agosto 31, 2010

Alguma coisa para fechar o mês....


soletradas são todas
as frestas da rua
dos bêbedos,
desnorteados,
impressionáveis por
menos que um abraço de
equívocos mal desenhados,
e com isto
repito que se
menor sou,
poucochinho
continuarei para sempre....

agosto 22, 2010

desnutridos e calvos precoces


quero mais que fogos amordaçados,
deixo presente a interrogação do
que o insuficiente dos dias me
faz à capacidade escassa de desenhar
planos alternativos,
sonhos de praça,
pesadelos de avenida,
rio-me sem saber da
cidade que tenho a
escorrer da ponta dos dedos
repletos de anátemas e pústulas
cheirosas,
reflexão finda, que
se siga a explicação
desta infinda redacção
aos desnutridos e
calvos precoces....


agosto 20, 2010

Solidão de cristal


ainda a tua morte naquela parede,
adormeço com o som descrente do fado de sempre,
o homem que perdeu a infância na sujidade do
copo de vinho de todos
os velhos que conheceu,
guardo-te no tremelicar da perna que não mato,
e na face oculta do sorriso que nunca mais
pintei,
lá fora uma cidade tenta
matar-me comigo a deixar,
tem sido lento este
processo do ar a sumir-se com uma
lentidão mais torturante que
a bala que nunca
mais me visita,
se quero chorar, rio,
se o riso me visita ignoro-o,
não me levas assustadoramente parvo deste
desenrolar de minutos que não leva a lado nenhum,
bastam-me surpresas impossíveis quando
o dia lá fora desdobrar o horizonte para reaparecer,
nunca pedi muito mais
que o pouco que sei poder almejar,
só não quero a solidão de aqui estar a pintar
no invisível....

Ordinariamente simples


farto do amorzinho pouco
e descabelado, digo a
torto e sem direito
farto,...

desníveis a
saltar para me esconder,
hajam rodas para
esconder as crianças
do verbo foder,..

o zezinho a maria,
os pares de dedos
do trolha espúria,
a micção mal-cheirosa
da senhora,
tudo faz parte da
recolha,...

sim é lixo para a ramona,
três da manhã ninguém ressona,
tudo farto do mundo
de peidinhos vaginais,
de soltas risadas
frugais,...

tudo quer porrada,
toca mal o rapazinho
na estrada,
o que a rir espera da
vida sonhos,
coisas que só terá em
merda e vómitos risonhos,....

não,
já me fartei disto,
nem já de petisco
quero a oração,
só mesmo sopas
e repouso,
como cristo....

agosto 11, 2010

Tímidas concepções masculinas sobre as mulheres


sonhadas formas de mulher presas naquele caminho,
soltam-se as pontas do mundo em redor da ineficiência dos rebordos
irregulares deste quadro feito a cores mortiças,...

incapaz pois de atrair os homens a mais
que morrer em redor de ideias transparentes,
a rotação dos dias continua assim com
um odor endoidecido a
traições permanentes
e já descritas no sobre
facto exagerado das
descrições com
que as crianças
costumam ser verdadeiras e dignas de confiança,...

no intervalo deste não sentido continuam a
desenhar-se mais frases ímpias que justificam
a faceta destruidora
do homem....

Pronto facto


"fazes som da quieta incompreensão daquele minuto que esvaiu todo um tempo de soluções mudas"

agosto 09, 2010

Sentia-se Maria


Sentia-se Maria. Não o fruto da indecisão dos pós da criação, mas o amor. O passar métrico dos segundos com tudo no sítio em precisão diíficl de descrever. Maria nos gestos, nas indecisões, até nas lágrimas que fecundam a terra em dias secos e de morte pintada nas esquinas. Somei-me naquele dia aos 'bonita', e aos 'fazia-te um filho', que de tão indecentes soavam mudos. Chamei-me deprimido. Calmo bocado da rotina que mata aos poucos. Mas fi-lo à minha maneira. A mão tapava-me a boca nervosa, porque sentia a minha voz de barreiras, não de contactos. Respondeu-me sem responder. Com passo ante passo, nervosamente à procura de um destino que se desfazia no respirar nervoso que se sobrepunha ao correr do sangue da cidade. Insisti. Queria a vida, disse. Arrisquei um toque. Dobrou-se sobre si. Temi pelo desnorte. Mas não. Foi do imobilismo que nasceu o suspiro. Murmurou dor. Percebi que já não queria ao outro, mas só ao que não se vê, mas só dói. Atraiu-me o enliar do vento por sobre o labirinto dos cabelos negros. Pareceu-me ter ouvido um quero-te, choroso e frio. Mas sem olhar. Só lamentos de tudo. Sem palavras, desnorteava por entre gestos subtilmente descontrolados. Olhares humedecidos por um arrependimento que queria morrer, mas parecia imortal.
Caminhámos. Sentia a terra por baixo dos pés a dizer-me o indecifrável. Desaguei com um rio de silêncios junto ao mar. Foi onde me sentia melhor que a minha pele se envenenou com uma sedosa declaração de amor. Humedecidos momentos de atrevimento traduziram-se num beijo. O pôr-do-sol abraçava o que parecíamos querer do resto da vida.

Político cumpridor


pesados nãos que
nobre feito da minha
burguesia desconjuro
nesta noite,
sou frase,
ditongo anasalado
de choro,
não me peçam
ordens,
nem sujeitos oradores,
só revisões dos conceitos mortos da
ideologia que já espremeu velhos
idiotas,
ordeno que me
fuzilem no cheiro
fétido a falhanço,
falhei povos,
desprezei líderes,
perto da sombra que
deixo como legado,
nem a morte
encontra banhos
de fé,
a sumir de tudo isto,
fim neste testamento
das ideias ácidas
de nada fazer....

agosto 08, 2010

Texto #93

Não serei por eles mais que o som. Os que cá ficaram, nada me dizem. Os que partiram, deixaram a memória. Foram como árvores a cair mesmo que ninguém as tenha ouvido. Ficou um peito cicatrizado e em chaga como o que carrego até o último suspiro mo tirar. Vi tudo quando a transformação era ainda simples. O vento soprava sempre do mesmo sítio. As coisas deformavam-se à medida que o homem as abandonava. E as pessoas conseguiam ser felizes pensando que dão à luz outras pessoas que também querem vir a achar esta passagem como uma experiência que valeu a pena. Tudo mudou quando o mundo pareceu abraçar a sombra. Deixei de ser o social, e sou agora o anti qualquer coisa a mais que eu e os meus. Desgosto de dizer que o futuro somos nós todos. E andar a evitar as gotas de chuva ácida que o céu teima em tombar sobre nós faz de mim uma invisível sombra do que fui.
E foi como conheci quem tentei sempre ser. Um dia contornava a mesma rua, evitando os olhos de morte do aglomerado indiferente de arrotos estridentes, quando me deparei com a certeza de que era eu que pairava assim, ao som do bailar de uma flor morta.Foi o som a despertar sons, e depois a trazer lágrimas de emoção, e no fim a deixar-me incrédulo no que não conseguia perceber. O belo nunca tinha sido tão imprescindível. O feio perdia cores. As certezas do fim, irremediavelmente travestiam-se de raios incólumes de luz do bem.
Sentei-me a escrever o que sentia na ardósia dura do alcatrão, para sair a reflexão mais dura de sempre sobre o que os homens querem do futuro.

Normal abrasivo


estou tonto,
sinto o mundo torto,
as coisas empalidecem,
nada se faz como
a parte do todo
deseja,
sou plano,
perdi as saliências,
a braços de mim
resta o desejo de
acabar,
e ficam pontos,
desnortes simples
impossíveis de realizar,
de tornar improvável
a vontade concisa
de que o normal
regresse transparente,
...e abrasivo....

agosto 06, 2010

Cumprimenta-me


Não me cumprimentes com sacrifício. Passa por mim e com pancadinhas secas nas costas, desfaz a situação idónea que criámos com toda esta formalidade. Eu tirei-me todo da manhã. Sou uma pessoa fria, com idênticas proporções de desdém por tudo o que mexe mais que a conta. Tu és fraternidade consubstanciada em dois olhos que se interrogam com a prática difusa de questionar que tornou o homem no verme antropofórmico que é. Não se escrevem coisas como as nossas. Só mesmo a dizer é que as pessoas acreditam que há gente inocente o suficiente para acreditar nos sons inconsequentes que a rotina retira de presenças como as nossas.

Afinal ainda há ideias...


se inventasse um poema,
as arestas douradas
desvanecer-se-iam em pó
sem cor,
dos limites um castro,
onde homens raquíticos
e com falta de senso de
racionalidade se digladiavam por
dois beijos de sol
moribundo,
ao entoar o que
se percebe por aproximação,
chegava a luz,
e o poema acabava.....

agosto 03, 2010

Ainda sem ideias....


Não sai nada. Não há mundos satisfatoriamente interessantes para descrever. Nem sonhos disformes que me agradem. Nada. Só branco. Pretos desinteressantes e pouco cativantes. E cores falsas por defeito. Preocupa-me a falta de espontaneidade que advém de tudo isto...

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