quinta-feira, 21 de maio de 2026
De novo abraço,...
quarta-feira, 20 de maio de 2026
...atalho escondido
mandam-me ser infeliz,
que atire dados
ao rio,
sendo o filósofo
estagnado,
que caminha para
a morte pelo atalho escondido,....
manda-me ter tino
no que digo,
ofender só a mim mesmo,
com um silêncio
imprevisível,
como nota de rodapé
de ensaio sobre o riso,...
mandam-me e
obedeço,
tipo parafernália
ambiciosa de droga,
responsável por mortes
de anónimos
terça-feira, 19 de maio de 2026
Dos dias imprecisos,..
lembrar como ele falava,
o tal das palmas coloridas,
que dizia perefiro,
para ferir,
e razuar,
para elogiar,
e dava os nós
dos dedos como presente aos outros,...
recordá-lo quando partiu,
e ainda se fala do que lia,
das voltas afundadas
ao específico dos livros,
que sabia elogiar,....
lembrá-lo de
cima abaixo,
e talvez poetar
em volta dos seus pés,
cravados ainda
na lama persistente,
dos dias imprecisos
Tirado daquisegunda-feira, 18 de maio de 2026
O verbo,...
há palavras escuras
dentro de nós,
o verbo,
a solução
para a morte,…
um sorriso oculto
em sapatos gastos,
pés ensaguentados,....
a viver como a parecer,
debitar a ausência
de cor,
um gemido,
uma profissão de fé,.....
palavras escuras,
como a presença do eu,
na mentira
domingo, 17 de maio de 2026
Campo florido
ela esqueceu-se do campo florido. Ao amanhecer, em cada despontar de dia, permitia apenas que a sua cabeça fosse invadida por escuro. De diferentes dias. O escuro do caminhar. A ausência de luz da solidão. Dois dedos apenas longe da morte, e o que isso tolda a compreensão do real. Houve, lá atrás, quando o sorriso era um companheiro de dia, e de chamada do descanso, um campo extenso. Pejado de vários tipos de flores, e com cores que a amparavam em todos os momentos. Pediu-lhe, o que a observava e segurava na mão, que lhe descrevesse o que tinha sido. Queria que voltasse a ser. Antes que a memória se apagasse, no que o sempre tem de assustador.
Tirado daquisábado, 16 de maio de 2026
Cor de nada,..
A vontade de fazer doer,
Da dor permanecer intacta,
Cor de nada,
Sentada na loucura,....
E quando for amanhã,
Que ela se levante,
Traga o dia para dentro da noite,
E se torne habitual,
Carne de peitos abertos,
Decisão aberta e vontade de lamento,....
Uma dor literal,
Cada vez menos encarnada,
Profunda e acentuada,
Como a que os livros tratam por personagem secundária
Tirado daquisexta-feira, 15 de maio de 2026
Admito o
A perfeição,
A inocência de um animal desligado do tempo e do espaço,
Pessoas irrelevantes a passar pelos rebordos do meu esquecimento,
Atormentadas,
Todas indefesas como bromo,
E de sangue desenhado na roupa de todos os dias,....
Uma perfeição estranha,
Admito-o,
Constará talvez de um capítulo de livro sem título,
Com personagens desnecessárias e anónimas
Tirado daquiquinta-feira, 14 de maio de 2026
Roupas ínvias
acho que só estamos os mesmos
das tardes de nevoeiro,
que querem recuperar um
sorriso amedrontado,
mas sem que se apercebam
de que valemos pouco,....
que usamos
roupas ínvias,
com inscrições torpes,
e sem significado,....
a morar longe do
coração a pulsar,
seremos fracos,...
não há previsão
para que mude,
e as desculpas
decerto prosseguirão
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| De: Michael A. Davenport 3090 graus fahrenheit Pintura a óleo |
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Não tenho a certeza,....
Quanto a mim,
não tenho a certeza,
a carga da caneta tem
ainda alguma tinta,
não há hipótese de vitória,
nem de derrota,…
A porta mantém-se entreaberta,
com um cheiro de vida defumada,
que gradualmente se agarra às paredes,…
Irei proibir notificações bruscas
que terminem,
com o previsível deste
capítulo
Tirado daquiterça-feira, 12 de maio de 2026
Daqueles sem passado,...
Era um grito tamanho,
Uma coisa quase com pernas e braços,
Capaz de ter passado
e cor de olhos,
E até roupa,
para assustar ainda mais,....
Ouvia se com claridade
pelas ruas a fora,
Acordava as pessoas
de sonos vigilantes,
E deixava as com um susto difícil de definir,
Daqueles sem passado,
e com um presente de poesia assustadora feito,....
E no meu livro,
Por entre anotações sem sentido,
E rabiscos da minha infância feliz,
Ele passou a ter cor,
E quase um nome que
o identificasse
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| De. Rosa Gauditano e Millie Lacombe |
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Pertenço ao etéreo, ...
Haverá de ser amanhã quando o silêncio nos proteger,
E deixar para trás um esquadro de hesitações,
Feito reta na vontade de sair para o passado,...
Eu não sou de ninguém,
Nem da matemática dos desejos,
Nem que me arrastem para a vontade de permanecer folha branca,...
Pertenço ao etéreo,
Ao que não tem propriedade,...
E assim permanecerei quando a folha branca voltar,
E o pronome abrasivo perder a força que um beijo,
Lhe dá
Tirado daquidomingo, 10 de maio de 2026
E eu confiei,...
Disseram me para nunca parar de criar,
Mesmo que erre,...
Que seja sexta feira de manhã,
E a minha alma pese o mesmo que um copo de água,....
Criar era especifico de um momento,
De nunca dizer adeus,
Em cima de um monte de roupa gasta e vetusta,...
E eu confiei,
A princípio,
Mais atabalhoado que um reflexo inseguro num espelho,...
Mas depois era eu nas vírgulas,
Nos olhos límpidos das meninas que sonhavam,....
Em títulos até que saíam espontâneos,
Um pouco desanimados,
Mas diferentes de todos quantos ainda me cabiam no peito envelhecido
Tirado daquisábado, 9 de maio de 2026
Sou o que envelheci,...
As minhas estrelas,
A derrota que se supos ser minha,...
Todas as verdades desgraçadas,
Sem idade,
Que perecem à intempérie,
Enquanto anoitece nos lados B da minha loucura,
Pedem sobras de prados verdejantes,...
O que fui noutro tempo insonorizado,
A beleza de um sorriso reconhecido,
Dizeres me tanta madrugada experimental,
Em cada gemido,
Por cada orgasmo que atiravas para morrer à chuva,
Já não conta como pragmatismo,...
Eu sou o total incompleto de falhanços reconhecidos,
Sou o que envelheci,
Sou para não mais voltar ao calor do choro perdido
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| Nasir A. Aziz Eleyan Breakfast 1976 |
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Tosco e ataviado,
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Ele sentia não servir para nada, ..
Talvez por ser ansioso,
Uma ansiedade endémica,
Das que rasga as carnes e tolhe respirações,....
Talvez por nunca saber onde pôr as mãos,
Ter a auto defesa inutilizada com raios de sol matinais,
E até perder o controlo,
com uma ou duas porções de quaisquer belezas femininas,...
Ele sentia não servir pra nada,
E escrevia na pele gasta por um clima inconstante,
Escrevia a notícia da contradição revoltada de ser humano
quarta-feira, 6 de maio de 2026
E por isso agarrar, ..
Estas mãos recusam a provavel lonjura,
Saber que nunca é nunca,
E a insistência no presente,
Trará o futuro desordenado,....
Não é de hoje a indecisão,
As loucuras reais com o desejo,
Os corpos insuficientes para tanto lastro de tempo,....
E por isso agarrar,
Persistir no momento,
Fazendo com que ele persista,
Sem cor mas imune a tudo
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| De: Mirrorpalais |
terça-feira, 5 de maio de 2026
Um mar sozinho,...
Até aqui tudo bem,
Um homem delicado com a sombra,
Gravada na pedra,...
Um mar sozinho,
Que só arrulha,
Sem mais talentos,....
E muito tempo,
Para desperdiçar,
Relativizar,
Tudo escrito com nada e letras de sol,...
Não mais será necessário para que se continue uma história,
Sem ilusão,
Final definido,
E o acaso a tomar conta do esculpir de personagens ideólogos,
E inofensivos
| Atriz Maria Lani Man Ray 1930 |
segunda-feira, 4 de maio de 2026
A dor pendia,...
Ao acordar,
A dor pendia,
Partida,
Como um vidro absurdo do coração dos desajustados,....
Era a primeira vez do silêncio,
A primeira vez com o amor que era conhecido,
E a desilusão esperada e novelada das dores humanas,....
E quando ambos se afastaram,
O dia não era mais o verbo naquele mundo,....
Sobravam momentos de uma noite de poder,
Que já era a voz de
ambos ao amanhecer
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| Woman reading by candlelight De: Peter Ilsted |
domingo, 3 de maio de 2026
Ao invés voltou a casa,...
Tinha a roupa gasta,
Com um odor a sítios fechados,
De difícil localização,....
Seria o suficiente para se desculpar,
Olhar em volta e pensar que o julgavam,
Que até o som sibilante do vento a roçar nas copas das árvores,
Seria uma crítica tosca ao seu desligamento,....
Mas não se deixou afetar,
Ao invés voltou a casa,
Fechou a porta e aninhou se,
Em forma de ovo,
Na cama velha mas intemporal,
Onde as suas noites se lesavam a si próprias
| One sings,the other doesn't De: Agnes Varda (1977) |
sábado, 2 de maio de 2026
A vida ao murro,...
A vida,
A vida ao murro,
Dois despotas fechados em casa,
A pensar na erva curta,
Nos pontapés em cada um quando ruminavam ideias,....
E a maré ja subiu,
Há barcos acomodados no horizonte,
E os despotas têm medo,
Um medo tão ameaçador,
Capaz de lhes esventrar o ódio,
E fazer regressar aquela companheira de sono,
A total e completa paralisia,...
E a vida não pára,
De andar ao murro
| De: Yellowjackets |
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Maiando a 3 de setembro de 2025
O animal ressuscitado de uma morte estival,
O livro incompleto,A jornada de trabalho insuportável,
Reduzida a um folheto político,...
Lamentar o que se falhou,
O calor que ainda se arrasta pelas calçadas gastas,
E a prova inocente de loucura,
Pendida da presilha de um relógio,
Que dá as horas por gritos desesperados de inocência













