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terça-feira, 9 de abril de 2024

engulo o orgulho que gosto de trazer na traqueia

Os passeios,
as ruas anuladas,
tantos passos para nada dizer,
engulo o orgulho que gosto de
trazer na traqueia,....

um carro passa,
e outro,
e outro,
nervoso e incapaz de te segurar a mão,...

há mais que uma luz nesta rua,
e há gritos,
e há mentes fora um do outro,
e pensamentos de morte,...

há tanta coisa,
faz-me a vontade,
e a luta pode continuar no escuro


                                                                       Tirado daqui

                                                    Sundays are the worst, JC Götting

sábado, 13 de julho de 2019

Estou a pensar parar com isto de escrever todos os dias

Mais que dores engarrafadas,
surtos feitos,
amores trancados,
éramos de uma rua feliz,
com vidas imperfeitas,
e sorrisos a metro,...

perdidos os contornos deste sol,
restávamos em frente à chuva,
sem curvas do coração a voar,
para qualquer lado


domingo, 13 de janeiro de 2019

Espermatozóide em poesia

Não sabem escrever poemas. Ameaçam os tempos
idos com denúncias de ziguezagues emocionais,
e outras palavras que tais que
ninguém sabe escrever,....

remendam-te a depressão com
copos sem fundo de zurrapa,
e no meio disto tudo o silêncio pautado do fado,
o que te fura os ouvidos com quaisquer
segundos gastos a reprimir choros,...

e no fim continuam sem saber escrever poemas,
talvez ao amanhecer,
quando as pessoas voltarem a pisar as mesmas
pedras de sempre,
e a enlearem-se nos mesmos barcos que
desonram os rios,
apareça um verso-espermatozóide que
faça com que o começo doa menos


terça-feira, 27 de março de 2018

No café

Tinha apreendido o som de soltar o cabelo em escada,
E sentar-se no mesmo café de sempre,
Imaginando os degraus que dava aos raios de luz,
Quase como se fosse uma passadeira para o céu ela mesma,...

No fim do banho de solidão vinha a memória,
Engaiolada para se soltar em bateres de asas controlados,...

O tempo em que dava olhos aos olhos de quem detalhava o seu desejo,
Com retalhos do que não escondia à imaginação dos alheios que queria a paSsear-lhe na pele,...

A nostalgia subia então no ar em anéis de fumo translúcido,
Que se desvaneciam por entre outros anéis de solitários ao quilo,
Chamava-se qualquer coisa dos momentos sem nome,
Sem data,
E que se somavam a outros momentos que de tão efemeramente bons,
Também se sumiam para nunca mais voltar,...

Quando a encontrei fechou-me as pálpebras cinzento chuva,
E percebi que a teria de chamar só com poemas inconsequentes,
Como este

sexta-feira, 2 de março de 2018

Depressão

era a substância perdida da tarde escorrendo do céu,
sentia-me vento assuão,
prenúncio de calor que viola a pele,
e percorre sulcos no indissociável do estar desesperado,...

preparado em muitas formas de desnorte,
escrevi-me nas paredes dos prédios velhos que desconhecia,
chamei-me frase,
sujeito incontornável para quem me desconhecia,...

e senti-me filosoficamente desprezível,
incapaz da gnose mínima para ouvir o passar do tempo,....

e a acabar  a noite o velho habitual,....

disse-me em esperanto
continua a viver,...

porque vale a pena....

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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Ao final da tarde...



Trazias penduricalhos esquisitos de dentro do pescoço,
Amor rasgado em pedacinhos a fazer de colar,
E um sorriso invisível como ‘medalhinha’,…

Apanhei-te a sair da Igreja,
Nem me falaste por vires de mão dada com a depressão….

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