sábado, março 31, 2018

Sem título (96)

se escrever cartas de amor parar o tempo,
serás tu a condutora do destino?,
acredito que sim,..

no redondo dos ‘esses’ gira o mundo,
e com as curvas dos ‘emes’,
sente-se a frase obscura da criação,
a mesma que só nos pequenos gestos
da tua rotina eu consigo perceber,...

nunca me faltarás com a insubstituível
pressão de seres precisa, criteriosa com os ‘enes’
de todas a negações que indefines,
sim,..

é nas cartas de amor que leio um alfabeto,
a despenhar-se para os intervalos do espaço
que fica quando partes

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Tirado daqui



sexta-feira, março 30, 2018

Mia Couto - Cada homem é uma raça




Um dia gostava de saber escrever assim

QUERIA TOCAR NA CABEÇA DE UM LEOPARDO LOUCO, NO LUXO


Queria tocar na cabeça de um leopardo louco, no luxo
mandibular. Sentir os dedos tornarem-se
de granito. Sentir a deslumbrante
ressaca de pêlo
baixo arrebatar-me furiosamente os cinco dedos.

Como cinco balas de granito.
Uma estrela voltaica.
E tragá-la. E de súbito toda aquela púrpura nocturna
entrar por mim dentro, da mão à cara.
Ou uma ferida que me apanhasse de perna a perna.
Entrar em mim
a fábula da demência e da animal
elegância. Sei que o sangue me pontua, e estremeço
de poro em poro
com tanto ouro suado que me envenena.

Sei que toco.
Que há uma combustão nas partes sexuais
da minha morte. E se olho esse espelho exalado
de mim mesmo, vejo
pérolas, a anestesia das pérolas. Mas
o fósforo precipita-se onde
arrefece a carne, e se torna ligeira. E uma dor
instrumental, a minha própria música
descoberta, enreda-me como o som enreda
os tubos de um órgão.

E então nenhuma razão me escurece além do crime,
da metáfora directa
de um leopardo aluado como uma jóia. E ele levanta
a constelação craniana. A boca avança, límpida
chaga
até ao meu rosto. E neste espelho das coisas de repente
unidas todas, beija-me por mim dentro até
ao coração.
No meio.
Onde se morre do silêncio central
da terra.


Herberto Helder

Poema Pascal

Não fazendo as coisas que um dia de de dentro da noite saído merece,
Terias sempre de aproveitar o tempo como se ele pedisse para ser abraçado,
Escrever versos espúrios e curtos,
Não estender os minutos como toalha no caminho que pisas,
E principalmente,
Ler o caminho que se avizinha como o poema de esbulhos que nunca escreveste,...

Digo-te isto não sei bem porquê,
Talvez para pensares que decomponho o real sempre no abstrato que ele merece,
Para dar às pessoas o contrário daquilo que elas querem pensar de mim


quinta-feira, março 29, 2018

Mr. Oizo


De vez em quando só debito para fazer número

Uma ideia e o seu contrário,
do fundo da terra regurgitados,
Parece um sonho pensar que a existência, tem uma lógica parecida com a nossa,...

Não tem, por isso havia o verbo no início, e haverá nada,no fim...

quarta-feira, março 28, 2018

Doca

A não ser as traineiras,
Aquele era um braço de rio estranho,
E sem cheiro a casa,...

Não havia miúdos sombra a coser redes como se fizessem ponto cruz de um sonho,
Nem a gaivota encarrapitada no mar chão a bailar ao desdizer da rebentação,
Nem sequer o sol a desflorar a água como se a tarde fosse a virgindade que já não volta,...

Havia tudo estranho e escrito nas margens nuas de pedras,
Um velho ao longe a fintar a morte com a carreta feita balde de amêijoas,
E tu a olhares-me na menina perdida dos olhos,
Pensando que era melhor continuares sem me conhecer,...

É o que me lembro


terça-feira, março 27, 2018

Lá em cima onde o céu acabará, no sol






No café

Tinha apreendido o som de soltar o cabelo em escada,
E sentar-se no mesmo café de sempre,
Imaginando os degraus que dava aos raios de luz,
Quase como se fosse uma passadeira para o céu ela mesma,...

No fim do banho de solidão vinha a memória,
Engaiolada para se soltar em bateres de asas controlados,...

O tempo em que dava olhos aos olhos de quem detalhava o seu desejo,
Com retalhos do que não escondia à imaginação dos alheios que queria a paSsear-lhe na pele,...

A nostalgia subia então no ar em anéis de fumo translúcido,
Que se desvaneciam por entre outros anéis de solitários ao quilo,
Chamava-se qualquer coisa dos momentos sem nome,
Sem data,
E que se somavam a outros momentos que de tão efemeramente bons,
Também se sumiam para nunca mais voltar,...

Quando a encontrei fechou-me as pálpebras cinzento chuva,
E percebi que a teria de chamar só com poemas inconsequentes,
Como este

segunda-feira, março 26, 2018

Futebol e xadrez



...um jogo de brilhos nas esquinas do teu sorriso,
Um xeque-mate ao passar sem me vergar,
Guarda-redes assumida com os passos para me ignorar,
Prolongamento para a vitória entre meus braços,...

Não há árbitros porque o vento não quer,
Ninguém assiste porque a linha da alienação não deixa,
Furada a barreira invisível,
Sigo pé ante pé para o golo,...

Apito final,
Acabou a época e agora o silêncio,
Não me façam mais perder o
Xadrez da solidão ...

Tirado daqui

domingo, março 25, 2018

E só porque sim


Descascas-me a pele da solidão?


Sundays will be sundays

...os que nos empurramos contra muros,
Paredes de areia molhada ao sol,
Fazemos a prosa possível em paragens de todos os autocarros
Que passam,
E só param dentro da frieza do desenho de um velho a morrer,
Várias mortes,
Debaixo de uma chuva que pinta a frase inconstante no barro dos momentos,...

Lembrei-me disto agora que passeio,
E o mar parece querer levantar-se do chão que o agarra,
Nada me move contra o mundo a vociferar assim,...

Só gosto de um passeio sem cores e indefinido,
Antes de ir trabalhar todos os dias

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Tirado daqui

sexta-feira, março 23, 2018

A falar de mãos nos bolsos

Desculpa as mãos nos bolsos,
Ia a passar e vi este jardim de pessoas árvores e resolvi parar,
Pareceste-me,
Se calhar engano-me,
A pessoa certa com quem falar agora que começou a chover,
E eu me sinto sozinho de estar sozinho,...

Uhmm,
Não queres falar?
Ok.
Falo eu, sabes que sou admirador da simplicidade da criação?
É, adoro os dias que passam e só os notamos porque eles têm qualquer coisa de diferente do ontem,
E é isso que nos faz esperar por um amanhã como este,...

Pensei que não existiam pessoas árvores, mas existem,
Admiro tanto silêncio com raízes a esventrarem a terra como se a obrigassem a calar,
E nos deixassem a nós,
A tarefa de pensar o futuro como uma folha branca e pronta a ser recortada em pedaços,...

Bem,
Tenho de ir,
Prazer conhecer-te,
E desculpa as mãos nos bolsos

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Tirado daqui

quinta-feira, março 22, 2018

Reaver o íntimo

No que chamas de modorra do tempo,
está uma mesa de cabeceira onde à
noite deixo o meu coração,
sim,...

acho que durmo de peito vazio,
com os cordeirinhos que adormecem as crianças
a arrancarem-me à dentada a carne,
e sinto uma, duas, três horas de ímpeto
a passar como carcaça do enleio das horas,...

tenho os olhos fechados mas,
de peito sempre vazio,
é como se a dormir me acordasse tantas e 
tantas vezes que ficam desenhadas,
a quente,
nas paredes de todos os quasares
explosivos em cima dos quais durmo,..

acho que por isso acordo sempre antes
da madrugada sair da pele e renascer,
logo mais,
no guisado das estrelas,
pode ser que já não renasça mais o mesmo
para te contar tudo,
assim cheio de pormenores

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Tirado daqui


Fraco a resolver

Vi nascer aquela pedra no caminho indesejado da descrença, talvez quando se deixa de acreditar numa ideia, e no seu contrário, o percurso fique dado a pontapés quase como se o nevoeiro fosse o que nos impede de passar a mensagem que queremos, desci por isso até ao nível da raiz da árvore, polvilhei-a vezes suficientes com mais que uma indecisão, e começaram então a chover pontos de interrogação, eram coisas disformes, que ficavam a boiar no oceano como arcas de Noé sem destino, percebi que era um daqueles momentos em que a criação age sem razão aparente, e por isso desnorteei a concepção que tinha de vida, e esperei que o sol renascesse sem fazer muito barulho....

quarta-feira, março 21, 2018

O meu Dia Mundial da Poesia

Nem sei porque escrevo poesia,
sei porque não escrevo ideias sem sentido,
e histórias com estórias baratas
e sem sentido dentro,
agora poemas não sei,...

talvez pelo fumo do sentir
só,
talvez porque amanhã não
estarei para o recordar,...

escrevo poemas porque sim,
portanto,
não justifico o injustificável

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Tirado daqui

Um dia gostava de saber escrever assim

Era uma noite apressada
depois de um dia tão lento.
Era uma rosa encarnada
aberta nesse momento.
Era uma boca fechada
sob a mordaça de um lenço.
Era afinal quase nada,
e tudo parecia imenso!
Imensa, a casa perdida
no meio do vendaval;
imensa, a linha da vida
no seu desenho mortal;
imensa, na despedida,
a certeza do final.
Era uma haste inclinada
sob o capricho do vento.
Era a minh'alma, dobrada,
dentro do teu pensamento.
Era uma igreja assaltada,
mas que cheirava a incenso.
Era afinal quase nada,
e tudo parecia imenso!
Imensa, a luz proibida
no centro da catedral;
imensa, a voz diluída
além do bem e do mal;
imensa, por toda a vida,
uma descrença total!

David Mourão-Ferreira, À Guitarra e à Viola

Dia Mundial da Poesia


Subia a madrugada pelos peitos nus

Se fôssemos o resto do dia por passar,
Nem o sol cabendo por entre os dedos de chuva,
Que restam à noite,
Subia a madrugada pelos peitos nus de todos os velhos moribundos,
De minutos,...

E feito de neve sonhavas assim
Com a paz que,
Só o jogo dos formatos do sono
Te trazia de quando em vez,
Desenhavas fim para recolheres princípio,
E quando na madrugada vinha
A luz,
Já escurecido amanhecias noutro desígnio

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Tirado daqui

domingo, março 18, 2018

1983

Tinhas todos os 1983 perdidos
No cabelo enquanto lias,
Presa num presente medievo
Refletido no olhar de tarde
De rádio em onda média,
A tua era a minha luz de pátio
De verão a acabar,
Acalmava-me espreitar o sossego
Dos pios de pardal,...

Os que tão bem se misturavam com
O cabelo de areia dourada que
Escorria sobre as letras,
Daquelas histórias sem futuro que
Adoravas sorver,
E depois,
No fim do fim de dia de
Adolescência feliz,
Desprendia os olhos de ti e
Voltava para o escuro
Deste quarto onde,
Debruava a vida em tons pastéis de solidão da velhice

sábado, março 17, 2018

O Inatingível 2018 na última edição da revista online ‘Incomunidade’




Participação do Inatingível 2018 na revista Incomunidade

Obrigado pela oportunidade...

Sem título (97)

Alumiar-te na subida indeterminada da noite,
Surge como a frase resolúvel do monte amanhecido do acordar,
Éramos dois quando o caminho se assoberbava de pedras soltas de indecisão,...

Agora ululas na verde fronte da distância,
Lá longe no barco amarelecido do
Irrequieto passar do tempo,
Desenho-te com o mar da forma indefinida de não ter o que imaginar,
E restar a mim mesmo esperar pela
Sorte,
 sem cor do amanhã que não se sabe


sexta-feira, março 16, 2018

Um dia gostava de saber escrever assim

poesia: eduardo moga / que dentro há um sol: Que dentro há um sol. Como germina no ataúde invisível do corpo. Como arreigadamente brilha, com que penumbra de assombrado meteor...

E restou o verbo

Eram pessoas desnudadas mas que sempre regressavam,
Ao único sítio onde se sentiam bem,
Uma casa sem teto,
Sem janelas,
Com os nomes de todas as decisões mal tomadas da história escritos a vermelho sangue,...

Só lá o tempo parecia fluir como um carreiro de formigas,
Os homens podiam sentar-se com a consciência ao nível do sexo,
Tal como sempre mandou a criação,
E as mulheres contemplavam as nuvens bordadas no céu cinzento,
Que exalava o perfume enganador da morte escondida,...

A criação acabou neste sítio,
O mundo foi engolido pela raiva da sua estrela,
A linha tempo-espaço fundiu-se com a matéria negra do universo,
E restou o verbo,...

Com a promessa vã de nova conjugação


quinta-feira, março 15, 2018

Peso da chuva

...ao acordar eram as gotas pesadas de uma chuva inquisitória,
Que a lembravam do resguardo dos sentimentos,
E faziam-no batendo com ritmo nos parapeitos de todas as janelas,
As mesmas que a separavam da vida,...

Pensava sempre em vestir-se de um transbordante transparente,
Para que em menos de nada,
Quando fosse a chávena giratória no carrossel de todos os dias,
As pessoas vissem as chagas de profeta que o seu corpo recalcava,...

Mas era a mesma de sempre que
Abria os olhos ao sol,
Aguardando pela oportunidade que a vida dá
quando a chuva deixa de ajudar com a sua música...

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Tirado daqui

Gato(i)nhando ao sol




quarta-feira, março 14, 2018

Tempo


Tudo o que foi, é, e continuará a ser debaixo
da chuva invisível do tempo,
resume-se ao lado irreal do choro de uma criança com fome,
ao último suspiro de vida com a mão a afagar os que se ama,
ao vento que chora sem ninguém para o ouvir,….

fomos todos os que abriram os olhos,
respiraram em dores difíceis de pintar a olhos nus,
e partiram para onde ninguém sabe descrever,
e aqui estamos a fazer nas nuvens o féretro do ontem
que nunca desejámos viver,…

ali estivemos no sempre,
aqui ficamos no agora,
e onde quisermos vamos estar,
para sempre,
a renascer em cada segundo perdido no
amor espaço-tempo


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Tirado daqui

Em memória de Stephen Hawking


Intra-uterino da nova criação

A última frase dos dias,
Dos que te restam depois do
Êxtase de retalhares o rosto,
Com as saudades que não guardas nos bolsos do passar do tempo,...

Essa frase é o silêncio telegrafado
Na solidão,
Com a boca de promessa descrita no corpo de bálsamo do presente de que tens vergonha,...

E sou velho com as formas inevitáveis deste adeus,
De todos os adeus com que me sinto blindado,
De alma transparente e coração plantado nas árvores debaixo das
Quais me despedi de ti,
Com as promessas de que não voltaria quebradas pelo que me és como sangue,...

Dilacerante de todas as veias que conheço e do sangue que imagino,
Involuntário deste espírito que poeta até o mundo querer acabar,
Em sintonia com o que virá no intra-uterino da nova criação


terça-feira, março 13, 2018

Clarividente

Nunca contei a ninguém que leio o futuro na chuva, é uma coisa relativamente fácil quando se tem vontade disso, eu explico, estou habituado a ser transparente, vivo na rua e nas esquinas por onde passo ninguém repara que consigo perceber até onde as pessoas estão dispostas a ir, com o vento a pentear-nos a pele, e o calor como único poema de amor aconchegante na vida, olho para a pressa de cada um e leio os sonhos, os desejos reprimidos , se cada um já foi feliz alguma vez, se sabe o que é amar tanto a ponto de se colocar em causa o próprio ser, a chuva ajuda a desenhar o futuro quando cai em cima das pessoas que só olham em frente, e não se preocupam em pensar que pisam o mesmo chão décadas a fio, e que esse chão já foi gasto por gerações de seres sem nome mas com emoções, e isso faz de nós clarividentes, nem que seja por não termos mais nada nos olhos a não ser a desonra de não termos nada como tema de conversa...

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Tirado daqui

segunda-feira, março 12, 2018

Circulavam espessas as vozes de cidade

Circulavam espessas as vozes de
Cidade,
Ácidas no barítono do choro,
Era como um dia de verão que se escrevia com saudades de
Qualquer coisa à chuva de outono,...

Recomendavas o silêncio,
Subindo pela rua mostravas-me
A mão do amor,
Foi com ela que escreveste no dia
Do adeus,
O que te arrependeste quando
nasceste de novo ao sol
Da beira rio,...

Desenhaste-me um abraço de poema sem que o verbo fosse desculpa incriminatória,
Despedimo-nos sabendo que o silêncio fazia-nos melhor que
Tudo que vem com as coisas menores

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Tirado daqui

Só para fazer número

Em cada momento disseco as fibras de todas,
As lágrimas que a vida me tirou
Da alma,...

O tempo pára quando é do tempo
Que aparecem os enganos,
Trazidos com este vento de adormeceres distintos


domingo, março 11, 2018

Em tarde ser

...não me leias na conclusão das
Lágrimas,
Faz-me só nas honras de um
entardecer comum em que,
Querendo o mesmo,
Nos restemos ambos à tarefa de sermos um,...

Flagelados pelo frio que retalha
Estas peles onde as letras escorrem
Até se dissolver,
Nos malmequeres forçados a dançar
uma música que não conhecem,...

Porque a noite virá,
E não quero sonhar sozinho
O ter menos um dia
Para a morte...

sábado, março 10, 2018

Time after time, after time

Era um pai, que nunca tinha sabido ser pai.
À noite sentava-se à porta de casa, um degrau de pedra fria,
e brincava com o umbigo como
se fosse o sorriso do sol
que não o fazia rir,...

e depois ficava para amaldiçoar o ponteiro pequeno
do relógio,
atirava-lhe pedrinhas de cascalho na
esperança de que parasse,....

nas manhãs acordava para dentro,
ria de não ter que rir para
lembrar que já se tinha sabido,
um dia,
rir,...

e saía para a rua vestido de transparente,
no dia em que lhe perguntaram porquê,
constatou que emudecera sem cura,....






Bare foot nonsense


Ó pra ti, tempestade Félix!!!

Vou detestando poemas

...de quê juntar estas letras todas
Em poliedros bem desenhados,
Que de olhos fechados parecem
Aqueles diamantes que chovem,
Quando estamos felizes,...

Geómetra de palavras só para
As palmadinhas nas costas
Que te penteiam o bichano
A ronronar no ego,...

Se não vierem as dentadas
Que estalem os ossos do mundo,
Aqueles fogos de crianças predestinadas com que acordas,...

Assino tudo e parto,
Sem voltar em menos
Que os lamentos de
Uma noite de alíneas
Gastas

Foto de José Fernando Almeida.


Tirado daqui

sexta-feira, março 09, 2018

Gat(o)inhando com o Félix




Sem título (98)

Lavo-te nos,
Poros fechados de uma
Solidão desenhada...

Se a noite destrancar a
Manhã que desconheces,...

Serei água estagnada e sem
Futuro

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Retirado daqui

Roma Roma

Tenho tantas peles de coliseu,
E olhos que pintam a fontana di trevi que te prometo,
Enquanto desenho o sorriso que me
Embala no sonho das tantas Romas,
Que sei serem as tuas na felicidade de sangue nas veias,...

Lês-me,
Por entre o ar deste poema etéreo que já te escrevi,
Sei que sim é o sorriso de uma história fácil,
O que à chuva desta primavera gelada acompanha o voo da moeda para a fonte,...

A noite escreve-me no sono
Desligado de mim que te pressinto,
Lê para escrever na memória que ainda te quero pelos entardeceres que o,
Tempo mimetizar


quinta-feira, março 08, 2018

quarta-feira, março 07, 2018

Assassina de nós


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Recapitulando-nos assim,
Pelos rios que fendem do mar
Do que ficou por dizer,
Não sei de ti nem na
Areia do tempo que brota
Onde estão os dias perdidos
Dos dias,...

A casa daqueles momentos a preto e branco,
Foi a cor com que me pintaste nos
Contornos feios das imprecisões,
Que são as que carrego nos anos que pisei e ganharam raízes pelos meus pés acima,...

Soubeste a imperfeição da minha pele,
Sempre o quiseste pelo teu sono adentro,
E mesmo assim foste ficando no seco dos dias,
Para que o húmido das noites viesse da minha distância,
Forçada,
E assassina de nós

terça-feira, março 06, 2018

Saber ler e escrever

A sua,
Minha frase de ler,
Começava por P,
E pegava a um O,...

Não PO,
Mas pó,
E era o suave dos dias
Que corria assim,...

Sempre para ler,
O pó pegado ao poder,
E somado ao nada restar,...

Quando da noite sobrava a parte,
Era a frase de escrever,
M,
Pegado a mim,...

Lê-se de Mim,
Porque eu,
Tu não serás,
Mesmo que no fim...


...és como os seixos da beira praia

...és como os seixos da beira praia
Em dia de transumância,
De cardumes feita,
Com ondas desenhada,...

E o vermelho fogo da madrugada
A contornar a pressa
De seres,
Tempestade...

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segunda-feira, março 05, 2018

What hangs in the balance...

Esta seria uma manhã igual a outras e,
Diferente das que todos queiramos que venham,
Em vez dos sem alma as ruas,
Pintavam o relógio com sucintas frases de discernimento,....

Pessoas traçavam a compasso a rotação fora de tempo,
E aplaudiam com a testa as ideias de bem comum que floriam das
Árvores que ainda ontem morriam,...

E os velhos,
As reservas de falta de sono recostavam-se prontos,
Para aquele pedaço de consciência
Que antecede o golgota a que,
Chamamos última viagem,...

Por fim a tarde connosco lendo,
A mensagem com Pessoa fora deste contexto depressivo...



Frase

Com o mesmo dedo que já te deu o
Céu,
Procuro-te na escuridão do estar só,
É com ele que desenho o teu sorriso de lábios despudoradamente poéticos ,
Com sabor a madrugada,
A primeira de êxtase dourado
Que sorvi do teu corpo que
Só ao de leve,
Arranhou a minha pele marcada
Pela noite,...

Por isso o recordar como o sangue
Que me diz nada,
Com contornos de dia,
Recuso a presença do verbo no
Esquecimento do teu vibrar,
Do teu corpo devorado a fogo
Que me abraça em chamas
A cada segundo,...

Por cada segundo de
Luzes que te definem
Ainda e para sempre,...

Em mim...

domingo, março 04, 2018

Mãos dos sonâmbulos

Estas são as mãos dos sonâmbulos,
nunca serão as nossas,
Servem para esgravatar o mundo
Dos traços por completar,
Das ideias que morrem antes do
Último velho do mundo,...

São mãos de tiros de pólvora seca,
As nossas matam só com um
Espasmo muscular,
Estas são mãos de entardecer,
Que desenham na chuva os lamentos surdos do estio,...

Gosto destas mãos,
Se tambem gostas,

Não me acordes....


Crónica de um conformismo anunciado

Não eram muitas musicas,
Só as suficientes para untar a pele
Das pessoas que davam as mãos naquela
Praça,
A busca era pela liberdade de,
Juntos,
Poderem não decidir o melhor para o futuro comum...

Ser cada um a escolher as suas próprias
Frustrações,
A ir para casa ao final da tarde
E carpir mágoas em redor de
Um prato vazio,
E principalmente deixar os filhos
Praticar um modelo próprio de conformismo,...

Assim ficou decidido,
Fez-se uma grande fogueira de lume
Brando,
E queimaram-se ideologias de bem comum,
Durante dias que nunca mais voltaram,...

Hoje falamos de um país terminado
De pessoas,
Ficaram as ideias inócuas a lamber os
Passeios da chuva branda
Que o céu desprende


sábado, março 03, 2018

Aracnídeo


Tens picotados de nuvens na tua insegurança às cores,
De dentro da frase escrita para te dizer o que já sabias ,
Sobro-me expectante do fim dos
Dias com a retórica ao teu lado,...

Sonho

Tentar reduzir o momento aos intervalos de uma poesia mal conseguida,
Compartimenta o sentir em quartos sem porta,...

Sonhei com esta frase redutora quando tentava fugir ao fim
Do mundo num sonho...

sexta-feira, março 02, 2018

Dia de tempestade

era um portugal feito de açúcar naquela claridade de manhã,
ao longe a Lisboa de todos os linces,
felina como a estrada em que rasga o horizonte pelo mar afora....

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Woken

Da torneira saiu um país podre,
Com água torpemente baça
E com cheiro de pele
Decomposta,..,

Suava o povo estirpado
De honra,
De sentir coletivo,...

Ao que se seguiu chamei clamor
Sociológico no anonimato,
De um choro


Depressão

era a substância perdida da tarde escorrendo do céu,
sentia-me vento assuão,
prenúncio de calor que viola a pele,
e percorre sulcos no indissociável do estar desesperado,...

preparado em muitas formas de desnorte,
escrevi-me nas paredes dos prédios velhos que desconhecia,
chamei-me frase,
sujeito incontornável para quem me desconhecia,...

e senti-me filosoficamente desprezível,
incapaz da gnose mínima para ouvir o passar do tempo,....

e a acabar  a noite o velho habitual,....

disse-me em esperanto
continua a viver,...

porque vale a pena....

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quinta-feira, março 01, 2018

Gat(o)inhar na noite




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Vagamente inspirado numa crónica de rádio

Sobreviveu a um nascer sem história,
Escreveu inocência com transparência,
Respirares sem conta e
Sem ninguém a reparar,...

Passou intacta ao que se chama de coração retalhado,
Sozinha caminhou escrevendo na
Pele martírio,...

Sobreviveu ao holocausto do desprezo,
Com o esbranquiçar da vida
A tolher a esperança do imortal,..

E quando já só esperava o fim,
Salvou uma vida quase escrita
Com os mesmos versos,
E fê-lo só com o amparar de uma mão,...

Fim ...


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