PAI
quarta-feira, 26 de novembro de 2025
segunda-feira, 2 de junho de 2025
sábado, 5 de agosto de 2023
fátuo e moribundo
seixos partidos,
ondas que desenroladas,
armam um circo de abandono
em toda a extensão de uma praia,
desencontrada do som,
perdida nas saias longas e franzidas,
das mulheres que se arrastam numa
esquina de espaço,...
a voragem da voz que surge,
em rostos entristecidos,
esconde os raios tímidos de sol,
numa manhã que se desenrola
como fogo,
fátuo e moribundo
quinta-feira, 2 de junho de 2022
27 anos
Naquele dia, escolheram descer a rua apertada,
Tinha dois desníveis acentuados antes de uma reta prolongada,
Que dava acesso à estrada onde os carros se ouviam,
Cada vez menos,
Quase já como dois lamentos de abetos que dançam ao vento,...
Traziam pequenas porções de fruta madura,
Para dar aos pássaros que pedinchavam por sustento à medida que palmilhavam sem muita pressa,
E sentiam-se bem,
À chegada à casa descoordenada que construiram na enseada,
Acreditavam-se realizados,...
Tinha chegado a época das chuvas
domingo, 30 de maio de 2021
Escrito a 18 de Março
Hoje não me apetece escrever nada,....
a morte, mais uma vez, está a correr-me nas veias
:-(
quinta-feira, 18 de março de 2021
sexta-feira, 10 de julho de 2020
Passado e presente

quinta-feira, 9 de julho de 2020
Escamas espalhadas da existência
Desejos sem sentido,
repreensoes de que fui sendo alvo enquanto,
Enquanto o tempo o foi permitindo,...
a terra pesa-me o que está ao meu alcance,
e deixa-me brincar com as irregularidades da caligrafia,
apreciar o que se esforçaram por me dizer,
e a influência do medo naquilo que me foi ocultado,...
Enquanto sujeito das escamas espalhadas da existência,
conformo-me com a inevitabilidade da decadência,
Sem retorno e sem odor
quinta-feira, 11 de junho de 2020
Poema cansado de esperar
onde preparas os intervalos,
das nossas existências,...
eu não sei de maldade,
não percebo se respirar assim,
com dores de saudades a escortanharem
uma voz que já nem viva está,
será digno,
será modelado ao presente
que ainda consigo ter,...
conjugar assim tantos verbos
reduzidos ao particípio,
da espera,
tira-me a força de um
argumento que só está desenhado,
de traço trémulo,
com um sol que desmaia pelo
meio desta chuva ácida cor de enegrecido,...
esquece que te pedi a espera,
prepara-me só a partida,
porque a dor entontece-me o argumento
terça-feira, 2 de junho de 2020
domingo, 3 de maio de 2020
sexta-feira, 24 de abril de 2020
não deixou que o morressem por dentro
advogava a não violência,
mas toda a gente percebia o
contrário,
as relíquias da sua vida eram os passeios
sem hora para terminar,
os sons enumerados em coleção,
sem etiquetas,
só com lamentos pela forma
como se produziram,...
e agora,
quando já nada mais se preparava
após o último beijo,
envolveu-se em casulo,
sobre si mesmo,
e não deixou que o morressem
por dentro
quinta-feira, 19 de dezembro de 2019
terça-feira, 26 de novembro de 2019
sábado, 19 de outubro de 2019
Vida transparente
e para o ano com estes jogadores
não chegamos lá,
arrecadavam as mãos nos bolsos
e tiravam-nas de novo,
diziam mundos e fundos
de tudo,
e a banalidade era tanta que
os olhos azulavam,
e tudo em volta cegava,
havia música sem acordes,
velhinhas inauditas,
que trajavam de som e
sem recordação,...
e diziam não gostar do chuto
na bola,
quando comiam a sandes de couratos,
entremeada com a cerveja azeda,
e diziam que queriam mais
na próxima semana,
e quando o sol se vestia de noite,
regressavam a casa,
e nem ouviam que estava lá vida,
só pensavam não gostar do árbitro
quarta-feira, 31 de julho de 2019
Perguntas
as perguntas começaram,
as noites não tinham mais o
mesmo sabor,
dos dias percebia só o som
emudecido do adeus,...
não mais te vi ao longe,
caminhando em emes mal desenhados
para os meus braços,...
e tudo quanto ficou
sobrava no renascer das
mentes,
para que ao ler
os mesmos livros
que foram nossos,
me sobrasse a luz,
no desnorte da solidão
terça-feira, 11 de junho de 2019
Solidão de Outono feita
nas noites preencho
o teu desconhecer,
sei-me cultura
estranha do teu sorriso,
imperador morto
e sem descendência
dos contornos do teu corpo,
a cavalo,
percorro quilómetros
sem cor em estepes
cor de palha,
por entre o teu cabelo
que arde no imenso
de um leito,
que jaz como poema incompleto....
às vezes,
parte do que aqui
foi feito desfaz-se
em diamante,
sem que entenda
o andrajoso de estar só,
sem a liberdade
outonal de estares presente
quarta-feira, 5 de junho de 2019
Deprimindo a forma
a saída de casa, e o palmilhar errático
pelo meio da chuva,
arriscando o risco de afastar a vida,
e aproximar a bolina da existência sem rumo,...
chegar a um abrigo,
sacudir qualquer coisa sem forma
sem cheiro,
suspirar duas vezes enquanto ao lado,
pares e pares e pares de olhos sem
dono censuram-nos a dor,
medem-nos o próximo,
afastam o longe,....
seguindo com força imediata ao choro,
até que já ali,
onde nada cabe na ausência do querer,
tudo volta ao início,...
não sabendo descrever melhor o vazio,
escreve-se assim a
cabeça sem forma
segunda-feira, 29 de abril de 2019
Escondi-me
sem que o silêncio fosse
o argumento que
desliza por entre os números,
mas antes pelas palavras,....
resignado à folha branca,
ao ter sempre a mesma
coisa para dizer,
os mesmos castelos transparentes
que sustentem as falhas inodoras,
deixei de saber escrever
o suficiente para
que um sorriso brotasse,
flor,
do terreno virgem do teu ser,...
quis esconder-me
porque sim,
porque já não
me resigno a ter nãos
para que deixe de ter talvez,
só quero voltar a fazer sentido,...
escondi-me,
e tu a brilhares
como Quasar do meu sofrimento
quarta-feira, 27 de março de 2019
...desta porra triste
de mãos a deslizarem pelo corpo presas,
e condenadas ao degredo da injustiça,...
e de chorar,
e de revoltar quando nem se come,
para nos recusarmos a que a luz
se acenda nesta estrofe rota de vida,...
se souberes como nos safar desta porra triste,
ouvir-te-ei,
acho eu,
caso ainda tenha ouvidos,
e capacidade de um riso atávico só para
provar que me importo,
e dois olhos que brilhem o suficiente
antes de que o fio do tempo os esgane,...
até que haja mar para nos
trazer de volta,
cantaremos logo mais,
antes de dormir de lonjura
na alma


