sexta-feira, maio 29, 2009

E o prémio do ridículo vai para....

....quando o súbito voou acima daquela envolvente de neblina que nos tocava a todos ao amanhecer, o tempo imobilizou o que restava da ânsia de mudar o que já feito, deixava para trás o que restava em tons de hesitação. Elevei-me, fazendo crescer o olhar descosido e desabrido de restrições coloridas. Sentindo-me inóquo, abria-me a novas experiências cromáticas. O céu cheirava a azul. A flor do meu desejo, era vermelha no prisma intelectual do sangue que jorra em crimes por explicar. Foram dias tépidos. De um calor que não vem nos livros, e quando as explicações nos deixam assim, cravam-se de psicodramas emotivos e cheios de choros por encher de risos incontidos.

quarta-feira, maio 27, 2009

Diabolização

pensar,
liberto
de sonhos,
por cima
de todos,
que,
sem respirar,
esperam sós
por limites
fechados
de subserviência,
ao desdém
dos redondos
dias que
se engolem,
parados,...

ao sol,
por momentos
felizes,
pensamos alto,
digerimos feroz
trauma de menino
forte,
inspiramos,
suspiro de
circunstância,...

rebentando,...

fazer assim
de catarse do
mundo,
pesa no
ódio,
que despertado
à míngua de
de fases
extraídas
da lua
ingrata,
nos faz pedir,
e por fim
resistir,
ao toque
de midas
do acordar
tranquilo....

terça-feira, maio 26, 2009

Sem título (25)

será o ouro,
farto prometer de chuva
de arrependimentos,
o que de ti faz
pena suficiente para o calvário
de segundos feitos
séculos de sangue
em que vivo,...

de prata serás quando
quiseres fazer de todos
menos que a porção
infinita de quem daqui
tanto te quer por bem entender,
vi-te face explícita do
entardecer acústico
onde banhado em espectros
de quem soletra,
estarei presente no
desfazer dos dias
enleados em som
que não se ouve....

sábado, maio 23, 2009

Avenida a marchar sem som

já que o fraco som
da legislada precariedade
nem sobra para o vento
que nos alisa a memória,
que se abram portas
invisíveis de democracia
flambé,...

à espera com gritos,
aguardando pelos aflitos,
dos descarnados com
aflicão,
de gente fluente em
escarros e consideração,
com mistos de
fado,
e zonas de morte sem tom,...

findo o pranto descrito assim
restaste o que podendo ser,
foi-se com lutas de mim
para o nada....

quinta-feira, maio 21, 2009

Face

Face,
plena de vezes
geradas de fé,
com tudo e
sem nadas,
paz assim de sonhos,
guerra em fogo finto,
dupla face,
mês para os ses,
dos anos escapados,
assim,
por dedos de zês,
em passo de velho,
com morte de pêndulo,
na face....

quarta-feira, maio 20, 2009

Fado do que tempo que corre

à senhora mais menina da esquina
menos feminina deste mundo que já foi homem,
tornaste são o suspiro entre
o meio do genitivo composto de fim de semana,
tardam meios de te ter,
fábulas para esquecer,
resguardos improvisados e desnortes com sal de morte,
ao final de um dia destes,
parecido com o de anteontem,
e ansioso pelo que vem,
resguardado do pó dos segundos que,
juntos,
fazem muros de horas,
lamento-me de que embora,
tenha assim o minuto perdido,
de ao dizer a mim mesmo,
que sou preciso para terminar o conjunto,
de dois dedos de rima com um de impoluto
desejo.....

terça-feira, maio 19, 2009

Porque os porquês são sempre o que mais me lixa

Do que se apresenta
ao branco da incerteza, resta pouco de quem
se fez uno com este cenário que já foi de certezas...

deserto por sentir o incerto,
Falacioso, por incapaz de abraçar unas certezas,..

não crio nada,...

só regurgito
pequenos poços de verve retórica,
tudo me diferencia do que já me fez único..

pictorizo, para escapar às conjecturas,
lamento todos os países
de pequenas rugas que criei no sorriso fresco do
mundo à sombra...

sem conseguir,
sequer produzir,
desníveis mesmo que
imperfeitos de loucura
colorida e descontrolada....

Sem título (26)

tolos versos,
prenhos de sexo,
falta de senso,
para me cuidar
e desmembrar,..

poema a meio,
frete ou cheiro
a centeio,
de virgem apurada,
enamorada de tolos,
com chuva a cair,
trovões sem sorrir,...

noite de medos fáceis,
inspiração agarrada
a flatulências ocasionais,
faros de anormais,...

para acabar sem o sim,
só de não disparado
e já morto,
para fazer o que se espera,
disto que se assemelha,
a poema semi-torto,
com raíz ecuménica,
para no fim dizer,
que sós somos todos,
mesmo quando para dentro,
restam-nos ovos,
podres ovos de sonhos
reflexos,
e medonhos....

quarta-feira, maio 13, 2009

Rendimento social de inserção


fim de tarde sobremaneira
enfadado por parecer
de desenlaces eventualmente
feitos
à sombra e ao sol,
achado aqui,
no meio e em fundo
de choros de diáspora
luminosa,
serei falado,
arranhado à pressa,
discutido,
sobrevalorizado,
de conselhos pintado,
e passam assim as
franjas do dia colcha de
humildade.....

sexta-feira, maio 08, 2009

Dadaísmo


Porque o porquê sabia bem assim, desfê-lo em sumidas incertezas. Descrito como um mais esvaído agente da falácia, o chamamento abrigou-se debaixo do raio persistente daquela tarde. O Verão desmaiava, caminhava para o êxtase da consumição. Aos dias retiravam-se partes incertas do que já tinha sido, para porventura voltar a ser a partir do nada. E criava. A luz desenhava-se, recriava-se, e morrendo, surgia para se fazer mártir de momentos assim reflectidos e consumados. Achado, agarrado em entardeceres que existiam para depois congelar, sumarizou-se o autor como admirado fazedor de reformas e retirados estetas. O quadro estava para se concluir, quando o céu se desprendeu da redoma em que se havia mantido infiel. A terra bebeu da própria morte, e gostou. Do chão, começaram a ressurgir espectros de existência falhada, em forma de sinos retumbantes da vitória do bem moribundo.Espectros de luz desmaiada abraçavam penas sôfregas de querer bem a tudo isto que nada é. Nadava em sufoco, em engasgos retumbantes, para depois iludido escrever fim, e na protuberância sonora do desligar do dia, parecer bem. Parecer-se menos mal. Fim. Missão de luz incumprida.

Regresso V

aquelas tardes assim
predispostas a espiolhar
os sentimentos continuados
em cadências azuis dúvida,
com os mims a pedirem
que te esfrangalhes
próxima do rebentar
do mar de antanho
em que sempre nos
rebolámos separados,
descrevo-te para depois
parar por cima dos restolhos
de cinzel que, pintados
da tarde, faziam-nos noites
aqui em cima onde o mal não
chega por ser de papel pintado,
finda a renúncia a fogos assim
tão terrenos,
parei por momentos chave,
quero luz e mais parecenças com
mitos escaldados e mortos.....

Assuão Stop

tabacos surdos,
gostava da noite amena
e repleta de grasnares,
em praça de públicos
diferentes e sós,
lisongeava-se sem
a paz carente dos
abastados de atenção,
chamava-se o que queria,
desfeito assim e
plural de equívocos,
limita escrevinhanços
à média luz do opaco sufoco
do que não
ouve e reparte ao ver,
simbiose perfeita
da loucura descrita,
ei-lo assim pálido,
à espera de quem
pulule do ufano deste
assim morto papel....

quinta-feira, maio 07, 2009

Florido anoitecer

cá me ponho,
peça prévia de sono,
luta fingida quente,
tarde sol de chuva feita,
dose de riso quente
da criança que me faço,
da morte solarenga e
lactante como fecho,
dos sons fartos da
chuva menina com que durmo....

sexta-feira, maio 01, 2009

Zé Pequeno Português Banal


A participada feitura de glórias
assim desenhadas,
acabou,
é o mercado dos desejos
irreflectidos e blasés que
definindo o esteta,
participa no silêncio daquele silêncio em mar
que te pintou a esquina desdobrada que
compraste no shopping,
de tons com metalizadas
sensações de cumprimento,
está o que guardado para o fim,
te deu o passe de regresso ao ecuménico,
ser de luz preta,
embrulha-te no profano,
a dissensão de ter que
escrever com o olho furado
já te dói para contares aos que
te vulgarizam o redutor segundo com que te banhas.....

O homem que retalhou o seu adeus


O corpo criva-se daquelas pequenas saliências que deixam incrementar o medo de que as coisas acabem assim com aquela brisa que corre entre as mãos de quem nos observa. Tenho frio. Mas uma série de situações tão consecutivas fazem-me este frio, que acaba por ser uma infindável porta de insucessos ter de o suportar. Sem gostar de o sentir. Sem sequer conseguir pormenorizar. Racionalizei-me todo em anos de desnutrição emocional.
Prendi-me assim neste bocado de húmus, e sinto-me árvore. Os dedos dos pés terão com certeza fundido magma, porque nunca quis ser o frio das coisas por resolver. Passam por mim os sentidos do que se apaga assim, por ser falso. Tenho frio. Já disse que quero compensações por já ser uno com este chão que me contempla de baixo.
Passaste ao fundo, por entre o raio de sol que sempre te abraçou, dando-te a beleza que me certificou como o viciado mais influente de entre os estetas do mundo. Passo, após passo, após medo, perdi-te naquele horizonte quando, dando-me as costas, assinando-me a despedida do que foram caminhos comuns de sorrisos, seguiste o que te falta cumprir desta estrada que nos corta a meio caminho.
Já te disse que tenho frio? Abraçado por gritos de frontarias feias que nunca tiveram potência suficiente para descolar em direcção ao belo, desfaço-me para depois me liquidificar. Já sou precisão efectiva de um relógio que descrevi naqueles rabiscos de criação que, por esta hora, te estarão porventura a amparar as lágrimas de cristal com que me apaixonaste.
Adeus. Naquilo que o adeus tem de mais breve passagem para dores de felicidade comum em conjunto.

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