13.11.10

'Arrrrrrrrte'



Arregacei um pouco de pele no antebraço. O sangue queimava-me a alma. Apóstata do sofrimento, mesmo assim nunca me havia sentido refém de tanto desnorte inumano. Empalado em asfixia, o coração ditava-me como descrever ao vento o que ia sentindo. Limpei suores enfatizados que me contornavam a testa, até conseguir gritar com forças titânicas o que já não conseguia mais esconder.....
'Arrrrrrrrrrte'
Morto, sucumbia à pressão de ter sido refém da minha ânsia de impressão silenciosa no mundo.

12.11.10

A mulher que esteve quase,...e falhou


ela queria ser enviesada,
discutir com os cenários
efectivamente postos a nu
pelas pessoas,
passar enrolada pelos pingos de suor do
desconhecimento dos
enojados de si mesmos,
e ao fim daquele torto
caminho deparar-se
com o açucar de um carinho,
dizer à pessoa que a queria,
fazer-lhe ilusões pedidas ao ouvido com
falta de jeito,
e ao adormecer
escrever nos pulsos
as palavras mal
comportadas que a faziam chorar lágrimas
azuis desespero....

11.11.10

Tenho fome da fome



em morte julgo por parentesis as
sintomáticas indecisões
de ter fome,
a sós com a loucura
que nos sangra dos ouvidos,
é por bem que as formigas da loucura pairam nas migalhas
de desnorte à solta
por aqui,
faço placentas,
desenho loucos,
mas não passa,
aqui me desconjunto sozinho com a loucura
a ratar-me a indecisão....

Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado



Dizer realça o escrever. Sublinha as descrenças. Enfatiza os pormenores. Descobre nos silêncios o que inviabilizado com o grito, parece mais destino do que realidade. E como a realidade descrita é sinónimo do que infelizmente a todos nos cabe hoje viver...
Homenagem a Mário Viegas....

5.11.10

Boatos


cortam-se curtos minutos-pedra nesta insofismável
perda de consideração,
somos perto da rotunda
os que desafiam,
e ao longe a desfazerem-se
conformismos em chamas
de choro,
ao fim a luta,
resgatam-se as prioridades...

4.11.10

Retalhar I


Destapada estava aquela pequena parte do coração que o vento trouxera ao entardecer. Era indecifrável a forma como as coisas se dispunham no chão, à beira de mais um passar de ano no bairro de todas as perdições. Havia um senhor esfericamente impreciso, que escrevia debruçado no degrau calcário da casa onde se aprestava a ganhar a eternidade. Adivinhavam-se grandes coisas de todo aquele silêncio que se permitia a si próprio, mas era o vento, o mesmo amparador da santidade indefinida daquela porção de coração, que o parecia desconcentrar. Mais à frente, um gato, ou o que parecia ser uma criatura carinhosa, acinzentada, e faminta, observava-o resfatelado silenciosamente em bocados de jornais das semanas que ali se foram desfazendo. Ali assim, perfeitamente balanceada no dispôr aparentamente caótico destas coisas, outra porção do passado de alguém pendia de um desnível na escadaria da igreja. Era uma carta, num papel amarelecido, só com um bocado de folha. Passando ao redor aparentava tranquilidade na forma como bailava à aragem, e nela o papel deixava entrever riscos certos e seguros de um punho que disse qualquer coisa, a qualquer pessoa. Afinal de contas, o sol já se pôs, e o homem continua a escrever. Quem observa podia fartar-se desta realidade. Mas narrar passa sempre por supôr. Encontrar pequenas concomitâncias na forma como o tempo corre devagar, para depois se lançar na montanha-russa das descrições sem sentido. Não parece ir a nenhum lado esta situação.

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