domingo, 31 de maio de 2026

Já não sou inquirição,....

 Agradeço que me pintem,

Um corpo devastado,

Extremidades cor de sangue,

Uma conversa de morte,

Acicatada pela nudez dos finais de manhã,....


A inocência serve me a água,

A lassidão de uma noite cálida,

Convidativa,

Escrita a presente,

E de um passado jocoso,

De tantas idades,

E ao mesmo tempo ainda por nascer,....


E agora espero,....

(Próxima madrugada)

Já não sou inquirição,

Pergunta por fazer,

Mão levantada à espera de minutos por colorir,....

Sou agora o que tem de se impor,

E ler o que tendo de ler,

Se vai vestir de nova vida 

De. Johan Jakob Walther
                                                                              Tirado daqui

sábado, 30 de maio de 2026

Quando e como,...

 E a minha mao,

A gravidade conduziu a,

Tinha um corpo,

O teu,

Que em silêncio amedrontado,

Me conduziu,....


E havia uma prosa,

Um conto de ausência de palavras,

E entendimento desapegado, 

Escrito algures,

Que te contei,

Olhar com olhar,...


Quando e como,

Te ouvisses a ser minha

Nasir A. Aziz Eleyan
Mãe palestiniana
2007

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Dos sem nome,...

 Acho que só estamos aqui porque o tempo acabou,

Ela dava aulas com a sinceridade de fora dos bolsos,

E patente no sorriso,....


Descrevia o círculo semi cerrado capaz de provar,

Que o tempo não ia realmente regressar,...


E a vontade desiludida das pessoas seria a perdição,

Dos sem nome,

Sem idade,

E sem vontade de se definirem num ou dois versos,....


Para ela,

Só a filigrana do infinito do espaço,

Era sebenta a partir de agora 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Estás bem?...


                                                                             Tirado daqui

As vezes que te olhamos e pensamos,
Terra sem nome,
Estás bem?,...

Pareces numa esquina de rua,
Onde o mundo se inclina,
E a verdade se agasalha porque o armagedao ja passeia ao sol,.. .

Fazes que reflitamos nos autores sem nome,
Nos pratos vários para quem nada tem,
E espreita por uma janela imperfeita,
À procura de aves que contem novidades em línguas mortas,...

E mesmo assim olhamos te,
Porque são o que faltar para o fim da tarde,
E a salsugem das palavras por dizer,
Agarra se à roupa,
Aos passos,
Ao tiquetaque de um 
gato que nos olha 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Uma vírgula,....

 Por tudo aquilo que deixou de caber numa folha impura,

A chegada do Inverno,

O toque da primeira virtude,

De posição por definir no corpo da mulher que se perde na bruma,....


Uma vírgula,

Pontos que finalizem um choro sem tempo,

E de tez escurecida,....


Esperando por outro capítulo,

De todas as coisas ao litoral,

Com a brisa de um final de verão,

A anunciar a ajuda de quando ler ainda for sabido

terça-feira, 26 de maio de 2026

Ser uma ilha

 a verdade meu amor,

 a verdade é uma ramagem
 de árvore, 
que balouça sem 
destino,...

na música sem tom
 do vento forte, 
a verdade veste-se 
de branco, 
e tem a idade que
 lhe damos, 
não a que grita inocentemente
 ter,…. 

A verdade é um passo, 
dado atrás do outro, 
e que procura a marca
 profunda na terra molhada,…

 é, 
talvez ainda,
 um choro brevíssimo
 da criança sozinha, 
que se acumula 
na terra que lhe trava 
o regresso ao tempo real

                                                                              Tirado daqui

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Faz parcelas de problemas,..

 Voto,

É me dito continua a trabalhar,

Faz das fraquezas forças,

Diz que não ha cores debaixo do horizonte,

Nem se dorme com um monte de nada,....


Faz parcelas de problemas,

Deixa de fora os ditados gastos,

Lugares comuns irregulares e previsíveis,

E grita,...


Tudo a plenos pulmões,

Como se o medo ja não fosse amanhã depois de cada pausa,

E para ti,

Se confirmasse o silêncio,

De gritos de peito vazio

                                                                                      Tirado daqui

domingo, 24 de maio de 2026

...o padrão das roupas

 Porque lhe tinham fixado o padrão das roupas. Assim o parecia, pelo menos. Repetia se, quase sempre com a mesma geometria regular. Quadrados de cores escuras, sobrepostos, espalhados em fundos brancos. Eram vestidos alegres, reveladores de silhueta, com os braços bem visíveis, a rasgar o vento. Uma figura aue se enfiava pelos olhos de quem a queria ver, e cabelo. Cabelo farto, escuro, em cachos soltos e que se enamoravam do vento que marcava histórias, descobertas e esquinas naquela terra. Tinha se habituado a ser só mais uma, apesar de reconhecer a dificuldade desse desígnio. E passeava. Imiscuia se propositadamente na ordem natural das coisas, pedindo licença ao passado para se tornar uma exclamação ruidosa do presente. Recordo me ainda quando e porque a trouxe para esta história. Apareceu me num sonho. Sei que não existe, que pode ter todos os sonhos do mundo, e ser o grito preso no peito de quem a aceite como é, e não como querem que ela seja. E não há muito mais a perorar sobre quem realmente não existe no mundo do palpável 

                                                                                      Tirado daqui

sábado, 23 de maio de 2026

A virtude de um final de romance,...

 O dia fechava-se como o último ato de uma produção teatral.  Havia o sol, que descendia no horizonte como um dedal no dedo disforme de uma mulher sem idade. Havia sangue, pequenos fios que envolviam a fina linha que separa o que alcancamos, do que nunca experimentámos.  Duas ou mais noções de tranquilidade estendidas, como naprons despreocupadamente tricotados por mãos anónimas, em cima da mesa irregular de nenhures onde esta história escolheu acontecer.  Um episódio literário sem potencialidades.  A virtude de um final de romance mais acentuado. E o desejo de se escrever, mesmo que não se saiba.  Tudo muito confuso para se continuar

                                                                                   Tirado daqui

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Os sorrisos não chegaram,....

 Tenho a esperança que um dia voltes,

Não sou pessoa de deixar escrito o resto de um dia,

Com o caderno fechado,

E a noite a chegar com desculpas,

Dizendo não ter passado,

E só recordações com crianças desaparecidas,....


Os sorrisos não chegaram,

Para que os equívocos que foram nossos se extinguissem,

E achasses um fogo para guardar no peito,

E assim te sentisses presa a mim,...


Não serve o resto de um prato de comida,

As provas de que a vida pode ser mais que uma chama de tristeza,...


Só te poderás servir,

E a mim como continuação 

                                                                          Tirado daqui

quinta-feira, 21 de maio de 2026

De novo abraço,...

Portanto abraço,
Sinto que o peito se abre,
É de noite num quarto 
qualquer sem lua,,...

Abraço sem pessoas,
Como poema 
sem sentido,
Pessoas desordenadas,
Exército de fantasmas 
sem explicação,...

E pelo menos ao alvor,
Quando a palavra perde o valor que se espera,....

De novo abraço,
As verdades estendidas 
agora ao luar

quarta-feira, 20 de maio de 2026

...atalho escondido

 mandam-me ser infeliz,

 que atire dados

ao rio,

sendo o filósofo

estagnado,

que caminha para

a morte pelo atalho escondido,....


manda-me ter tino

no que digo,

ofender só a mim mesmo,

com um silêncio

imprevisível,

como nota de rodapé

de ensaio sobre o riso,...


mandam-me e

obedeço,

tipo parafernália

ambiciosa de droga,

responsável por mortes

de anónimos


                                                                               Tirado daqui

terça-feira, 19 de maio de 2026

Dos dias imprecisos,..

 lembrar como ele falava,

o tal das palmas coloridas,

que dizia perefiro,

para ferir,

e razuar,

para elogiar,

e dava os nós

dos dedos como presente aos outros,...


recordá-lo quando partiu,

e ainda se fala do que lia,

das voltas afundadas

ao específico dos livros,

que sabia elogiar,....


lembrá-lo de

cima abaixo,

e talvez poetar

em volta dos seus pés,

cravados ainda

na lama persistente,

dos dias imprecisos

                                                                         Tirado daqui

segunda-feira, 18 de maio de 2026

O verbo,...

 há palavras escuras

 dentro de nós,

o verbo,

a solução

para a morte,…


um sorriso oculto

em sapatos gastos,

pés ensaguentados,....


a viver como a parecer,

debitar a ausência

de cor,

um gemido,

uma profissão de fé,.....


palavras escuras,

como a presença do eu,

na mentira

Guatemala
Foto de :Mary Asperlag

domingo, 17 de maio de 2026

Campo florido

 ela esqueceu-se do campo florido. Ao amanhecer, em cada despontar de dia, permitia apenas que a sua cabeça fosse invadida por escuro. De diferentes dias. O escuro do caminhar. A ausência de luz da solidão. Dois dedos apenas longe da morte, e o que isso tolda a compreensão do real. Houve, lá atrás, quando o sorriso era um companheiro de dia, e de chamada do descanso, um campo extenso. Pejado de vários tipos de flores, e com cores que a amparavam em todos os momentos. Pediu-lhe, o que a observava e segurava na mão, que lhe descrevesse o que tinha sido. Queria que voltasse a ser. Antes que a memória se apagasse, no que o sempre tem de assustador. 

                                                                            Tirado daqui

sábado, 16 de maio de 2026

Cor de nada,..

 A vontade de fazer doer,

Da dor permanecer intacta,

Cor de nada,

Sentada na loucura,....


E quando for amanhã,

Que ela se levante,

Traga o dia para dentro da noite,

E se torne habitual,

Carne de peitos abertos,

Decisão aberta e vontade de lamento,....


Uma dor literal,

Cada vez menos encarnada,

Profunda e acentuada,

Como a que os livros tratam por personagem secundária 

                                                                                Tirado daqui

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Admito o

 A perfeição,

A inocência de um animal desligado do tempo e do espaço,

Pessoas irrelevantes a passar pelos rebordos do meu esquecimento,

Atormentadas,

Todas indefesas como bromo,

E de sangue desenhado na roupa de todos os dias,....


Uma perfeição estranha,

Admito-o,

Constará talvez de um capítulo de livro sem título,

Com personagens desnecessárias e anónimas 

                                                                                 Tirado daqui

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Roupas ínvias

 acho que só estamos os mesmos

das tardes de nevoeiro,

que querem recuperar um

sorriso amedrontado,

mas sem que se apercebam

de que valemos pouco,....


que usamos

roupas ínvias,

com inscrições torpes,

e sem significado,....


a morar longe do

coração a pulsar,

seremos fracos,...


não há previsão

para que mude,

e as desculpas

decerto prosseguirão

De: Michael A. Davenport
3090 graus fahrenheit
Pintura a óleo
                                                                          Tirado daqui

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Não tenho a certeza,....

 Quanto a mim,

não tenho a certeza,

a carga da caneta tem

ainda alguma tinta,

não há hipótese de vitória,

nem de derrota,…


A porta mantém-se entreaberta,

com um cheiro de vida defumada,

que gradualmente se agarra às paredes,…

Irei proibir notificações bruscas

que terminem,

com o previsível deste

capítulo

                                                                            Tirado daqui

terça-feira, 12 de maio de 2026

Daqueles sem passado,...

 Era um grito tamanho,

Uma coisa quase com pernas e braços,

Capaz de ter passado

 e cor de olhos,

E até roupa,

 para assustar ainda mais,....


Ouvia se com claridade 

pelas ruas a fora,

Acordava as pessoas

 de sonos vigilantes,

E deixava as com um susto difícil de definir,

Daqueles sem passado,

e com um presente de poesia assustadora feito,....


E no meu livro,

Por entre anotações sem sentido,

E rabiscos da minha infância feliz,

Ele passou a ter cor,

E quase um nome que

 o identificasse

De. Rosa Gauditano e Millie Lacombe
                                                                                 Tirado daqui

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Pertenço ao etéreo, ...

 Haverá de ser amanhã quando o silêncio nos proteger,

E deixar para trás um esquadro de hesitações,

Feito reta na vontade de sair para o passado,...


Eu não sou de ninguém,

Nem da matemática dos desejos,

Nem que me arrastem para a vontade de permanecer folha branca,...


Pertenço ao etéreo,

Ao que não tem propriedade,...


E assim permanecerei quando a folha branca voltar,

E o pronome abrasivo perder a força que um beijo,

Lhe dá 

                                                                               Tirado daqui

domingo, 10 de maio de 2026

E eu confiei,...

 Disseram me para nunca parar de criar,

Mesmo que erre,...


Que seja sexta feira de manhã,

E a minha alma pese o mesmo que um copo de água,....


Criar era especifico de um momento,

De nunca dizer adeus,

Em cima de um monte de roupa gasta e vetusta,...


E eu confiei,

A princípio,

Mais atabalhoado que um reflexo inseguro num espelho,...


Mas depois era eu nas vírgulas,

Nos olhos límpidos das meninas que sonhavam,....


Em títulos até que saíam espontâneos,

Um pouco desanimados,

Mas diferentes de todos quantos ainda me cabiam no peito envelhecido 

                                                                                     Tirado daqui

sábado, 9 de maio de 2026

Sou o que envelheci,...

 As minhas estrelas,

A derrota que se supos ser minha,...


Todas as verdades desgraçadas,

Sem idade,

Que perecem à intempérie,

Enquanto anoitece nos lados B da minha loucura,

Pedem sobras de prados verdejantes,...


O que fui noutro tempo insonorizado,

A beleza de um sorriso reconhecido,

Dizeres me tanta madrugada experimental,

Em cada gemido,

Por cada orgasmo que atiravas para morrer à chuva,

Já não conta como pragmatismo,...


Eu sou o total incompleto de falhanços reconhecidos,

Sou o que envelheci,

Sou para não mais voltar ao calor do choro perdido

Nasir A. Aziz Eleyan Breakfast 1976
                                                                         Tirado daqui

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Tosco e ataviado,


Em dias assim de chuva,
De cerveja derramada,
Com o coração em cima da mesa a perder sangue,
Ao ritmo em que o céu se esvazia,....

 Não se entendem silêncios que surgem,
Palavras ocas e razões vãs para desanimar,
E discutir,....

Só a precisão inclinada de um toque,
Pensar que se tem a verdade escondida no bolso,
E assim se poder acabar tudo,
Ficar apenas com um desenho,
Tosco e ataviado,
De um coração que bate 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Ele sentia não servir para nada, ..

 Talvez por ser ansioso,

Uma ansiedade endémica,

Das que rasga as carnes e tolhe respirações,....


Talvez por nunca saber onde pôr as mãos,

Ter a auto defesa inutilizada com raios de sol matinais,

E até perder o controlo,

 com uma ou duas porções de quaisquer belezas femininas,...


Ele sentia não servir pra nada,

E escrevia na pele gasta por um clima inconstante,

Escrevia a notícia da contradição revoltada de ser humano

quarta-feira, 6 de maio de 2026

E por isso agarrar, ..

 Estas mãos recusam a provavel lonjura,

Saber que nunca é nunca, 

E a insistência no presente,

Trará o futuro desordenado,....


Não é de hoje a indecisão,

As loucuras reais com o desejo,

Os corpos insuficientes para tanto lastro de tempo,....


E por isso agarrar,

Persistir no momento,

Fazendo com que ele persista,

Sem cor mas imune a tudo

De: Mirrorpalais

terça-feira, 5 de maio de 2026

Um mar sozinho,...

 Até aqui tudo bem,

Um homem delicado com a sombra,

Gravada na pedra,...


Um mar sozinho,

Que só arrulha,

Sem mais talentos,....


E muito tempo,

Para desperdiçar,

Relativizar,

Tudo escrito com nada e letras de sol,...


Não mais será necessário para que se continue uma história,

Sem ilusão,

Final definido,

E o acaso a tomar conta do esculpir de personagens ideólogos,

E inofensivos 

Atriz Maria Lani
Man Ray
1930

segunda-feira, 4 de maio de 2026

A dor pendia,...

 Ao acordar,

A dor pendia,

Partida,

Como um vidro absurdo do coração dos desajustados,....


Era a primeira vez do silêncio,

A primeira vez com o amor que era conhecido,

E a desilusão esperada e novelada das dores humanas,....


E quando ambos se afastaram,

O dia não era mais o verbo naquele mundo,....


Sobravam momentos de uma noite de poder,

Que já era a voz de

 ambos ao amanhecer 

Woman reading by candlelight
De: Peter Ilsted

domingo, 3 de maio de 2026

Ao invés voltou a casa,...

 Tinha a roupa gasta,

Com um odor a sítios fechados,

De difícil localização,....


Seria o suficiente para se desculpar,

Olhar em volta e pensar que o julgavam,

Que até o som sibilante do vento a roçar nas copas das árvores,

Seria uma crítica tosca ao seu desligamento,....


Mas não se deixou afetar,

Ao invés voltou a casa,

Fechou a porta e aninhou se,

Em forma de ovo,

Na cama velha mas intemporal,

Onde as suas noites se lesavam a si próprias 

One sings,the other doesn't
De: Agnes Varda (1977)

sábado, 2 de maio de 2026

A vida ao murro,...

 A vida,

A vida ao murro,

Dois despotas fechados em casa,

A pensar na erva curta,

Nos pontapés em cada um quando ruminavam ideias,....


E a maré ja subiu,

Há barcos acomodados no horizonte,

E os despotas têm medo,

Um medo tão ameaçador,

Capaz de lhes esventrar o ódio,

E fazer regressar aquela companheira de sono,

A total e completa paralisia,...


E a vida não pára,

De andar ao murro 

De: Yellowjackets

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Maiando a 3 de setembro de 2025

 O animal ressuscitado de uma morte estival,

O livro incompleto,
A jornada de trabalho insuportável,
Reduzida a um folheto político,...

Lamentar o que se falhou,
O calor que ainda se arrasta pelas calçadas gastas,
E a prova inocente de loucura,
Pendida da presilha de um relógio,
Que dá as horas por gritos desesperados de inocência