quinta-feira, janeiro 31, 2019

Ideólogo da desgraça

era como que um armistício de ideias,
sair de casa fazendo contas
ao que se preferia que não estivesse no pensamento,
e a dividir sobremaneira a vontade de arranjar inimigos de ideologia,
fazer tudo para ter a consciência aprisionada em grelhas de aço invisível,...

chama-se revolta à necessidade de ser o ideólogo da desgraça

quarta-feira, janeiro 30, 2019

Sem título (77)

as métricas,
os lados de subir escadas
de rir,
e de chorar,
tudo onde possas estar
valida de choro,
com uma escrita que faça
sentido


terça-feira, janeiro 29, 2019

Escavar o sol

não quero mais escrever o que me pedes para afirmar. Só no muro das lamentações dos dias que correm, poderei saber se compreendes o que tenho nas paredes da minha mente. Não sei o que pensar. Perdi o condão de me relacionar com a voz do vento. Com os cabelos do sol que me acordaram, anos a fio, para a criatividade que me quiseste dar,..

por fim agora talvez rememorar cada passo na vulgaridade,...
de que me quero desprender 


segunda-feira, janeiro 28, 2019

Cigarras

as cigarras,
sempre o que julgavas ouvir
quando a razão se desfazia,
e vinhas para o que restava da
minha essência,
traduzida numa poça de água
sem cor,
na calçada de todos os dias,....

acordavas com cigarras,
vivias à beira da loucura,
com o mundo a entrar-te
pelos ouvidos dentro,
virando do avesso o que
restava da tua compreensão,...

ias dormir com cigarras,
e lá fora arrastavam-se almas
incontidas,
falando no esperanto que
só conhecias a chorar

the-prussian-officer:
“James Wigger
”


Tirado daqui

domingo, janeiro 27, 2019

Lábios

....mesmo que a morada da razão tenha deixado de
ser os teus lábios,
com as portas abertas para as longas luzes
da indiferença,
as raízes do sonho continuam aqui,
onde recolhi as tuas lágrimas no côncavo
da minha mão envelhecida,
e quis bebê-las para te deixar
gravada nas entranhas,...

sinto como que séculos dentro
de uma garganta a sangrar,
estarei morto,
mas vivo na ponta
húmida da minha vivência,
e como o pulsar da terra para me
manter a respirar,
à espera que ressuscites o contar
dos dias,
e com isso o coração
volte a inventar palavras,
e me traga de volta
aos teus lábios


sábado, janeiro 26, 2019

Meu nazismo impoluto e resguardado

as cores com que se escreve o ser mau,
a vontade de palmilhar todas 
as ideias dignas de discussão,
e minimizar danos 
com a preferência 
pela ignomínia,
e desejo de conflito,
sempre estiveram 
estendidas ao sol,...

como a única roupa 
de um pobre,
que tem necessariamente 
de ser usada e 
apertada como várias 
segundas peles,...

lembrei-me de juntar 
todas as premonições 
de conflito redescobertas 
com este afã,
e tornar-me eu 
próprio mau,
incapaz de lamentar livros
 por ler,
beijos por dar,
e até ignorar os 
contornos de uma noite
 dormida sem som,
sem gosto,
só acompanhada 
por abandono,...

para afirmar-me como mau,
só precisei de ter fome,
e assustar a luz com o 
meu nazismo impoluto 
e resguardado 


sexta-feira, janeiro 25, 2019

Falhaste-me

batias no peito, vezes e vezes sem conta,
As pessoas pensavam que serias 
uma profeta, capaz de pintar as ruas 
com o sangue dos indesejáveis, e 
assim transformar o mundo a 
tempo de o tempo voltar a ter 
solidão, de novo,...

acreditei no teu corpo a 
sair de ti assim, recusando-se 
a voltar até que o mar recuasse, e 
fizesse das bocas das pessoas 
repositórios da mais 
imperfeita das verdades,...

mas falhaste-me, a fruição 
dos verões sem fim provou-o, 
quando do teu sorriso só 
brotavam invernos intraduzíveis 
em poesia,...

desisti de criar quando me 
apercebi na transparência 
incauta dos ignorantes 


quinta-feira, janeiro 24, 2019

quarta-feira, janeiro 23, 2019

Inesperadamente sem senso de vida

há tanto tempo que o não estar em ti
me tira a pele dos olhos,
deixa de me fazer sentir uno com a terra,
transformando o meu som na ressonância
indigna dos mortos sem frase,...

sinto falta de calar a minha mudez
no teu corpo,
de reescrever todos os poemas
que fizemos a uma só mão,
dando-lhes o título de só,
inesperadamente sem senso de vida


terça-feira, janeiro 22, 2019

Meninos nas glândulas

presumivelmente havia incêndios pelas ruas,
e dois argumentos mal resolvidos,
e por explicar,
a ulular pelas paredes dos prédios
descascados pela envolvência do tempo,....

não havia como saber a razão daquele desfecho,
só que a existência um dia acabará,
e até que isso aconteça,
haverão equívocos difíceis de se entender,
e homens sensivelmente da mesma idade,
meninos nas glândulas,
que escrevem sujo para desfazer
o medo do sol


segunda-feira, janeiro 21, 2019

Sexual homicídio

mais qualquer coisa,
desejo amarrado assim
 faz-nos mal,
sufoca o princípio 
indivisível do prazer,
diz aos dias para 
passarem em alvoroço,
pingando de sangue 
o sono irrequieto depois do sexo,...

e se quiser ser o 
teu homicida,
nada disto fará 
sentido,
porque eu vou 
arrancar a minha pele 
aos triângulos,
com a tua pele 
esfolada ao prazer 
que provier do cheiro 
a semen nesse quarto,
e sair para nunca mais voltar,...

ficarás a apodrecer 
para húmus,
sem que ninguém 
mais te valha 


domingo, janeiro 20, 2019

Cidade comestível

vento com sabor a morango,
sol cortado em gomos de luz,
uma rua estendida,
de par em par,
por sobre as esquinas 
dos anónimos com nome

sábado, janeiro 19, 2019

O homem que gostava de matar árvores

o homem que gostava de matar árvores,
era um senhor com tantos 
senhores dentro,
foi doutor, ladrao, 
quebra-corações e 
palma estradas,
andou pelo mundo 
sem nunca ir ao que
 está dentro de cada verbo,
traiu, amou o suficiente 
para ter aprendido a 
deixar de chorar,
e quando sentiu 
que perdia o 
condão de mudar a 
pele sempre que queria,
voltou aquele 
mesmo sítio de sempre,...

com as mesmas caras,
um relógio único 
que batia a vida 
e esquecia a morte,
talvez por isso 
começou a 
odiar as árvores,
via-as como 
velhos inúteis,
maltrapilhos
 sem eira 
nem beira,
que era 
preciso corromper,
e depois eliminar,...

arranjou 
uma maneira simples,
tirava-lhes a 
alma escrevendo 
simplesmente 
rancor nas 
cascas malhadas,
no dia seguinte 
sorria ao comprovar 
que já não respiravam 

sexta-feira, janeiro 18, 2019

Saber ser mãe e pai

de sempre com o útero nos olhos, 
havia um tempo no tempo 
em que conseguias 
ser mãe apenas com o estar aí,
de respirar afilado,
ansioso,
esperando que de ti 
brotassem filhos 
inesperados,
a que tivesses 
de dar de comer 
com palavras escassas,
bem medidas,...

só tu parecias o 
inevitável da 
continuidade da espécie,
fazendo com 
que de ti me 
acercasse a cada frase,
sentindo-me 
mortal perante 
um esplendor cadente 
que te estava lacrado na pele,...

não sei de ser amoroso,
não sei de me arrastar 
pelas esquinas do 
não ter nada para dizer,
fazendo com que até 
me pudessem colar 
um suave halo de paternidade,...

isto tudo porque só sei 
ser eu mesmo em zero,
sem nada para respirar,
com tudo para que 
me recusasse o enlevo 
insignificante de muitos 
textos carinhosos,
para ler a filhos 


quinta-feira, janeiro 17, 2019

Arquivo de cabeceira

chamávamos arquivo de cabeceira
aquele monte de papéis
amarelecidos,
rabiscados a carvão,
atamancado nas duas gavetas de arrumação
que o quarto tinha,
os únicos locais de retorno secreto que
aquele que era o nosso espaço,
tinha entre o redescobrir do sol,
e o estrangulamento da noite,...

lias com alguma atenção,
quando a solidão to pedia,
as considerações em forma de
desenhos de canto de folha,
que eu conseguia fazer sempre
que não estavas lá,...

por vezes havia palavras desconjugadas,
verbos sem sentido que pululavam
aqui e ali no desnorte daquelas
distrações,
sim não foram mais que distrações,
o socorro que aqueles diários de segundo
representavam,...

e que agora talvez repousem melhor no fogo,
não quero deixar pontas soltas quando o
meu eu se azular,
para procurar o mimetismo do anonimato


quarta-feira, janeiro 16, 2019

Um dia gostava de saber escrever assim

“Amei-te sem saberes No avesso das palavras na contrária face da minha solidão eu te amei e acariciei o teu imperceptível crescer como carne da lua nos nocturnos lábios entreabertos E amei-te sem saberes amei-te sem o saber amando de te procurar amando de te inventar No contorno do fogo desenhei o teu rosto e para te reconhecer mudei de corpo troquei de noites juntei crepúsculo e alvorada Para me acostumar à tua intermitente ausência ensinei às timbilas a espera do silencio”
— Mia Couto

Intróito de transporte

a cada passagem no transporte público
da tristeza,
reparo no pôr do sol envergonhado
dos teus olhos,
sem solução,..

para que façamos dia de novo,
terei de retomar a marcha
sem que o destino me queira
mal




Retirado daqui


terça-feira, janeiro 15, 2019

Continuar

e quando me disseste que só 
te interessavas por 
crepitar os teus 
dedos nos meus,
fazer com que as 
noites passassem 
menos depressa,
e de duas acumulações 
venosas passássemos a 
madrugada como 
um coração,
redondo nas pontas,...

dos que gostam 
de cansar-se 
para se sentirem 
menos próximos 
da vida desconsolada,...

aprendi a gostar de 
tambem,
crepitar dedos,
fazendo-o pela 
solidão medida 
aos restos,
sabia melhor 
que escapar à morte 
pelos pressupostos da vida 


segunda-feira, janeiro 14, 2019

Renovo

renovo,
partindo pela justa,
 eras de todos,
o ar que a cada um respirasse,
dando o pleno do ser das veias,...

 e o sangue que bate,
respirando nos barcos sujos do rio,
renovo,
e primeiro que tudo,
o silêncio...

domingo, janeiro 13, 2019

Espermatozóide em poesia

Não sabem escrever poemas. Ameaçam os tempos
idos com denúncias de ziguezagues emocionais,
e outras palavras que tais que
ninguém sabe escrever,....

remendam-te a depressão com
copos sem fundo de zurrapa,
e no meio disto tudo o silêncio pautado do fado,
o que te fura os ouvidos com quaisquer
segundos gastos a reprimir choros,...

e no fim continuam sem saber escrever poemas,
talvez ao amanhecer,
quando as pessoas voltarem a pisar as mesmas
pedras de sempre,
e a enlearem-se nos mesmos barcos que
desonram os rios,
apareça um verso-espermatozóide que
faça com que o começo doa menos


sábado, janeiro 12, 2019

porque os poetas não têm olhos

esperavam todos
os olhos reclusos
de dor,
presos a si mesmos
como uma esperança desfeita
 e sem saber escrever,
que viessem sombreados
 os prenúncios do fim dos tempos,....

pertenciam às mães fracas,
que não pediram para a alegria
 as brindar com a felicidade
desnorteada da maternidade,
eram dos ricos pobres nas ilusões,
e nunca seriam feitos à medida
dos poetas,...

porque os poetas
não têm olhos,
só esperas


sexta-feira, janeiro 11, 2019

e tudo recomeçasse no som

libertado,
sentia-me como o som,
cortado em pequenos gomos
de laranja,
que numa existência 
de momento,
contribuíam para 
acentuar o brilho 
inerente ao teu ser,...

era prolongar 
suficiente dos meus 
desiquilibrios de fraqueza,
pintar-me como esta fábula,
e continuar a desafiar
 o caminho aumentado dos dias,
até que me desvanecesse
 em alimento para o teu sono,
e tudo recomeçasse no som,
do silêncio 


quinta-feira, janeiro 10, 2019

Uma idiotice para desenhar a solidão

estava escondido por entre
letras esborratadas,
num canto de jornal,
'solidão, sem preocupação de género,
procura uma nota de rodapé, que compense
um poema',...

estava na sétima semana de introspeção,
e respondi,
tinha uma posta restante,
e pedia desnorte de sentimentos,
com lamentos que
tornassem o chorar,
benfazejo,...

comprei papel de 25 linhas,
quase como se fosse um requerente
de perdão fiscal de outros tempos,
e arredondei a letra,...

apresentei-me como o
homem que já não se usa,
lá está a solidão
como cartão de visita,
e menos forte que
as pedras chutadas,...

só à procura
de uma justificação
para o tempo,
a carta seguiu fechada,
e a resposta voltou muito
tempo depois,...

vinha com um já tenho
solução para o enigma que
me assolava,
com um desenho de um sol




quarta-feira, janeiro 09, 2019

Um dia gostava de saber escrever assim

“MANIA DO SUICÍDIO

Às vezes tenho desejos
de me aproximar serenamente
da linha dos eléctricos
e me estender sobre o asfalto
com a garganta pousada no carril polido.
Estamos cansados
e inquietam-nos trinta e um
problemas desencontrados.
Não tenho coragem de pedir emprestados
os duzentos escudos
e suportar o peso de todas as outras cangas.
Também não quero morrer
definitivamente.
Só queria estar morto até que isto tudo
passasse.
Morrer periodicamente.
Acabarei por pedir os duzentos escudos
e suportar todas as cangas.
De resto, na minha terra
não há eléctricos.”
– Rui Knopfli, “Memória Consentida”.

a frase partida

envia-me sobre o que leias,
às frases ditas chama
amargos de boca,
e à pontuação
hesitações enroladas em sangue,...

não queria deixar de ser
o mesmo epílogo de som,
o que conheceste
quando era redonda a fome
do teu conhecer,
e sem esferas,
as precisas infidelidades
que balbuciavas
 ao não reconhecer da vida
os lamentos suficientes para
 adormeceres em plano,...

e agora,
talvez a frase partida
me feche a porta à solidão


terça-feira, janeiro 08, 2019

Abalado

não fazia diferença se tudo se desmoronasse
só porque as pessoas não queriam saber,
o que interessava era avaliar a vida
com o monoteísmo das crenças inabaláveis,
e dali partir para os limites do mundo,...

em algum lado encontraríamos
a farsa certa,
para que o registo monocórdico dos falhados,
fosse o único que ficasse


segunda-feira, janeiro 07, 2019

Continuei mesmo

Pensei nas vezes que o Tejo demora a crescer, envelhecer e morrer até que as pessoas percebam o que querem da vida. Alinhei os meus olhos com duas garrafas de vinho do Porto, que estavam mesmo à minha frente. Ganhavam pó e teias de aranha ocasionais, quase como se cumprissem pena de degredo, ditada por um juiz sem cara e sem idade.
Perguntaram-me o que queria. Não respondi à primeira. Sei que passaram alguns segundos que devo ter gasto a analisar a figura que me fez a pergunta. Um tipo de meia idade, atarracado, de pele escamada e cor de groselha . Não tinha cabelo, e quase respirava pelo espaço entre o queixo e a barbela.
Respondi um uísque. Sem gelo. Simples e capaz de me responder às perguntas que tinha naquele momento.
Acabara uma etapa da minha vida. Tinha deixado de ser cobarde, de ter receio de responder mal às pessoas, com medo das consequências. Foram anos a fio à deriva 

domingo, janeiro 06, 2019

Talvez continue, talvez não...

Dizia-se que a bebida ali queimava. Um shot de vodka alumiava as solidões, e servia para pintar uma noite que se esbranquiçava quando a madrugada vinha. Entrei, sem saber o que esperar, esperando apenas que aquele não sei quê que parecia carregar às costas desaparecesse, emudecendo-se nos rebordos a tresandar a sujo de um copo repleto de álcool . Na porta, inscrito a roxo, quase da mesma cor dos votos de pêsames nos velórios, estava inscrita uma pequena frase de um autor qualquer:
‘renasce sempre no fim das tuas hesitações’
Não conhecia mas gostei. Lá dentro havia uma luz pálida, encerrando uma corriqueira insatisfação no ar.
Apertei a minha inconsequência no bolso, e sentei-me ao balcão...

sábado, janeiro 05, 2019

A mágoa descrita

existiam as condições
para restabelecer o desejo,
com um homem e uma
mulher de pele retalhada,
uma casa vazia
desnudada de sol,
e com todas
as pedras invisíveis
nos canteiros de flores
que pendiam nos sorrisos,...

agora precisavam-se
de escritas invisíveis,
lábios incandescentes
 a sangrar por um,
dois,
três passos
na direção do abismo,
e no fim de tudo,
talvez fossem de
todas as falhas
da condição humana,
os respirares trocados
com que se brindava
à noite enobrecida e distante


sexta-feira, janeiro 04, 2019

Enleios

Assumi que sabias que não gostava do Sol. Apesar de escrever a palavra com letra maiúscula, e de, de vez em quando, até me banhar no amarelo torrado que pintava as paredes da minha sala ao final de cada tarde de Verão, como se aquele fosse o último dia do resto de cada uma das nossas vidas, achei que sentisses que sou uma pessoa da noite. Que vive ao minuto, esperando que cada estrela faça chover enleios difíceis de fazer sentir outra coisa que não momentos soltos de tranquilidade. Mas se não sabes, fica-te com a minha pele de equívocos. A mesma pessoa que aprendeste a admirar, transformou-se em duas especificações diferentes de conformismo.


quinta-feira, janeiro 03, 2019

Lei do som

já não estou aqui para ti,
saí antes que a lei do som,
se tornasse no silêncio 
sem palavra,
o mesmo que o medo 
traz quando repassa as paredes,
fazendo do vício,
o arredondar maligno 
da 
doença conformista 

quarta-feira, janeiro 02, 2019

Dispensar a razão

agora quando deixaste a razão,
e os dias sorvem as 
impacientes 
frases sem sentido,
restou prazer 
naqueles instantes 
desperdiçados da madrugada,...

já não sou a 
mesma pessoa 
que te ensinou 
a procurar um ninho,
uma resolução 
imperfeita 
numa quadra 
mal desenhada,
num verso de 
verão 
infetado com 
os possíveis 
invernos 
que conhecerás ainda,
até à morte,...

não procures agora definir-me, 
nunca mais serei 
alguém mascarado 
de ninguens sem sentido,
vive apenas,
sem teceres 
sinapses de razão 


terça-feira, janeiro 01, 2019

Segunda de 2019, poema concorrente a um concurso de fado da autoria do letrista V.C.. o Inatingivel 2019 assume metade da autoria na concepção do letrista em causa

gosto muito dos meus gatos,
a minha vida é a maior com eles,
não me imagino sem os seus afetos,
parece que já têm a minha pele,...

chegaram a minha casa bebés,
eram adoráveis e pequenos,
custou a mostrarem o seu amor,
agora vivemos a seus pés,...

tímidos e barulhentos,
guardam o meu descanso,
adoro-os de coração,
sabem ser chatos e
 também mansos,...

a minha vida é assim,
conto com o seu amor,
já estão habituados à minha casa,
em todo o lado eles dão cor


Gostava de vos dizer

Gostava de vos dizer que sou
eu,
o que escreve de forma diferente,
e se despede sempre com um urro
de cada cor,
a cada minuto,...

gostava mesmo de ter a certeza,
ser capaz de vos dizer a
frase 

Poema de raiva por dizer

O medo de falhar,
Explico-te as sombras com
a farsa que me apresentas,
Essas possibilidades todas de
resguardo,
sempre com luz,,...

não tolero mais a indecisão,
porque a vontade reparte-se
em ódio,
e o ódio partilha a paixão,
e a paixão não é nada,
se a dois, 
um nada queira,
e o outro faça por ignorar,....

a sublinhado,
com a fronte invisível de solidão,
lê o que tiveres de ler 
nesta farsa de,
um português 
mastigado,
e depois manda fora,....

se calhar é
melhor seguires em frente

Poema a fazer pela raiva

O medo de falhar,
Explico-te as sombras com
a farsa que me apresentas,
Essas possibilidades todas de
resguardo,
sempre com luz,,...

não tolero mais a indecisão,
porque a vontade reparte-se
em ódio,
e o ódio partilha a paixão,
e a paixão não é nada,
se a dois, 
um nada queira,
e o outro faça por ignorar,....

a sublinhado,
com a fronte invisível de solidão,
lê o que tiveres de ler 
nesta farsa de,
um português 
mastigado,
e depois manda fora,....

se calhar é
melhor seguires em frente


Inatingível 2019, esperamos coisas boas de ti


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