30.6.18

a qualquer mulher

em nenhuma mulher,
a fraca contrição
da rejeição simples,
antes uma página incolor
de desnudadas metáforas,...

as que o escritor transpira
dos bolsos sempre que pede
o inalcançável,...

em todas as mulheres,
a frase sem sentido
dos moribundos,
o que fica por dizer
quando o amor se esbate
no refluxo incontrolável
da vida,...

dissolvidos num suspiro,...

para que a sorte não rejuvenesça
em findos ditados
dos sem esperança,...

a qualquer mulher,
a lição sem fim
do dia que se aninha
aos pés dos esperançosos

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Tirado daqui

Um pé putrefato

um pé putrefato,
desfiado cartilagem a cartilagem,
e paz no caminho irreal de todos os sonhos amarelos,...

um poeta frágil,
doente,
insuficientes são as vezes em que cheira mal,
o real,...

a terminar o regresso da guerra ao prato,
principal de todos nós

29.6.18

Um dia gostava de saber escrever assim


Depois de tudo fica a lembrança dos lugares


Depois de tudo, fica a lembrança dos lugares e
dos seus nomes; dos quartos virados a poente
onde as imagens do rio nunca se repetem nas janelas
e todos os enredos são consentidos sobre as camas.
.
Ao fundo, havia um armário de madeira com espelho
onde as nossas roupas trocavam de perfume
para que os dias se vestissem sempre melhor.
E, sobre a cómoda, num espelho mais antigo,
a tarde reflectia algumas das alegrias da infância.
.
Não era o quarto de nenhum de nós,
mas a ele regressávamos sempre com a pressa
de quem anseia os cheiros quentes e antigos
da casa conhecida; como quem espera ser aguardado.
.
Pressenti, porém, que não era eu quem aguardavas:
uma noite, pedi-te mais um cobertor em vez de um abraço.

Autor : Maria do Rosário Pedreira
in Poesia Reunida

Loboantunesar a coisa em redor de um cinzeiro. De forma tosca

Lembro-me de quando o meu pai fumava, usar um cinzeiro de pé alto, metálico, e que durante muito tempo foi maior do que eu. O que segurava aquilo à terra tinha uma base que parecia uma pata de galinha, com as três garras bem distintas, que se cravavam na carpete da sala . Houve uma altura em que a coisa me meteu medo. Imaginava-a a ganhar vida durante a noite, e a andar pela casa a arranhar as paredes, deixando um rasto de cinza preta enquanto caminhava à procura de barrigas para rasgar, com aquela garra medonha e que, com os anos, foi ganhando um tom ferrugento.
Nunca contei ao meu pai o que sentia sobre aquilo. Guardo só a memória de o ver recostado no sofá acastanhado da sala, com a base da cabeça apoiada no tecido. Fizesse chuva, fizessem raios de sol a entrar por entre os losangos pequenos do estore, o cigarro estava sempre preso entre o dedo médio e o anelar. O fumo subia, tipo fogueira de índio num filme do john wayne, e desenhava nuvens no céu branco da sala...

28.6.18

A poesia é f*dida, pá!!!


Homem transparente

tinha aprendido a contornar os obstáculos visíveis e invisíveis do caminho,
para isso preferia os dias de chuva,
aquela sensação de que o peito nos aquece o molhado do tempo,
e serve para parar sempre que é indiferente prosseguir sem rumo,...

e por se aperceber de cada imaculada adoração da rotina,
chegava sempre aos sítios mais cedo,
com a espera de ter que esperar pela própria espera para se fazer anunciar,...

e depois havia os remates sem cor das conversas ditas de encher os momentos sem par,
cheios de por isto se vive desta forma,
e de desculpe se estou a ser intrusivo,...

mas era feliz sentindo que não iria nunca contribuir para a felicidade de ninguém,
seria sempre o homem que achava por bem evitar os obstáculos da rua,
de par em par,
de preferência quando chovesse



27.6.18

Um dia gostava de saber escrever assim

maria gabriela llansol / séculos a fio de chuva




198

_______________ séculos a fio de chuva
Ininterrupta, de pântanos e de frio criavam
No garoto um corpo tiritante dotado de uma
Agudíssima faculdade de observar. Se o coberto
Nunca secava, razão por que na sua língua não
Existia nem frio nem seco, e nada podia ser
Seguido por peugadas, onde pousara o inimigo
Seus sinais de passagem? Se ali vivesse um
Contador de histórias fulgurante, diria que
Ele estava banhado em lágrimas, em lágrimas
Totais. Mas eu _ o dom de escrevente que o
Seguia __ textuava, e textuava, um modo
De trazê-lo seco para um mundo de vida.
Apesar de mundo ser palavra supremamente
Ambígua, por constantemente se esbater
Se apagar.

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Prantos sem idade

sobram-me noites,
pelo menos as que me fazem acordar cedo num passado,
que não consegue parar o relógio das coisas que
travam os impulsos,...

se sobrarem madrugadas é desenhar este medo,
sim,
estou preso naquela gelada manhã do ano que já me esqueci,
em que recordado de um sorriso que já foi meu,
optei por escrever seguidas deformações de gostos subtis,...

despidas dos cheiros lúgubres de prantos sem idade


26.6.18

Equívoco

falava a língua de
tempos embalados,
como carne da que
se compra nos supermercados,
comprimida,..

cheia de nervos,
difícil de cortar à
faca

Fraco

hoje não me apetecem ruas do som,
noves fora o contentamento de um silvo,...

pássaros a morrer depois de com o amor,
cruzarem a superioridade de dizer somos melhores,
que a frase pintada do ódio,...

se me apeteceres tu,
não me faças o mal que se cruza na água,
pegadas soltas nos seixos da beira rio,
à procura da inconstância de querer o longe,...

e na madrugada ficar com o nada,
a escorrer ódio nas paredes sujas de um quarto vazio,...

enquanto se dedilha a nós na inconstância irreal da parte imutável,
de todos os todos que alguma vez te quis mostrar


25.6.18

O ovo

ao reentrar na vida,
era um senhor adestrado,
de fácil trato,
riso fácil,
com substrato,...

ia longe pelo que dizia o verbo,
reverberado,
estranha a séria desdita de andar em estradas,
sem marco,...

com tempo ia à escrita,
frases curtas,
de mácula restrita,....

e ao desistir de tudo,
de novo,
a pele como fruto,
sem querer que o todo fosse um ovo

24.6.18

Sonho realizado ao fim de muitos anos


Esta é para vocês, mãe e pai

Verbo falso

se não estivesses deste lado,
deitava-me no segundo mais próximo da saída,
com a janela para o vento aberta,
de ponta em ponta,
a fazer ouvir o silêncio em frases insubstituidas pela água,...

e com a frase do silêncio,
o verbo que fica por recitar


23.6.18

Timidez

homens com as subidas desnecessárias,
nos caminhos frutificamos o
não saber para onde virar,
quando nos abandonam
e vamos,
a chorar para casa,
com a perspetiva
insondável da solidão,...

homens que escrevem a
transparente os nomes,
os mesmos que
preferem esquecer ao,
acordar para
rotinas de várias peles,
sem saber o que saber significa



22.6.18

Gostar sublinha o querer


Fuga ao fisco

o homem dizia não pagar impostos,
falava contra a indiscriminada voracidade,
de copo na mão,
com o fumo dos cigarros sorrateiramente a evitar-lhe os dedos,...

estava indisponível para o compromisso,
só sabia ligar o som da superioridade,
de cada vez que se ouvia a si próprio a respirar,
com a mesma fundura do buraco para onde gritava,
quando estava sozinho,...

gostava de se vestir mal,
e preparar o pequeno almoço com as sobras que guardava nos bolsos das calças,
para se sentar a escrever poemas depois,
sem se sentir culpado de toda a maldade no mundo

21.6.18

Carreira da madrugada

da noite só a peça motriz do despertador da madrugada,
os contornos dela numa parede sem cor,
e a saudade em socalcos que plantava o vinho da solidão

20.6.18

Um dia gostava de saber escrever assim

Crónica Portuguesa


Refogado

sabias como cozinhar o tempo
assim eu te explicasse o refogado,
as coisas precisas para meter
a cebola certa no momento para morrer,
e o Knorr que nunca é o adequado,
 quando te queres despedir
das minudências da rotina,...

todas as sem importância pelo menos,
como o deixar os atacadores
pendurados à distância certa
da sola do sapato,
para não parecermos
pessoas sem objetivos na vida,...

não saberes cozinhar
o tempo é grave,
tão grave como entrares no café
de todos os dias,
durante anos a fio,
e no último dia em
que lá decides ir,
ninguém te conhece
tal como no primeiro momento,...

acho que deve haver um refogado
para deixares os pés,
bem calcados no teu percurso,...

qualquer dia ensino-to

19.6.18

Lá onde tudo faz sentido

Todas estas coisas aconteciam quando ela estava a pisar os vinte e quatro anos. Estava sem ocupação fixa, já que não conseguia sentir as fardas como segundas peles, nem ouvir todos os dias impacientes desmandos de frustrados a escarafuncharem-lhe os ouvidos, como se fossem papa-formigas esfomeados a furarem a terra.
Trocava esses milhões de rotinas que já parecia ter tido, por passeios reconfortantes naquela terra onde agora estava, e da qual preferia não saber o nome. Contentava-se com o vento a pentear-lhe os cabelos, ao mesmo tempo que beijava as paredes de cada prédio com os bons dias sacramentais. Adorava decifrar cada nascer do sol, como se tivesse o enigma primordial no horizonte, escrito no vermelho fogo que só aquela terra parecia ter.
Nunca quis, no meio de todo este afã sensorial, comprometer-se com ninguém. Era filha do acaso, e só conseguia dormir à noite depois de tocar cada ponto cardeal do seu corpo, e sentir que continuava a ter prioridade no festim silencioso que eram as madrugadas consigo própria.

17.6.18

1983, cypress road


Reticências de pedra

talvez esteja na altura de quem dói, de sentir vestido num choro o prefácio do livro,...
a razão de ler os primeiros desenhos de te ter no horizonte,...
frase sem parágrafo, efetiva dissolução de nos ter tido guardado,...
em todos os pequenos corações que me compõem,...
e afinal todos os braços em pedra por que subo,..
até ti

...a acabar

falta-me o suor de um daqueles dias, de frases,
horas ressuscitadas ao verbo para que
me decifrem a luz intermitente de quem
acorda sufocado,
em choros,...

e a pior parte dos sonhos assim
contornados,
com todos os lápis,
é explicar aos olhos de luz
que nos embalam o voltar à vida,
que há um dia para partir
aos bocadinhos,
e guardar em todos os bolsos
das calças da alma,...

e regressar nas pedrinhas soltas
do não ter caminho,
para ressuscitar a insubstituível dor
de saber que tudo acaba,
a acabar


Sacos lacrimais

nas visitas ao que se chora,
estão perdidas as frases,
as paredes rasuradas dos pobres que passam com joelhos,
em carne viva de equívocos sem raça,
sem cor,...

até sem o quase paralelo da histeria dos perfeitos,
redondéis da miséria alegre,
é descoberta qualquer coisa que nos faz voltar,
sem saber ao que vamos em estrofes desprovidas,
de sentido


16.6.18

Um dia gostava de saber escrever assim

Só nos Pertence o Gesto que Fizemos

Só nos pertence o gesto que fizemos 
não o fazê-lo como, iludida, 
a divindade que em nós já trouxemos 
supõe errada (e não) por convencida. 

Porque o traçado nosso em breve cessa, 
para que outro o recomece e não progrida; 
que um gesto em ser gesto real se meça, 
não está em nós fazê-lo, mas na Vida. 

Assim o nada a sagra quando finda 
porque o que é, só é o não ainda. 

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1

Contribuição do Inatingível 2018 para o blogue Paginas Partilhadas de julho de 2018


O Grito de Aquiles

se o rasgar da pele te satisfaz,
a noite amordaça o que te leva a pensar
sem cor,…

chove tanto que não te ouves com pena
do que sobra de ti,
namoras o grito que te lambe o âmago
do desejo,
e com ele desenhas em paredes invisíveis o
fim dos tempos,…

reabre os olhos,
na autofagia do correr dos segundos,
o mundo sorri-te com as madrugadas incontáveis
que recusas,…

com beijos para seguir,
amores para contornar,
e o arrastar de um desejo para
fora de todas as grutas,
onde já te mutilaste





Engate

Tinhas o hábito de repartir o real em bocadinhos. O bom, a facilidade de amar, a melancolia, a vontade de ir comprar o jornal ao mesmo sítio de sempre, querer foder, querer gritar ao vento a fórmula indefinida da solidão. Perdeste a chave de casa no dia em que paraste com esse ímpeto. Estavas à beira mar, num daqueles dias em que o céu escolhe o mais simples,e desfaz-se em lágrimas . Lembro-me que disseste para te levar para minha casa. Que eras um ser sem dono a partir daquele momento, e precisavas de te aninhar aos pés de uma sombra.
Quando o fizeste, percebi o teu regresso ao dito normal. Deixaste a compartimentação como vicio, e hoje sinto-te deste lado: dos amantes da razão.

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Tirado daqui

14.6.18

Sem título (90)

...e num novo dia o lamento do chão,
somar o facto menos distante do
congelar dos sentimentos,
com a partida substantiva dos dias retalhados
sem razão


13.6.18

Um dia gostava de saber escrever assim


Vasco Graça Moura / Recitativos

III
saio todos os dias, há um ar levemente
marinho na periferia de agosto,
caminho de memória e reconheço as faces
feridas, os vestígios salinos
nas faces,
e os campos de milho o casario húmido;

se atentasse nos sons
poderia talvez reproduzi-los
de modo inteligível

que vos hei-de mandar, que vos hei-de dizer
senão as tentativas: todos
os dias saio


Whuiiiiiiiiiiiii!!!!!!

Convivência

durante o tempo em que com ele convivi,
o homem cresceu,
pensava nas raízes,
nas desilusões da vida à porta das cidades,
no frio a que sabem as bicas tomadas sozinhas,...

sempre que com ele convivi,
o homem desusava as pausas que fazia a falar,
até que deixei de recordar como ele era sem nada dizer,
do farto que fiquei de passar o tempo a ouvi-lo falar,...

durante o tempo em que com ele convívi,
o homem dizia não querer viver da política,
porque se um político era a política silenciosa feita polícia da palavra,
não interessava saber qual o melhor verbo que interessasse a tudo isto,...

e quando parei de com ele conviver,
havia uma conta por pagar a uma série de poetas que para ele tinham escrito,
deixaram-lhe versos a fio e o homem sumiu-se,
porque nunca soube sublinhar a importância do sentir na convivência

12.6.18

Luzes na sóbria presença do mar de ti





The best of all time,... because i can...


E se

sabia que já tinha passado o seu pico,
o cabelo parecia uma seara de trigo no fim de setembro,
quando se anseia por chuva,
a boca só abria pela certa,
o resto do tempo estava exposta às agruras do vento assuão,
da pele pensava qualquer coisa que começava com o verbo ser mal conjugado,...

sentava-se sempre nos lugares traseiros do autocarro,
e pensava que pagaria bom dinheiro por uma juventude que viesse num pacote de cereais,...

por isso quando reencontrou o amor na posse de um bilhete de lotaria,
nem se entusiasmou mais que o que devia,...

agora já pergunta ao motorista pelo salão de beleza


11.6.18

Um dia gostava de saber escrever assim

Às vezes se te lembras procurava-te
retinha-te esgotava-te e se te não perdia
era só por haver-te já perdido ao encontrar-te
Nada no fundo tinha que dizer-te
e para ver-te verdadeiramente
e na tua visão me comprazer
indispensável era evitar ter-te
Era tudo tão simples quando te esperava
tão disponível como então eu estava
Mas hoje há os papéis há as voltas dar
há gente à minha volta há a gravata
Misturei muitas coisas com a tua imagem
Tu és a mesma mas nem imaginas
como mudou aquele que te esperava […]
Muriel (excerto), de Ruy Belo

One man band

Não foram precisos três dias para que percebesse como os teus equívocos são resolvidos. E de que forma o dia dolentemente a deslizar pelo céu, até ser engolido pela noite, só serve para que dos teus bolsos saiam escusas imperfeitas para o adeus . Quando te conheci, não recitavas qualquer verbo coerente o suficiente para que de ti saísse aquele respirar difícil de poema.
Soubeste só os versos dedilhados numa musica que ainda trauteio ocasionalmente, para matar aquela solidão que vai e vem como a formiga que sobe o carreiro, e depois desce durante dias a fio.
Levantei um país invisível em redor do que pensei ser a consistência do teu querer . Mas hoje, mero apátrida, resto-me só, contra o que outrora entendi do mundo na tua voz.


10.6.18

Lua magra

a casa pintada de branco destoava naquele princípio de tarde, com tanto amarelo debroado a luz que chovia do céu. Arrependia-me de saber que a minha vida se resumia a olhar para todo este equívoco. Com janelas que pareciam olhos de cães moribundos que só anseiam para que lhes digamos que gostamos deles. E todo aquele sentimento de frustração só por saber que cada dia nasce. A boca amarga, e os olhos pouco á vontade com aquela humidade sem nome e ácida dos amanheceres, iriam ter de servir para que dormisse sobre o assunto, até que me indicasse a mim mesmo o caminho a seguir.


8.6.18

Mmmmmmmmmm


Lusco-fusco

nenhuma parte daquele sol encaixava com a depressão,
a que trazia ao peito como penduricalho de uma decoração banal,...

pediu chuva para que a sorte de ter pena de si mesma,
não fosse só uma coincidência daqueles dias de modorra invisível,...

e o lusco-fusco surgiu quando estava sentada,
com as pernas entre a morte dos peixes daquela praia

7.6.18

Jardim

com uma ideia em crosta no fustigar
dos cabelos,
desmotivava-se de continuar o tempo que preciso fosse,...

habituada estava a ser a única do jardim que dormia,
ao virar da esquina,
o sitio onde a continuidade espaço morte que nos arranca a pele,
cessava de existir,...

e falava com as pedras sem lhes pedir a ratio de ali estar,
o medo de pressionar realidades que nem existiam,...

chamava-se o que a vontade de não escrever quisesse,
e na solidão dos cabelos da noite,
recordava tudo o que não fosse preciso da vida

Highway patrol

soava a certa aquela indecisão,
ao mesmo tempo eram dois minutos para fabricar a vontade,
de aclarar a virulência de odiar sem razão melhor que o amor

6.6.18

Um dia gostava de saber escrever assim



Kaveh Akbar

Evidências


Assisti ao fim de uma vida em comum de 63 anos

com que palavras és dos arredores das ideias,
dos fins de tarde sem nada para dizer,
sem o amor a um canto de sala vazio, e um
copo cheio de nada,
em toda a casa tomada
pelos silvos do vento,...

a partir de um conceito,
de dois e dois não terem necessariamente
de ser o transpirar da velhice do mundo,
seremos capazes de definir
o passar do tempo que nos torna indolentes,...

a precisar de caminhar naqueles dias
frios que convidam ao precisar,
um do outro,
dos dois,
e de nenhum para que valha a pena
sentir o âmago do respirar,...

penso que talvez haja mais
do que infelizes coincidências,
no caminhar seco para o adeus
que sabemos ter de chegar

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Tirado daqui


4.6.18

Reflexões sobre a morte

quem disse que os poemas têm de fazer sentido?,
a vida também não faz sentido,
nem a forma como nos despedimos dela,
nem sequer ter de beber o ar como 
água faz sentido,...

os poemas existem para fazer de nós seres que caminham
sem peso,
e se desfazem do que a pele nos diz para desfazer
quando dói cá dentro,..

nunca encontrarei sentido nos poemas,
porque sou a pessoa que menos sentido faz no que
escreve,
detesto tudo o que se perceba com um sorriso nos lábios,
e com toda a felicidade que só o egoísmo nos pode trazer,.

ah,
e detesto ter de parecer triste quando quero
mesmo é dizer mal de tudo e de todos,
porque quem nasceu para se ter só a si próprio,
não tem de achar sentido nos poemas,...

aliás,
que se lixem os poemas e toda
a hipocrisia que eles trazem embrulhados

Descansa em paz, tio....

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Tirado daqui

Maldita morte....:-(

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3.6.18

Enchendo os sapatos do morto


Um dia gostava de saber escrever assim

Glória

Um dia se verá que o mundo não viveu um drama.

Todas estas batalhas, todos estes crimes,
todas estas crianças que não chegaram a desdobrar-se em carne viva
e de quem, contudo, fizeram carne viva logo morta,
todos estes poetas furados por balas
e todos os outros poetas abandonados pelos que
nem coragem tiveram de matar um homem,
toda esta mocidade enganada e roubada
e a outra que morreu sabendo que a roubavam,
todo este sangue expressamente coalhado
à face íntegra da terra,
tudo isto é o reverso glorioso do findar dos erros.

Um dia nos libertaremos da morte sem deixar de morrer.

Jorge de Sena
Antologia Poética, Guimarães, p.56

Querer ser precisa

numa básica indecisão entre querer e odiar,
dizias de mil formas como querias ser precisa,
que as pessoas se lembrassem de uma mistura de quadris e cinismo,
do aproveitar as línguas de fora quando passavas a querer destroçar,...

mas anoitece e estás sozinha,
trespassa a lua à procura de conforto


Mia Couto (Simples)

2.6.18

Se nos impõem a guerra

se nos impõem a guerra,
vamos lutar,
se querem das nossas crianças a pele
sem cor de um qualquer sem futuro,
vamos lutar,...

não recuamos quando é um país
a avançar pelo estreito caminho
dos Governos ciclópicos,
de um só olho,
que perifericamente nos querem
afogar  na soda cáustica dos dias,...

se nos impõem o que quer que seja,
vamos lutar,
a revolução é melhor do que
 não ter nada para rir,
nada para comer e sem ter água
 para fazer de sangue quando,
envelhecidos,
já só dançamos sozinhos
à espera que a morte chegue,...

se nos impõem a guerra,
vamos sentar-nos com ar de maus
à porta de casa,
e correr com eles à espadeirada





Tirado daqui

Hic, hic

Was ist das!!!!


23 anos órfão de ti



O propósito do fim

...e a foz de todos os rios nos recortes da tua despedida,
solitariamente está escrito na espuma da água um nome,
o nome que já não conheço em cada poro,
que incendiavas numa pele que era áspera quando a percorreste,
pela primeira vez,...

afiança-me o líquido endurecido daquele mundo,
que voltarás,
talvez,
um dia que o mundo beije a sua perdição,...

não acredito que o fim tenha um propósito

1.6.18

Segunda de junho


Não és daqui

não és daqui,
o sol não te marca o limite
de um sonho como às outras pessoas,
resolves o choro com a força invertida da terra,
para depois caminhares sem destino com a bênção dos rios sem água,...

imagino-te de um sítio em que as flores estão mortas,
e não há marcas das casas sem pessoas lá dentro no chão,
só há resoluções para a vida sem autor,
partes de um plano sem conclusão a darem sombra,
como as árvores,...

se não és daqui,
Bem Vindo,...

fazes falta à porção menos gasta da felicidade que por aqui há


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