domingo, julho 19, 2009

Profissão, deixar correr o tempo

Forçava o esforço de reconhecer no amor, o calorzinho que se precisa naquele final de tarde de outono. Era como quando passava à porta do abandono dos seus sonhos, aquele que tinha o coração tatuado a sangue na porta, e dizia querer focar-se no que resta da sua vida, sem esquecer o que de mau deixou para trás. Chama-se Pedra. Idade, o que sobrar do que se pintar. Data de morte, nunca. Pelo menos enquanto o certo permanecer dois tostões de cálice de abrunho, dado a um moribundo feliz e relaxado. Restava-se nos restos do amor, precisando de pouca vontade para determinar a doença que lhe bebericava a vida. Solidão avermelhada, e cancro de querer um respirar a bater em conjunto com o seu.

sábado, julho 18, 2009

Sem título (22)

filigrana de mel sonho
dito,
com prazo para ti feito
ouro,
de país de abóbora com
prata forrado,
com militarismos
sonhado e reescrito,
preso no rebordo
de uma nuvem
acometida a destino,...

sexta-feira, julho 17, 2009

da palma da alma

escrevinha-te na palma das mãos,
do avesso da palma da alma,
com o falso da cor da
reserva, para beber do sonho escuso,
com as meninas dos olhos rotos, para
com o desnorte te exceder a vontade,
de sobre o fado conduzires-te
ao lado do teu fim....

quinta-feira, julho 16, 2009

Mulheres (Round 1)


a dona das suas donas,
esperada em sangue
na esquina dos mundos
de faces rosadas,
diz de amigas o que
se quer ouvir a chorar,
'gosto delas',
'mas desgosto das raivas delas',...

o relógio passa,
e amigas tornam-se
conceitos em fuga do
desnível dos suores
que não esperam,
finalizando o que terá fim breve,
está assinado o cheque,...

a dona das suas donas
deixou de vez pronto
um caminho de espigas
pessoais.....

quarta-feira, julho 15, 2009

Nada cozinhado com molho...

Travou amizade com a terra num dia portentoso. Apresentando-se como o capricho do vento que não sabia decidir, escreveu a medo numa nuvem que queria um caso de sexo, sem compromissos, com o que de puta o planeta tem. E sentou-se, para enquanto esperava, rabiscar o mapa da concentração. Concebeu continentes empoeirados, em que para ver só se precisava de noções literárias apreendidas em discussões de navalha empunhada. Os oceanos, desfiou-os como a carne com que se entretinha a bebericar a ansiedade dos apaixonados inseguros. Meteu este mundo no sobrescrito lacrado com que quis abarcar o amor que desconhecia, e acabou. Tormentos foram as histórias desfeitas de um insano portador de alienações com que o que este mundo nunca quis ser....

terça-feira, julho 14, 2009

Coma



decide sons,
desfeitos e previstos,
remete-os a diademas
de impulsos emocionais
dos mortos que te embevecem,
das conversas que retalhas,
dos meninos monstro
que combates com sorrisos,
prevês plenos
de austeridade geriátrica,
e quando a barata vem,
mãos em riste para o
adormecer de plausibilidade feito....

quinta-feira, julho 09, 2009

Serial-killer



abrandaria talvez o
consumir-me
em cadências de monotóno
acelerado,
não quero,
como nunca quis,
pedir às noites trocas
insensíveis de pedir,
com o simples trocar,..

farto,
acabo de redigir o inútil
de tudo isto na nuvem
que me ama,
sou o solitário que
espera dos dias
que eles me ensinem
a bordar sangue....

Alfarrabista



Reunia os documentos. Descobria-se em cada grão translúcido de pó que testamentos cuspiam. Sentia o mundo a fugir debaixo dos pés, quando na esquina do atlas da sociedade recôndita deste universo, descobria que tudo isto um dia vai acabar. Pensava por uma cabeça que se encontrava a cada momento sozinha, por opção. Desnorteados os momentos de desvio desta realidade que abria olhos ao sufoco dos segundos. Precisava de reforço de sentimentos. Urgiam os acenos de calma multicolor que prezava como garante de sobrevivência. Se o desespero tivesse forma, seriam as gotas de chuva que guarda em precioso exclusivo, com medo da selvajaria descontrolada da rotina meliante.

quarta-feira, julho 08, 2009

Analisar o que uma velha diz de tudo isto



parece-me parecido
com sonhos,
o que quente
dizia a velha
até ao arrefecer do
dia dos mortos,
urra para ti
figura diabolizada,
sua psicológico
elemento do todo,
é azul o limite disto,
e daquilo,
de tudo,
fiquem-se com pedaços
do real cozinhado a
seco....

terça-feira, julho 07, 2009

O gato


hoje acordei-me no
corpo de um gato irreflectido,
ponderada está a
questão de ter de amarelecer o verbo
que me faz viver,
admiro-me por ser
inexplicável o que,
debaixo de reza complicante
e afectuosa para a condição humana,
faz com que o que penso,
determine a insensatez
daquilo que estipulei
para este dia,
regado o argumento
do imponderável,
deixo-me quieto em
solavancos de inveja
criativa,
ronronado espero que abraçado,
me sinta menos capaz
de destruir tudo o que
de fortuito me aconteceu para ter
de aqui estar....

sábado, julho 04, 2009

Anotar a forma errada de escrever algo certo

propuseram-me um poema
de meios termos,
tinha de ter uma senhora
impoluta,
a roer ossos imberbes,
um homem moribundo,
apreciador de rock
psicadélico,
e uma criança,
sim,...

uma criança banal,
destruída pelo
definido coalhar dos
dias que se diluem em
copos de água insatisfeitos,...

um poema agressivo,
virtualmente insatisfeito,
e ao mesmo tempo perene e que
deixasse marcas,...

respondi presente,
e escrevi não,
nunca me decifrei assim
porque a minha vida são
menos tristezas,
e mais concepções
erradas de felicidade...

Tejo somos nós, às vezes....



naqueles minutos escorri-me persistente,
defronte estava o Tejo,
a sorrir para duas flores
mortas de canteiro,
toda a cidade abraçada e com os problemas
resolvidos neste entardecer tão frustrante,
assinei o recibo da conta e parti,
tinha-me à minha espera para recontar
a história de fracassos em forma de pílula....

quinta-feira, julho 02, 2009

Pintei uma colher

Estava escrito a acre. Com rebordos de dourado, mas já muito sumido. Era perceptível só a quem lesse de muito perto:
"Deus perdoa a quem se atreve. Os resignados, pintam"
A parede já escaliçava. Ao sol, parecia mesmo querer desabar. Naquela aldeia, o tempo acomodara-se a esperar que o tempo passasse, com efeitos visíveis ao dobrar da menor esquina. Sobrava inteiro um desdobrado de livre iniciativa. Arredondado no estilo. Pormenorizado na vontade de fazer sonhar. Chamava-se café da esquina. Ganhava suporte precisamente no que parecia emanar de positivo daquela inscrição acre e dourada. As pessoas, quando pisavam duas vezes para lá da porta azul do espaço, eram convidadas a sonhar. Receptoras de uma colher mágica, dedicavam-se a pensar que aquela colher era,...não normal. Sentiam-se bem a pensar em reinos de mel, com cheiro a cacimba. Comiam da malga menos pura dos arredores e, para eles, era como se a última ceia tivesse sido um deslindar de coisas banais. Suspiravam quando tudo terminava, e no dia seguinte regressavam para celebrarem a falta de mais um dia para a morte.
Chamou-se a tudo isto quadro impossível, com reticências postas pela inexistência de semelhante colher. Terei sido o pintor, mas já me esqueci.

quarta-feira, julho 01, 2009

Amo-me aos poucochinhos assim sem menos


os olhos ferem-te,
espancam-te,
poucochinho do amor
próprio em colar
que serve para
nem sei quê,...

restou para
te abraçares à chuva,
levaste porrada,
pontapés na mente,
murros no som
das tuas dentadas,..

e nem assim,...

e mesmo assim,
sentado ao vento
das conclusões
desenhadas,...

dizes-te rei,
porque de fome
escreveste o sangue
que respiras e te deixa em fome....

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