de pedra pomes,
Incendiárias de um plano apanhado
Nas faces redondas do sol encadeado,
Pendurado,
que desenha planos de futuro,
Com bissetriz de partilha de fim dos dias,...

Fomos a certeza dos nuncas escondidos no sorriso dos velhos
Que tomam banho em tranquilidade,
Com as sombras fantasma dos sobreiros de isolamento daquele fundo de mundo,
Esquadriadas na terra dura que nos pare e mata no redondel do sol...

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

e fomos praia até à madrugada

disseram-me que eras o frio,
o que escorre das paredes
da cidade perdida nos segundos sem cor,...

desenhei-te a soprar mais forte que o
vento que traz facas,
e retalha o movimento perpétuo
das rosas no que me lembro,
dos teus cabelos,...

os que voavam sem parar,
num vai e vem de baunilha
descrito,....

sentei-me onde pensei poder
reencontrar-te,
e com o entardecer a abraçar-me,
tranquilamente,...

surgiste eterna nas pedras
da falésia onde te perdi,...

e fomos praia até à madrugada,
e para lá do tempo ensurdecedor
da rebentação....


terça-feira, fevereiro 06, 2018

Descrição da discrição

As coisas estavam arrumadas em cascata nas prateleiras alaranjadas da cozinha. Por baixo os temperos, que se usavam quase de sol a sol. O sal num frasco de loiça alentejana, acastanhado, com tampa verde. Comprado na feira de maio, a um cigano que cantava o joselito na perfeição , apesar de ser tão gago que nem conseguia dizer o nome todo seguido numa única frase. A pimenta rasava sempre o fundo de uma caixa chinesa, de plástico, com um símbolo esbatido do yin e yang para dar sorte à cozinha .
A noz moscada já tinha percevejo a passear lá dentro:
ninguém gostava de usar coisas indianas porque lembrava 1961, o ano em que Portugal começou a morrer. Amen!!!
O tomilho e o louro estavam sempre em molhos pequeninos , encostadas junto à serradura em pó, no canto da prateleira Por cima as compotas que eram renovadas todas as semanas . Exalavam um cheiro de mercearia de pé de prédio, e davam um ar acolhedor, tipo revista Eva do Natal, à casa.
Por fim, e em cima, o pão. Estava numa caixa de plástico, com porta de correr. Cortado em triângulos, comidos três vezes por dia ao ritmo de uma fome que já nem parecia importar mais que o correr do ponteiro dos minutos ...


dúvida,...devida


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É como se me cosesses a boca,
Com fio enleante e capaz de
selar segredos de barro,
É como se depois me materializasses
Em passado,…

É como se a vida depois passasse,
Na dúvida,
devida,...

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Monday, 41 minutes past


...falta de porquês para o amanhã

as formas como desenhaste o ir embora,
o não querer mais,
esquecendo o que só tem agora presente num lado
comatoso do ser,…

um corpo que vibrou e volta ao
entorpecimento da madrugada,…

deixam-me só no que foram segundos
desperdiçados,…

o sol deixou de brilhar como nascia quando te acordava,
a noite de hoje será igual à de ontem,
e todas serão as mesmas até o universo rebentar,
e o verbo se desfizer no nada,….

Na minha cabeça nuvens de vida a passar,
Numa desértica falta de porquês para o amanhã….


domingo, fevereiro 04, 2018

Melhorzinho

Só fazes sentido na bruma de uma
Manhã de inconstantes minutos,
Daquelas em que o pé ante pé nos salva de um falhanço,
De uma decisão mal tomada,...

Poderia desenhar-te no rosa do nascer do dia, 
Fazer os teus olhos estrelas que se somem na Aurora de todos as
Novas da morte,
Mas não o faço,...

Se só te sei escrever deixo-te à metáfora da perfeição que nunca terei, 
Se quiseres ponho-te onde para mim reside o sorriso,
NAquela gaivota que se deixa levar no zen das ondas chão das primeiras horas,..,

Para o feliz dos segundos que faltam restas-te na minha memória ,
Passeias com vícios na pele por entre as sinapses gastas do que me faz respirar ... 


Tanta vulgaridade que nem vale a pena ler

Às vezes o desmoralizar ,
Outras o cansaço de ver os barcos
Inafundaveis entrar no porto errado,
É debaixo dos mesmos luares de desnorte que temos os falhanços sem cor que nos sorvem a vida,...

E todos na mesma praia de pós-remorso que nos brota do corpo cansado,
Encontramos forma de acordar o sol do conformismo,
E seguir sem que dos relógios façamos questão de passar...


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