abril 27, 2010

Zero


Serias mau, no intervalo das plumas da bondade. E o tempo, condescendente, actuava no silêncio das tuas indecisões. Pessoa irreflectida, chamavas-te. Acordavas assim, pleno de querer tudo, sabendo que conseguirás o nada só por respirar. Ninguém te chamava qualquer coisa. Personalizado, eras pouco. Mas resistias. Ansioliticamente escalpelizado ao pormenor nos minutos de vigília de cada noite, adormecias com o dia. E embalavas nas golfadas de suor com que lá fora o mundo girava, e o teu ser se afundava.
Indeciso, somos aquilo que queres que sejamos. Espectadores, que assinam em branco no ar que diligentemente poluis com conceitos estéreis de evolução....

abril 22, 2010

Frisado

Gostei do som. Dos momentos de invisível sentido das coisas que o caminho nos deu. Éramos acentuação das frases. Pequenos ditongos vivos, presos no ar que a psicologia da brisa infinda de primavera liberta em desvario.

Desdigo o que ficou assente naquela hora de indefinição. Sou do sol. E sei-o porque nada quero com o que a escuridão já me conseguiu dar. Pus a mão à frente da claridade, e soube-o em princípio para sempre.


Só que


Estou?

sim, mundo perto daqui,

de onde vim?,...

talvez do verbo,

digo-o com a substância

que interrogar contém,

e sem menores fontes

de desdita,...

sinto-me do ar,

das coisas leves e

imperfeitas que

se desprendem

da chuva,...

e do sol finito,

e das estrelas perenes que

morrem ao bafo

quente da nascença,...

sinto-me de tudo,

com o nada a embalar-me

em suspiros indefinidamente exactos...

abril 21, 2010

Como encaro a crise mundial....


de passeios de cabeças baixas,
escreveram-se assim tormentos breves,
nem precisavas de sorte,
só prados,
campos para correr,
nuvens opacas que sustessem
o mundo em quedas ascendentes,
e cá em baixo o desânimo,
todas as pessoas enregeladas,
descritas e perecidas,
afectas à rocha enegrecida,
que se arrasta nos silêncios da criação,
façamos nossos os intervalos mudos
de bater nestas casas sem portas....

abril 20, 2010

Sem título (15)


cidade de desnorte,
coisas oblongas a
passear invisuais
nos passeios esborratados
dos choros,
é o que se vê
mulheres de vidas,
não se sentem
homens de momentos,
só o vento,
precisos sopros
transparentes com
beijos,
e desenhos,
mapas para a felicidade
que dão em campos,
em países felizes,....

abril 13, 2010

Já não está sol lá fora....:-(


Era uma mulher tão minuciosa, mas tão minuciosa, que desenhava a carvão o anoitecer, só para poder envolver-se mais tempo na luz que alimentava todo o seu desejo de notabilidade. Consta que morreu como nasceu. A sonhar a média luz....

abril 10, 2010

Subterranean Homesick Blues

a sorte disse contornos
do ranho daquele infeliz
que chutava pedras
na rua dos fundos
do choro,...



era esperto e os pelitos
dos braços avançavam
para distender a chuva
que caía nos intervalos
da prisão-vida,
parava aos soluços,
e dizia aos velhos- sombra
que nunca iria
ser como eles,...



teria face,
e perspectivas de
retomar os abraços
que um sorriso dá,
e até ter mais sorrisos
a quem poderia chamar
filhos,...



só uma senhora
desgrenhada e com o
embaciamento próprio
dos silêncios o
poderia impedir,...



mas continuaria a fintá-la,
nem que o nevoeiro
fosse sendo a sua água,
e os tortulhos da calçada o seu pão,...



a vida do petiz dava dois
livros sem letras,
mas com alma...

abril 08, 2010

Texto #97

Ora se fala da família. Também se fala de morte. Deixam-se de lado soberbas difíceis de explicar, e as pessoas reúnem-se. Discutem perspectivas incineradoras de ideias políticas, trocando-as por decisões de amizade e serenos encontros entre pólos opostos de ver as coisas. Quem se posicionar à margem, vê os factos. O indefinido passar do tempo, com a água a contornar as irregulares faces dos medos humanos.
'Com paz, tudo se alcança', escrevia um filósofo de cariz oriental, embalado pela facilidade com que o fogo era contido à porta daquela sala estanque, e capaz de imunidades irreconhecidas.

Outra forma de qualquer coisa...


Conto-te a história de um homem, que já se esqueceu de ser homem. Ter-lhe-á acontecido quando um dia se debruçou do alto da noite que normalmente o fazia chorar, dizendo-se que existir, seria o contrário de querer procurar algo nos retornos das ideias que não conseguia escrever. Os sentimentos são, basicamente, as ideias que não querem ser descritas e, como tal, para este homem nunca sequer se convencionou um mundo em que pedir para ser feliz, fosse mais que uma utopia.
Respirava, ou pelo menos assim pensava. Comia, também. E ansiava. Esperava, desesperava, e até pedia coisas sem pernas dos minutos que passavam, que o ajudassem a criar um mundo alternativo de inegável retorno efectivo dos sorrisos que valem a pena guardar.
Às brisas de bem querer, respondia com indiferença. Já tinha um jardim. Um pequeno canteiro de sorrisos, onde o mal não queria caber porque não era bem vindo. Nele se sentava, ria, aplaudia e, embevecido, desejava que o tempo congelasse nos determinados momentos em que o tempo finalmente dava razões de que existe por um motivo.
Chamava-se sorte. Dizia da sorte que eram flores a sorrir. Matava indecisões, com mais apreensões. E no fim de tudo, o vazio. O querer abraçar, quem não estava lá.
A forma de tudo, passava por querer. Desejar. Arder em fontes inexplicáveis de qualquer coisa

abril 07, 2010

Katyzainha sêies, óbrigado gaíja!!!

Uau, em apenas 24 horas, quase 150 visitas ao Inatingivel. Cá fica a prova...


E tudo por conta da Katyzinha 6!!! Já que as espintalgadas literárias que não interessam a ninguém, só andam aqui para enfeitar mesmo.
Como tal, cá vai mais um episódio da saga da azeiteira mais sexy do 'Nuorte'.
Enjoy!!!


abril 02, 2010

Sonhos que suam


faço peça,
sonho querido,
luz fosca,
choro contido,
laço de pressas
às mínguas de amor,..

nem se percebem
coisas de louça,...

factos mal entendidos,
com homens-tapete,
mulheres composição,..

assim o folclore se termina,
arriscando punição,
desejando a luz
perdida,
num contido
rasgo de premonição....

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