sábado, dezembro 31, 2011

Último post de 2011 (O quarto esférico do fim)

Sentava-me muito quietinho em cima de uma cadeira mínima. Os pés daquele rebordo de boneca eram trémulos, e estavam assentes como que por incerteza no chão de azulejo na sala onde havia nascido, 40 e tal anos antes. Gostava de me apresentar, nestes preparos, como o anfitrião dos receios das pessoas. Não que o desejasse. Até me achava boa pessoa. Com desejos ocasionais por chocolate, e a incerteza que isso dá em termos de contacto produtivo com um semelhante. Mas atraía o receio...

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Que se passa...


outros houve que quando aqui passaram,
disseram de nós o que sobre si próprios nem nunca tinham construído. Que seríamos paz.
Infrutíferas tentativas de fazer mal às pequenas coisas de quando o mundo gira.
negamo-lo agarrados ao pó que fica do tempo que passa.
amantizados com o resto do segundo, infrutiferamente em desespero com a respiração que escasseia no tóxico quarto em que queremos chorar,....tranquilos
,....longe do calor da suficiente paz do caminho para o fim da existência.....

terça-feira, dezembro 27, 2011

Ali antes do almoço, e a umas horas do sono II


faz com tu e por,
menos serás contigo e só,
à hora o segundo,
terceira pessoa de singulares,
plurais consciências que azulam escuros,...

avanço que sim,
parto pelo não,
e no fim princípio,
restas parte,..

somada de nada,
ao vento....

Sem título (9)


sentados à beira
de uma estrada
que se dissolvia,
ser e pensar
analisavam-se
escrevendo,
o primeiro redigia um manuscrito de intenções sobre o amor,
enquanto o segundo influenciava o tempo a
sentir-se menos banal...

Inatingivel 4 anos (com quatro dias de atraso)


O meu Pacho está tão grande e bonito....:-)

domingo, dezembro 18, 2011

Genial

Pessimismo


Se somos qualquer coisa, não somos nada. Ao aguardarmos por sermos tudo, perdemos somente a pena de no tiquetaquear dos minutos irreversíveis, nos abeirarmos do segundo seguinte sem nada que sentir. Sem o que dizer. E sem até a capacidade para entender que se nos arrastamos no pó do chão onde pousamos os pés ao acordar, e levitamos ao adormecer, é porque as alternativas são gotas insonoras no mundo invisível que nos escorrega das costas curvadas e plenas de contradições.
Nem por mais, e talvez por menos, somos o indesejado acordar. O reerguer um esqueleto cansado, que ficava melhor em letargia eterna, mas que se obriga a ser repisado sem efectiva necessidade de tal. E por cima, dos lados, por baixo, ruídos. Incessantes provocações ao bem estar de mente que há muito ficou para trás.
Refugiamo-nos no qualquer coisa de prever futuros alheios. De precaver frustrações com dissertar sobre tudo, mirando o nada de uma coisa vertical que pisca. Acabando com paz de sonhos mortos, talvez assim a guerra de agitar pensamentos seja ganha,.....ainda antes de começar.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

sexta-feira, novembro 25, 2011

Poema em ziguezague


fluentemente descrito como qualquer hesitação,
entumesceu-se de timidez
e de gritos ao vento vestiu-se de rosa sangue,…

eram frutos,
eram até frases feitas de sofrer,..

no fundo seriam
duas hipóteses em aberto
de sofrimento o que estava
escrito de tal pessoa nos
rostos das sombras que a abraçavam,....

Ali antes do almoço, e a umas horas do sono I



Fulano de tal esforçava-se por manter a atenção. Ouvia falar um sujeito que dissertava sobre ponderações que não podem deixar o que falar.
E que os dias devem desenrolar-se sem que no fim dos mesmos arrastemos qualquer coisa para a nossa personalidade.
Com mais aceitação de nós mesmos, seremos seres humanos incomensuravelmente melhores. 
Custava participar em tamanhas manifestações de qualquer coisa que só serve para encher os espaços que os ponteiros dos relógios deixam para dúvida.

O dia dos mamões

quarta-feira, novembro 23, 2011

'Depois de Almoço' IV



Acabava aqui a hesitação de cor de nada. Restavas-te a ti mesmo, sentado, de mãos cruzadas em qualquer oito de antecipação de tristeza, e os cães infelizes que te desnorteavam deambulando com rosnares de qualquer coisa imperceptível. Começava assim o romance das tristezas anunciadas.....

domingo, novembro 20, 2011

Sem título (10)


frio frente à sopa fraca,
frisada de flatulência
inimitável no findo
encimado coiso de
constância, e fazes
fé que facas dizes
de tudo quando fim é
actual dissolvido,
de princípio.....

quinta-feira, novembro 17, 2011

Adorava saber escrever assim

(...) mas gosto da noite e do riso de cinzas.
gosto do deserto,
e do acaso da vida.
gosto dos enganos,
da sorte e
dos encontros inesperados.
pernoito quase sempre no lado sagrado do meu coração(...)

Al Berto - Notas para o Diário

quinta-feira, novembro 10, 2011

...descrever escrevendo

somando imprevistos dos senhores que acabam o dia a chorar pétalas de dor, fica por definir como se distingue a noite do dia nestas coisas, seria boa a frase ímplicita de quem tentou alegrar-se com chuva grossa de sangue em ruas incessantemente descritas como brancas, e vociferando qualquer coisa de imperceptível, termino reutilizando a forma correcta de continuar a descrever escrevendo....

Kiss me, baby #1

sábado, novembro 05, 2011

Tardes


fruto seco,
lágrima assim recortada dá a polpa,
e contornos,
e desejos irreprimíveis de chorar,
preso de sopros,
restaste ao quociente mínimo de sofrimento
quando chove sol ardente.....

segunda-feira, outubro 31, 2011

'Pasteles de nata'

...i don't hate myself and i can't write #2


Gostava de se esparramar pelo chão encardido daquela pequena divisão da casa. Lá fora era tudo quadriculado. Os azulejos da frontaria da vivenda pareciam a batalha naval. As pessoas, de tão tristes, tinham caras esquálidas, quadradas mesmo. E até as árvores mortificavam tudo com a morte que já lhes tinha sido diagnosticada. Isto tudo, com um homem a espreguiçar-se, quase diariamente, assim despreocupado. Haveria qualquer coisa quando a tarde caía, e a noite se aproximava, pé ante pé, que o levava a soltar-se desta forma. Se calhar seriam auto-análises prontificadas por vontades, indefinidas, de se sentir acompanhado na maior das solidões que professava. Seria o senhor qualquer coisa, quando rebolava, quadruplicava quase a alegria de vida em largas e profundas risadas. E tudo sem música. E tudo sem assistência. Só pelo simples prazer de continuar com a vida para que a vida não acabasse num sopro de morte que ficaria irresolúvel nos contornos do tempo que um dia se acabará.
O ritual parecia precipitar-se para um fim, porque repetitivo, quando alguém o descobriu. Começou por ser um par de olhos amendoados, castanhos, vulgares, a espreitarem pelos rachas irregulares da portada da janela daquele pequeno teatro de emoções. Depois passou a cheiro. Um nariz deformado, mas curioso. E depois uma boca arfante, e que fumegava no vapor húmido das noites cada vez mais frias. E aquilo parecia combustível....

Indiana Pacho

quarta-feira, outubro 26, 2011

....i don't hate myself and i can't write #1

...se não tivesses entrado desta forma na luz, chocarias de frente com os costumes da vida. Com a fácil interpenetração entre o querer ser, e o que se quer ser para não chorar. Admites-te assim, como fácil resposta para problemas que nem se conseguem ver. E a repousares na estrada das coisas quaisquer, sobras-te à situação escassa de querer dizer qualquer coisa, sem que o sentido ajude ou faça ponto de exclamação em pensamentos impassíveis e que se esquivam ao entendimento.

domingo, outubro 23, 2011

Se as pessoas choram, é porque sim.....

somos fortuita coisa assim, quando a esperança nos resta ao fim de choros inconstantes.
Pelo menos eu, sobro aos que gostam de se abraçar num pranto incontrolável por coisa nenhuma, fazendo de mim substância inexplicável de somas inalcançáveis de felicidade....
ao escrevê-lo, digo-o assim:
se choro é porque quero.
se não o faço, ressinto-me.
ao somar as razões pelo que não o faço, sobram as que ficam para o fazer ainda mais.
e assim passam dias que cortados em postas,
me dão fases fortuitas de risos que descambam no
chorar…..

O meu filho diz que acabou de ver....


....este senhor nas ervinhas, na Praça de Londres. O que andará ele lá a fazer?...:-) 

terça-feira, outubro 18, 2011

Exclamation


estou arrumadinho em conceitos no soslaio do olho,
não que me faltem pedaços de franzir,
sou o velho mais novo das coisas que os dias nos trazem de noite, mas assim quedo,
com a forte inépcia de querer abraços suaves da morte vestida de cambraia,
ao longe assumo trazer de amarela a frase necessária ao feliz
dealbar do querer com razão,
do sentir que se escreve quando se insulta,
de qualquer coisa a menos que imbecilidade num frasco de brisa da manhã,
ao socorrerem-me,
prometo sono,
deixar frases feitas pela calçada do passa-tempo,
para que no fim,
a percepção de que
me repito em tudo o que deixo por fazer seja dolorosa
de mínimo.....

Uma Praça do Brasil sem Brasília, Palma Bica, banco na esquina, loja de roupa do senhor do bigode branco e esposa, não é Praça do Brasil....(Segunda foto da dita artéria em 1965)

terça-feira, outubro 11, 2011

domingo, outubro 09, 2011

Facto fátuo


espera-me no combate acérrimo dos desnorteados,
seremos muitos mesmo que os únicos na fila para a loucura,
e com metros de qualquer coisa para dizer,
sejam os que com factos resolvem
pactos de qualquer coisa com,
azul.......

Blood


faz com tu e por,
menos serás contigo e só,
à hora o segundo,
terceira pessoa de singulares,
plurais consciências que azulam escuros,
avanço que sim,
parto pelo não,
e no fim princípio,
restas parte,
somada de nada,
ao vento....

sexta-feira, outubro 07, 2011

Parar


parado,
soluço crasso com
infecto contágio,
desnudas,
impossíveis constatações
desenquadradas,
e dois homens
de misencéne prostrados,
com dúvidas,
de que factos,
são argumentos implementados,
na futura desratização
das mentes das águas paradas.....

quinta-feira, outubro 06, 2011

Isto é que é o prémio Nobel de 2011? Nem é pelo homem ser sueco nem nada....



HISTÓRIAS DE MARINHEIROS (1954)
Há dias de inverno sem neve em que o mar é parente
de zonas montanhosas, encolhido sob plumagem cinza,
azul só por um minuto, longas horas com ondas quais pálidos
linces, buscando em vão sustento nas pedras de à beira-mar.
Em dias como estes saem do mar restos de naufrágios em busca
de seus proprietários, sentados no bulício da cidade, e afogadas
tripulações vêm a terra, mais ténues que fumo de cachimbo.
(No Norte andam os verdadeiros linces, com garras afiadas
e olhos sonhadores. No Norte, onde o dia
vive numa mina, de dia e de noite.
Ali, onde o único sobrevivente pode estar
junto ao forno da Aurora Boreal escutando
a música dos mortos de frio).
***
A ÁRVORE E A NUVEM (1962)
Uma árvore anda de aqui para ali sob a chuva,
com pressa, ante nós, derramando-se na cinza.
Leva um recado. Da chuva arranca vida
como um melro ante um jardim de fruta.
Quando a chuva cessa, detém-se a árvore.
Vislumbramo-la direita, quieta em noites claras,
à espera, como nós, do instante
em que flocos de neve floresçam no espaço.
***
DESDE A MONTANHA (1962)
Estou na montanha e vejo a enseada.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.
«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.
Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.
***
PÁSSAROS MATINAIS (1966)
Desperto o automóvel
que tem o pára-brisas coberto de pólen.
Coloco os óculos de sol.
O canto dos pássaros escurece.
Enquanto isso outro homem compra um diário
na estação de comboio
junto a um grande vagão de carga
completamente vermelho de ferrugem
que cintila ao sol.
Não há vazios por aqui.
Cruza o calor da primavera um corredor frio
por onde alguém entra depressa
e conta como foi caluniado
até na Direcção.
Por uma parte de trás da paisagem
chega a gralha
negra e branca. Pássaro agoirento.
E o melro que se move em todas as direcções
até que tudo seja um desenho a carvão,
salvo a roupa branca na corda de estender:
um coro da Palestina:
Não há vazios por aqui.
É fantástico sentir como cresce o meu poema
enquanto me vou encolhendo
Cresce, ocupa o meu lugar.
Desloca-me.
Expulsa-me do ninho.
O poema está pronto.

quinta-feira, setembro 29, 2011

Texto #90

Tremelicava o pulso. Gostava de o fazer, mas arredondando a situação de forma a que ninguém reparasse. Era uma nova velha, ou uma velha com tiques  de nova. Gostava ainda de se chamar insuficiente desculpa de ser humano com quem nada se pode conversar. Era pendurada nas situações menos claras que este sentimento criava, que passava as noites. Abraçava-se ao picotado do escuro, sempre com o pulso a tremelicar. Se não o controlava, arrastava-se no turbilhão que a situação proporcionava.

quinta-feira, setembro 01, 2011

Falou sobre qualquer coisa....

sobre matrícidios respondeu com sobranceria, 
de mão oculta no ar, 
e a pena da dúvida encravada sem som, 
dissertou momentos incertos de qualquer coisa, 
‘e se eu consentisse princípios, em vez de ideias’, 
‘para o mundo acabar  restam inconsistências’, 
tudo são prematuras desculpas quando nem se antecipam perfídias....

terça-feira, agosto 30, 2011

É pah, que é bué gira!!!

Texto #91

Amanheceram-se assim várias coisas, em desabrochar de céus azulados. Era um carro que conduzido pelo frustrado da terra tentava não morrer a meio da subida. Pela berma da mesma estrada, procurava-se qualquer coisa pelas pernas de uma velhota desgastada.E cá em baixo, dois petizes com cabelo desgrenhado mas olhos felizes como o desterro nos sonhos, chutavam uma bola em carcaça, insultando-se carinhosamente.
Apetece descrever tudo isto, mas ao mesmo tempo o silêncio, a cruel brutalidade do não dizer nada, talvez fosse a melhor forma de cativar atenções.De dizer às pessoas leiam isto, porque os  sonhos são qualquer coisa que se assemelha ao som que se solta assim. E parecia ser isso que por aqui se respirava.

sexta-feira, agosto 26, 2011

Depois de almoço III



Se muitas coisas se desfizessem como parte daquele fogo lá do fundo. Consoante as situações. Mediante os pontos de vista de quem analisa tudo chorando pela futura desilusão dos segundos atrasados que, juntos, não fazem nada mais pela tua vida. Aposto que ao decifrar tamanha confusão, conseguiria desfazer primorosamente tudo o que me dás como garantido. 
Talvez sejamos aquelas duas mulheres que em ziguezagues se expressam andando, como uma só. Em dois pés. Com dois corações. E com uma cara redesenhada a sangue quando te toca, deixando-te para trás sem respostas a nada que verdadeiramente importe. Não me resumas nada sem ser desta forma. Apelando a minuciosas interpretações do singelo. Da fraudulenta visão que temos do mundo. Conforme o escrevemos, mais ele se esvai no invisível....

quarta-feira, agosto 24, 2011

Pobreza perpetuada


Acabei de ler um texto muito bem escrito, publicado hoje no suplemento ‘P2’ do Público. Versa sobre a o plano de ajuda social recentemente aprovado pelo Governo, apresentado pelo ministro Pedro Mota Soares, e ao que parece já assimilado pelo povo português. Começando pelo fim, recordo uma citação sábia do sociólogo Manuel Villaverde Cabral: ‘e os protestos?’ Seriam com certeza o factor equilibrador da balança na primeira facada séria que este governo de liberais dá no coração do magérrimo estado social que ainda vai existindo por cá.
Entregar gestões de problemas sociais a caridadezinhas, dá em desconhecimento completo das possíveis soluções para problemas de longo prazo. Admito que é tudo muito confuso o que escrevo, porque reconheço que ainda não organizei na minha cabeça ideias sobre os princípios políticos que reconhecidamente me norteiam, e a melhor forma de os aplicar num mundo que já nada tem a ver com a época em que os mesmos me foram inculcados. De uma coisa, no entanto, parecem não restar dúvidas. Um país não se governa, conforme perpetuou Mao Tse-Tung, dando peixes às pessoas. Este plano passa ao lado de factores fundamentais como a educação, a responsabilidade governativa na consecução de planos que fomentem a saúde e a habitação como direitos básicos constitucionais. Em vez disso, são deixados a critérios privados, com a consequente falta de regulação que daí advém, a aplicação de políticas que, insisto, passam ao lado da raiz dos problemas.
Custa-me a ver velhinhos a tomarem medicamentos com o prazo quase a expirar, com o Estado a refugiar-se na desculpa de que está estrangulado por ditames estrangeiros que impedem que se gaste dinheiro no que quer que seja.
O investimento na produção urge neste país. São consecutivos 35 anos a passar ao lado do trajecto normal de um país para o desenvolvimento. E os reflexos hoje são os números assustadores de pobreza. Solução para isto encontrada pelo Governo? Precisamente perpetuar a pobreza, pretendendo atingir três milhões de pessoas com um plano de paliativos.
Se calhar fico-me por aqui porque falar sobre confusão, ainda acentua mais a confusão. 

quinta-feira, agosto 11, 2011

Intróito....

debruçados em papel,
subidas as constantes
das novas funções
do Sol,
permtiram-se muito
mais que simples
indecisões com que o
carvão das noites pintou-
nos a suspirar por mais....

domingo, agosto 07, 2011

Velhos tempos.....:-) Escola Primária n.º1 das Areias, Setúbal

Aqui só havia um banquinho do lado direito, e o chão era alcatroado
A parte da frente está parecida, à excepção das entradas nos dois blocos do
edifício. Há 29 anos, quando eu aqui entrei, eram três degraus frios de mármore
em cada lado.
Os meninos agora têm direito a campo de basquete.
Na minha altura isto era tudo alcatroado, o muro
branco cor da cal, a rede verde, e do outro lado arbustos
com amoras e azedas, a separar da Casa do Gaiato.
Os meninos maus...:-)
No muro à direita pintei eu com aquelas ervinhas verdes,
que tinham dentro uma seiva
castanha. Valeu-me uma ida ao gabinete do Professor Agostinho.
Lá ao fundo era
a sala de refeição dos professores.
Muitas torradinhas comi lá eu. E ao meio, como
parece ainda ser, eram os sanitários....

terça-feira, agosto 02, 2011

Fraccionado

Subsidiado pela dor. Estava assim descrito no pequeno boletim de papel ratado que guardava na mesa de cabeceira, dobrado em quatro, e com cheiro de qualquer coisa que estava para acontecer. E ficavam-se por aqui os sintomas de auto-estima que demonstrava. À noite, ainda tentava pensar em coisas consubstanciadas no destino. Como o desfazer de aplausos. O entardecer adormecido pela forma intensa como as ondas morrem na praia. Mas nada parecia querer partir e regressar com intenções de ficar para lhe garantir a felicidade.
Assustava-se com pouco. Até se o dia nascesse com menos dois raios de luz na bruma em que gostava de se deixar levar pelo sono, permanecia quieto com medo que o mundo fosse acabar. Outra das coisas sobre as quais escrevia. Dizendo-o em voz baixa, obtinha textos consistentes. Com princípio, meio, e os fins que lhe apetecia. Sempre negros. Nunca de finais felizes. O auge roçou-o na pequena carta de uma menina apaixonada por um cantor, que descobriu gostar de ser mulher, e depois quis levar a sua própria vida na falésia mais bonita do país onde habitava. Tudo veio a esfumar-se na infelicidade de trazer assim qualquer coisa de desastroso que não se explica.

quarta-feira, julho 13, 2011

Local de discussão


como solução inevitável do ser,
estavam duas rotundas e inefáveis interrogações sentadas à brisa,
diziam amar a própria forma como se contrariavam,
e lambiam as feridas ácidas e rotundas do negativismo de cada uma,
ao cair a pique no céu de inverno,
o sol recusou ouvir semelhante impropério,
era como se o tempo só aceitasse auto limitar-se quando as opções se esgotam com o vento,
sendo assim ficavam aos homens as tarefas insondáveis de decidir o vencedor desta discussão,
pelo menos quando ela não acabasse mais.....

domingo, julho 03, 2011

Haja alguém esclarecido.....

ECONOMIA UE: Ex-chefes de Estado e de governo, incluindo Jorge Sampaio, defendem
"new deal" europeu para superar crise



Berlim, 03 jul (Lusa) - Um grupo de ex-chefes de Estado e de Governo,
entre os quais o ex-presidente da República, Jorge Sampaio, exigiu hoje
um programa de investimentos na Europa para dinamizar as economias, em vez
de medidas de poupança.
O programa, inspirado no chamado "new deal" norte-americano, destina-se
a "garantir a sobrevivência da zona euro e a sua coesão económica", diz-se
no manifesto dos antigos dirigentes políticos, revelado hoje pela edição
Online do semanário Der Spiegel.
O "new deal" foi um programa de reformas adotado nos anos trinta do
Século passado nos Estados Unidos da América para fazer face à primeira
grande crise económica mundial, reanimando a economia através de vultuosos
investimentos do Estado.
Além de Jorge Sampaio, subscrevem o documento o ex-primeiro ministro
belga Guy Verhofstadt, o ex-chefe do governo italiano Giuliano Amato e o ex-primeiro ministro francês Michel Rocard, nomeadamente.
A iniciativa partiu do diretor da Faculdade de Economia da Universidade
de Atenas, Yanis Varoufakis, e do político trabalhista britânico e professor
de economia Stuart Holland, noticia a mesma publicação.
Os signatários propõem que as verbas para o referido programa de investimentos
europeu sejam recolhidas através da emissão de obrigações do tesouro de
todos os estados da moeda única, os chamados euro-bonds.
A emissão deste tipo de obrigações tem sido recusada, no entanto, por
boa parte das grandes economias da União Europeia, nomeadamente a Alemanha,
a França, a Holanda e os países escandinavos.
Entre os responsáveis europeus atuais também há, no entanto, adeptos
desta solução defendida pelos antigos políticos, como o presidente do eurogrupo,
Jean-Claude Juncker.
Os governos da Itália, Grécia, Espanha e Portugal, defenderam igualmente,
no auge da crise das dívidas soberanas, a emissão de euro-bonds, nomeadamente
para obter empréstimos em condições mais favoráveis para os países que tiveram
de pedir resgates à União Europeia e ao FMI.
Os ex-chefes de estado e de governo propõem ainda que as futuras receitas
dos investimentos a implementar deveriam servir para abater os empréstimos
contraídos em euro-bonds.
Segundo os subscritores, as obrigações do tesouro europeias "teriam
grandes hipóteses de atrair excedentes de fundos estatais e capitais de
países emergentes, e ser vendidas por juros relativamente baixos".
Por isso, a UE "não só deveria juntar verbas para investimentos através
dos euro-bonds, como também devia trocar uma parte da dívida contraída por
países como a Grécia por este tipo de obrigações do tesouro", afirma-se
na mesma declaração.

sábado, julho 02, 2011

Duas cabeças


encaixas-te nas cabeças múltiplas do desejo,
se somos momentos destas confusões baças,
discorrem em nós soluções mentecaptas de versos do diz,...

do disse,
do se fossemos algo nada disto teria morrido para nascer,
e como faríamos para que à parte de dias enfiados em nós de dedos,
esquecendo momentos paralisados com sufocantes indecisões desnorteadas,
um dia quiséssemos parar para pensar nas soluções efectivas do acabar dos dias....

segunda-feira, junho 27, 2011

Está calor!!!!


o amor são pedrinhas pequeninas no trilho das pessoas boas,
conforme a relação imprescrutável do ser,
as coisas tornar-se-ão assim impossíveis de descrever quanto mais forem precisas,
e fáceis de aninhar na compreensão que preferimos ter do que vemos,
amor é portanto qualquer coisa que fica no segundos anteriores ao sono irrequieto do bulício do dia,
explicando melhor,
amor para mim é uma mãozinha pequenina,
risonha,
inquisitiva,
que luta contra o sono para que o mundo não lhe fuja,
quando o embalo já o toma,
reflicto eu que sou feliz a olhar para algo que verdadeiramente me faz adormecer tranquilo.....

domingo, junho 19, 2011

Brasas

como por vezes o suor cheira a morte,
e os conselhos dos homens bons se desfazem a olhar para o céu,
conversamos em redor de tudo isto dizendo pouca coisa,
só o suficiente para pedir facilmente de todos o silêncio,...

quinta-feira, junho 16, 2011

Toma lá, ó 31!!!



De Jonátas de Silva e Melo Porcalheira a 16 de Junho de 2011 às 12:38

Admito que me faz comichão a existência de um blogue como estes. Ainda mais assumir-se toda a gente que aqui escreve, ou pelo menos grande parte dela, como terroristas. Fazem-no por causa das manifestações ridiculas de transformismo que fizeram durante os últimos tempos de Governo socialista? por causa do gravissimo furto de bandeiras autárquicas? Criar este tipo de blogues, num país tão marcada e crescentemente corporativo como é o nosso significa, no meu entender, acentuar a desorientação das pessoas ou, por outras palavras,dizer-lhes que vale tudo para que acima do bem comum, venha o seu próprio bem. Criticar desta forma um capitão de Abril, uma pessoa que, concorde-se ou não com a sua orientação política ou do grupo onde se inseriu, deu de si próprio para que um país saísse da penumbra e pelo menos tentasse entrar numa rota de futuro, é mostrar mesquinhez e, precisamente, dizer às pessoas que a liberdade individualizada, e individualista, é no fundo a única saída para que o nosso país possa estancar a saída de jovens que tem sofrido, e lhes dê renovado desejo de permanecer no próprio país. Acredito, com cada vez mais veemência, que existem várias noções de liberdade. Há mais liberdade no sentimento de pertença a um país que nos dê garantias de bem-estar, do que existe nos fins-de-semana que devotamos a ir a centros comerciais gastar, porque há quem queira que o façamos dessa forma. Com este confuso discurso, o subscritor pôe-se inteiramente ao lado do tenente-coronel Vasco Lourenço quando ele, de uma forma excessivamente prudente na minha opinião, deu a entender que é triste um país que permite seres como Paulo Portas no Governo. É uma nação que, com isso, prova que não tem consciência crítica, que é populista, que cede a lobbys de pressão e não a ideias concretas para o desenvolvimento de um país. Acabo de escrever este texto, ouvindo os futuros donos deste país a traçar um destino negro para todos nós. O ultra-liberalismo vai tomar conta da nossa rotina, vai trazer-nos incerteza laboral, incerteza na educação dos nosso filhos, incerteza no acesso aos cuidados de saúde. Mas o 31 da Armada há-de cá ficar a defender este estado de coisas.

Não


acho fado com o mesmo salto,
que a menina deu sem que o que prometeu,
lhe desse que fazer ao entardecer,
com muitos enfados e sem que dos dados,
se soubesse algo ,
e fizesse pouco,
para que ao mover,
nem para se aperceber,
plantasse soluções,
em problemas onde os tesões,
repousassem em paz,
e restasse ao rapaz,
....criar...

terça-feira, junho 14, 2011

A sinuosa tarefa de criar


Nunca escrevi a sério sobre o motivo pelo qual escrevo. Às vezes penso que é por me fazer sentir feliz. Com poder sobre as coisas. Mas ao mesmo tempo, só o pensar que escrever faz as pessoas sentirem-se felizes, roça um pouco o ridículo. E daí talvez não. A poesia, de tão abstracta que consegue ser, cria um mundo alternativo que pode ser de todas as formas e feitios. Com cheiros indisfarçavelmente agradáveis, ou aterrorizantes quanto baste. Não sei de nada que possa ser realizador, o suficiente, capaz de suplantar este sentimento.
Com isto tudo, acho que este blogue vai continuar......, por mais algum tempo,...pelo menos...

UAU!!!!! (Aviões transparentes)

Window on the world: Gone are the small aircraft windows in the 'vitalising zone' which provides a panoramic view for passengers


Starry skies: The cabin wall membrane controls air temperature and can become transparent to give passengers views throughout the day and night

sexta-feira, junho 10, 2011

Cidadela....



sou daquela cidade que regurgita os choros incontidos, 
até gosto de de vez em quando morar aqui, 
e ouvir os que de somenos repartem coisas com o vento para não se dizerem sozinhos, 
e tudo o mais que sobrar desta descrição com a brisa do entardecer a acentuar-me a desorientação,
escrevo estas coisas quando nada mais me resta do que tentar escrevê-las para manter a inquietude face ao passar do tempo, 
sonho com teorias incumpridas nestas quatro paredes de sujidade de que não me consigo soltar, 
enquanto isso participo nos recônditos meandros do que a minha efectiva consternação consegue criar....

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