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segunda-feira, 21 de novembro de 2022

...uma lua que se despe

 


voltei para te dizer,
que a água pesa mais
que um lamento,
e não há razão para
que dos desejos das pedras,
se percam tantas e tão poucas
vontades de beleza,....

o porquê de construir,
da destruição assumida
como evolução,
é o que me traz penalizado,
sofrível,
de regresso à luz
uma lua que se despe

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

História de uma servidora

- O senhor engenheiro gosta dos fatos com goma nas golas da camisa, e as calças bem vincadas,..
Ouviu anos a fio a mesma recomendação. Era dada por um homem de meia idade, com uma apresentação desalinhadamente aprumado. Cabelo rapado, com a cabeça repleta de pequenos pontos pretos que, de tão minúsculos, davam ideia de que o homem tinha um formigueiro que se renovava a todas as semanas. O colarinho tão apertado, que deixava quase dois outros homens saltarem para fora, e deixavam-nos bastante encarniçados....


sábado, 18 de agosto de 2018

Antever

...e era dizendo o restante dos murmúrios de morte,
que estava escrito naquela rua onde nunca tinha passado,
o som mudo dos ribeiros,...

...obrigado repetido por entre pedra solta nas bocas dos operários,
dizendo a fome na boca dos filhos que,
se quisessem ter,
abraçariam para depois abdicar na roupa rota e andrajosa da miséria


sexta-feira, 15 de junho de 2018

Manifesta mente

capitalista de pés gastos sonhado,
como avenida sem luzes dos fins de,
meses sem salários,
rés pobre,
falso preceito,...

e no fim de um dia aos gritos sem voz,
o voltar para casa a pensar que aos bochechos,
se enche uma cozinha de ar com o que se traz da rua,
partido em nada 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Fome

Não me disseste da manhã,
As mães que saem para o trabalho nem viram a fome,
Os filhos obrigados a remexer na terra sentem a fome,
E sabendo do neo-realista desejo do sonho,
Esperei pela madrugada para te perguntar pela água,...

Seguiste em silêncio virada para dentro

quarta-feira, 4 de abril de 2018

do lúgubre de um povo,
as mulheres que arregaçam os ventres ao vento das cearas,
Os meninos homens dos dias azuis,
como azuis são as noites que choram fome por satisfazer,...

Éramos neo-realistas os que víamos este quadro adormecido,
Pintado com cor de sangue,
Desmaiado de todos os sangues que,
No anonimato,
Embalam qualquer coisa escura de calor nas frases