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sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Dispensava-se a poesia

Nenhuma palavra,
Nem sequer o jeito efeminado de qualquer palavra,
Expurgando da comparação a pele acintosa,
Poderia refazer o que estava pensado,
Eram dias de anormalidade perfumada,
Com todo o sentido inovador que isso poderia trazer,. ..

Dispensava-se a poesia neste relato,
Sabendo-se que uma mulher inesperada iria surgir,
Com notícias de partida,
E não muitos afloramentos ao conceito de felicidade,
Diria ter deixado para trás outro livro de memórias,
Algumas estórias por acabar,
E principalmente um polícia de costumes que lhe tinha marcado a pele,
Conforme era visível,...

Tudo estava pronto para que as coisas recomecassem,
Agora com especial cuidado para que esta ficção aguentasse os testes de racionalismo



sábado, 2 de novembro de 2019

Supernova

Do outro lado de um sentimento,
Onde não há vento das dúvidas,
Nem aquele calor que se nos escapou quando já esquecemos,
Parece calmo explicar-te que me doi em tanto sitio que já me conformei,
Valendo-me a decisão de desaprender de radicalizar,
E quanto espero pela supernova de ti



domingo, 16 de junho de 2019

Reza

reza,  rezado,  reza,  preza,  faço o que me pedes,  por isso reza,  preza,  almas mais que comes,  desces enquanto sobes,  reza,  reza,  desconfio de quê,  se nem sombra vejo,  preza,  preza-te,  e ao mesmo tempo que o sono,  reza, ...

 sim,  preza,  e no fim de tudo vens ao meu lado,  reza,  se nada mais te digo,  preza,  preza-te,  e no fim durmo, sem rezar


domingo, 12 de agosto de 2018

Orgulhosamente sem título

as pessoas mudam,
os verbos perdem a pele e
desfazem as proposições,
restando a pedra solta com a
substância de uma encenação,...

fazíamos falta uns aos outros
 se houvesse água nas
esquinas dos advérbios,
como se mormente o amor,
nos puséssemos em quatro
estações de lamentos,
para perceber a raiva
encaixada no silêncio,...

e de mim não levarão
mais que um morango de favor,
e um copo de água de
português mal entendido


terça-feira, 26 de junho de 2018

Equívoco

falava a língua de
tempos embalados,
como carne da que
se compra nos supermercados,
comprimida,..

cheia de nervos,
difícil de cortar à
faca