sexta-feira, agosto 25, 2017

Livremente escrito....

Tinha poucas moedas, e estavam guardadas num saco de papel amarelecido, com pequenos rasgões nas extremidades. Deve ter perdido algumas pois só contou o suficiente para comprar daqueles rádios pequenos a pilhas, com antena, 
Dos que se estragam ao fim de poucos dias. Mas ia servir. Abriu a porta de casa, desceu dois vaos de escadas com cuidado para não se afundar até aos tornozelos nos buracos feitos pelas térmitas, e entrou na rua. Chovia, pouco, mas irritava com aquele vento infantil que nos chateia os ouvidos com gritinhos birrentos.
Em dez minutos estava na loja. O dinheiro chegou á conta e até pareceu ver alívio na cara do dono. Era o último do Stock e já ninguém pega em coisas destas. Parou de chover no regresso a casa. Seria pela hora de almoço quando deu duas voltas na fechadura para se voltar a trancar. 
Ela estava com dor de cabeça, virada de costas para a porta da cozinha. Sentada num velho banco castanho esmiuçava qualquer coisa para acalmar a fome. 
Deu tempo para retirar o transistor da caixa, silenciosamente esticar a antena ao máximo, e em duas estocadas furar lhe o pescoço do lado direito. Em segundos o chão pintou se de um vermelho vivo, e no peito dela apenas impercetiveis suspiros.
Voltou a sair de casa, a tempo de ver de novo chover. Entrou na primeira esquadra e disse que odiava a liberdade,...
Por isso tratou de a matar na ponta metálica de um radio a pilhas que custou umas moedas ...

Resultado de imagem para transistor

sábado, agosto 19, 2017

Limpas noites a chorar....

amaste-te de forma crua.
Insubstituída. 
Até a chuva te doía quando o desgosto batia à porta para matar,
Eu ri-me da desdita,
Dos insultos proferidos em surdina quando os sem cara viravam costas para
Não mais voltar,
Aquí e ali vinha a noite pedir-te
O sexo menos natural,
Dizias que não,
Mas um não independente,
Nada credível,
Com a música soando a sacrificio só 
para desfazer quaisquer aproximações menos claras,
E no fim restavam todos os tus que nunca
encontraste,
e a menor parte do que és quando te cobres com
a pele da redução à menoridade….

sexta-feira, agosto 18, 2017

Outra depois de almoço...

... é a história de um homem sentado,
As pernas estão enfiadas nos olhos,
Os braços devorados por aquela preguiça que ilustra o tempo,
E mesmo assim um sorriso,..

A espera de que a culpa desapareça em chuva é contemplativa,
O calor,
Faz o calor suar sangue e,
Talvez por isso,
Explique a inocência transparente aos olhos dos que passam,..,

Anoitece,
O homem morreu,
Chamava-se desolação ,

Amanhã o sol talvez faça florir os restos pútridos desta dor transparente ...

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