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terça-feira, 28 de julho de 2026

...os sinais do desalento

 O meu silêncio,

E tu avisaste me,

Disseste que o corpo iria ressoar,

Como um xilofone antigo,...


E que nesta terra as pessoas deixariam de caminhar,

De mãos dadas e final em conjunto anunciado...


Eu iria fazer os sinais do desalento,

Como se sozinho não resolvesse a mais intensa dúvida da madrugada,...


Agradeço a tua presença de espírito,

Teres conseguido carregar me sem haver esforço,....


Dependo de ti,

Como ar do espaço a entrar neste planeta 

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Curta e escassa de memórias,..

                                                               Tirado daqui

de: TWIN PEAKS
— Northwest Passage (1990)

Lembrei-me do apetecível,

De uma cama assustadoramente vazia,...


Penso que terás escrito com pormenor,

Como os alvores dos dias de verão descrevem a penúria da solidão,

Vista assim,

Com distanciamento,....


Entrega à derrota,

E à vontade de renegar um corpo sôfrego,

E inocente,...


Marco os limites com esta reflexão,

Curta e escassa de memórias,....


Anoitece 

E os meus limites de comiseração foram alcançados 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

.. um enorme e insuspeito fio de água


 A vontade de mentir,

O desejo decrépito de alterar expressões,
Posturas corporais,...

O direito a uma verdade alternativa,
Que na medida do possível deixasse a vida correr como um breve e insuspeito fio de água,...

Semelhante aos que vão sucessivamente desaparecendo após um dia de tempestade,.....

E ele iria lutar por mais luz e razões de devaneios como criador,
De qualquer coisa de oposto à rotina,
Tinha essa vontade,
E os direitos são inalienáveis até eles próprios se fundirem com o tempo

terça-feira, 22 de outubro de 2024

...a companhia do falhanço

 Escasseava a vontade,

Os trejeitos de chuva necessários,

Até a porção de loucura,...


Tudo faltava para que a escrita brotasse,

E só a companhia do falhanço,

Da eminência de emudecer,...


Sem que mais nada saísse do casulo da criação,

Para a acidez do ar tóxico destes dias plumbeos,

Mantinha-se o alerta,...


Tudo o mais não produzia quaisquer necessidades,

Fundamentais para a luz,

E à continuação da fantasia especial

                            Tirado daqui

sábado, 2 de março de 2024

hipocampo

Björk, 1994 | ph. Stéphane Sednaoui

© Stéphane Sednaoui


é um livro aberto,
poeira perdida aos grumos,
páginas indesejáveis,
com resumos infrutíferos de amor,...

o comboio treme,
tira a presença do desejo,
lá fora chove desalmadamente,....

a mesma música ecoa,
pelos intervalos do pouco
espaço,
que ainda ocupas no meu hipocampo,...

e baixo os olhos para suster as lágrimas


 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

...desnecessariamente pertencer

 


Esquecera-se de andar a pé,
o que para si significava perder-se,
literalmente,
entre o ir e o vir,
à porta das necessidades de amor
por confessar,…

e por isso,
achando-se sentada num lugar perdido,
com a noção de tempo enlameada
na de lugar,
era a abrir um livro,
a reclamar um prémio de solidão,
e a perder para sempre a vontade
de regressar ao santuário da felicidade,
que ia seguindo,…

não havia momento,
frase certa nem presunção errada,
havia só o pertencer,
desnecessariamente pertencer


domingo, 1 de outubro de 2023

Outubrando a 10 de maio

 


Apenas uma última vez,

Eu de coração aberto,

Expondo-me à dor e ao desenrolar inopinado das ondas,

Enquanto caminho sem destino pela praia do fim do mundo,...


E dói-me,

Como a outros já doeu a vontade de se sobreporem ao tempo,

Confirmando-o como a arte mais bonita tirando todas as outras,...


Dói-me sem que me importe muito,

Sinto o corpo,

A cair para o amanhã,

Decomposto e frágil 

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Desenhar desejos

 Tratava-se de uma espera de anos,

As ideias tinham simplesmente deixado de florescer,

A ilusão contava como imprecisão,

 em discussões filosoficas de fim de tarde,...


Tinha deixado de haver nomes,

Para que as pessoas medrassem apenas como raízes indesejadas,

Como que levadas pela ação fecundatoria do vento,...


E talvez tivesse chegado o momento de o tempo ser invertido,

Nos olhos dos animais via-se a antecipação,

E as pessoas esperavam só pelo momento detonador,...


Para que ansiar,

Esperar,

Desenhar desejos com as mãos envelhecidas na terra adormecida,

Fosse sinal de recomeçar

sábado, 19 de novembro de 2022

....sítios onde já não estarei

 Haverá qualquer coisa para mim depois disto,

Julgo que os teus passos serão insuficientes,
E há roupa espalhada à saida de uma casa que já nao reconheço,...

A minha ausência,
Já não consegue preencher os espaços soltos de uma sombra,
E há enlevo na forma como o vento,
Se despede por tudo já estar pouco mais que vazio,...

Sou já pouco mais que o último a poder reentrar aqui,
E formam-se novelos de desejo nos sítios onde já não estarei 



segunda-feira, 3 de outubro de 2022

...último dos fados do desejo ainda vivos

Fizeram as malas,
havia tanto por dizer mas o tempo
inverte as prioridades,
e com as roupas precisas,
os livros das recordações despedaçadas
a ficarem para trás,
e um silêncio que empunhava mordaças invisíveis
a tolher-lhes o som,
partiram,....

havia um mesmo caminho por percorrer,
cheirava a maresia encardida pelas chaminés
de todos os dias,
e das dores mais ocultas da meninice,
que pareciam encorajá-los a
não parar,...

e não pararam,
ao som do último dos fados
do desejo ainda vivos 



sábado, 18 de junho de 2022

Simples flor

 


Divergiam no direito de ser diferentes,

Um era específico sobre as letras,

O outro andava de braço dado com o silêncio,... 


Às vezes as pressões eram muitas para que uma simples flor,

Específicasse o que queriam da vida,

Mas era na função de serem  diferentes,

Que explicavam melhor a proximidade doentia de que queriam fugir,...


E hoje asseguram-se em silêncio ao sol

quinta-feira, 2 de junho de 2022

27 anos


Naquele dia, escolheram descer a rua apertada,

Tinha dois desníveis acentuados antes de uma reta prolongada,

Que dava acesso à estrada onde os carros se ouviam,

Cada vez menos,

Quase já como dois lamentos de abetos que dançam ao vento,...


Traziam pequenas porções de fruta madura,

Para dar aos pássaros que pedinchavam por sustento à medida que palmilhavam sem muita pressa,

E sentiam-se bem,

À chegada à casa descoordenada que construiram na enseada,

Acreditavam-se realizados,...


Tinha chegado a época das chuvas 

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Vale dos inconformados


Nem por todos os caminhos eu sei lá ir ter,
Recordo-me que chegou a um ponto da minha vida,
Que aquele sítio deixou de me afetar,
Aprendia a inspirar só pelo nariz,
Sem deixar que a boca me infetasse,
Todo o desânimo que dali vinha,
E assim perdia a vontade de lá regressar,...

Talvez por isso esqueci um pouco o caminho de retorno aquele sitio,
Só sei que se chama Vale dos inconformados,
E que fica perto do sítio onde já fui constantemente feliz,
Nada mais me recordo

terça-feira, 24 de maio de 2022

angústia

angustia-me a dor,
um caminho de pedras traduzido
em luzes foscas,
angustia-me a frase feita que
desdenha tudo isto,
angustia-me o floco de neve que,
todos os dias,
me acorda para a confirmação
desta verdade de vestido de noiva,...

angustia-me,
mas não tem de te angustiar a ti,
aprende a andar pelas nuvens,
e escapas-te a esta dor 

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Quando se perde um rosto

 


Sempre que selas um rosto,
Tudo o que sumariza a pele de quem está por detrás desaba,
Como se da rotina da normalidade nada sobrasse quando chega este desaparecimento,...

E em vez dele surge uma neblina dificil de descrever,
Quase como se por cima de nós,
Quando pensamos estar tranquilos a conversar com a noite,
Alguem nos viesse dizer que perdemos uma boa oportunidade de desejo,
Em deixar de tentar conhecer o que não temos como seguro,
E o outro perde ao ficar sem rosto

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Memória opaca

 Há tantos gritos,

Um desalinho de motivações,
Roupas incoerentes,
Sorrisos que se desculpam,
Uma voz afrontadora e que é ignorada,...

São gritos desconfortáveis,
De olhos que procuram o conforto,
E encontram a alienação,...

Um par de mãos desconfortaveis,
Sim repeti o desconforto,
Está na capa do único livro que alguem lê naquela sala


terça-feira, 29 de março de 2022

Presença de luzes

 


Nunca serei totalmente tolerante com o erro,
todos os destinos,
a falta de um beijo por cada inocência mal
descrita,
até a roupa inocente,
despida desajeitadamente porque se
quer bem de forma total,
tudo é acima da compreensão,
e ao não se entender,
eu serei a reprovação do desespero de
quem assim mata a saudade,...

a quem me possa querer mais 
que um desejo,
eu digo que nada sei,
sou a lua,
a frase impotente do fim dos tempos
renovada até a criação voltar,...


e assim,
desafio quem me desafia,
a regressar sempre na minha ausência,
transformada em presença de luzes

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Nas sombras dos próprios desejos

 Trabalhava,

Equivoco sim equivoco não,
Nas sombras dos proprios desejos,
Capaz de caminhar ereto no som do choro possivel,...

E no despedir de cada dia,
Amarava no porto seguro de todas
As horas,
Com insegurança,
Em beijos indesejados,
Promessas irrefletidas,...

Para que nos dias que viessem,
O odor fizesse tudo repetir igual

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Sextas-feiras

Aquela doce sexta feira,

Recordo-me do dia mas por favor,

Já não posso ouvir falar 

daquele enlevo do pescador que nos conhecia,

E dizia que recordava todos os outros dias da semana que,

Para ele,

Valiam a pena,...


Não me posso dizer a mim mesmo que seja uma influência, 

Aquilo que ficou de tantas horas desconexas de discurso direto, 

Deitado fora,... 


E havia uma experiencia anil,

Gosto dessa cor,

O que tinha ficado de bom quando depois me via a comer sozinho,

Nos arremessos sem vida que só a minha Lisboa já sabia fazer,

Em todos os dias da semana que eu quisesse,

Menos as sextas-feiras 




domingo, 2 de janeiro de 2022

Sem alternativa


 para passar tinha,

de ser estreito o caminho,

habituara-me a haver só uma maneira

difícil de se transpor,

com saltos mínimos,

de pedra em pedra,

até os pés assentarem em lama escorregadia,

custava a ficar com o equilíbrio,

e a deixar fugir o medo,

mas conseguia-se a custo,...


depois era seguir,

quase como que pelas linhas e sulcos

dos rostos de todos os dias,

até dealbar na completa desilusão,

não haveria alternativa