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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Pertenço ao etéreo, ...

 Haverá de ser amanhã quando o silêncio nos proteger,

E deixar para trás um esquadro de hesitações,

Feito reta na vontade de sair para o passado,...


Eu não sou de ninguém,

Nem da matemática dos desejos,

Nem que me arrastem para a vontade de permanecer folha branca,...


Pertenço ao etéreo,

Ao que não tem propriedade,...


E assim permanecerei quando a folha branca voltar,

E o pronome abrasivo perder a força que um beijo,

Lhe dá 

                                                                               Tirado daqui

quinta-feira, 17 de julho de 2025

O quarto é pequeno


                                                                     Tirado daqui

O quarto é pequeno. A cama cabe à justa. Há espaço só para uma pequena caixa de vime, com um napron de renda, e um pequeno banco de madeira velha, que serve para pousar roupa, meias, e pouco mais. Ah, mas existe música. Um cilindro metálico esverdeado, velho e ronfenho, debita sons aleatórios e que trazem alguma normalidade aquele espaço. É Verão. Os dias significam muito mais que as noites, e um estranho ser corpóreo, que exala um odor de sensualidade difícil de explicar, caminha entre as pessoas, dando-lhes uma complicada noção de liberdade. Mas ao mesmo tempo muito agradável de se sentir, que as solta e fa-las caminhar como projetos de amor com ideias próprias. No meio disto, a razão para no corpo dela. Nas suas escolhas. Este autor esmera se a escrever sobre mulheres. Mas a precisa razão de ser dela, torna esta história necessária...

quinta-feira, 13 de março de 2025

O sonho anuncia-se a cada segundo,...

                            Tirado daqui

Escolho um nome,
As pedras não me pesam já que escolho,
Se calhar para sempre,
A capa imóvel do anonimato,....

Desço as escadas de mármore,
E o templo dos novos dias adormece aos meus pés,
No ressoar constante do mesmo rio de cada suspiro,....

O sonho anuncia-se a cada segundo,
Vejo-me adormecido suavemente,
Com uma linha ténue a desembalar-me do real,....

E esta é uma verdade anulada,
Já que me arrasto por entre quem não me vê,
E isso não entristece,....

Ao invés,
De peito cheio sigo chuva dentro 
 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Poemas acabados de libertar

 acabei de ver poemas
a saltar e correr,
desabridos como o vento,
tinham um campo florido para percorrer,....

uma brisa leve,
final de primavera,
e letras que deixavam rasto
vincado,
como que o poema não falasse
por si,
mas sim pela altura
do ano em que ganhou a liberdade

                                                       Tirado daqui

quarta-feira, 13 de março de 2024

Insinuante e erótico

 Finalmente o medo,

De todas as saídas possíveis,

Prefiro as formas desconhecidas,

O peso inocente e reconhecido da falta de virtude,...


O medo que chega sempre desacompanhado,

De roupas soltas,

Lábios deformados,

Insinuante e erótico nos atos,...


Por isso até o tolero,

Sentado imóvel à mercê do vento que,

Anuncia o inverno,

Permito que ele venha para ficar

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Pombas e flores

 


Fiz uma coisa à tua porta,

Mostrei as mãos às pessoas,

Fiz pombas e flores,

Contorci-me desesperado por atenção,

E sentia o tempo passar como rio,

Por entre as minhas e as pernas soltas dos outros,   


Sabia que lá de cima observavas,

Com um medo tranquilo,

E te roubava risos de carinho,...


Fiz e voltava a fazer,

Até que subamos aos céus despreocupados,

E juntos

sábado, 10 de outubro de 2020

Chama-se ver mais à frente

 As boas maneiras estragaram o cenário,

Ela queria atraso no período menstrual,

Que fizessem pouco do seu lado incauto,

No fundo adiantar-se à concorrência,

Especificando favores,

Deixando recados aos interessados,

E sobretudo que lhe pedissem o favor de ser inocente,...


Só o saberia com aquele truque dos lábios,

Humedecidos o suficiente até parecerem início de primavera,

E depois desfolharem num dia quente de meados de Maio,

Ásperos para acolher masculinidades,

Sem deixar ressentimentos,... 


Entretanto era hora de voltar a escrever bonito,

E regressar aos caracóis dos dias que se contam a si próprios 



quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Homem a ver a última tentação de Cristo

 Imploro-te que me vejas como sou,

Eles não merecem a formação lateral de um desespero,

Nem tão pouco que se grite aos  ventos, 

pela mudança que nunca vai chegar,... 


Que me sacrifiques pelo que eles nunca serão,

E onde quiseres subirei,

Resvalado no que só eu vejo para eles,...


Não mais a afonia da distância que fica por explicar,

Nem toda esta criação literária sem cheiro,

Leva-me,

Eu sou só a reconsideracao de todos estes defeitos 

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Republicando o ser

 Meticuloso sempre,

Desviando o polegar com que tapas a confissão,

Se calhar surge a voz,

O que arranhado não me farta na solidão,...


Reparei que aí descreves o que já pesámos,

Que surgiu sem a marcenaria de um sorriso,

E com todos a descrever os finais que anseiam,...


Sim,

Por meticuloso me tomo,

Espero que agora entendas 



quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Tratado poético intemporal

 O que é isso de se escrever boa poesia,

Responde-me com o traço escandalosamente irregular que tens,

Mostra-me o sol,

A irremediável perdição dos desejos estragados,... 


Revela-me o possível,

Porque a poesia,

Pelo menos a boa,

Eu já a guardo no bolso quando saio à rua,

Para ver as caras tristes de pessoas,

Que se transfiguram em frutos do mar,

E por ele abaixo vão,

Até serem reabsorvidas pelo núcleo da terra, ...


Para mim boa poesia,

Possivelmente,

Vende-se ao quilo,

No mercado dos vulgares,

E leva-se para casa,

Como que para adiar a morte mais algum tempo 

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Sem desejo

 Aprofundada,

Sem desejo por aquilo que a carne consegue,

E o desejo deixou de saber escrever,... 


Afiançava uma perdição,

O poder do beijo descomprometido,

Do sexo que se insinua naqueles restolhos de chuva de fim de verão,...


Tudo prometia,

Anotava luz na expectável morosidade do desejo tosco,

E que ela soubesse encarar,...


Mas recusava compaixão,

Haveria de o ter, 

Sem que ele soubesse voltar à casa que já foi dos dois 



sábado, 2 de novembro de 2019

Supernova

Do outro lado de um sentimento,
Onde não há vento das dúvidas,
Nem aquele calor que se nos escapou quando já esquecemos,
Parece calmo explicar-te que me doi em tanto sitio que já me conformei,
Valendo-me a decisão de desaprender de radicalizar,
E quanto espero pela supernova de ti



domingo, 26 de agosto de 2018

Medo de um sonhador

a querer cidades,
frases soltas de um rio,
o da aldeia escrito no menor resoluto fim de um discurso,
era o sonhador a quem temiamos,
deixar de ter medo parecia agora fácil com o vento assim agrilhoado,...

estava vestido com nuvens até aos pés,
e na cabeça era com os cabelos cor de douro que cobria as ideias,
as mesmas que perdia pelo chão a cada passo conciliador,...

decidiu chamar sonhador aos restos facilitados de mar que lhe sobraram,
sem nunca entender o medo dos conformados pelo que difundia


terça-feira, 14 de agosto de 2018

Os sonhos não sabem desenhar

Diziam-me dos sonhos que eles não podiam desenhar. Só se sabiam exprimir por gestos limitados, quase como se fossem crianças a aprender a agarrar o mundo quando o mundo ainda nem sequer se apercebeu delas. E escolhi entendê-los, aos sonhos, como sempre percebi as estrelas:
como pequenos picotados que as pessoas que dormem acordadas destacam, e levam para casa para mergulhar em soluções de água com açúcar, fazendo-as florescer em filhos e filhas. Ou por outras palavras, garantes de imortalidade teórica.
Isto já aconteceu há uns anos, esta forma de ver o real. A vida passou por mim quase como se nada disto contasse para nada. Nunca o partilhei com ninguém. Tive filhos a nascer nas cozinhas que fui tendo, quase como botões de rosa que aparecem na primavera já com a educação assegurada, e morrem primeiro que nós sem que nós nos apercebamos de que eles são, na realidade, livros que nós lemos e optamos por deixar a meio para que outros, mais tarde, encontrem a maneira segura de se sentirem felizes com os finais incertos que dali surgem.
Enquanto escrevo isto sinto o meu corpo a definhar. Durmo pouco, como só o pão de todos os dias que sempre conheci. Leio nada mais que as caras das pessoas, todas as manhãs, quando propositadamente deslizo como o vento por entre tudo só para ver que nunca me enganei nas idiossincrasias empacotadas que me convenceram do fim dos tempos ainda antes que se saiba que ele vai chegar.
Mas de uma coisa continuo convencido: os sonhos não sabem desenhar. Refletir, talvez...


segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Anatomia

parecia estranho que o tecido das coisas fosse de água,
tanto que naquela noite não conheci ninguém feito de nervo,
correr de sangue,
e perspetiva de morte,...

só o equívoco da solidão num pudim de versos vulgares,
sem que dos mesmos pudesse alguma vez haver sentido,
e apenas a perfeição talhada em cruz por conta de cada vida que se tirava a um deprimido,...

sei que comi ene estrelas ao aquecer da madrugada,
sem me sentir menos que a qualquer coisa que o big bang ia deixando deste lado,
sem saber ler




domingo, 22 de julho de 2018

numa estrada escura e sem destino

numa estrada escura e sem destino,
havia duas maneiras de rasgar o céu,
em nenhuma delas se conseguiu trazer de volta as pessoas,
só as árvores ficaram a dançar com esquadria,
arrastadas pelo devaneio sem explicação do vento,...

a cada amanhecer o planeta encolhia sem qualquer sinal de vida racional,
até que tudo terminou num clarão sem cor,
que trouxe de volta as pessoas,
mas já não havia planeta para viver

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Despedi da

sei do vento
despido na manhã
suja dos últimos
dias do adeus,
com a frase
irremediável escrita
no verde de todas
as rotinas,
dei para a
tua última
impressão
do real,...

chamavas todas as
coisas do azul
incompreendido,
balbuciando o amor
como perdido,
e a redução do tempo
para o fim como a
maior indefinição
ainda por beijar,...

passo a passo
industriámos a forma
única de,
Indiscutivelmente,
deixarmos o silêncio
para trás neste
reduto de gritos estridentes,...

para tudo acabar
na demora da
chuva que limpa
a roupa suja de mal

terça-feira, 17 de julho de 2018

Conto de fim de Verão

naquela tarde de verão tudo seguia para o fim que tinha de ser,
havia carne a apodrecer no estertor dos falhados,
osso a osso o conformismo montava a praça no abismo das cores vãs,...

sonhei com os cavalos que caçados pelo tempo,
arredondavam a espera pelo fim andando em roda,
sem fim de coisas aparentes,...

e quando já era o silêncio a fazer de pele das pessoas,
o outono veio a fazer da velha mais velha,
tão velha que a mulher coerência daquele lugar,
remoeu a vontade de ser consciente,
e adormeceu para sempre nos colos dos honestos


segunda-feira, 14 de maio de 2018

Tale of one kingdom

o rei foi visto a nadar para trás,
o povo achou mal e pensou em
acabar com insultos desnorteados,
quando havia pessoas a morrer de fome,
e crianças que não tinham sequer um
livro para pousar os dedos,...

no dia seguinte o sol foi puxado para baixo,
e a lua cosida ao céu para que ao
luar as coisas mudassem,
mas o rei estava colado ao trono,
dizia que era dono dos sonhos das pessoas,
e por isso recusava-se a sair,...

o povo mudou de ideias,
juntou-se no maior terreiro do reino,
e decidiu partir,
achou outro país,
sem rei, sem dono,
sem sol, e sem lua,..

e criou uma coisa chamada poder
das decisões coletivas,
no dia seguinte já havia livros
para as crianças sonharem


sexta-feira, 16 de março de 2018

E restou o verbo

Eram pessoas desnudadas mas que sempre regressavam,
Ao único sítio onde se sentiam bem,
Uma casa sem teto,
Sem janelas,
Com os nomes de todas as decisões mal tomadas da história escritos a vermelho sangue,...

Só lá o tempo parecia fluir como um carreiro de formigas,
Os homens podiam sentar-se com a consciência ao nível do sexo,
Tal como sempre mandou a criação,
E as mulheres contemplavam as nuvens bordadas no céu cinzento,
Que exalava o perfume enganador da morte escondida,...

A criação acabou neste sítio,
O mundo foi engolido pela raiva da sua estrela,
A linha tempo-espaço fundiu-se com a matéria negra do universo,
E restou o verbo,...

Com a promessa vã de nova conjugação