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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

E há um pouco de Kafka,...

 Nao tinha,

 mas o compromisso,

Ser meio de cada noite,

e a voz ser o ultimo atributo que deixo desligar,

Faz-me obrigar a estar de olhos abertos,....


E há um pouco de kafka,

Um choro de pre metamorfose em falar assim,...


Deixando para tras a consciencia,

A canina consciencia que nos fideliza à sombra de um outro eu,

Ja desaparecido,....


E é tanta madrugada a pensar assim,

Que dói,

Magoa,

Arrasta nome e precisao de nós mesmos pela lama,

A ponto,

De o sono ser a melhor e mais fiel amante,

Que os olhos fechados nos trarão 


Uma mulher deslocada transporta o seu gato
Foto de 2016

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Recomendo a leitura a todos

 


Agora entendo a justeza e razão da atribuição do Prémio Nobel a uma escritora até aqui desconhecida.

Ela constrói um retrato assoberbante e visceral dos regime ditatoriais, com uma experiência pessoal que a levou a iniciar um caminho doloroso.
Recomendo mesmo....

terça-feira, 8 de julho de 2025

Vejo as pessoas em obras literárias,....

 Fechado o tempo não mudou,

Por aqui e por ali os olhos fecham-se à indiferença,

Há prazer nos desvios súbitos de caminho,...


A perfeição fica subentendida,

E quando por acaso o mundo altera a estação de evolução,

Não nos adaptamos,

E aperfeiçoam-se mecanismos de distração,...


Enquadrada a mudança,

Vejo as pessoas em obras literárias por acabar,

Doridas e sem refúgios aparentes 

                                                                    Tirado daqui

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Post-lunch garbage

 E quando se começa um Auster, página um, o homem escreve sempre sobre o mesmo. O mundo não parou nos sessentas. Quanto muito a 11 de setembro. Antes disso não, de certeza. O canto da boca pinga. Aquela coisa irritante, de homem de meia idade. Fecha o livro. Já está mal tratado. Levanta-se, dois passos, afasta a cortina de veludo, e de chofre leva com uma luz do sol de todas as cores. Os olhos ferem, cegam…. Demora até recuperar a visão. Uma carroça, com um velhote encurvado, e um macho de palas nos olhos, anda pachorrentamente na mesma linha reta de sempre. Recolhe de novo a cortina. Volta ao Auster. Há uma personagem qualquer que conhece um velhote. É um jovem bem parecido, que saiu de casa. Sem razão nenhuma.  




sábado, 22 de fevereiro de 2025

Escrito de uma penada hoje, ao acordar....

 


Ele começou a escrever um conto. Esta era uma forma vulgar de começar. Mas era a realidade. O homem assumia a pose corporal, o desejo de criar algo de novo. E até o isolamento. Fechou-se em casa, com a porta trancada, e as janelas de forma a protegê-lo da postura assassina do sol de Verão.  E deixou a caneta caminhar. Sim, era um loboantunesiano, contra qualquer tipo de tecnologia ou apoio extra à criação anatómica humana. Feito o enquadramento, interessa tentar perceber quais seriam as suas intenções.  Nenhumas em especial. Primeiro criar um personagem principal coerente. Seria do género feminino. Uma mulher dependente, isolada, que não gostava de si mesma, e só com dificuldade aceitava os outros e as suas diferenças. Mas o contexto em que a faria mover, uma cidade média, com um bulício crescente, que dependia do turismo, e tinha um clima instável, mas cativante, iriam trazer-lhe a inevitabilidade de um início de relação. Essa era ainda a sua dúvida.  Com quem? Tinha pensado, necessariamente, com alguém diametralmente oposto.  De fora, com toda a certeza. Um homem jovem, que tinha partido à descoberta de tudo e de si mesmo. Iria cruzar-se com ela dentro da mais completa casualidade.  Num entardecer, com ela a regressar a casa após mais um dia de trabalho numa ocupação anónima e que detestava. Isso não a iria deixar recetiva a conhecer pessoas novas. Mas ele, pessoa experimentada em contornar as resistências dos outros, talvez apostasse no elogio simples. Da roupa, de algum pormenor imperceptível do aspeto físico. A caneta não conseguia parar, e isso deixava-o agradado. Estava a pensar em posicionar ambos num pequeno parque publico, que existia paredes meias com a casa dela. Ambos iriam a entrar no espaço, já que o caminho para casa a isso a obrigava. Iam dispensar olhares fugidios de início. E quando o leitor começasse a acreditar que nada iria acontecer, com os dois personagens a contornarem-se e a seguir caminho, a iniciativa seria dele. Voltava-se para trás. Perguntava as horas. Ela fingia-se despercebida. Ele insistia, dizendo estar atrasado para um encontro com familiares. Ela respondia, e continuava a andar. Ele invertia o sentido do seu percurso, ela continuaria a fingir-se despercebida. Até que aceitava parar. Iria dedicar-lhe um olhar desajeitado, o único que sempre tinha conseguido fazer. E ele responderia com um sorriso. Tímido a princípio, depois em crescendo.

O escritor teria agora de parar. A inspiração pedia-lhe uma pausa de conveniência....

domingo, 5 de janeiro de 2025

Ela, a da poesia

muito de olhar mandado,
costas nuas e roupa desnecessária,
aproximou-se do limite,…

um país imaginário,
de jardins imóveis e a luta afirmada para
um livro que fique por escrever,….

ela chamou-se poesia,
respirava por um nariz desentendido de Al Berto,
e chegou ao fim pelo caminho das sextilhas
porque ansiava,…

e quando chorava,
pelo ponto e vírgula desconcertante
do entardecer,
pendia o olhar mandado,
e ressurgia a pele mutilada,…

aquilo que tinha de melhorar,
e não contava a ninguém

                           Tirado daqui

Pintura de Hugo Roa

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Letras de vácuo

 A solução,

Resolução,

Finalidade em perseguir,....


Letras de vácuo,

Números de circo,

A filosofia do pai nosso,

Com a desventura de qualquer avé maria,...


Juntos ficamos,

Pobres seremos,

E há valores como a solução,

O problema deixado intocado,...


Vale-nos a miséria,

Um pombo assustado,

Que inocente não quer,

Abandonar o que já fomos 

                                                                                Tirado daqui
THE PURSUIT OF LOVE
2021 / de:Emily Mortimer

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Saul Bellow

 Bem tenta,

Impropérios,

O amor pesado como carne,...


Gatos enervados a rasparem janelas em desvario,...


Quer conseguir mudar tudo,

Para ser dela a rotina,

Ser quem dita as regras,...


Mas eu não a deixo,

Saul Bellow e a fatalidade consequente,

Aberto nas últimas páginas na sala,...


Um pouco de Dylan a acariciar os dorsos dos gatos que anseiam liberdade,

E é meu o espaço,...


Dito as regras porque,

Assim tem de ser,

E não será ela a mudar nada

                                                                               Tirado daqui

segunda-feira, 22 de julho de 2024

...baloiçava a morte de Ricardo Soares


                                                                                 Tirado daqui


Como a loucura,
O desejo de duas ou mais coisas balanceadas no limbo,
Ele começou a almejar o seu próprio fernando pessoa,...

Teria de ser de bolso,
Melifluo que espalhasse sentimentos de vontade,
Próprios do desligamento da realidade que sentia,...

E baloiçava a morte de ricardo soares,
O que achava que poderia ser já que a mesma nunca existiu,
Por entre o indicador e o polegar das duas mãos,...

Depois sonhou com durban,
As praias longilineas de durban,
E até saltou por fim de quarto em quarto nesta lisboa de mel e cânhamo,...

A conclusão foi que não iria conseguir chegar tão longe,
Era uma pessoa vulgar,
E batiam-lhe já à porta com algo que encomendara

quinta-feira, 11 de abril de 2024

História de fim abrupto

 um livro tem de começar por algum lado. A razão está do lado de quem lê. Por vezes de quem escreve. Há nuvens no céu, frases por terminar ainda antes de a respiração ser a certa para que o discurso continue.
E um almoço. Duas pessoas sentadas à mesma mesa. Não necessariamente a olharem uma para a outra. Podem sentir os pés a roçar, o que causa calafrios e a vontade de adiar o discurso.
A sala é impessoal, fria, com duas janelas que deixam, mal, entrar a luz fosca de um início de tarde de outono. Duas pessoas que não se conhecem, apesar de acharem que sim.
Uma mulher atenuada na dor. Com uma aparente metade da vida cumprida, e passos trémulos para abraçar a próxima. Um homem mais novo. Pouco mais, mas com um olhar menos comprometido. Mais doce. Falavam ocasionalmente. Sem grande intensidade. Ele dizia ter estado já em muitos lados, mas que o seu local preferido será sempre um recanto especifico da sua casa. Ela não.  Um silêncio descontinuado com esgares ocasionais para o exterior através da pequena janela que os ladeava, era revelador da insegurança sentida. Mas esta é uma história, assim sendo, condenada a um fim antecipado. São duas pessoas sem prioridades de que falamos. Com uma pele emvelhecida. E que irão levantar-se, sair, reduzindo assim a possibilidade de este momento se repetir. E, como tal, a história acaba aqui 

quarta-feira, 10 de abril de 2024

polifonia, monotonia, fim

polifonia;
definição de som discórdico,
escarrado de gargantas
 ou evoluído,
em direção a paraísos de cores
e tonalidades,...

monotonia,
há vento na mais estreita rua
de reikjakvik,
caminhamos em fila,
abraçados pelas luzes
que a noite fere por ali,....

abrimos um livro,
é sartre explicado aos desesperados,.....

fim,
particípio de passados
que dormem juntos,
e de mão dada,
testamos a vontade de ascender






quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Pó literário



 A ordem foi explicita,

Havia restos,

Detritos minimos de pó literário,

O que se chamava às opinioes inconsequentes sobre um livro,

Um poema,

Que sobravam apos discussões acesas na res publica,....


E eram pessoas escolhidas,

Normalmente ansiosos patológicos,

Quem varria as ruas até à exaustão,

Iniciando-se depois a verdade suprema do silêncio,

Potenciadora de mais e melhor criação 

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Novembrando a 10 de junho

 


Escritores russos em barda,

Um desejo interminável de literatura de estepes,

Enquanto o chão rangia,

A água para o chá ganhava vida e corpo próprios,

O trânsito na rádio se imiscuia pelas paredes,...



As mães desesperadas de tolstoi,

O medo preso de soljenitsine,

Tanto verbo gasto por ribakov,

Escritores russos juntos abrem a porta de casa,

E apontam a vida lá fora

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Vagamente inspirado no livro 'O meu irmão ', de Afonso Reis Cabral

 


Compreende porque ele só conseguia ler as coisas ao contrário?,

A mulher esforçava-se por se justificar,...


Estava ali para resolver um problema,

E só perdia a concentração num vaso com 16 malmequeres,

Nem mais nem menos,...


O menino captou a nossa atenção aqui,

Com os seus longos cabelos louros,

E os olhos inquisitoriais,

É certo que tem aquele problema,

Mas sempre foi especial,....


Escolhi resumir esta recordação em forma de poema,

Porque o meu irmão era mais importante do que impressões desnecessárias,...


E os malmequeres da senhora permaneceram viçosos 

terça-feira, 14 de março de 2023

Criadora de momentos


 Era uma obra marcada pelas referências à sua terra,

Onde o sol nunca se punha,

E parecia haver um codigo linguístico próprio,

Quase baseado na lactancia das mulheres,

E na fertilidade inconstante que cada uma demonstrava,...


Foi uma obra de obras que correram mundo,

E no final da vida,

As pessoas reverenciaram-na como criadora de momentos

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Acabado de ler


 A quem ainda não leu, recomendo 

Como se consegue transformar algo assustador e esmagador, numa realidade insidiosamente bela

quarta-feira, 2 de novembro de 2022