quarta-feira, janeiro 31, 2018

Sem título possível

Mesmo no som a frase menos 
Súbita da partida,
Largadas as amarras do silêncio navegamos em frente para o negro 
Do deprimido ser,
Com as mãos em palavra pedida no céu,
Subidas estavam ondas de desprendida volúpia ,...

As que cobriram o leito feliz de onde fugiste em arco-iris,
Dizendo a memória em felicidade penteada no disforme do teu andar para longe,...

Resta a classe indefinida ao mundo,

O continuar sem adjetivo para planear o que vem antes de um fim desenhado a transparente negro ...


terça-feira, janeiro 30, 2018

Está incompleto....

medes os sinais postos na rua,
são as luzes animais das almas trôpegas,
e o fim de vida descrito nos socalcos das casas
irrequietas que transpiram do horizonte,...







Crês em sons de luz,
Passos pequenos na maresia
Dos dias insones,
Apresentados no fim de uma manhã como a noite do resto das madrugadas,...

Era assim a roer ossos de pensar que o país das frases feitas se te
Apresentava no café sem cor,
O mesmo dos minutos de desespero,
Com pessoas cor de nada,
Fumo de frases a pulular sem universo,
Resultado de imagem para martinho da arcada
E o silêncio,
Descrito sem eira nem beira nas linhas tortas de dois cafés mal tirados ...

segunda-feira, janeiro 29, 2018

Porta

Bateste com a porta e saíste,
Fiquei a ver-te afastar pelo vidro fosco que parecia separar duas vidas,
Uma desorientada e cicatrizante,
E a outra azulada e onde a dor 
Esconde-se nos intervalos,
Do ar,...

Não sabes o que isto quer dizer,
Paraste a tempo de olhar para trás,
E apanhar a indecisão de esquecer 
Um controlo Neutro de saudade ,...

No mesmo dia do fim,
Surgiu um início descrito 
Nos momentos findos 
Como choras o medo...

domingo, janeiro 28, 2018

Um dia gostava de saber escrever assim

Se perguntarem por mim digam que fui ver o mar


dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso do tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nenhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos


Al Berto, in: O Medo

à tarde

Estavam entregues em vícios nos cabelos
de um bairro perdido,
Entardecia,
Do dia finalmente desaparecido restavam os velhos
imberbes,
que se arrastavam nas curvas desenhadas a carvão
daquele bairro onde nunca poetas puseram os pés,...


Os relógios acreditavam em sonhos assim descritos,
fazendo daquela vida um impessoal desnorte
concretizado aos poucos,
com os ponteiros das existências perdidas a correrem
em descompasso,...


Fomos problemas de som naquele momento,
juntos pela certeza de que vale a pena
fazer os sonhos subir em fumos
serpenteantes de cigarros que nunca se apagam,...


disse-o na mesa perdida debaixo da chuva,
quando ambos nos esforçávamos pelo melhor de dois
mundos,
traduzido na força com que os toques suaves da saudade
ajudavam a unir mãos perdidas pelo medo
da perda,...


a noite começa assim quando se espera pela
madrugada e um fim encorpado
em silêncio....



sábado, janeiro 27, 2018

Come amor para não morrer


Desdisseste-me naquela tarde de cinza

feita, o sol lamuriava num rendilhado

sem cor a imortalidade a que está votado, e

a terra escoava-se em desilusões aguadas com a chuva

de memória escorrida do céu,…

 

afirmavas o mundo, os sonhos de cócoras

como remédio para os males de crescer

transparente na alma, …

 

eu ensinei-te a escrever no céu com os

dedos da alma,

é fácil vês,

disse apontando

para o coração das árvores que namoravam

a estrada gasta que serpenteava todas aquelas

ruas sem número,

para no fim vir o início do sonho, era azul

sem cor, e surgiu na pele adocicada do cachorro

mais vagabundo que come amor para não morrer…


Poema do falhado

Não foste de menos ideias que perderes o norte,
Dizias-te assustado,
Incapaz de na viragem do dia pintares um óleo do resto da tua vida,..

É acocorado nas pedras inócuas do falhanço que a rotina transpira ,
Resultado de imagem para loser

Que este poema te encontra ...

sexta-feira, janeiro 26, 2018

Sem título (4)

anoiteces-te tão mal assim hesitante,

o velhote deixou-me desarmado com esta,..
e disse mais,...


se as pessoas fossem cacimba,
as ideias eram alcatrão escorregadio que
tornaria os erros carros que se espetavam
à primeira curva,....


isto tudo na paragem de autocarro em que acordo
para a vida todas as manhãs....




quinta-feira, janeiro 25, 2018

Vórtice


Desconjuntadas todas as ruas,
Não estás na frase de criação escrita na terra ao amanhecer,
Pensei-te no riso das criaturas vivas,
No som enternecedoramente mágico que esta pedra perdida no
Universo faz a girar,
Não,...

Perguntei até à loucura selvagem que derrete o solo em busca de presas ,
Por ti,
Só silêncio escorrido de tudo que se enraiza nos meus passos,...

Sinto que é o vórtice que me espera enquanto te sei arrependida do adeus ...


Afastar...

Estás, quase, para lá da linha do tempo impreciso,
Lembro-te como o sonho personalizado em alva brancura brandida na minha pele,..

Soube-te como tudo a mais que o desejo que eu nunca conheci,
A frase concertada da paixão de viver ,
E qualquer coisa perdida nas pedras de que me desviava na retórica com o mundo real,...

E agora sobra-te alma em desalento,
Dizendo que a noite tem de ser minha,
Sem que a possas viver em remansos por mim,...

Afastas-me do próximo junto que já me foste, 
Sem saber o som mudo que agora és ...


quarta-feira, janeiro 24, 2018

Volta


A vida segue em notas soltas de
Desalento,
Sinto-me pobre fechado num céu de chumbo,
Com os minutos contados para o fim guardados no amanhecer
Que Morre no ventre,...

Sem ti ao acordar,
Sem ti na valsa doce do dia,
E com a noite descrita no escuro
Avermelhado da solidão,..

Se especial é lembrar um
Bem querer num verso do poema,
Moldar o prazer num recanto de uma imagem,
Serás especial até que o lado
Feliz do meu coração seque ...


Penso mas...

escrevo voragens de poemas,
quero desapegar-te da pele transpirada
de choro,
mas sem o conseguir só adio entardeceres
de choro estrangulado de tantos não quereres,
e não saberes,
juntos num nó impossível de desatar
até o último suspiro chegar num dia
sem tempo definido,…

 
leio-te para fazer melhor,
mas só me pioro nas decisões de não querer
podendo sem decidir as pedras
que o meu caminho espirra,…

 
voltarei para mais ilusões como esta,
enquanto lá longe sei-te a pensar
nua em mim,
querendo que a vida que tens no bolso
não fuja e voe para
onde não a podes apanhar…..

Resultado de imagem para escrever poemas
 

Fim


Tenho um fim cravado na pele,
Desenhado como um erro transparente e menino,..



E uma estrada pela frente
A doer-me como um verso
No qual perdi o Norte que,


Escondido,


Nunca esteve lá...





terça-feira, janeiro 23, 2018

as pessoas são de papel,
de uma coisa queimada nas pontas
e que se desfaz em borras ao
primeiro vento da manhã
que se esgueira pela janela,…

 
fazem da confiança um brinquedo
velho e fechado numa gaveta que
já não abre,
e do amor uma estrela escondida
nos primórdios da criação,…

 
encontrei este poema escrito
no desorientado eu que hoje
acordou….





A Deus

Se do meu corpo extirpar a pele,
Apoucar os ossos,
Irrefletir a alma como um erro,
E desconsiderar as lembranças de um passado irremediavelmente cadavérico,
Sobrará apenas o ponto de luz das minhas noites,...

O refúgio das dúvidas de não ter paraíso,
O ser homem de uma forma assustadoramente feérica,
E o fim como um princípio que não se vê,
Mas sente-se,...

Abdicar de tudo isto, 
Aquilo que tu foste, 
Será acordar com o sentir sem cor 
Dos dias sem nome...

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segunda-feira, janeiro 22, 2018

Dúvida

O fumo da tua dúvida acabou,
Agora que se sente a chuva a dancar com a passagem dos segundos,
Restaste-te apreensiva com um
Olhar de velho sem destino na rua,...

Foi ao sol de fim de dia,
O tal das decisões mal descritas,
Que me explicaste que sou a pele debaixo dos teus dedos,...

Apesar de longe sou o pêndulo
Do querer acordar,
A vontade irrepreensível de deixar por fazer tudo o dispensável ,
E o suor das noites sem voz
Gritadas com o prazer a observar
No teto de estrelas,...

Sim,
Sou do tamanho do universo
De bolso que quiseres que eu seja....

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Sem título (5)

Talvez no som,
Fiquemos quietos
Na falta de sonhos 
Deste minuto,...

Disseram-no em surdina
No enlevo desenhado 
Pela fome cremada na
Lama da pobreza...

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domingo, janeiro 21, 2018

Luz

De dentro do ar que exalo,
Cansado estou da solidão escrita 
No primeiro anoitecer sem ti,...

Era o teu respirar como segunda pele,
Na escuridão do não saber como
Abrir os olhos para a vida,,..

O que tive e Per 
Sisto a querer no fotografar do teu
Corpo que me possui no breu de não ter luz...

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sábado, janeiro 20, 2018

Inatingível 2018 no #Canal Poesia


Da claridade das horas

Não sei dizer um sorriso que se desfaça,
Nem o choro do fim de vida de mulheres que não desenharam o amor ,
Para o suficiente do escrever saudade,
Bastariam as saias da chuva quando abraça a terra seca e 
Moribunda,...

Fazendo desníveis de humanidade com versos insuficientes,
Deixa a partilha de sonhos de criança por fazer,
O fim de vida do amor por conseguir no desenho tosco dos amanheceres,...


Experimenta agora deitar a consciência no que resta de pensar assim...

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sexta-feira, janeiro 19, 2018

quinta-feira, janeiro 18, 2018

não serás o som

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não serás o som, 
apenas a partição do ar nos resquícios de tempo que um sorriso fugaz deixa nas paredes, 
e a frugalidade do momento como destom de um falhanço, 
de um não querer de compromisso,....

somado à parte total da memória,
nunca faremos história com a contestação, 
com o medo descrito em olhos cegos e sem caminho,...

para o fim nos desmaios das ondas da manhã, 
deixamos o mal, 
sob a forma dos descontos da morte...

quarta-feira, janeiro 17, 2018

Versos de intervenção


Éramos a frase feita do amanhecer de orvalhos,
Escritos no vento estavam os intervalos
da medida do sonho,
de ter um povo encaixado na roda dentada
dos segundos que nos dizem do medo,
da força inaudita de crer apenas no momento
seguinte,…

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terça-feira, janeiro 16, 2018

Só para fazer número


Dizes de mim o fel,

Sobre isso o ar passa nos,

Intervalos do resto de ti,

Pousados no que não sabes

E não conheces,….

sábado, janeiro 13, 2018

Acordar o desejo de ser feliz

Não desmentes o sol de dentro
das unhas do moribundo,
a morte vem na árvore que cai na
floresta sem ninguém para ouvir,
e a chuva desmente o tempo como
irrefletido erro de criação,...


Somos solução do relógio a parar,
problema com o universo que trava
o caminho para a perdição,...


e o poder nos olhos que sangram,
faz dos poemas a seiva do que
nunca dizemos para acordar
o desejo de ser feliz...


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quinta-feira, janeiro 11, 2018

Sem título (6)

Das psicologias de um dia que desmaia,
Retiravas as partes insubstituíveis do todo da sanidade emocional,
À beira rio éramos sons decompostos no brilho dos olhos dos inocentes que brincavam no correr d’água ,...

De dentro da felicidade, sobrava o vento que nos lambia os rostos de indigentes conformados do tempo,..

Pelo menos a frase de sempre,
Que doer o amanhã não é o mesmo na esperança de recolhermos os passados deixados por viver ...


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Sem título (7)

Não demos os nadas ,
À sorte deixou-se o desmando
Dos dias que passam ao sabor dos ventos sem nome ,...

Fazendo de dentro das coisas o
Sexo das mesmas ,
Só assim o tempo passa quieto e indeciso até a eternidade,
Pedindo à terra o húmus dos porquês irrespondidos...


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quarta-feira, janeiro 10, 2018

Sem título (8)

Amanhã vai chover,
Anoitecia com o céu pintado a molhos de sangue desbotado de calor quando me disseste isso,
Eu desviei-me do caminho para o carro da perdição passar,
E sobrevoado da maior soberba que imaginei, escrevi,
Naquele papel dos indefinições que guardava no bolso,...

Talvez vá, não sei, não vou cá estar,
A lua chegou assim trazida pela separação natural que surge após estas conversas, 
A dois passos de cada vez afastei-me para o socorro da solidão...


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terça-feira, janeiro 09, 2018

Lisboema

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Falar com a lisboa de todas as falhas,
A que pende da insegurança de quem confiou
E ficou com o amargo da desilusão,
A surgida dos restos de um amor que recorda ao Tejo
Que um dia morrerá,...



É acordar em cada manhã de sol com a chuva metida nos
Entrefolhos do envelhecer ,
A lisboa das falhas é o caminho para o fado dos dias
Todos esborratados num poema feio...

segunda-feira, janeiro 08, 2018

Rock around the clock

O pederasta tímido gostava de sóis sumidos,
Sentado á sombra levezinha do meio dia,
Desenhava a flor máxima do anonimato na terra virgem,...

E dizia mil vezes para dentro da barriga,
Sou melhor que eu mesmo,
Sou melhor que,...

Mas chegava sempre a noite criança,
E o pederasta tímido acabava a escrever uma doença...




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Morreu doente sem saber o que comer para trazer a cura ...

Quartzo

Resultado de imagem para quartzo

A falta de som dos sonhos,
Indecididas as coisas que eles deixam por resolver,...


Torna em chuva a plena indefinição de quem acredita na vida resolvida no desfazer do orvalho do acordar...

Coisas de génio, só assim naquela


domingo, janeiro 07, 2018

Ir a qualquer lado

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Às vezes o dia em dúvida,
 Outras no céu o fogo de uma tragedia que não se espera,
Subimos a rua até ao coração Daquela cidade,
A que me disseste ser o mais próximo do perto das estrelas,..,

 De joelhos falaste que o estudo das hesitações é o amor,
 E pintaste as árvores moribundas Com a tinta invisível do mais perto de ser fiel,...

 Vimos os velhos que concordavam,
As crianças que,
A brincar,
Desnivelavam as ruas tornando-as pântanos de perigo e fel,..

 E ao pôr-do-sol descemos para os braços do rio,
Escrevendo no centro do vento que voltaríamos quando a sorte quisesse ...

sábado, janeiro 06, 2018

Interior mente

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Às oito e um tostão do dia esquecido, perto do trocar do século, o homem que respondia por luís saiu de casa com o cachorro, ou as sobras dele, debaixo do braço. O bicho perdera o pio havia uns dois dias, e ficou tombado debaixo do lava-loiças da casa a esvair-se da vida . Passaram as horas com a monda do milho, a chuva certinha e cor de água barrenta que o céu de zinco deslizava cá para baixo, e só numa manhã como as outras, ali quando se atamancava um pedaço de pão seco com torresmos para comer antes do sol despir o pijama e se pregar no horizonte, é que o bicho deu nas vistas. Faltava-lhe metade de uma pata, e já só tinha as costelas à mostra. Deu ideia que tinha pisado uma daquelas armadilhas de pisar lebres que os caçadores da parte de cima da monte deixavam, cá em baixo, esperando que os bichos picassem o bocadinho de pão duro que lá estava, e depois ficassem a espernear até se esvaírem em sangue. O cachorro tinha ido para aquela casa mal tinha aberto os olhos. Gostava de dormir em cima do tapete de serapilheira , no alpendre da cozinha. Conheceu uma, duas, três donas daquelas que saíram sem deixar saudades da casa, até se transformar na única companhia daquele homem sem sentimentos, rude, e que costumava dizer dele mesmo que tinha um peito de pedregulho alentejano . O bichito deu o último suspiro, e nem uma lágrima rolou na cara áspera, bexigosa , e sempre de arame feita do senhor luís . Descobriu o cadáver escabroso do animal, e o primeiro pensamento que lhe veio, quase como uma bebedeira mal curada quando o sol nasce no dia a seguir, é que tambem já não faltava muito para o bicho bater a bota . Sentiu uma gosmazita na garganta, mas o mata bicho do meio da manhã, que guardava numa garrafa de água ras velha ao pé do lavatório, deixou lhe a goela normal. Ali depois do pino do sol, com o animal já embrulhado num resto de saco de batata nova, que lhe deixou só o coto da pata de fora, saiu de casa para ir deixa lo a qualquer lado. Cacimbava um bocado, próprio dos fins de janeiro nos sopés dos montes alentejanos ali para os lados de Borba, e em pouco tempo ficou com as botas cardadas cheias de uma lama castanha desmaiada . Quando chegou á estrada velha, viu lá ao fundo, a passo de caracol fumegante, o trator do vizinho de que não se lembrava o nome por não gostar dele, e começou a andar com o saco de batatas escondido debaixo do sovaco. O cheiro já era tipo carne esquecida há uma semana, e a roupa estava empapada numa mistura de cacimba e nhanha sem cor que o cão estava a deitar. Quando passou pelo conhecido baixou os olhos, e preferiu o silêncio a ter de se desfazer em explicações estupidas sobre o motivo de levar uma coisa a escorrer não sei o quê pela roupa abaixo. O outro fez lhe a vontade, e só se preocupava em não deixar que o velho trator que cuspia fumo como um dragão rouco tombasse nos solavancos daquele alcatrão esburacado e esquecido . A chuva já tinha parado, e o homem a que chamavam luís começou a sentir qualquer coisa estranha a tomar-lhe o corpo. Começou nas pernas, quando passou as ancas fez com que o passo se tornasse mais lento, e quando já lhe tornava o peito todo espicaçado , parou. Chovia a bom chover outra vez, e não dava mais para continuar com uma geleia verde que já lhe pintava o casaco, as calças , e até as botas que por esta hora já lhe travavam o passo a ponto de se afundar na lama . E foi então que achou que a cara já não estava molhada só da chuva, mas também de qualquer coisa que nem sabia o que era. Pensou que não devia estar ali. Pensou que estar sozinho no mundo é o mesmo que sentir o peso da terra a esmagar as costelas, fechado entre quatro tábuas. Chovia ainda com mais intensidade . O homem conhecido como luis tinha de fazer qualquer coisa. Pousou a serapilheira enlameada no meio da terra carregada de água, e terá chorado pela primeira vez na vida. Nunca se lembrava de se ter sentido tão desesperadamente mal. Tão capaz de ajoelhar em veneração à terra, esperando que alguma coisa mudasse o peso de chumbo no coração . Estar só é o final dos tempos , escrito com um planeta bombardeado de todos os meteoritos do mundo. Tudo acabou sem que a chuva parasse. Esgravatou a lama durante minutos a fio, e cavou um túnel sem ponta . O bichito teve um sítio para dormir para a eternidade , e ele: Aninhou-se ao lado daquele féretro, e morreu de tristeza ...



Poemas a voar do Inatingivel 2018 para outros lados....

sexta-feira, janeiro 05, 2018

Só sei escrever merdas de poesias...

Todos os dias morre um homem que não
teve culpa de discordar, e com isto,
o sol roda sempre até um dia parar
de nos condicionar os sonhos com a sombra
assassina do conformismo,…

Que estas sejam as premissas de um mundo novo,
Sem as pessoas metidas dentro das próprias mãos
Do destino,..

Aceito-o com a vontade tolhida pela desconfiança
Dos que esperam sem querer gostar do gostar de si mesmos…

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