segunda-feira, outubro 30, 2017

Outono quente

A praça espera pelo teu sorriso,
Todos as luzes adormeceram sufocadas por um choro surdo,
Ansiosas pelo resplendor ao sol que  cada passo teu representa,...

Já não há noites estreladas,
Só dias iguais ao entardecer 
E diferentes na ânsia de quererem calor morno de um sol desenhado a tons de alegria,...

Volta,
Levanta te desse sono indissociável do silêncio que me arranha a alegria de estar vivo ...

domingo, outubro 29, 2017

Writing..

Quero escrever,
Dizer o que penso sem falar ,
Resumir o que inseguramente me mata o riso,
Lavar a alma,
Fazer o lindo abstrair se do feio,...

Quero escrever porque a vida me deve o que de belo eu sou,
E o que de feio não quero nunca mais ser,

Se escrevo bem ou mal isso que digam os que vierem depois,
E os que estão agora,
E os que do passado me disseram a mim e outros que sim,
Que continuar é desafiar tudo isto fazendo o suficiente para dormir,
E regressar para mais, sempre mais,...


Passar por aqui é dizer a quem vem depois que somos o avesso do que nunca quisemos ser ...

sexta-feira, outubro 27, 2017

Texto #89

Foi o pior dia de vidas que estavam unidas, naquele corrupio de eternos anoiteceres ocorrido quando as costas se viraram. Da calma de uma praça de cidade pequena, de repente, surgiu a tempestade do saber-se que nunca mais olhares apaixonados se cruzariam. Lágrimas rolavam até se partirem, como cristais, na calçada portuguesa endurecida por décadas. Só restou a enviesada sensação de que às vezes é assim que se desfiam os pormenores da tristeza como costela imprescindível da condição humana….
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Cósmico dia a dia

De montes feitos chuva do sol escorrido do céu,
Pastores rasos e ovelhas homem,
O destino são traços rasurados num poema,
Admiro a face nua do tempo que passa assim,
Pessoas simples factos mil,
E escreve se um povo,
E descrevem se mortes,
Legiões inteiras de pais que não
Beijaram o sucesso dos filhos,
Homens que cresceram sem a sombra protetora,
E no fim a calma de saber,
Que a explosão da criação se reverterá no dia em que o céu for autofagico

quinta-feira, outubro 26, 2017

Conforme o conformismo



Mais povo mas menos escritores,

Era o grito arranhado e estridente 
Que pululava na Praça de tarde bem anoitecida, 
As mulheres querem trabalho honrado para os maridos,
Os maridos não querem culpa
Na dor enraivecida dos filhos com fome,
Os filhos fogem aos avós chorosos, 
E a carne de todos arde na irrelevância sofrida do tempo que espezinha o lupen que nada vale,

A lua despe o céu do Sol tímido de outono,
Com o último grito de revolução o silêncio espanca todos a uma submissão encardida e unitária ...



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sábado, outubro 21, 2017

Salsugem (Al Berto), ou como se escreve bem para xuxu!!!

queria ser marinheiro correr mundo
com as mãos abertas ao rumo das aves costeiras
a boca magoando-se na visão das viagens
levaria na bagagem a sonolenta canção dos ventos
e a infindável espera do país assustado pelas águas

debruçou-se para o outro lado do espelho
onde o corpo se torna aéreo até aos ossos
a noite devolveu-lhe outro corpo vogando
ao abandono dum secreto regresso... depois
guardou a paixão de longínquos dias no saco de lona
e do fundo nostálgico do espelho
surgiram os súbitos olhos do mar

cresceram-lhe búzios nas pálpebras algas finas
moviam-se medusas luminosas ao alcance da fala
e o peito era o extenso areal
onde as lendas e as crónicas tinham esquecido
enigmáticos esqueletos insectos e preciosos metais

um fio de sémen atava o coração devassado pela salsugem
o corpo separava-se da milenar sombra
imobilizava-se no sono antigo da terra
descia ao esquecimento de tudo... navegava
no rumor das águas oxidadas agarrava-se à raiz das espadas
ia de mastro em mastro perscrutando a insónia
abrindo ácidos lumes pelo rosto incerto dalgum mar

sexta-feira, outubro 20, 2017

Casos soltos no mundo


Desvendados em razões de fumo baço,
Fomos todos assim naquele momento de qualquer coisa
passada vivido ao sol,
Eram misérias escarlates em sexteto,
Gritadas ao vento pelo mais louco dos
invisíveis da sorte,
Foram pedidos,
Constantes ladainhas de amores trocadas por pedras de comer pelas solitárias habituais,..

Ao longe tudo era pintado a sono solto,
Assim acabou a noite em repetição da aldeia mais perdida do mundo….

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domingo, outubro 15, 2017

Escrita ressarcida

...o homem disse que queria escrever um livro,
Mas ia ser diferente,
Não poderia ter frases,
Palavras,
Letras,
Pontuação,
Nem sequer lamechices de casalinhos a viverem felizes para sempre,...

Perguntaram lhe como seria isso possível ?
Disse que não sabia,...

Talvez se confiasse em alguém de uma forma doentia,
E depois fosse traído a ponto de querer morrer, 

Pegasse numa pedra e rasgasse sulcos no tempo em número suficiente para fazer sentido ....

quarta-feira, outubro 11, 2017

Mulher e o seu gato

Todas as manhãs escondia-se do sol. Já tinha um mantozinho, cortado mesmo à medida, e feito de uma rede mosquiteira que apanhara na rua. Fez mangas, dois bolsos para pôr as coisas da costura, e servia como uma bata. E desde que aquela maldita bola amarela aparecia, até que a escuridão voltava, ficava sentada numa cadeira de verga, na cozinha escura, a ver o gato malhado a brincar com duas bolas de pêlo. Enganava o estômago, quase sempre, com dois bocados de pão que lhe trazia a vizinha do piso de cima, mal a noite chegava, e uns  bebericos de chá que a cafeteira dava quando a lenha queria queimar e cuspir calor. Não era coisa que gostasse, fazer aquilo. Mas em criança ouvira falar de que o sol queimava as ideias às pessoas, já para não falar que deixava o cabelo tipo fios de esparguete depois de cozido. E assim se foram passando os anos. Quando começou já não era nova. E já perto do fim sentia-se só um bocadinho velha. Por isso, quando o último suspiro chegou, ao menos ficou o conforto de que o gato que brincou anos a fio com duas bolas de pêlo tinha crescido, envelhecido, e agora jazia à entrada do quintal.Ele sempre gostou de sol….



 Image result for velha e um gato



quinta-feira, outubro 05, 2017

Dói-me a cabeça....

Maria de fora,
Luzes de som,
Estou com fome,
Vá, foge para o bas-fond,…

Já marchava uma sandes,
A cerveja aquece pouco,
Diz que os torresmos são da flandres,
Olha, quero é dormir antes,…

Espero por ti até um dia,
Pelo sim, pelo não, pego na aspirina,
Se bem lembro na posologia,
Não vem lá que aquilo tem estricnina,

Já desconfio de tudo,
Parte de cima,  parte de baixo,
Dá-me a muleta enquanto estou sisudo,
Para a próxima abrando o fogo no faixo,…

Maria de fora,
Luzes de som,
Já estou farto,
Reduz mas é o tom….

Premissas de sofrimento

Desprendeste-te daquele segundo ininterrupto,
Para que só a sombra do respirar intermitente que
o amor te dava ficasse visível,
O resto foram sombras em luta de lágrimas,
Promessas de que te embrenharias nos braços da
morte adocicada se eu fosse,
Que a vida deixava de ser a dança de suspiros que tinha
sido se tudo acabasse,…

Ouvi cada entoação,
cada certeza incerta do que juravas ser uma inevitabilidade,…

A responder tens este poema,
Sou só eu a dizer que o amanhã vale muito
mais do que eu no meio de tudo o que transpiraste
em tristeza….


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