sábado, março 28, 2009

Depois de almoço II

enchido o deslindar
desta tarde de cheiros
a hesitações,
deixaste-nos aqui,
sonhando com o que vem
depois do beijo....

sexta-feira, março 27, 2009

Nove Noventa Três


um,
soco dois,
três findos de
pesar,
em quatro nós
confiamos o
resolvido e inacabado,
pelas cinco cá me maltratas,
e seis subtis fases
de tudo pensar,
com o ecoar de sete
furos no esófago,
de oito tiros para
arregalar,
nove noventa e três,
ano de dez formas
que tive para suplicar,
ódios......

quinta-feira, março 26, 2009

porque a indecisão são dois dias interrompidos...

O céu rebentava em pequenas flores carcomidas. Com o sol estático, em doses de admiração contida, o horizonte desfazia-se ao longe. Ácido o que parecia terminar com lágrimas de sangue a verterem para o rio de pérolas insanas que desmazelava caminho naquele final de tarde. As margens eram de ferro. Com pessoas pequeninas, que se envolviam em conflitos inodoros. Aplaudiam sem saber o quê, com o porquê de tentarem descobrir-se em pormenores resolutos, conversando. Desconversando. Insultando. Confluências de gerúndios com uma chuva insuplicante, que molestava a tábua de tortura reluzente do rio que corria para um fim deslocado.

Sem título (27)


estava uma coisa mínima
escrita no pé de página
do diário de resistências
deste jovem,
flores em catadupa
choviam nas margens utópicas
deste antro de criação,
com arrumo,
desenhou-se assim
uma consternada constatação
de imediatas falripas
de formas esquisitas de ver
a maneira de gostar sublimamente,
e tudo num bom espectáculo
à sombra do que as coisas
nos dizem para derreter em
dois lumes de fricção.....

terça-feira, março 17, 2009

Sem título (28)


na lenitiva dissenção
de um suspiro,
eu em mil novecentos
e um tormento,
à beira-rio das flores,
Queria,
no que querer tem
de ser por segundos feito,
desenhadas intervenções
de suor proletário,
feitas em cruz de mal
as pazes com o
frouxo do tempo,
Saltei....

Tomo um,
Meio segundo
em pausa reflexiva,
Luxos,
eu em dois mil
e qualquer coisa que sobre,
de restos foscos de escrita
assustada e comprometida
....

Eficazmente desafogado

Sou aquele equívoco morno, que descobriste no dia ensimesmado de frio em que te perdeste. Não padeço dessa loucura fervida, que tanto gostas de beber aos goles travados quando te delicias com aquele Tchekov que ninguém descobre indo ao teatro. Sou precisamente isso. O inesperado feito conceito inútil de duas maneiras distintas de ver a vida. A boa, quando amanhecem partes insofismáveis do meu ser que ninguém conhecem. A má, incapaz de descrever o resto que ficou por dizer.
Na suma de tudo o que confunde apresenta-se, findo, o relato torto do mundo prévio à morte de ternuras que só a mim me espera.

sábado, março 14, 2009

Sombra


sombra, dizia-te para tornares o momento silício. daqueles componentes por detrás dos quais tu te poderias esconder, se a facilidade com que o tempo se desdobra em equívocos fosse, de facto, causa para chorares. deixaste-me a subtileza de esperar pelas facilidades todas do mundo, com o concílio de que aguardar pelo fácil, traz sempre uma minudência difícil de definir. sombra, foi assim o epitáfio desta coisa inebriante que construímos juntos. eu quis definir este poema que foi o nosso suspiro, e sem que me deixasses, tornei-o pó de limites indefiníveis de coisas podres....

quinta-feira, março 12, 2009

Cuco

faz pelo simples
desnorte dos minutos
que tombam,
pensa com o mesmo afã
disso,
o suspiro que te cativa
e faz lúgubre,
com as noites de noite
cantadas em uníssono por que tem de ser...

quarta-feira, março 11, 2009

Assim como se fosse belo....

daqui,
nalgum lugar de frios
alternativos,
do que fosse,
de menos que sonhos
partidos e recalcados,
da simples manha das
meninas de olhos envelhecidos,
com tudo previsto
na redacção infinita de
dias assim planeados
e descomprometidos....

quinta-feira, março 05, 2009

Amorzinhos

peguei-te,
com o encarquilhado do lado
astuto desta emoção,
fizeste vento numa tarde
insofismável
que teimava em desfazer-se em
bocadinhos de noite atenta,
com a pequena virtude deste lindo
verso onírico que segurava entre os dedos
anoitecidos que me assustavam...

levei-te pelo braço do que o
pedido de amor me permitia fazer,
queria-nos assim neste
prato de confusões mal esclarecidas,
quietos,
a marinar por sonhos
com pequenas florzinhas
de cheiro difícil de definir,
desenhados neste mundo balizado
por emoções que ninguém festeja,
foi acordados,
que a beleza fez de nós
pontos finais de uma redacção
de exclamações envelhecidas.....

domingo, março 01, 2009

Escriturando

Escreverás para o que pensas ser teu. Linhas são menos que pensamentos nessa dança de perspectivas que te entontecem mais que o inebriante desfilar de ensurdecedores gritos que é o amor. Escreves porque sim. Dizes que não, mas rediges uma afirmativa negação de seres negado à partida. Dirimes a tua própria essência, quando o que tens é nada menos que simples discussões do teu ser inculto. Criaste bem esse conto em que o sentido último das coisas, foi descreverem um mundo em que as coisas nem sequer têm sentido. Gostei do que deste a esse personagem inodoro. Agora volta ao mundo dos tempos que correm lestos e sem indecisões.

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