quarta-feira, setembro 30, 2009

País ateu

reafirmado como fino fio de
mundos que se entrelaçam,
desconsolo-me da própria
necessidade de me tornar o deus dos
gritos inodoros,...

o sol dos dias que custam a passar
para os que
nem conseguem esperar pelo anoitecer
da morte sozinha,...

sim fui aparição,
eucaristia das minhas
coisas falhadas que
ainda vejo ao longe,
no entardecer com
que choro à espera
da espera que já me
tolhe pelos que desapareceram,...

povos dos lamentos
sofridos como este,
desconjuntem-se em
busca de remédios para
a falta de argumentos,
desisti de me
expôr em ventos tão
inconsequentes como
os que discorri.....

sexta-feira, setembro 25, 2009

E quando não se encontra mais nada para dizer? Isso é falta de talento....

procurei,...
aninhado no fogo
de ombros que
as minhas razões
despoletam em ti,...

sombras precisas
das recusas que o dia-a-dia nos traz,..

às luzes indefinidas
do que a minha caneta
te faz sonhar,...

somos dois para
avaliar assim a precisão
desta cirúrgica
diabrura de conseguir
reverter o tempo
para níveis de calma
histérica,...

sempre que me
persegues eu acabo assim,...

sabes os ruídos?...

aquelas coisas
sem pernas mas
com braços de abraços
que te perseguem
quando te rodeias de gritos,...

dormi com eles
nestas linhas sem sentido
que acabo de escrever,...

para mal do
que quero de mim mesmo....

domingo, setembro 20, 2009

Inatingível Five Hundred

O que pode dar algo mas não dá....



Não me recordo da cor. O homem chegou, sentou-se numa cadeira desengonçada que estava esquecida ao fundo do salão do café, e começou a recitar. O caderno confundiu-me. Não me lembro da cor. Percebi que ele tinha escrito tudo à mão, porque lia com dificuldade os contornos das letras. Citava a família, e os amigos, e a consequente forma de ser inaudito, num clima de silêncios falsos.

terça-feira, setembro 15, 2009

Corte

há um poema
no meio destas
silvas que me
rasgam a carne,...

sonhei com
as dores atávicas
deste momento,
do que soltava
sem nunca ter
esperança que
a vida o pedisse de volta,...

mas nunca o quis
tão sem música,...

sinalizado apenas
com um beijo
de morte....

quinta-feira, setembro 10, 2009

O que não sabe falar e recordar

faço-te o pequeno
diabólico momento
de ser padroeiro
das semânticas que
ninguém quer conhecer,
sou o que nunca soube falar,
o das possíveis gravidezes dos
argumentos furados,
como tal expresso-me,
mas digo-o por
impressões digitais,...

nos pios dos pássaros
nas tardes de outono
estou lá,
naquela gota irritante de
chuva com que te vi
indecisa,
fui eu,
sou,
para arrepio de
dúvidas inebriantes,
até o entardecer imortal
do verão das últimas
fés da vida,...

para os que não
sabem falar,
sou o tagarela
das horas mortas,
sem que a morte
saiba mesmo onde
me encontrar,...

por agora....

quarta-feira, setembro 09, 2009

Amor com a certeza de que não se volta amanhã



Quis provar ao cair dos segundos, que conseguia ser melhor do que os dias anteriores a haviam tratado. Arrastava-se naquele limbo de querer mais. 
Viu-o como se acabasse ali a existência. Estava desacreditada de que poderia acontecer de novo o clique.
Disse-lhe olá. 
Ouviu um agrado. 
O sorriso respondeu por ela. Dois silêncios lutaram.
Ganhou o passo acelerado.
Não comunicar, teria de ser aproveitado.
Queria-se compromisso, naquela sala de espelhos.
A um canto repousava o sexo.
Tinha de bom, o que de mau sabia a pouco.
Lá longe o querer bem.
Adiantar-se ao próximo querer muito, com o fervor que a boca pinta nos momentos em que mais se quer. Os sumos da diferença fizeram-se com o embalo do que se pensou que os deuses poderiam opinar de tanto desrespeito.
Um,
dois atrasos,
três insultos,....
O feminino de desejar, com o masculino do ter.
A parede aguentou.
O chão abraçou.
O sonho materializou o que, descrito, conseguia ser pouco mais que uma figura disforme de carne.
Amanhecia.
Quis-se continuar, com o sangue a brotar do canto de uma boca ofendida. Sem que a música que encantava o que começava a despontar nos olhos cansados do êxtase, pudesse ser obstáculo para parar.
Antes para continuar,....
sem que se desfizessem pensamentos.
Só eles restariam, quando o arfar acabasse. A ânsia de querer mais tinha que se esbater, ao bater da porta deste mundo que ninguém sabia existir.
Quem sabe eram um.
Talvez por não serem dois, choravam a possível inquietude de ter que viver para tornar a ser só o suspiro, e o segundo a morrer antes do outro vir.
Veio o ter que ir.
E o dever a chamar.
Com compromisso de nada.
Adeus,....

terça-feira, setembro 08, 2009

O irrepreensível medo de falhar

amar-se de face,
com solta propensão
de abate anárquico,
fazer de mais ver,
o possível com
todos a ver,
tornar ponto cardeal
o coração das fáceis
onomatopeias da
moral,
com rimas a saltar,
e tornar-se fácil
de mais,
acusar as
noites de suor,
de fazê-las sem
que o susto
de falhar,
seja monstro,
com capaz
sustento de
receios....

Homenagem a Lesagi Zandinga, o bruxo das coisas poucas

só hoje é que nos abrimos
a concretas soluções
para as estrelas,
fizémos portas,
traçados enviezados para
que ficasse mais
fácil respirar sem dores
multiraciais,....

sugiro pena,
com comiseração é mais fácil
apercebermo-nos das simples
formas que existem
de matar um ser humano,
tira-se-lhe o perto
sentido de ser
irreflectido,
e com isso o mundo
acaba,
restamo-nos a nós
próprios na poeira de
ser inconsequente
e sem destino,
com emulsões próprias
das almas que passaram em
desfalecimento pelo universo,...

com isto quis,
dizer nada serei,
e com nada me
banharei todos os dias,
mas impedir-me de
ser contabilista dos
restos da decadência
dos 'eus' de sucesso,
é crime?....

sábado, setembro 05, 2009

Nunca dita forma de soltar inseguranças


são dores as desta madrugada que com o peso dos dias, me fazem soçobrar perante o peso dos responsáveis pela morte dos projectos indefinidos, os que no fundo me levaram a desejar assoberbamentos indiscriminados de ideias para borrar este papel.
foi a ser perseguido que me fiz debitador de ideias gastas, e é com recônditas formas de inovação que me afirmo como gastador de expressões inócuas, maltrapilhas.
desejos inconsequentes de fazer das coisas, as partes próximas do ser que nunca encontrei, e das sombras que essas coisas deixam, pequenas fábulas em que me possa refugiar quando lá fora o mundo começar a desabar devagarinho.
odeio inseguranças.
peço-lhes tréguas, por ter ideias erradas do que conseguirei fazer quando elas chegarem, explicando que nem tudo o que as pessoas desejam, conseguem vir a alcançar num futuro idealizado em cima das esperanças falhadas.
faço por ter o meu pequeno canto, onde este tipo de coisas possam ser borradas, e depois debitadas sem motivo nenhum que não seja o de me apetecer partir pedra nas detestáveis escadas de granito do não ter nada para dizer.
faço-me de mil formas possíveis um sucesso de vários capítulos, dos tais que interessa seguir para não deixar escapar entre os dedos de mil mãos de desatentos.
quero perceber o que ando aqui a fazer, e para que sirvo afinal quando a noite me fizer companhia quando adormeço sobre si mesmo.
acompanham-me os erros feitos,
desdizem-me possíveis choros que eles possam provocar,
e só faço paz com as pontas soltas da forma como me faço entender....


Este texto tem ligação para vídeo do Youtube. Carregue no título para a activar

quarta-feira, setembro 02, 2009

Princípio de qualquer coisa....

O fumo saía da chaminé, lambendo o oxigénio ao ar taciturno daquele final de tarde. Desenhavam-se coisas a elas mesmas, quase que numa circunferência mutante, em abraços consequentes às paredes amareladas da casa. No centro, uma mesa espessa, de mogno tímido e já desgastado. Daqueles objectos defuntos, sem préstimo, mas que se imiscuem nas histórias sempre por este ou aquele motivo. O napron ratado, de renda de bilros, dava-lhe um ar corporativo. Soava a sociedades atrasadas e retrógradas, apenas na forma como o vento roçava-se nos pés nus e indefesos do objecto. Havia uma música. Tristezas decompostas, que se soltavam indistintamente em nuvens invisíveis, mas sólidas. Sentia-se mais qualquer coisa indefinida, e sem cheiro....

terça-feira, setembro 01, 2009

Fazedor de sonhos

Delineei um plano efectivo. Queria constituir dois sonhos. Um de mármore, com pessoazinhas de pérola incrustadas, e outro de pó. Para o efeito escrevi. Não me restavam ideias. Somente o desejo de tornar o mundo qualquer coisa inflada de desejos com pequenos robes de banho. As coisas deixaram de fazer sentido. Readornei o meu sono com mais possibilidades infindas....

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