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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Com desenhos de ti espalhados,...

 Se um adeus existisse como a memória,

Os desenhos de criança gravados nas palmas das mãos ,

Tirariam idade à dor,...


Haveria dias mais pequenos que os brancos de olhos lacrimejantes,

E comeria ar,

Num sentido figurado,

Irreal,

Com desenhos de ti espalhados pelo real que me circunda,...


Mas seria de ar que viveria,

E da minha pessoa restava a palma de uma mão,

Ponto intermédio desta história ainda sem presença e peso

                            Tirado daqui

sábado, 31 de maio de 2025

Briqueabraques

 Entre todos os briqueabraques,

As indecisões,

Os momentos em que um toque desfez o gelo,...


Tudo não significa mais que medo,

Um correr de água permanente e entediante,

Destinado a partir as hesitações....


A fazer com que os livros se abram na página certa,

Indicando que hoje é aquele dia que se esperava,

E que a espera só irá prolongar todas as agonias possíveis,

E até indesejáveis 

                                                                        Tirado daqui

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Frases aluadas

 


Não estava propriamente radiante,

Mostrava-o com pequenos gestos,

Escondendo-se em frases aluadas,

Olhares de sol posto,

Presenças semi notadas na praça pública de todos os dias,...


Estava disposto a mudar,

Apenas e só quando um eclipse de sol posto,

Sob a forma atenuada de uma mulher,

Ocultasse aquele espaço de momentos sem conta

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

as noites(...)desossadas

as noites,
como seriam desossadas,
prato de luz para esfomeados,
as noites de preço nulo,
garganta seca e sem voz,
que geme sexo,...

as noites de escritos
enegrecidos,
envelhecidos,
que andam de polainas
gastas,
e que embebidas em
fidelidade,
não serão dias secos,
e de um passado enlutado

sábado, 20 de março de 2021

Escrever luz

 


Ou lugar ou sentido,

Frutificado,

Inocente de crimes de Anonimato,

De responsabilidade no desejo reprimido,... 


Presente num olhar de velho aprisionado,

Pela pergunta de todas as crianças inexistentes do mundo,....


Sentido sim,

Mas despido de referências, 

Sem soluções para a angústia humana,... 


Sem que haja lugar em que seja possível escrever luz, 

Com as letras da ausência de alimento para a solidão 


sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Distantes formas de solidão

até que a distância os separe,
e haja estrada,
rasto de poeira que alimente
as vestes de estar só,
até que tudo não seja mais
que uma ilusão,
só aí haverá margem para
o lateral das coisas,...

e eles já longe,
cada um percebendo os sentimentos
da forma iludida,
descomprometida,
só aí lavarão as roupas em seco,
e seguirão com a vida a
perceber que,
o melhor de nós está nos momentos
que não se entendem,
e não se vivem juntos,
e o pior está nas alegrias
que ninguém compreende,...

só quando a distância os separou,
perceberam a razão de
não se saber escrever o percetível,
e de haver roupas que
não se devem usar mais,
quando perdem cheiros
que nos completam


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

De broa do

esperar por quê,
se o tempo não se
veste para sair daqui morto,
recordado como terra,
esperar sim,
mas na vanguarda
da decisão,
independente do vício,
dos lamentos
dos rios que vacilam
em pranto,
quando tudo na vida
 abana em seco
para o abismo,....

a meu ver nada,
se pinta a ocre
enquanto os olhos
 cegos se adaptam
ao sangue,
nada faz sentido
 ao esperar pela força,...

nada mais presente que o
passado de fome cantado


domingo, 18 de agosto de 2019

Precisa medida da necessidade

raízes tão finas
como o choro,
a decisão falsa de
ignorares o tempo,
e o passeio pelas findas
encostas da desilusão,...

resumi assim aquela noite
em que percorri
caminhos obtusos,
onde o esquecimento se perdeu
na raíz iludida da água,...

e ao longe a precisa medida
da necessidade



terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Primordial mente

Disseste que me davas o céu rasgado, desfeito até só sobrarem estrelas filhas da explosão primordial,...

A manhã rompia com uma gélida sensação de falhanço,
Ao longe pequenos pontos de conformismo caminhavam irregularmente para qualquer coisa igual a ontem,
E sem fim descrito em parte nenhuma,...

Conversámos até o planeta parar,
Ouvia a criação presa ao invisível á espera que tudo fosse normal em sangue novamente,...

Só que das flores veio o poema,
Só se me desses o luar poderia haver vida desenhada num novo entardecer,

Até lá criámos o desnorte controlado pelo som dos oceanos

domingo, 3 de dezembro de 2017

Abraços angélicos da loucura....


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Desusadas as coisas em cima desta mesa,
Fruto do tempo e da insofismável precisão do crer,
Repousaste decidida na brisa vinda de todos os sítios
Imprecisos do planeta,
Falávamos do necessário para estar vivos,
Do que o mundo precisava para girar para sempre até
tombar no canto do universo,..

e de fora ficavam as minudências de saber pensar,
era algo deixado para trás,
não cabia naquele momento em que só o tempo frio e calcário nos
deixava em qualquer coisa de repetir o desnecessário
do sobreviver,

passaram muitos relógios de tempo temperado,
e ainda aqui quedos no triste tempo de só nos termos,

para escapar aos abraços angélicos da loucura…

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Testamento poético na rua

Calçada a morte nos pés soltos  
De quem passava,
Aquela era a rua que vencia o tempo com a força do segundo repetido,
Das coisas desnecessárias deixadas para trás porque nem 
Contavam,...

Onde a chuva batia sempre mais vezes que o preciso,
Com um sol mal desenhado a acalentar esperanças que ninguém percebia,
E o dono eram todos os donos sem dono,
Porque livres com o desconhecimento doce das vidas sem propósito,...

E foi com os tais pés de morte que a morte apareceu,
Tomou as chaves do passar do tempo daquele lugar e fechou-o,

Resta qualquer coisa depois de ler este último testamento poético e sem sentido....