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domingo, 31 de maio de 2026

Já não sou inquirição,....

 Agradeço que me pintem,

Um corpo devastado,

Extremidades cor de sangue,

Uma conversa de morte,

Acicatada pela nudez dos finais de manhã,....


A inocência serve me a água,

A lassidão de uma noite cálida,

Convidativa,

Escrita a presente,

E de um passado jocoso,

De tantas idades,

E ao mesmo tempo ainda por nascer,....


E agora espero,....

(Próxima madrugada)

Já não sou inquirição,

Pergunta por fazer,

Mão levantada à espera de minutos por colorir,....

Sou agora o que tem de se impor,

E ler o que tendo de ler,

Se vai vestir de nova vida 

De. Johan Jakob Walther
                                                                              Tirado daqui

terça-feira, 7 de abril de 2026

E com arvores a abanar,...

 Agora decidiste sentar-te,

a vontade transveste-se,

e não há tempo para um beijo,

para devassas de corpo,…


tempo só para planear inocências,

e escrevem-se,

está redigida a partida depois

de o relógio se desfazer,

e anulada a prisão dos sentidos,

cada um procurar caminhos que cheirem

a organdim,….


e com árvores a abanar,

de copas quase vergadas à

invernia dos elementos,

dizemos adeus,

de que mais se precisa

a virtude,

quando a distância tudo

cura

                            Tirado daqui

sexta-feira, 6 de março de 2026

E mesmo assim,...

 Se a maldade,

Um pão com manteiga,

A forma como dizes liberdade,

Tudo embrulhado em sal,

Fosse o nome deste desejo,....


Este pedaço de roupa que aqui está,

Perdoado de mal,

E imbuído do bem possível,

Seria a minha dor,

O que não consigo explicar,...


E mesmo assim,

Continua a haver a névoa de todos os dias,

E eu adormeço em assuntos perigosos,

A sonhar com a forma como regressaram,

Sozinhos e impressionados 

Poça (Puddle)
De: Ricardo Félix
                                                                Tirado daqui

domingo, 25 de fevereiro de 2024

Morte das formas

 


Para os que me procuram achando,

Que o escuro é o meu sangue,

Que o meu corpo se remenda a vazio,...


Não farei barulho,

Os meus olhos acostumam-se à dor da morte das formas,

Do esvaziamento doloroso das cores,

Com este mundo bidimensional,

Impossivel de ser abraçado por um verso,.. .


Não tenho feito de mim lonjura,

Porque refeito na proximidade,

Acho-me reinventado,

Reassumido,

Com a fraqueza da imperfeição,

Aninhada na loucura esconsa de viver numa casa fechada

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Olhos marejados de felicidade

 


Das coisas delicadas,

De pele aveludada e metamorfoseada em beleza,

Retirava o que podia,

 Boas experiências,

Olhos marejados de felicidade,

E até janelas a abrir para o sol que nascia,...


Das más afastava-se,

Era uma escolha de princípios dizia,

E quem o ouvia tranquilizava-se,

Fazia-o em silêncio,

Mas experimentava novas sensações 

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Mirar

 Afinal, é isto a morte?,...

Um casaco perdido no meio de uma rua lúgubre Uivos de um cão perdido, que não se deixa ver, e parece chamar por todos os desejos que alguma vez perdeu,...

Contar-te isto custa. Perdi o sol, os passos certos para as opções erradas. Mas de voz precisa, palavras previsíveis, e um sentido de responsabilidade trémulo, coloco-te a mão no ombro. Sinto que já foste mais perfeita. A magreza da tua envergadura entristece, talvez menos que a resolução perdida de saber que já é final de mais um ano. E talvez por isso isto seja a morte. 

Acendo um cigarro, e a noite de cacimba ilumina-se, nem que seja um pouco, para que algo que pode ser para sempre, se torne de fácil explicação. Falei-te vezes sem conta de névoas inexplicáveis, pessoas com propósitos diferentes que nelas habitam, e eu como elo perdido em algo que nunca realmente entendi. E não entendo. Anda. Caminhamos juntos para aquela viela sem nome, e ali sentir-me-ei mais seguro para qualquer coisa...

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Roupas rasgadas

 


Abrir-se-à uma janela,
A luz como assassino ficcional entra,
Polite,
Britanicamente vestida,...

É dia há pouco menos que um suspiro,
Roupas rasgadas sobram por lá onde o som não chega,...

A verdadeira razão enlutada,
Traz sapatos de morte,
Como se o barulho de uma vida que se extingue,
Percebesse linguas extintas em todo o mundo 

sexta-feira, 31 de março de 2023

Imobilismo

 


Sabia que o mal se tinha encarregado de

Depositar aquilo,

Que nem descrição nem forma nem peso nem sequer remendo tinha,...


E por isso julgou-se incapaz de entronizar fosse quem fosse,

Era má de mais,

Anulada perante o sentir,

E até com dores no corpo de tanto esperar o que nunca viria,

Por isso o imobilismo tornou-se a solução procurada 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Novidade amorfa

 


Longe as promessas despem-se onde já não se vê,

A fortuna depende do recontar das riquezas perdidas,

E como a loucura,

Tudo se ensaca para se guardar em sótãos por onde passamos,

Sem que a nossa marca tenha sequer espaço para ser deixada,...


Não consigo mais que fugir da novidade amorfa de tudo isto,

Ruidos espaçados indicam o conformismo de me escudar na imprecisão 


terça-feira, 6 de dezembro de 2022

migalhas

 


a minha lei são
migalhas,
pedaços a solo de
um pão inconstante,
letra solitária de
uma hora passada a seco,...

havia o perdão,
deformado em fome,
tanto generoso
homem que conheci,
e hoje miro
a pena dura,...

e contigo
falo de narizes,
verso aqui,
verso acolá,
e a minha lei continua
a ser migalhas,
de nada

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Parecença


parecença,
os dois preceitos de
uma manhã incompleta,
nada escrito sem
acentuação,
e surreal,
dois rostos deformados,
consumidos pelo tempo,
e com o ressentimento
preso por pouco na boca, emudecida,...

a parecença, com muitos
autores iludidos,
crentes na previsão
desnorteada de fins desconhecidos, e
 tudo a acabar com a
dor arrependida

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Vidoeiro

já não é Verão,
os montes de areia
acumulam-se por aí,
e uma pequena chuva,
tão inodora como a morte,
encolhe a noção de dor,
e traz de volta a razão,...

havia a frase,
os dois homens que a
diziam,
e dançavam como
loucos pelo
vidoeiro acima,...

ansiavam pelas mais
incandescentes formas de luz,
e talvez só quando o
Verão voltar,....

se faça das fraquezas desejo,
e da força resolução



domingo, 13 de novembro de 2022

Peixes

 Estava tranquilamente com os pés cravados no fundo do mar,

E a sentir peixes curiosos que me roçavam a pele,
Inseguros,
A querer saber mais de mim,...

Dei-lhes esse prazer,
Estava a olhar para o infinito e a pensar que era injusto para o mundo,
Injusto para todos os que conhecia,
E estava bem ali,
Em comunhão com a natureza,
Feliz e disponivel para mudar


domingo, 23 de outubro de 2022

Desenhasses a sorte

as casas parecem o equinócio
de qualquer coisa,
só te pedia,
recordo-me,
que desenhasses a sorte com a ponta
dos teus dedos,
e lá ao fundo,
onde se perde a vista deste bairro
de tristezas por explicar,
talvez aí permaneça aquele meu sorriso
de que sempre falas,...

e sem que me digas
o que pensas que ele poderá dizer,
prometo que serão promessas
o que entre nós ficar disto,
que se arrasta pelas ruas
que ambos conhecemos,
e do medo que repartimos por
o que elas representam



domingo, 21 de agosto de 2022

Hara-kiri

 Ao trabalhador era-lhe dito que balbuciasse,

Anotava as ordens consecutivamente,

E o trabalho amontoava-se,

Pensava em como lhe tinham explicado a morte lenta das ideias,

E tudo se resumia a isto,

Ter de anotar ordens,

Regressar à rotina de inteligência,

E emergir,...


Lá em baixo estava frio,

E se calhar não haveria saída



quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Resta-nos beber


Perceber que se consegue beber em vez de sonhar,
Uma mesa que o mostra,
Com um crepitar irritante de dedos,
Que surge em trote em crescendo,...

A conversa escassa propicia a sede,
E há uma escória total na falta de leis que precipitam o silêncio,...

Só de te esperar com este cenario desenhado,
Resta-nos beber,
Nenhum sonho poderá resistir

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Espelhos de alma

 


Às vezes a dor era um,

Dois,

Três dedos e mais que a alma aguentasse,...


Teria um restolho de passividade a arder,

e lá longe,

onde a memória persistisse,

haveria um corpo disforme mas capaz de assimilar o amor,

à espera do regresso do romantismo envolto em seda de outros tempos 

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Despretensioso

 


a bruma,
os dedos afundados
 no mosto da manhã,
e tanta razão para pensar
que o fim nunca aconteceu,
que ainda respira o que foi o pulsar
desta casa,
a luz enviesada de tanto
ridiculo que se promoveu,
de todas as vozes
infindas que,
de pernas e braços
em riste,
se sentaram no que
era o centro de um mundo
em plena mocidade,...

agora,
com a manhã presa,
sobra o silêncio,
nada mais se escreve
com a clareza de um poema,
despretensioso

quarta-feira, 23 de março de 2022

necessário

o que via mostrava,
como templo,
desejos mal inocentados de perdição,
trapo roto de um andrajoso,
tudo seguia o mesmo método
de mostrar para perceber,
fazer aperceber,
que se o dia nasce sempre do mesmo 
sítio,...


a noite espera mais do que necessário



quinta-feira, 10 de março de 2022

Sânscrito

esforçava-se por o sânscrito
 soar pouco a crença,
 mais a possibilidade real
de novos ventos,
uma pressão nova para
que o mundo,
as duas metades da mesma
laranja carcomida,
pudesse unir-se de forma incomensurável,...

havia um livro
certo para que aquelas mãos,
não perdessem o alento,
a lonjura próxima de um mito,
não estava ali naquele momento,
mas a fome de revolta
aumenta quando menos se espera