terça-feira, 21 de abril de 2026

Que o tempo se poetize como deve

 Quero falar do que vi,

De um tempo de agruras,

Encaixado em poucos minutos de filme de matine,....


Quero falar de ti,

Das tuas expectativas,

Dos desejos impressos em pequenos folhetos sem importância,....


Quero que falemos do óbvio,

De um beijo entre lábios,

Para que as lágrimas de contentamento se desprendam das órbitas,....


Quero ser eu mesmo,

A pessoa sem querer esperar nada,

Que adora só um pedaço de pão seco,

E uma caneca envelhecida de café,...


Esperando assim,

Que o tempo se poetize como deve

Turkey voltares, de: Michael P. Fogden 

Tirado daqui

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Três pontos

 era um ponto

desvairado,

um borrão de carta

de suicídio,

até de amores

definia o ar,

a respiração travada,

o que me chamavam à noite

quando fugia das coisas,....


reescrevi-me tanto,

tantas vezes,

em sextilha,

em casal a saltar

de falésia,

que me lembrei dos sonos de

criança,....


o fumo de cigarro

do pai no nariz,

a mãe escondida

na sombra livre e

de ficção do quarto,....


e recitei-me

para terminar,

a forma estranha

como a oração se

perdia atrás de mim,

inundava cada novo dia

De: x-files

domingo, 19 de abril de 2026

E ao final da noite,....

 Os que dizem adeus,

São diferentes dos 

que entram na sala,

Amam as verdades

 postumas,

Deliciam o mar,

Com flores em bouquet,

Enviadas a boiar 

gentilmente até ao outro 

lado do oceano,....


Quem fica,

Sabe que tem presente o tempo,

Defende a moral,

Escrita num toalhete 

de casa de banho,....


E ao final da noite,

Já experienciou, 

Pelo menos uma vez,

A recolha de misteriosos,

Bouquets de flores,

Que dão à costa 

Pay nothing until April
Acrilico em Tela, 2003, Ed Ruscha
                                                                                Tirado daqui

sábado, 18 de abril de 2026

Admitamos que sim,...

 Prometeram nos assim,

Desespero,...


Muitas vezes sem saber o que fazer,

E fazer os possíveis como amor,

Quando sai luzes e luzes adormecidas no inverno,....


Veio uma senhora,

Lembro me dela,

De meia idade e sem inocência,...


Garantir pelo amor da criação onírica, 

Que não ia doer,

E acabava em pouco tempo,....


Admitamos que sim,

Mesmo acreditando em pés grandes e diaformes, 

Que caminhem sobre a neve 

                                                                         Tirado daqui

sexta-feira, 17 de abril de 2026

...pequenos bagos de solidão

 Porque um ano,

As flores não te

 dizem tanto tempo,

E ha nuvens que viajam o amor,

E nunca regressam

 nesse passo sem marca,....


De ti sem roupa,

Da ausência de um coração,

Do sorriso de livro prolongado,

Que dizias em quadros

 pendurados pelas paredes,

Nada parecia ficar,.....


A chuva ia em pequenos 

bagos de solidão,

O sol esperava por mim,

Apoucado pelo quarto vazio,...


E num ano,

Nada mais perfeito que isto,

Te posso descrever,

Sem que cá estejas

                                                                                   Tirado daqui

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Só porque sim,...

 há quem procure com a respiração rouca

o silêncio de um nome

- António Ramos Rosa

Aquela soma de versos,...

 Para dizer a verdade,

Acho que seria suficiente desapegar os olhos de ti,...


Imaginar dois gatos à luta,

Uma vila vazia,

Porque todos partiram de coracao inconsequente,...


Dizer te que este sou eu,

O que diz coisas sem sentido,

Adivinha onde está a verdade,

Sabendo que ela morreu provisoriamente,

Como o mundo sempre nos ensinou,....


E mais logo haverá uma reunião de valores,

Eu a pensar que me arrependo que tenhas saído numa manhã de nevoeiro,....


E aquela música,

Aquela soma de versos,

Aquele presente sem razão,

E pouco sentido,

Que deixaste para trás 

                                                                                     Tirado daqui

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Aqueciamo nos,...

 Não era deste tempo,

nem sequer de

quando o presente

se chamava miúdo,

menino de ranho farto,

e olhos vivos,

 foi de quando as

mães se achavam prontas,

para que a partilha comigo

fosse o choro,…


aquele tempo arrepiado,

com frio e quente

de carinhos sujos,

e parco de saber

e conversas inúteis,…


aqueciamo-nos,

eu e quem me confiava

segredos,

na chama invisível

da confiança,…


e aqui nos tínhamos,

insuficientes,

mas de tranquilidade

reconhecida


                                                                                     Tirado daqui

terça-feira, 14 de abril de 2026

Preso ao peito,...

 Era o político mais sagaz 

daquela terra,

Acumulava cabelo 

cor de neve,

Que formava manchas

 de sapiência junto das têmporas,....


Era o mesmo que

 falava da torre de menagem,

A plenos pulmões 

nada prometia,

Apenas confortava

 pensares,

Desdizia as fatalidades, 

E ao descer à terra ,

Valorizava um convívio diário,...


Porque usava um segredo,

Preso ao peito,

Odiava deixar aproximar

 de mais as pessoas,

Tinha refeito as suas prioridades,

A partir dessa ideia 

                                                                                Tirado daqui

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Por mim,....

 As palavras, 

As folhas,

Ser do contra com naturalidade,

Disseram me que agir assim era o novo normal,....


E haver tempo a descobrir sempre que prosseguimos,

Achando que somos de 

um filme surreal,

Como um personagem 

de instintos assassinos,

Do qual nunca sabemos o nome,....


Por mim,

Pela minha alegria,

Bem estar,

Entende bem o que te explico,

E nunca poderei achar 

ter dado por perdida

 a forma como te expliquei, 

O A mais B da existência 

                                                                                    Tirado daqui

domingo, 12 de abril de 2026

Até que um novo dia,....

 era altura de procurar,

desiludir,

esquecer os

carros engasgados que,

rua abaixo

rua acima,

nos embalavam o sono ocasional,....


procurar a sério,

não revirar

as costas de uma

carta antiga,

por soluções

para uma ignorância,

que não nos larga o braço,....


e como modelos únicos,

pessoas emolduradas

na traseira de uma

sala poeirenta,

que procuremos

de forma perfeita,....


até que

um novo dia,

pinte o escuro de claro


                                                                                 Tirado daqui

sábado, 11 de abril de 2026

Lia lhe Baudelaire

 


Ela sabia vender se aos olhos dele. Garantir que era cativante. Dizer, sem ser exaustiva, que pelos seus olhos deixava transparecer uma alma literária. Poética, sem rimas pois detestava o óbvio. Um ser de ruas amplas, segredos pouco elaborados, e que se expressava bem, assim conhecesse alguém que estivesse disponível para ir além dos seus caracóis revoltos, e de uma apatia moderada que so em determinados momentos fazia questão de intensificar.

 Mas ele. Ele cultivava a distância. Nem sempre era o mais bem vestido. O mais culto. Por vezes, ela interrogava se se valia a pena seguir em frente, perante a tamanha evidência de desilusão. 

Mas acabava sempre por ficar. Lia lhe baudelaire, como um desafio que ele aceitava medianamente. Acariciava lhe o cabelo louro escuro, liso e que quase pedia licença para existir. O problema era caçar uma reação. Uma vez sem exemplo de sorriso, da parte dele. Mas não era, de todo, tarefa fácil....

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Estas palavras,...

Quadro de Simon Leclerc
Tirado daqui
estas palavras são
sobre silêncios,
sobre números,
de página,
de despedidas,
de comida
ao entardecer,
num final de mundo só conhecido de dois,...

são palavras desordenadas
 por opção,
infinitas nas vontades,...

e não estamos por trás,
nem de qualquer lado palpável,...

esperamos por elas,
as palavras,
reorganizadas,
e chamadas flor,
 solo,
terra molhada em dia
de chuva



 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

A aposta no mal,...

 Referencio desejos,

Pedras de toque com ódios reescritos,

As últimas coisas indesejadas e guardadas como solução,....


Tudo ao alcance de um choro,

De alegrias coloridas,

Das mãos desordenadas e trémulas que a idade traz,....


Por tudo,

Permito que a vida me cobre o custo que quiser,

A aposta no mal,

A solidão que está oculta no espaço dos ponteiros do relógio, ..


Tudo o que me afirme,

Enquanto desminto o Pessoa que me assombra 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Bater no peito até doer,....

 Denunciar,

Gritos de metal,

Murros no vento,....


Implicar com o verbo,

A pontuação retrógrada,

Os estrangeirismos desnecessários,....


Reclamar como um direito,

Nunca estar calado,

Defender cidadania,

Um envelhecimento possível e adstrito ao amor,....


E sempre,

Mas sempre,

Bater no peito até doer,...


Como se simulasse uma cátedra sem tempo,

E sem lugar

terça-feira, 7 de abril de 2026

E com arvores a abanar,...

 Agora decidiste sentar-te,

a vontade transveste-se,

e não há tempo para um beijo,

para devassas de corpo,…


tempo só para planear inocências,

e escrevem-se,

está redigida a partida depois

de o relógio se desfazer,

e anulada a prisão dos sentidos,

cada um procurar caminhos que cheirem

a organdim,….


e com árvores a abanar,

de copas quase vergadas à

invernia dos elementos,

dizemos adeus,

de que mais se precisa

a virtude,

quando a distância tudo

cura

                            Tirado daqui

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Voltarás ai,....

A mulher e o urso
Litografia de Edvard Munch
1908-1910

 

Amor gigante,
Sem conseguir dizer de outra forma,
Mãos no espírito,
Acentuado envelhecimento noturno,
Mas a presença em espírito de um sorriso,
De um corpo normal mas embebido em insinuação,...

Com as notícias normais nos meios de sempre,
E um café que arrefece nos frios contraditórios de Janeiro,
Dize lo repele a finitude da solidão,
E faz recordar,
Traz de volta aquela fé contorcida por força e,
Saber que tendo estado,
Voltarás aí 

domingo, 5 de abril de 2026

E enquanto há mar,....

 O que fica de mim,

Dos reflexos de lágrimas,

Dos erres de resolver inocência do passado,....


O que fica de lavar os olhos com verdade,

Esperar do corpo a nova vida,

O que fica,

O que ficará para a metade do que lendo,

Faço por esquecer,...


E enquanto ha mar,

Envio-lhes o chão a gretar,

E a voz do que de mim sobrar


sábado, 4 de abril de 2026

E lavar a alma,....

 A suavidade,

Um par de sapatos gastos à porta,

Deixar ir a vontade em pedaços finos de lágrimas,....


Um homem que grita o fim,

Nós amarrados a um silêncio necessário,

Uma página de livro que recusa abrir a próxima,

E lavar a alma,

Lava la lá onde a música não chega,

Onde a razão se recusa a ir,...


Premissa cumprida de um novo presente,

Que se constrói a si próprio 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Seria seguro admitir,...

 Ninguém exigia muito,

Tinha talvez de haver silêncio,

Um compromisso de renúncia ao verbal,

Ao insulto,

À mera consideração,....


E deixar que a verdade cedesse a uma transformação gradual,

Renúnciasse ao primado do verbo,

E fosse um conceito pré linguagem,

Dependente do amanhecer,

De anoiteceres violentos ou calmos,....


Seria seguro admitir,

Que no mundo mais que uma pessoa pensava desta forma 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Aplaudido

 Entrego-te de alma,

As mãos no coração,

De poetas farto mas de água fria reencontrado,...


Serei de mim,

De novas segundas feiras perdido,

O que te surgirá,....


Aplaudido,

Sem que se conheçam ofensas,

Desesperos,

Mas feliz por ter cara,...


Anúncios,

Te ter num dia de névoa,

Sem encaixe de espaço e tempo.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Abrilando a 19 de agosto de 2025

Quadro de Luiz Paulino


ninguém imagina,
faz,
desenha,...

não há riscos certos,
polígonos de pessoas feitos,
sujeições a mal entendidos,...

não há poeira,
desejos infindos,
mulheres que mal
varrem para viver,
e comem para morrer,...

falta importunação,
noites mal dormidas,
um velho a querer morrer
atrevido,
e o que com isso
deixa de se ver,...

imaginar dói,
por isso ignora-se