terça-feira, setembro 28, 2010

Regresso XI


Sempre fomos assim. Os mudos desta rua. Costumávamos sentir orgulho na união com que os minutos se desfaziam à nossa frente, quando concertadamente fazíamos tudo para que o tempo não saísse do círculo concêntrico de copos de gin que se esforçavam em acompanhar o ritmo frenético do póquer. O ar era cinzento, porque o queríamos. As coisas não eram coisas, mas sim insignificâncias, porque não fazia sentido qualquer outra coisa. E assim permanecia a lufa-lufa indiferente de tratar as frases que debitávamos pelos nomes opostos ao que elas aparentavam ter. Até que fomos passado. Aconteceu num fim de tarde diferente. Ligeiramente diferente do tique-taque insano do tempo que nada fazia. Faltou-nos a voz. Deixámos o amor, para ter a parcimónia como nota de rodapé da forma como nos gostávamos. Entre abraços chorámos sem lágrimas. Escrevemos poemas para que aqueles momentos se esgotassem e assim pudéssemos ir mais cedo para casa procurar abrigo nos quartos de chumbo onde nos consumíamos ao som de bêbedos melódicos que ainda eram quem nos mantinha vivos. Ficámos, na realidade, os mudos da rua. E assim foi o compromisso de nunca mais voltar a falar. Indecifravelmente incapazes de decidir por algo diferente, assim se fechou o pormenor que torna tudo isto assim tão incolor como a chuva que pinta de sem cores a rua que serve de cama à inocência morta de saber que a vida pesa, porque se desfaz em equívocos....

quinta-feira, setembro 09, 2010

Multidões surdas


se os quais são
parte de toda a
ênfase,
menos de nós seremos
fruto silêncio dos restos
sobrados,
à margem de sons,
silêncios rostos da farta
ensurdecedora reeducação dos mortos
que estudam,
de somenos a soberba,
mais que todas as modéstias,
restadas fracções dos escolhos escritos
por desaparecidos
que sabiam saber
quase nada....

Condicionante


sorrisos professam o miúdo
solto na areia,
a noite assim se desprende da madrugada insubstituível
da chuva,
pessoais reflexões sobre a dor pertencem
ao passado da forma
em azul como o vento
traz choros de outros mundos,
feitos carne,
fracturados pedaços
de insólito medo
repousam à protecção
de querermos assim
tanta perfeição nos nossos passos,
sorridas exclamações as pessoas convalescem,
sorrisos honestos banham areias da praia
onde reflectir sobre dor,
é igual à princesa sem reino que a chuva deixa morrer sem apelo....

sexta-feira, setembro 03, 2010

'a injustiça é uma mulher ingrata'


há surdas coisas amarelecidas pelo vai-vem
descontrolado do velho
que segura o tempo,
enrolam-se pequenas distrofias mal explicadas,
conseguidas apenas
com o azular do amanhecer que se
impõe nas esquinas poeirentas destes países
que saem à rua na aldeia,
queremos revoluções,
pintam-se paredes pedindo
evoluires fáceis de digerir e
com pão na mesa para todos,
há o falar fácil do velho
jovem que cativa os descontentes,
'a injustiça é uma mulher ingrata',
gritado dá para que se aplauda
à espera que a chuva comece a embalar a terra que já
nem chorar consegue.....

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