dezembro 31, 2020

Eulogia para o Inatingível 2020

 não sei como se fazem contas inesperadas,

nem a raíz do meu pensamento

cabe num cálculo,

divirto-me com o incomensurável,

a roupa impressionista que me

impede a morte por lapidação,

tanta coisa que somo,

 sem que subtrair seja uma hipótese,...


racionalmente,

tudo se faz à míngua de perceção na minha cabeça,

a fronte lateja,

a dor vem e vai,

sem que pela cor seja reconhecida,

pelo peso seja esfacelada,...


não me reconheço num verso,

não canto sequer o poema que esperam de mim,

só sei que nada me esqueço,

com a escrita limitada que tenho




dezembro 30, 2020

Avesso

 Aqui,

Suficientes vezes perto

De estar tão longe de si,

E as mãos sem intervalos,

Dos que mostravam o que já se viveu sem querer,...


Caminhou para se distanciar dos erros,

Das mensagens mal passadas,

Até ter chegado ao fruto perdido dos dias de alento,... 


E ali repousado na essência,

Esforçar-se por vir o adeus,

Um prolongado soltar de cheiros,

De sons moribundos,

Até se dar a conhecer aos mesmos de sempre,

Mas de forma contrária,

Do avesso




dezembro 29, 2020

Insubmisso e permissivo

 enfrentas os pressupostos 

do medo,

 tudo pela frente, 

olhos nos olhos,

 o que resta está alojado 

no teu peito, 

e há alavancas para 

uma dimensão de prazer, 

assim o queiras, 

assim te permitam os dias 

desenbainhados da noite, 

e as roupas suicidas do momento,... 


enfrentares assim a solução,

e depois o dia renasce 






dezembro 28, 2020

O quarto

 o demónio andava aí,

tinha sempre os olhos na 

infância,

ansiava por momentos a sós

com o desespero,

havia uma cama,

com três aparentes olhos

que refletiam a luz,

espalhados no desarrumar das

vertentes de solidão daquele cenário,...


o demónio passava por entre as paredes,

lamentava as perdas que não

eram as suas,

chorava com os minutos desperdiçados,

e principalmente,

agarrava-se ao que o tempo lhe dizia

de soslaio,

como segredo que não precisava de ser 

guardado,...


o demónio vingou-se,

como o sol,

como a noite,

ali continuou,

desenhando ofensas no esperma

deixado nos cantos,

do quarto

Tirado daqui



dezembro 27, 2020

ela não me ouvia

 de um tempo,

dentro de um tempo,

ela não me ouvia,

como se o lugar se desprendesse

da razão,

e para ela o silêncio fosse o somar

de todas as coisas,

as mesmas que recordava de uma

hora sem formas,

que tinha ficado lá atrás,

e agora não existia mais,...


lembro-me de lhe dar 

a precisão de uma presença,

tudo o que estar apenas trazia a mais

do que o falar,

do que o desnecessário do verbo sempre

que o gesto o suplanta,

mas ela não me ouvia,...


a cada manhã,

a cada segundo que trocávamos um olhar,

optava por se afastar mais,

e mais,

até que ao pé dela,

deixei de a ver,

como se o momento pesasse agora

mais que toda a história de 

passos inconseguidos


 

dezembro 26, 2020

Post christmas uncertainty

 Não lhe perguntámos nada,

limitámo-nos a segui-lo,

com o seu ar persecutório,

de quem gasta as certezas antes que

as dúvidas se acumulem,

em dívida,...


trajava de transparente,

expressava-se com dificuldade,

mas de forma estranhamente envolvente,

com dizeres que pareciam mortos,

diluídos no tempo,

e que em todos os momentos em

que o escutávamos,

faziam consecutivamente sentido,

como se brotassem de cores diferentes,

e anódinas,...


mas todos os destinos têm o defeito

de se desfazerem no ar,

e aquele não foi exceção,

ao chegarmos a um lugar sem nome,

sem idade,

que só se encontrava escrito em todos os cantos

do mundo,

sem que alguma vez se tivesse apagado,

ele desvaneceu-se,...


ainda procurámos entre as vestes diáfanas que trazia,

e no seu lugar só restou um pequeno livro,

indefinido,

sem título,

e que levámos em busca de um novo líder

Tirado daqui



dezembro 25, 2020

O Inatingivel oferece uma prenda de Natal alienante....

 «Temos frequentemente a sensação de que será perigoso olhar, e por isso há uma tendência para desviarmos os olhos, ou mesmo para os fechar. Por causa disso, é fácil ficarmos confusos, não termos a certeza de que estamos realmente a ver a coisa que pensamos estar a ver. Pode dar-se o caso de estarmos a imaginá-la, ou a confundi-la com outra coisa qualquer, ou a lembrar-nos de qualquer coisa que vimos antes -- ou, quem sabe, que talvez tenhamos imaginado antes. (...) Não basta olharmos e dizermos para nós mesmos: «estou a olhar para aquela coisa». Porque uma coisa é dizermos isso quando o objecto que temos à nossa frente é, por exemplo, um lápis, ou um bocado de pão. Mas o que é que acontece quando damos por nós a olhar para uma criança morta, ou para uma menina que jaz toda nua no passeio, a cabeça esmagada e coberta de sangue? O que é que uma pessoa diz para si mesma num caso desses? Tenta perceber: não é assim tão simples declarar de uma forma categórica, inequívoca: «Estou a olhar para uma criança morta». A nossa mente parece negar-se a alinhar as palavras; de algum modo, não conseguimos forçar-nos a fazê-lo. Porque a coisa que temos à nossa frente não é algo que possamos separar facilmente de nós mesmos. (...)

Seria bom, suponho, ganharmos uma dureza tal que nos permitisse não sermos afectados por nada. Mas, nesse caso, ficaríamos sós, tão completamente separados de todos os outros que a vida se tornaria impossível. Há quem consiga fazer isso aqui, há quem encontre em si mesmo a força necessária para se transformar num monstro, mas garanto-te que são casos raros, raríssimos -- o que, sem dúvida, te surpreenderá. Ou, por outras palavras, todos nós nos transformámos em monstros, mas não há quase ninguém que não guarde em si mesmo um qualquer vestígio da vida que outrora se vivia.
Esse é talvez o maior de todos os problemas. A vida como nós a conhecemos acabou, e, no entanto, ninguém é capaz de entender o que é que a substituiu.»


/No país das últimas coisas, Paul Auster/

O Inatingivel 2020 deseja aos leitores, amigos e potenciais anunciantes um feliz Natal


 

dezembro 24, 2020

Christmas eve on November 6th

 quero ser antes da formação,

a previsão astuta dos efeitos,

como se resolver os preconceitos

fosse uma obrigação,

a coisa certa a fazer,

sem que os outros se apercebam

que é só mais um papel rasgado,...


antes de tudo,

haver loucuras,

líderes assintomáticos que 

se deixam morrer,

porque não se consegue liderar

sem ferir,

é a mesma perda de tempo que 

o que expliquei,...


a haver alusões ao medo,

nada se perde,

tudo se transforma só

se o permitirmos



dezembro 23, 2020

... e tudo começou assim há 13 anos

Inatingivel 2020: Monta-me: As letras eram bem desenhadas. Perfeitas de mais. Um preto afirmador parecia realçar cada curva. Sete letras, e um tracinho pelo meio, escri...

O Inatingivel faz hoje 13 anos

 Uma palavra,

O espaço por entre os corpos que num não saber dizer,

Num segundo em que o silêncio esmaga o cérebro adormecido,

Leva a melhor,

E vence a forma irregular do desejo,....


Haveria sons com menor latitude que a explicação dada assim,

Para a ausência,

E os mesmos terão nome,

E morarão indissociáveis da frase irregular,

Mas não cabem neste raciocínio,

Para aqui só o que me dás sem pedir nada em troca



dezembro 22, 2020

Desobrigada

 



Desobrigou-se de tudo,

dos risos comprometidos,
das decisões inebriadas que
custam o que valem,
até de roupas velhas,
desmazeladas,
que ainda cheiram ao que
ela tinha deixado para trás,...

sentou-se com a resiliência entre
mãos,
e esperou por qualquer coisa,
they said it would be easy,
painless,
qualquer coisa haveria de chegar,....

mas amanheceu e nada veio,
talvez por crer em Deus de uma
forma muito própria,
levantou-se e saiu,...

haveriam de surgir novas
oportunidades de redenção

dezembro 21, 2020

Picotado

 Um picotado,

Capaz de circundar as analepses

 que deixaste morrer,

Passa pela primeira desilusão,

Desincha o fulgor que transportas 

do amor,...


Rodeia os muros 

da perfeição,

Até entrar no refúgio certo,

Para uma imposição 

errada,

Para trás ficam os sons e os 

cheiros de uma luta terminada,

Até que o quadro seja perfeito,

E desilusor



dezembro 20, 2020

Prenúncio trágico

 Tudo seria talvez o prolongamento da minha inocência,

Os sapatos ratados pelo desmaio do amor próprio morto,

O casaco do meu avô enfiado,

O que chamei sempre ao homem postiço que me acordou para a vida ao esbofetear-me,

E o livro anotado do revisor de contas do andar de cima,...


Não matei ninguém,

Nunca sequer matei uma ideia,

E estar assim,

Incapacitado nas frases antiséticas que foram o meu orgulho,

Angustiava-me,

A ponto de dormir sobre reticências coloridas



dezembro 19, 2020

Saturday evening walkabout

 




Neruda (Pablo Larraín, 2016)



Hoje seria dia de festa,...

 Pai.

😢

Notas de renascimento

 as tuas palavras, 

no peso das minhas palavras,

 e um concerto ao longe,

 identifico o grito de 

dor surdo,

 o mesmo de todas

 as ruas, 

luz eterna de

 todas as notas 

de renascimento,

 com o acordar,.... 


as tuas palavras 

ocultas na descrença,

 a mesma da 

falta de talento, 

com a continuação 

inequívoca de tudo

 o que me ocultaste,... 


fico sem as palavras

 que me deste, 

emudecido pela rotunda demonstração de náusea, 

que este fim de tempo traz



dezembro 18, 2020

Um dia gostava de saber escrever assim

 

antónio ramos rosa / mas agora…

 
 
Mas agora estou no intervalo em que
toda a sombra é fria e todo o sangue é pobre.
Escrevo para não viver sem espaço,
para que o corpo não morra na sombra fria.
 
Sou a pobreza ilimitada de uma página.
Sou um campo abandonado. A margem
sem respiração.
 
Mas o corpo jamais cessa, o corpo sabe
a ciência certa da navegação no espaço,
o corpo abre-se ao dia, circula no próprio dia,
o corpo pode vencer a fria sombra do dia.
 
Todas as palavras se iluminam
ao lume certo do corpo que se despe,
todas as palavras ficam nuas
na tua sombra ardente.
 
 
antónio ramos rosa
matéria de amor
editorial presença
1985

Peso de ais

 como devemos gostar de estrelas a arder, 

da mesma forma suspeito 

que todos somos pessoas horríveis, 

e não haverá compromissos possíveis, 

lutas mais exemplares 

que a rotina,...


há falta de nódoas 

nesta roupa feita pele, 

e agulhas que nos trespassam 

sem que hajam gritos a eliminar, 

fruições a considerar,...


 basta de lugares 

comuns, 

o que aqui vos deixo 

pesa o mesmo que um ai,

como se os ais chegassem 

para aligeirar, 

seja o que for, 

sem que o fim traga 

penalidades



dezembro 17, 2020

Canis

 


os cães,

os mesmos que nos cheiram como acossados

de qualquer coisa,

eles conseguem ver o vento,

foi um velho que mo disse,...


e mostrava-me os dedos,

um por um,

dois a dois, 

depois a mão toda,

e fechava os punhos,...


dizia-me que o ódio é difícil de escrever,

mas fácil de cantar,

por isso culpava os cães até do rasto que custava

a secar naqueles dias de chuva,

meio tosca,

e quando via um,

arranjava sempre o seixo mais redondo,

e esforçava-se por lhe bater no meio dos olhos,...


só que o raio dos bichos fugiam,

já tinham aprendido a morder-lhe o rasto das

botas cardadas,

e ir fussar noutros sítios,...


enquanto isso os relógios nunca

queriam parar

dezembro 16, 2020

Impacto


seríamos nós,

as luzes diziam-no,

com tantos olhos a parecerem gatos

que se lançavam na noite,

e da noite saíam gatinhos,

e dos gatinhos saía a morte,

quando dizia que precisava de um

novo sorriso,

e de novas missas para namorar

com as velhas que já tinham morrido,

sem saber,....


achava que seríamos nós,

porque de nós nunca esperei 

a religião dos pontos cardeais,

com isto recomeço na expectativa

de que causemos impacto,

e de nós nasça a crença de 

algo novo para o futuro,

porque do passado já tudo

desvaneceu,

em flor

dezembro 15, 2020

O mal

 o lugar certo,

todos os momentos errados,

para que o mal tenha poiso, 

idade e passado,

com um presente atávico,

sem nome nem estatuto,...


tudo sem que a morada possível,

de todos os dias de chuva,

e sempre que o sol arranca

a pele e escolhe,

morrer para não viver mais,

seja o leito de querer bem,...

 

ao amor escolher anotar,

nas ruas onde já não durmo,

de nada servirá à lúgubre sensação

de assento,

com o corpo efeminado de 

tanto prazer




dezembro 14, 2020

Um dia gostava de saber escrever assim

 O poeta

O poeta não gosta de palavras
escreve para se ver livre delas.
A palavra
torna o poeta
pequeno e sem invenção.
Quando
sobre o abismo da morte,
o poeta escreve terra,
na palavra ele se apaga
e suja a página de areia.
Quando escreve sangue
o poeta sangra
e a única veia que lhe dói
é aquela que ele não sente.
Com raiva
o poeta inicia a escrita
como um rio desflorando o chão.
Cada palavra é um vidro em que se corta.
O poeta não quer escrever.
Apenas ser escrito.
Escrever, talvez,
apenas enquanto dorme.
Mia Couto, em "Idades cidades divindades"

Ora

 ora, 

a solidão tem o condão de escrever 

o que não diz,

ouve histórias,

e reconta-as da forma como elas nem

se passam,

para deixar marca, 

apelar ao insólito,...


solidão, 

por outras palavras,

é escrever versos aos pares,

como me lês neste poema,

se calhar é sintomático,

solidão é não conseguir fazer

companhia a ninguém,

ser obrigado a escrever porque

o falar dói,

estar onde nem poderemos estar

concretamente,... 


ora, 

solidão se calhar

não cabe nesta cripta de letras,

também não importa mais 

que o peso que o tempo tem,

e nem reconhece 



dezembro 13, 2020

Inseguro o ato de escrever

 esperávamos de tudo da respetiva

inocência,

dias sem renovação de 

luz,

anuências sem sentido,...


era tanta a insegurança que

escrever sobre isso,

se tornava inofensivo,

repetitivo até,....


e a poesia tem de meter medo,

saber conjugar o respeito,

não,

não poderia ser poético 

este relacionamento

que se iniciava



dezembro 12, 2020

Abstrato


A atriz contenta-se com pouco. Levanta os braços, o mais que pode. Numa mão a tesoura afiada, a mesma que poderia injuriar a integridade do próximo, danificar a sobriedade dos presentes. A outra vazia, com a qual acena. Quer que reparem na solidão sublinhada, com que se passeia pelo 'tablado' intransigente. Sublinho o 'tablado', porque me parece claro o 'sevilhanismo' da sua postura. Há um flamenco que lhe exala dos poros, pelo menos o 'flamenco' esforçado, aquele que pode mostrar. 

A sala está quase vazia. Haverá uns dez, doze, não interessam quantos pares de olhos. 

Estou lá, e tomo notas sobre o primado da solidão. Interessa-me o reforço da estranheza com que se abraça o invulgar. 

A atriz termina o que se assemelha à força de um equívoco. No fim, tenho um rascunho tranquilo, poderoso até, capaz de servir de plataforma a uma obra sobre a luz etérea da personalidade dos fracos. 

dezembro 11, 2020

Deixar de pertencer

 



desde o começo

 que deixava de pertencer, 

e pertencia a tudo 

quanto findasse, 

mas não fazia parte 

do que contava,

 e sem que os olhos

 parassem de encovar, 

e as mãos de reconsiderar 

o tempo parado, 

deixava de pertencer, 

o coração estava em alerta, 

à espera, 

sem saber se a solidão chegava,.... 


e havia tudo 

o que fora reescrito, 

pontuado de novo, 

com ênfase nas interrogações 

de não ter o que comer, 

não ter o que desejar, 

e sentia que deixava 

mesmo de pertencer, 

porque tudo não era

 mais o que tinha sido, 

se calhar nunca acontecera 

da forma correta, 

sem que a boca pronunciasse 

amor da forma correta,...


 e só com um silêncio, 

com duas insuficiências de espírito, 

e tantas mais palavras

 desnecessárias,

 deixara de querer pertencer,

 reagir seria o suficiente, 

até ver

dezembro 10, 2020

Pressão publica

 amordaçar pelo simples prazer

de que, eles o queriam,

admitia ser preciso, ela sublinhava a

veemência da precisão da tortura,

do puxar os limites da comunicação, 

de escrever sem interrupções de dor,...


assim se provavam os fortes, se

desorganizavam os fracos, assim se supunha

mais do que realmente o mundo tinha para

oferecer, e era tudo tão simples,...


mas não podia haver soberba com esta

desonra, com a indignação de achincalhar porque

o ato assim ganhava relevo,...


comunicar pelo simples vício de o fazer, não

arredondava nada de positivo




dezembro 09, 2020

Apóstatas

 Haveremos de chegar aqui,

Mesmo aqui ao limite de tanta insatisfação pintada,

E varrida para debaixo da cama,... 


Chegaremos como tu e como eu,

Dizendo que devemos escrever só se nos apetecer,

Porque a morbidez tem de ter uma casa,

Não necessariamente a mesma de quando o som assim se nos afigura,

Sem dono,

Monarca do seu próprio destino,...


Na altura de partir,

Serão os versos nenúfar a mandar-nos embora,

E vamos fechar os olhos,

E pisá-los como apóstatas sem religião,

Ao som do fim do mundo,

na cavalleria rusticana suficiente para que nos afastemos,

Surdos connosco próprios,...


E hei-de dizer,

A quem me procurar ouvir,

Que caminharei mais rico do que quando a morte me cuspiu




dezembro 08, 2020

Feriado fofinho, é o que o Inatingivel deseja...

 

https://lakeofstorms.tumblr.com/post/636909534980587520/everythingfox-dog-walking-dog-via

Amiúde

 



Amiúde,

gostava do conceito,

amiúde o amor,

tanto cruzar e descruzar de braços

indolente,

amiúde tanta coisa sem nome,

que se acumula do lado mais

envelhecido do vento,...


amiúde,

julgo saber escrever o que

este conceito não diz,

esconde até,

mas amiúde engano-me,...


e ao repousar no lado encantado da lua,

amiúde falho

dezembro 07, 2020

Estrutura urbana

 Devemos perceber agora

 que os pequenos gestos,

Representam menos 

que as aprofundadas descrições,

Tudo o que as pessoas 

querem descrever de si mesmas,

Anonimato,

Ideias mal construídas,

O que de mau se possa definir,

 debaixo de qualquer ponte,...


Penso assim,

Numa estrutura urbana,

Para que falar pese mais que 

este silêncio que se me colou à pele,

Desde aquela noite que ainda dura




dezembro 06, 2020

Unhas

 



Tantas perguntas,

Tantas unhas com perguntas dentro,

Cortadas rente,

Indagando pelo mar,

E as pessoas que gravitam em redor do sujo das manhãs,...


Disponível para a fração de uma lenta memória,

Sem parar de questionar a importância de uma inspiração fora de tempo,

De querer criar sem a lonjura necessária,... 


Tanta pergunta, 

e o poeta sem languidez

 para mais sexo aos quadrados 

dezembro 05, 2020

Tempo? Eu odeio o tempo...


https://alghol.tumblr.com/post/190909895761/naomi-kawase-embracing-1992

Tortura consentida

 Isto de estar aqui,

É agradável,

O sol brilha sem nos perguntar coisas que magoem,

As pessoas passam e não há aquele burburinho azul que detesto,

O mesmo dos anfiteatros políticos,...


Anoto por isso as minhas hesitações em letra de imprensa,

Tudo em lista numerada,

Para mais tarde ser de compreensão simplificada,

E quando chega a hora de ir embora,

Já a noite está transvestida de choro sem razão,

Encontro-te ao vires, 

do que tens vindo 

a chamar de tortura consentida,

Só hoje percebi que andas a estudar para filósofa 







dezembro 04, 2020

Dois planos de existência

 há tanto tempo que nem chuva, nem sol. Só uma ânsia de caminhar em pasto seco, com um bordão a abrir caminho, e dois motes de existência planeados. Para o primeiro nem havia palavras, só ações. Andar, andar sem destino. Passar pelos fins de Primavera molhados, com chão a sangrar de um castanho pastoso e pestilento,.... irromper nos matos virgens de início de estio, que ardem sem chama a ponto de morrerem ainda antes de nascer,.... e perto do fim de um percurso sem destino, cheira a Outono. Aqueles minutos antes da total loucura, com árvores que balouçam ao vento, inconsequentes, despidas de roupa e de desejos frutificados de uma existência terrena. Se chegar ao fim significar frio,.... uma inusitada perda de pele, sentindo que tudo pode voltar a recomeçar, valerá a pena. Quem sabe se valerá a pena o Inverno, como razão sem dono

E há depois um outro plano de existência, o das ideias que não cabem num poema. Em mil. Tudo está assoberbado, da forma como tem de estar. Sem mais delongas...



dezembro 03, 2020

Gravidade

 Esperar pelas sobras,

Como se as sobras anunciassem o que me queres,

A força com as mãos em estrela,

Ainda faz com que procures se no meu corpo gasto nos extremos,

Mora a gravidade, 

possível para que o amor não deslize,... 


Para o esquecimento,

E ainda haja luz ao fim de um minuto,

E a noite possa assim durar fria para sempre,...


Anoto numa figura o que  restar deste teste



dezembro 02, 2020

Fora da palavra


Não que me obrigue a despedir do redigido de ti,

Apenas reparo no irregular das vogais de silêncio,

Com consoantes insuficientes,

As mesmas que estendidas ao sol,

Envelheciam o suficiente para aparecerem de ovários secos,... 


Incapazes de mais serem que mulheres velhas,

Depauperadas,

As mesmas que o tempo sempre estuprou,

E seguiu para fazer o mesmo a quem calhasse,...


Aninhado na ausência de razão,

Sim,

Talvez me restasse ter uma despedida fora da palavra,

Porque o escrito não são palavras,

É ar que nos renova a vida descontinuada 



dezembro 01, 2020

Dezembrando a 12 de outubro


não serás esquecido,
escrever sobre tantas idas
não sei onde,
falar sobre as minudências de não
ter dinheiro sequer para matar a sede,
ou frutificar os desentendimentos mesquinhos,
em leituras conjuntas do livro
da vida,
não levam a lado nenhum,...

mais vale o luar,
passar as mãos pelos olhos,
e acreditar que ali é o paraíso,
dito com todas as letras,
descrito com o enlevo dos tolos,...

tudo o suficiente para que aqui
fiques,
só mais um tempo

Etiquetas

Poesia (1148) Vida (938) Surreal (439) poemas (416) poema (404) escrita (301) Pensamentos (212) pensar (197) Homem (194) Introspecção (192) Escrever (166) abstrato (139) Textos (116) poesias (93) introspeção (89) Portugal (86) Sem Título (84) Reflexão (83) prosa (83) autores (80) imagem (80) Sonhos (78) Um dia gostava de saber escrever assim (75) youtube (69) musica (66) Contos (61) Tempo (60) Absurdo (57) Passado (57) Literatura (56) Amor (55) video (52) Sórdido (51) Política (45) tristeza (42) imagens (36) Ironia (34) foto (34) pensamento (34) texto (32) História (31) gif (31) introspecao (30) Fantasia (29) Desilusão (28) Recordações (28) Humor (25) cinema (25) rotina (24) Dedicatória (22) Música (22) Memória (21) Ficção (20) Morte (20) Divagações (19) desespero (19) ser (19) Comiseração (18) dúvida (18) existência (17) fotos (17) Desejos (16) Inatingivel (16) recordar (16) Regresso (15) lisboa (15) Tumblr (14) solidão (14) irreal (13) quotidiano (13) Pelo Menos (12) Texto # (12) Vídeos (12) ideias (12) razão (12) real (12) sujeito (12) videos (12) Menina perfeita (11) Rimas (11) escritores (11) giphy (11) nonsense (11) pessoal (11) presente (11) sentimentos (10) 'Depois de almoço' (9) escritaautomática (9) Mundo (8) Natal (8) Religião (8) ausência (8) autor (8) blogue (8) fotografia (8) sonhar (8) sonho (8) surrealista (8) Suspense (7) abstração (7) coisas estúpidas (7) curtas (7) ilusão (7) reflexao (7) relacionamentos (7) saudade (7) sombrio (7) subjetivo (7) viver (7) vídeo (7) Discurso de (6) Diálogo (6) Homenagem (6) Viagens (6) aniversario (6) datas (6) desnorte (6) filmes (6) futuro (6) gatos (6) noite (6) qualquer coisa (6) sentir (6) Dia Mundial da Poesia (5) aniversário (5) belo (5) cidade (5) ciidade (5) comédia (5) concursos (5) depressão (5) descrição (5) do nada (5) dor (5) espaço (5) imaginário (5) lembrança (5) linguagem (5) livros (5) luxos importados (5) língua (5) paginas partilhadas (5) pessoas (5) poetas (5) politica (5) prosa poética (5) strand of oaks (5) trabalho (5) Actualidade (4) Ali antes do almoço e a umas horas do sono (4) adeus (4) amargo (4) animais (4) arte (4) crossover (4) espera (4) família (4) ideia (4) interrogação (4) intervenção (4) meditação (4) poetar (4) racional (4) refletir (4) social (4) subjectividade (4) terra (4) Gótico (3) Poemas de enternecer (3) Vício (3) auto-conhecimento (3) beleza (3) breve (3) colaborações (3) conformismo (3) conhecer (3) conto (3) conversas (3) curto (3) curtos (3) céu (3) desejo (3) destino (3) dia (3) eu (3) evento (3) familia (3) festas (3) fim (3) lamentos (3) medo (3) mensagem (3) mulher (3) obscuro (3) outono (3) país (3) pessimismo (3) popular (3) porque sim (3) páginas partilhadas (3) realidade (3) sem sentido (3) sentimento (3) silêncio (3) tarde (3) é meu (3) 'abrir os olhos até ao branco' (2) 'na terra de' (2) América Latina (2) Denúncia (2) Fernando pessoa (2) Poemas música (2) Poesia abstrato (2) alegria (2) angustia (2) ao calhas (2) armagedão (2) atualidade (2) campo (2) certeza (2) condição humana (2) considerar (2) decepção (2) desconexo (2) discurso (2) erotismo (2) fado (2) falhanço (2) festa (2) filosofar (2) frase (2) hate myself (2) hesitações (2) indecisão (2) instrospeção (2) insulto (2) interior (2) jogo de palavras (2) jogos de palavras (2) lamento (2) leituras (2) lembrar (2) ler (2) liberdade (2) link (2) loucura (2) luta (2) manhã (2) monólogo (2) nomes (2) parvoíces (2) passeio (2) perda (2) personalidade (2) pictures (2) psicose (2) revolta (2) ridículo (2) riso (2) sem tema (2) sensibilidade (2) sentidos (2) sexo (2) simples (2) statement (2) subjetividade (2) tradicional (2) viagem (2) violência (2) Africa (1) Anuncio (1) Gig (1) Haikai (1) Justiça (1) Livro (1) Parabéns (1) Poesia escrita lisboa verão (1) Poeta (1) Teatro (1) Universo (1) acomodações do dia (1) acrescenta um ponto ao conto (1) agir (1) alienação (1) animado (1) anseio (1) ansiedade (1) antiguidade (1) análise (1) artistas (1) assunto (1) ausencia (1) blackadder (1) brincadeira (1) canto (1) cartas (1) celebração (1) citações (1) coletâneas (1) comida (1) conjetura (1) contribuições (1) corpo (1) cruel (1) crónica (1) cálculos (1) desafio (1) desanimo (1) descoberta (1) desenho (1) despedida (1) dialogo (1) discriminação (1) dissertar (1) distância (1) divulgação (1) doença (1) e tal (1) efeméride (1) eletricidade (1) embed (1) escreva (1) escrita criativa (1) estetica (1) estranho (1) estupidez (1) estória (1) estórias (1) exercício (1) existir (1) explicar (1) falar (1) fatalismo (1) feelings (1) felicidade (1) filme (1) filosofia (1) fim de semana (1) final (1) fofinho (1) frases (1) futebol (1) guerra (1) haiku (1) horuscultuliterarte (1) humano (1) idade (1) ilusao (1) imaginar (1) imprensa (1) inatingível (1) indecente (1) infancia (1) infantil (1) inglês (1) iniciativas (1) internet (1) inutil (1) inverno (1) irracional (1) jardim (1) já se comia qualquer coisa (1) l (1) lamechas (1) leitura (1) lengalenga (1) letras (1) lingua (1) links (1) livre (1) luz (1) mario viegas (1) melancolia (1) memórias (1) metáforas (1) moods (1) movies (1) (1) nada (1) natureza (1) novidade (1) não sei se um dia gostava de saber escrever assim (1) números (1) once upon a time (1) outono quente (1) pais (1) participações (1) pensáveis (1) pequeno (1) percepção (1) pintura (1) pobreza (1) português (1) praia (1) precisar (1) promoção (1) provocação (1) proximidade (1) prémios (1) qualquer coisa antes de almoço (1) quandistão (1) quarto esférico do fim (1) questionar (1) raiva (1) rap (1) realismo (1) recear (1) recordação (1) redes sociais (1) remorsos (1) renascer (1) residir (1) resposta (1) ridiculo (1) risco (1) ruído (1) saudades (1) sem titulo (1) sociedade (1) som (1) sátira (1) televisão (1) texto poético (1) tv (1) tweet (1) twitter (1) vazio (1) velhice (1) versos (1) vida escrita (1) vidasubjectividade (1) visão (1) vivência (1) voraz (1) voz (1) vuday (1) vulgar (1) África (1) ódio (1)