domingo, 23 de agosto de 2026

Com paredes sujas,...

 as nossas coisas,

o mesmo de sempre,

embebido em sangue,

em crimes por explicar,....


a razão porque

o dia começa enegrecido,

com paredes sujas,

sem estarem,

com uma música repetitiva,

e que convida à morte,...


as nossas coisas,

as que só vemos,

dispostas em alternância,

no chão enevoado

da casa que não é nossa


                                                                           Thanks so much

sábado, 22 de agosto de 2026

Atrasado na idade,...

 As ondas chegam recuadas,

Como prenúncio de destruição que o mar anuncia,

Encorpado,

Atrasado na idade,

No que diz de insultuoso,...


E desta vez abstendo-se de escrever no areal,

Como toalha estendida à sevícia e ao resumo de um adeus

                                                                              Tirado daqui

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Serei breve,...

 

                                                                                   Tirado daqui


Aconteceu me de poema para poema,
Deixar de saber escrever a luz,
E ouvir a perfeita conjugação do adeus,....

Serei breve,
Tanta coisa ficará por dizer,
Quando me apresentar perante a revolta,
Encarnecido e com a presença da vida nos olhos

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A prova,....

 

E sua,

Sua uma testa,

A roupa rasgada e única que se tem,

E um olhar,

Atrasado,

Sem os ajustes normais,....


Continua difícil dizer que se odeia,

Antes de se amar desesperadamente,

Fingir que se sabe uma página perdida,

E nem ter livro para acalmar,

Sentir o tranquilo desabrochar de uma noite escurecida,....


A prova,

É a luz deseperada do novo dia 

Atypical
(2017)
                                                                     Tirado daqui


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Chama se a voz,...

 Não é daquele,

Nem da minha raiva,

Não está dentro de nós,...


Tão pouco nos acorda a um qualquer fim de madrugada,

A pedir que balancemos a vida,

A façamos de todos,

Porque assim tem de ser,....


Chama se a voz,

Talvez seja maior de idade,

Constante,...


Dona de um corpo e de uma atratividade,

E é ilusão deste lado do que se descreve em prosa,

Com um titulo desafiador,

E uma única ordem coloquial como vontade,....


E agora,

Para que reparemos na bondade das flores de beira de estrada,

Que ainda restam,

Sentiremos o amor na ponta fria da língua de um felino

                                                                                 Tirado daqui

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Com o ar irresponsável,...

 Estava sempre assombrado,

pela ideia de que este espaço ja não era meu,..


Talvez um dia tenha sido,

Quando me chamavam,

E eu respondia em vazio,....


Com o ar irresponsável,

A fazer perigar um coração velho,

E diatendido,.....


Já não estamos nos tempos que se confiem,

E ha uma volúpia nas mãos que o confirma,....


Porque do dezembro desse encorpado desejo de amor,

Eu quero entender o suficiente,

Para que aqui seja de novo meu

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Este é um poema desatento,...

 À noite contávamos um número infindo de pardais,

Uns atiravam se contra os vidros embaciados das janelas,

Numa mistura opaca de loucura e amor por corresponder,.....


Outros alinhavam se nos beirais das janelas do bairro,

Cabisbaixos,

Sempre atentos às conversas impuras e desordenadas do final de dia,....


Este é um poema desatento,

Inspirado neles,

As criaturas que sem esforço,

Contribuem para a recolha de suspiros,

De uma rotina sem cor,

Mas com sons aperfeiçoados,

E fugidos da rotina,....


Dedico a pássaros de beiral,

Estas letras desordenadas

domingo, 16 de agosto de 2026

Com uma peça de roupa ao sol,..

 Mas a verdade,

E o publico,

As canções que por ali estão a passar,

Sem que a alma doa mesmo às pessoas,.....


Acho que o tempo até pode ter parado,

E um sorriso de um adulto em construção que o prova,....


Com uma peça de roupa antiquada,

Mas intensidade na forma de se relacionar com os outros,

E principalmente atractividade,

Muita mesmo,....


O tempo pára sempre quando assim é 

sábado, 15 de agosto de 2026

Escrito a 9 de dezembro de 2025, a ver o canal 180

 


De um rotundo não,

As penas de um corvo,

Desejo vos como

 um todo,

Sentindo nos abraçados

 na noite,....


Com um velho desiludido,

Que conforta uma mulher do mal,

Vestida de tudo o que o negro desfaz,....


Sim,

Falei de um rotundo não,...


O dia hesitará em 

regressar,

Enquanto saltamos,

Desfazemos,

Nos desiludimos,

Sendo nós,

Por mais algum momento 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A gente descobre,....

 A gente descobre,

Ao acaso,

Dizerem da vida a pouca sorte,...


Roupas espalhadas pelo chao,

 Narizes ainda por formar,

Com muco seco,

E olhos tristes a acompanhar, .. 


A gente descobre que falta pouco para o entortar do dia,

Vir a mulher de todos os dias,

Aba de grilo irregularmente pendurada no antebraço,

E a dizer desculpas sem qualquer atenção e prazer, .. 


E ao recomeçar a ler o livro,

Descobrimos ainda assim alguma solidão,

Nao pesa,

Está nua,

E teremos de a aquecer,

Enquanto o jazz não termina 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

E fossem as recusas,...

 Ao fundo da rua,

A experiência de um ato interrompido,...


Como a respiração inconsequente,

Dolorosa,

Andando por aí como se o andar doesse,...


E fossem as recusas,

Todos os naos ditos e espalhados pela calçada,

Que nos condicionassem como seres humanos,....


Como criaturas da malvadez medida em cigarros mal fumados,

Em experiências desnorteadas de amor por nós próprios,...


E depois disto,

Percorrido o calvário das estrofes,

Chegado o tempo de ao provar o teu corpo,

Palmilhar as imprecisões que te deixei na mesa da cozinha

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Antes de ti,...

 Nem tanto pelo tempo,

Nem pela verdade,

Antes de ti,

E de tudo,

Surge como explicar os números do silêncio,....


É um dever para a memória da nossa eternidade,

Roupas que vestimos às feridas que não saram,

Para assim deixar contidos os fantasmas do passado,....


E como contas do que nos surge como verdadeiro,

Uma folha limpa,

Sem nada para dizer 

Nature artwork
De: Andy Goldsworthy

terça-feira, 11 de agosto de 2026

À beira da ribeira,....

 À beira da ribeira,

Tu e eu passamos a fogo,...


Os destinos que escolhemos,

Juntos e no mesmo olhar,

Galgam assim encostas consecutivas,

Seguindo por montanhas e vales,

E sob formas de tantas ideias,

Abeiram se dos últimos pontos do mundo,

Para do alto do inalcançável,

Perder a mão ao que vai ser o fim do mundo,....


Prostrado e sem tempo nem lugar de estudo,

Mas constante para sempre,

À beira da ribeira 

The Shanara Chronicles
2017

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O deve e o haver,...

 O deve e o haver,

Deitar na cama que concebemos,

Sem companhia,

De consciência perfeita e mal desenhada,

A pensar que a relação com a verdade,

Com os desejos deixados por completar,

Poderão surgir,

Sem roupa,....


Afortunados sem saber,

Para que a noite,

Deixe de resto zero,

O peso do resto de uma vida,

Que se viverá a si própria 

Folhas (Leaves)
Foto de: Ricardo Félix
                                                                                Tirado daqui

domingo, 9 de agosto de 2026

...como uma banana madura

 Caramba, ainda me lembro. Eu não tinha culpa das observações descontextualizadas. Da roupa mal escolhida, com cores que não combinavam. Ou até dos silêncios fora de tempo, com durações erradas. E as reações. Sim, lembro-me das reações. Como se a praça central daquela terra, fosse o tribunal final da raça humana, capaz de julgar os incapazes, e absolver os suportáveis a mais algum tempo de vivência. Eu não tinha culpa. Era um miúdo. Lia os livros errados. Tomava notas de rodapé por amor ao ato de me cultivar. Mas de pouco me serviam. Assim conheci um destino à prova de água, à prova de sepultamento. À prova de tudo. Prosseguir, sem destino, fintando os obstáculos, as decisões mal tomadas, os juízos formulados para magoar. Eu era o invisível, aquele em que todos acabaram por aprender a não reparar. E havia muito para andar ainda, até que outro mundo se me descascasse,… como uma banana madura.

Fotografia de Anna Paola Guerra
                                                                          Tirado daqui

sábado, 8 de agosto de 2026

E sais,..

 Vês,

Pressiono esta ferida no limite do corpo,
E a dor apresenta se,
Olhos suaves,
De cor macia e raiados a sangue,....

Lábios pintados de um vermelho invasor,
Defendidos pela madrugada que se amedronta com gemidos dispersos,....

Nao domino o resguardo do prazer,
A vontade de limitar danos,
A um corpo que se esqueceu de identificação e  idade,....

E sais,
Sem assim me conheceres,
Dizeres importância,
Quando me esquecerás pela ponta da sobranceria
Fotografia de: Anna Paola Guerra
                                                                 Tirado daqui

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Por isso temos problemas,...

 Também temos os nossos problemas. A água nem sempre arrefece da mesma forma. Que nos digam é de noite, quando acabei de me sentir afligido pelo calor desnutrido que baila pelo ar.

Nao tens de entender como me expresso. Não tens de gostar da forma como leio oa meus livros, se entoo o amor de maneira profunda, e o desespero como uma passagem sem importância.  

Tudo o que não seja entender isto como uma religiao, a maneira como nos vemos como divindades um do outro, é errada. Por isso temos problemas. Mas que não sirvam para nos afligirmos. Ainda so temos um peso relativamente acessível para suportar, na rotina de todas as horas, quando tentamos vencer esta escadaria que nos ha de levar a algum sitio 

                                                                        Tirado daqui

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O novo normal,..

 É difícil isto e aquilo,

Dizer de um quadro,

De um prato de sopa frio,

Aquilo que nos obrigam,

Que querem impor nos

 como linguagem supra legal,....


O novo normal,...


É difícil prosseguir,

Sabendo que não temos mais mão,

Ordem suficiente para nos fazer continuar,

Como se de uma flor,

 se fizesse algo que compense,

E do vazio uma mesa cheia de comida,....


E parecerá certo,

Mesmo que o errado,

parta para longe,

E nós como se espera,

Nos deixemos desesperados,

E mais velhos 

Fotografia de: Nina Papiorek
                                                                        Tirado daqui

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

E do fundo,...

 Foste ao fundo de dizer que não se gosta,

Com o sono esvaido em sangue numa cara feia refletida num espelho,...


Sem parte de um dia avariado,

Com verdades, 

Ilusões, 

Gatos envelhecidos em chapéus escondidos em várias casas,....


 Não se gosta é agora estação do estio,

Arranjaram se letras que amanhecem num dia aniversariante,...


E do fundo,

Do chao gasto de uma fortuna feita pão,

É fome e um ramo de flores no teu olhar distante,

E de meio da semana com que sabes fechar os dias


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Como de costume,...

 como de costume, eu digo que é tarde.olho em frente, está um relógio velho, sem pilha, parado no meio dia, ou na meia noite, por falta de pilha. Dois azulejos da parede estão rachados. a parede precisa de pintura urgente, com um branco desmaiado e sem idade. Precisas de letra grande, como esta. Capitular. olhas-me com um perder inerente. Um verbo conjugado tão irregularmente, como sem odor. e a tua roupa prova uma vivência irregular. cheia de livros por ler. cumprimentos insonsos, dados a pessoas que se calhar nunca conheceste. não é tarde, porque assim nunca será. Vai ser sempre de dia, com um azul agravado, cheio de censura e insultos díspares, e distribuídos sem qualquer ordem específica. não é tarde. mas também já não falta muito para a noite.

Museu MOA 
Países Baixos
                                                                               Tirado daqui

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Uma noite que nos entenda,...

 

Friendly Rivalry
Episódio 16

É difícil perceber,
A nudez sobrepoe se ao silêncio,...

Nem sempre escrever presença,
Dizer daqui que se gosta,
Que se sentiram as ausências,
E se descreveram as últimas roupas antes da morte,
Faz uma razão clara,....

Uma noite que nos entenda,
E se aperceba da vontade que uma versão diferente de um título,
Traz ao esforço de recordar,
Semelhante a este mirar de medos 

sábado, 1 de agosto de 2026

Inatingiveis on tour

Rua de acesso à catedral de santo Estêvão, 
Budapeste, Hungria 



 

E quando a noite chegar,....

 A vida passa,

E eu repito as horas que o explicam,...


Vestido de roupas velhas,

Despido à janela com o frio como companhia,

É indiferente,....


A verdade está nos pormenores,

Quando antes estava na volta matinal da mulher que ja viveu,

À volta do quarteirão,

Sem que o destino esteja entre as prioridades que tenham defesa,...


E quando a noite chegar,

Estarei a desistir de promessas inconsequentes

Foto de: Haik Kocharian
Nova Iorque, EUA
                                                                  Tirado daqui