quarta-feira, maio 25, 2011

Quandistão do Sul



As pessoas sentaram-se à mesma mesa para tentar discutir a forma como aquele dia poderia terminar. Quando o relógio obstinadamente pisou a meia-noite, ainda se ponderava a possibilidade de ter havido uma sequência de pessoas a rir desalmadamente da morte de um cão. Ninguém tinha a certeza disso, mas no chão revirado em redor da palmeira mais velha do jardim perdido daquela cidade mediterrânica, estava o cadáver do bicho. Inerte, de olhos esbugalhados, como que a pedir socorro. Quem o descobriu foi uma velha vagarosa, de quem se dizia trazer o sangue de muitas indecisões. Quase tropeçou no animal, e ao desviar-se à ultima da hora rezou para que não se passasse nada de anormal no dia da sua morte, como por exemplo ter de cair inanimada em cima de uma coisa daquelas. Chegou à esquina, avisou o homem do talho, que afanosamente disse ao chinês dos silêncios barulhentos, e pouco mais tarde já o animal tinha mais outro ao lado morto. E mais outro. E mais outro. Até serem tantos, que do exalar de um cheiro pútrido como aquele subiu aos céus uma nuvem rosa de noves fora qualquer coisa..... Parecia mesmo que aquele dia não ia ter fim....

sexta-feira, maio 20, 2011

Escrever mal....

ainda que na semana tudo se esgote sumariamente, 
somos apenas minutos com as indecisões totais de achar que com isto não podemos sequer pisar o risco de toda esta confusão.....

quarta-feira, maio 18, 2011

...de azuis silêncios


fazes-me quer o
sim,
quer o não,
talvez o possível
de entre qualquer
coisa para ser
muito pouco
de assim-assim,...

e ao anoitecer de
dias infindos,
perto longe das
partes metades
do todo
que coça a
noite nos rebordos
do teu sorriso de dia,....

e para o fim rochas
agudas em notas
mudas de discos
opacos de qualquer coisa para afinar portentos,......

de azuis silêncios....

terça-feira, maio 17, 2011

...sobre coisas


mais de metade das coisas onde verdadeiramente não estão as coisas, são insignificantes porções da maior coisa que em redor das coisas não soa a pouco menos que uma coisa indefinida, de rosto parcialmente pintado de coisas incolores, com a disposição de uma criança que gosta de coisas complicadas só para rir, e no fundo atrapalhar qualquer coisa, é só pensar que provavelmente, ninguém impede as coisas de serem algo mais que coisas que fazem chorar....

sexta-feira, maio 13, 2011

Reflectir

guardo a dor no pé mais
solto das conversas que
tenho com a fantasia,...

se me falo no meio destas
intransigências de desnorteado,
faço-o porque quero
criar transparências,...

coisas onde possa reflectir a percepção dos dias que encontro nos fòlegos
perdidos dos minutos
quentes,...

nos anseios incolores,..

sobretudo em tudo,
e no nada que é saber
que se sabe tudo,
sem concretamente passar do zero dos
choros da ignorância....

sexta-feira, maio 06, 2011

Porque apetecer também é motivo...



é só isto?,
e se as coisas parassem
como insolúvel momento
de falsidade para que
o que se sente se
repita até à exaustão,...


falsas frases,
desejos concatenados sem que nada faça sentido até
o chorar começar a doer,...


apeteceu-me sentar no ar,
e escrever estas coisas
espúrias e indefinidamente mal medidas de não saber fazer mais nada do
que isto vezes qualquer coisa e assim
indefinidamente.....

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