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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Solitude fortress

Na deslocação de todos os ares,
Perdiam-se intervalos,
Como se te esperasse sempre que o tempo nos pedia para fugir,...

Ao menos uma vez que entendessemos o ruído,
A sorte que se perde quando se quer lamentos,
por entre a latitude da solidão,...

E tudo se resume a estarmos sentados,
Frente a frente,
Sem que respirar seja um entrave ao simples,
Ato de gostar,...

E tudo custaria mais se houvesse uma casa de histórias,
Que quando as portas se fechassem,
Nada significasse
além de um virar
 de página para o
passado 




terça-feira, 5 de novembro de 2019

Sair sem retorno

Havia dívidas de gratidão,
De somenos importância a saudade,
Espelhos gastos com velhices por partilhar,...

Na minha raiz da frase mais pequena que inventei,
Perdura a agonia de não saber usá-la,
Fazer de ti o que o tempo se escusa a dizer-me,
E o laço que uma comunhão não consegue matar,...

Havendo a porção de livros espalhados e por terminar,
Saímos para a rua pobres de cores e de percepção


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Para viver sozinho

para viver sozinho,
há-que dispor o tempo
em estendais,
como se a roupa molhada,
e com os cheiros que são só nossos,
nem cheirasse a nada,
só mesmo a solidão estivesse ali,
a fazer de paredes,
de uma casa que nem existe


terça-feira, 11 de junho de 2019

Solidão de Outono feita

 se me sabes de dia,
nas noites preencho
o teu desconhecer,
sei-me cultura
estranha do teu sorriso,
 imperador morto
 e sem descendência
dos contornos do teu corpo,
a cavalo,
percorro quilómetros
sem cor em estepes
cor de palha,
por entre o teu cabelo
 que arde no imenso
de um leito,
 que jaz como poema incompleto....

 às vezes,
 parte do que aqui
foi feito desfaz-se
em diamante,
sem que entenda
o andrajoso de estar só,
sem a liberdade
outonal de estares presente


sábado, 16 de março de 2019

Carta à solidão


Caríssima solidão, aqui me tens porventura calmo. De certeza insuficiente nas agruras que cada dia se esforça em ter, para passar diferente do anterior, e o mais parecido possível com o que virá no fim de tudo isto. Estou vestido de transparências, a minha pele já nem no lamento protege. Acima das minhas expectativas, estarão as minhas decepções. Abaixo do que me dói, está o que consigo perceber no silêncio falante de cada segundo das noites em que me afundo numa loucura indesejada. Aqui me tens inteiro. Apercebendo-me do que não infiro nas palavras de todos os dias de todos os que quem nem consigo estar.
Magoa-me que desprezes o que te escrevi, em verso real.  Talvez em todas as prosas infindas do que sabemos existir, me entendas o suficiente para de mim fazeres o juízo que nunca fizeste. Por enquanto, despeço-me com a ingratidão que me devotas. Nada mais sei dizer-te, que lugares comuns desfeitos e irreais. Por isso, até quando queiras. Eu por cá continuarei, lamentavelmente insonoro. E infindamente sem lamentos.
Escuridão, fim dos tempos.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Falésia sem vozes

a pergunta de tantas
perguntas,
estar a morrer
vivendo mais que duas
gotas de chuva
numa imensa indecisão
de fim de dia,
haverá meras respostas
 de fel para escrever
a lei de tantos dias sem errar,...

não me lembro de perguntar
 coisas sem fundo, 
indefinidas parcelas
de um húmus feito
perspetivas mortas de vida,...

e agora silenciar
a roda esvaziada da solidão,
não há mais
caminho nesta
falésia sem vozes 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Uma idiotice para desenhar a solidão

estava escondido por entre
letras esborratadas,
num canto de jornal,
'solidão, sem preocupação de género,
procura uma nota de rodapé, que compense
um poema',...

estava na sétima semana de introspeção,
e respondi,
tinha uma posta restante,
e pedia desnorte de sentimentos,
com lamentos que
tornassem o chorar,
benfazejo,...

comprei papel de 25 linhas,
quase como se fosse um requerente
de perdão fiscal de outros tempos,
e arredondei a letra,...

apresentei-me como o
homem que já não se usa,
lá está a solidão
como cartão de visita,
e menos forte que
as pedras chutadas,...

só à procura
de uma justificação
para o tempo,
a carta seguiu fechada,
e a resposta voltou muito
tempo depois,...

vinha com um já tenho
solução para o enigma que
me assolava,
com um desenho de um sol




sábado, 22 de dezembro de 2018

Escrever o ar no ar

não sei se escrever o que
 foi escrito,
quando aqui estava 
apenas alguém 
imerecido de confiança,
será digno 
de um amanhecer 
contigo,...

não sei dizer 
mais que lugares 
comuns de frio,
menos qualquer 
coisa que uma 
noite sem sentido,
e já que só nos resta 
a pedra seca do ir e vir,
pensei 
que a um poema 
se sucedesse outro,
e depois 
viesse o refresco 
seco da tua pele,
e mais 
qualquer coisa 
para além da 
minha inconsciência do real,..

mas não,
deixa estar,
saberei dizer 
solidão com letra 
grande de acordar sem ti 


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Velho de cor neutra

....um velho de cor neutra,
com a pele encrespada e o cabelo
amarelecido do vento nicotinado,
a sombra da companheira de todas
as horas que,
ao desenbainhar da manhã,
um dia,
expirou o sentido adeus e
abriu as portas da solidão,...

o som ronfenho do fado que o tempo
gasta,
dança com o vento que hipnotiza uma
casa de onde a felicidade se esgueirou,
e ficaram as sombras,
retesadas nos estendais da roupa,
no branco da cama por fazer,...

lá fora o sol uiva o chamamento
pela morte,
e um velho de cor neutra,
encostado ao perfil
de cobre dos dias,
que custam a passar


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Solitude standing

parecia-me estranho
 que só o amor se
 quisesse sentar ao sol,
num dia frio em
que nem a vida
falava pelos olhos
das pessoas,
atrevi-me a
descascar a pele que me
 sobrava,
estendendo-a nas
 calçadas gastas
da indiferença anormalmente
definida,...

pensei no ar que me
 custava respirar,
no egoísmo
fermentado que me
tinha habituado a  ver
nos finais de vida,
e em ti como contorno
 único dos meus olhos,
quando a noite me estrangula,...

não vejo mais que o
suficiente para agora
 dissertar sobre a solidão,
talvez seja só o que tenha
conhecido até aos ossos


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Só e o respeito

era ela a que,
na noite,
chegava sozinha quando
a luz intermitente da solidão
corria os últimos estores,...

o respeito ardia por entre as coxas
cansadas de esperar,
à porta de um templo sem fiéis,
ficava o sonho encorpado na madrugada


terça-feira, 15 de maio de 2018

Impressão digital

nunca me lembro de ser a tua
impressão,
o solitário de ver o mundo da ponta suave do dedo que,
sendo o mesmo que muda o mundo na solitude das tuas noites,
foi há muito o que sentia nos meus lábios para parar de chorar,
para dizer o dito de ser o
silêncio por opção,...

a mesma máscara dos dias iguais às noites de meninos tristes,
serve-me agora em ciano oculto,
para saber que não morrerei ainda na ideia oculta dos
teus cabelos,
que me amparam a madrugada sem ar dos choros de esperar por ti

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Mesmo numa multidão eu ia encontrar-te,
Trarias as roupas transparentes mais carregadas de saudade naquela tarde à beira rio,...

No meio do desprezo,
Do empurra vida,
E das pedras ásperas do desentendimento,
Ia seguir-te para o pôr do sol
De fogo,
O céu chamava-te em chamas
E percebi o teu anseio,...

Já não és minha,
Nunca o foste ao contrário da marca da minha ilusão teimosa,
Mas não sentia mal em ignorares quem quis lamber o teu sentir de lágrimas todas as noites,...

Só estava ali,
Onde me querias distante e coberto 
Do sal da solidão sem cor..



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Premissas de sofrimento

Desprendeste-te daquele segundo ininterrupto,
Para que só a sombra do respirar intermitente que
o amor te dava ficasse visível,
O resto foram sombras em luta de lágrimas,
Promessas de que te embrenharias nos braços da
morte adocicada se eu fosse,
Que a vida deixava de ser a dança de suspiros que tinha
sido se tudo acabasse,…

Ouvi cada entoação,
cada certeza incerta do que juravas ser uma inevitabilidade,…

A responder tens este poema,
Sou só eu a dizer que o amanhã vale muito
mais do que eu no meio de tudo o que transpiraste
em tristeza….