terça-feira, 22 de julho de 2025
quarta-feira, 11 de outubro de 2023
crimes, por cima de crimes
há riscos no chão,
na parede,
vento desossado que diz
de sua justiça,
num quarto vazio e esvaziado,...
não há mais princípios esventrados,
só crimes,
por cima de crimes,
sangue a prová-lo,
que conversa como a verdade,
no meio do particípio passado do engano
segunda-feira, 3 de junho de 2019
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Sexual homicídio
domingo, 16 de dezembro de 2018
Innuendo
sorrir devagar,
terça-feira, 27 de novembro de 2018
Mais uma coisa com cigarros de terra
as pedras,
e por pedras entendo os
chamados rendilhados do
tempo sem uso,
e diz-me que das pedras farás
amores-perfeitos,
daqueles capazes de se dormir em cima,
e dos amores-perfeitos morrerão
pulmões corroídos por cancros,
e dos cancros nascerão crianças,
e das crianças sairão frustrados,
incapazes sem roupa,
e que andam nus pela casa a
desfiar o cordão da vida,
até ele acabar,...
e quando já se te acabarem os pés,
diz-me que preferes ser analfabeto,
e que da felicidade que daí surgir farás
flores de papel,
para distribuir aos indecisos,
que sorvem indecisões em
vez de se contentarem com
copos de água envenenada,
e para terminar com redondéis
como estes,
sem nome,
e que fumam todos os cigarros
de terra do mundo,
diz-me que já sabes escrever outra vez,....
eu vou fingir que nunca te conheci,
para ser melhor assim
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
há lugares
ser nada existe para
lá do som,
o mal tem palavras
gastas,
verbos de cão morto
e gato que cheira as
velhas que estão a ir,
como se interessassem
pratos de sopa de doença,
risos ocos e um não
saber o que cá se anda a fazer,..
há lugares onde
a rudeza não diz
boa noite,
precisando do fim
como um naco de pão para ferrar
dentes ensanguentados,
e calamo-nos com
o vazio
segunda-feira, 4 de junho de 2018
Reflexões sobre a morte
a vida também não faz sentido,
nem a forma como nos despedimos dela,
nem sequer ter de beber o ar como
água faz sentido,...
os poemas existem para fazer de nós seres que caminham
sem peso,
e se desfazem do que a pele nos diz para desfazer
quando dói cá dentro,..
nunca encontrarei sentido nos poemas,
porque sou a pessoa que menos sentido faz no que
escreve,
detesto tudo o que se perceba com um sorriso nos lábios,
e com toda a felicidade que só o egoísmo nos pode trazer,.
ah,
e detesto ter de parecer triste quando quero
mesmo é dizer mal de tudo e de todos,
porque quem nasceu para se ter só a si próprio,
não tem de achar sentido nos poemas,...
aliás,
que se lixem os poemas e toda
a hipocrisia que eles trazem embrulhados
Descansa em paz, tio....

quinta-feira, 24 de maio de 2018
eu tanásia
com os espelhos a gastarem a luz da existência,
devolvendo buracos negros,...
a sentir segundos como espinhos
alegrias ratadas à porta do esgoto,
para o repente parafrasear o fim,...
achou a tangente da coragem,
e acabou,...
——————————————
segunda-feira, 30 de abril de 2018
Poema em prosa de não querer
findos o que os barcos embatem na doca do dealbar dos dias, amontoam-se as desilusões que mesmo assim pintam sem cor este continuar
quinta-feira, 1 de março de 2018
Vagamente inspirado numa crónica de rádio
Escreveu inocência com transparência,
Respirares sem conta e
Sem ninguém a reparar,...
Passou intacta ao que se chama de coração retalhado,
Sozinha caminhou escrevendo na
Pele martírio,...
Sobreviveu ao holocausto do desprezo,
Com o esbranquiçar da vida
A tolher a esperança do imortal,..
E quando já só esperava o fim,
Salvou uma vida quase escrita
Com os mesmos versos,
E fê-lo só com o amparar de uma mão,...
Fim ...
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Solidão de cristal
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Transpirado de morte
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Orgasmos verdes
Plasma-me,
Três fortes
subtilmente descritas,
impressões
de morte,
cheiros soltos,
cão azul,
esgana,
fácil pintura,
de sonho,
acordado,
com a possível
erradicação,
de tirar pesadelos
da pestana preta
do último suspiro....
domingo, 4 de janeiro de 2009
Confissão com propósito adiado
Mulher - Já pensaste que isso é complicado, sem roupa nova.
Marido - Talvez. Mas já almocei. Comi bacalhau com grão.
Mulher - E de que esperas morrer?
Marido - De solidão. Tenho o coração a modos que a rachar.
Mulher - ....
Marido - Dizem que não dói. Sente-se só uma azia.
Mulher - Olha, vai começar as tardes da Júlia.
Marido - Vou à casa de banho. Se não voltar dentro de meia-hora, chama o cangalheiro.
Mulher - Levas revista?
Marido - Sim. O livro de cheques.
Mulher -....
Marido - Não contes com doações. Vou só rasgar as provas de que um dia fui pessoa.
Mulher - E lembras-te de que amanhã é feriado??
Marido -....
Mulher - Tenho as visitas do dominó. Não quero a casa a cheirar mal.
Marido - Talvez morra só depois de amanhã.
Mulher - Vai lá cagar. Não te quero com gases....
Marido - .....
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Morte enpacotada
Esgravata-se tanto, que a terra chega a ser um laivo de poesia feita de lambadas. Os torrões do tal desmentido de vida cravam pus nas feridas inanimadas. O sopro de tal consequência, desfaz pruridos de inevitabilidades alcançadas quando o respirar dói, mas também faz feliz o simples arfar de perceber como o tempo perspassa a tarefa árdua de estar aqui.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Testamento
.jpg)
sábado, 10 de maio de 2008
Delfina
Menina Rabina,
Flausina que se trata bem,
Chamam-lhe Delfina,
Tem a chita como refém,...
A saber como vestido,
Bafiento sinal verruguento,
Delfina assume latido,
Ao regurgitar placas de unguento,
Traz-te ao vento, Delfina,
Deixa-te bamba de convicções,
Porque se cospes morfina,
Engoles extensas contracções,...
Vi menina, coxeando mulher,
No outro dia que deturpava a noite,
Agarrava a sombra de uma colher,
Apêndice que chorava levou açoite,...
Delfina de vento falada,
Sombra de mulher na pernoita,
Quis-te à morte ralada,
Quando ela já tinha sido afoita,.....
segunda-feira, 31 de março de 2008
Cancro em torrente de pensamentos

O cancro, eu vejo-o como um golfinho azul. Sentado à beira de um rio de constâncias metálicas, observo-o a pular. Escapule-se às ondas entristecidas, e ri. Salta como se procurasse agarrar porções de ar claudicado. Gases que se cansaram de vida, e querem agora molhar os beiços à morte. Que desejam perscrutar um sentimento flutuante, como a leveza de espírito. O golfinho azul toca. Desfaz pequenas correntes que ligam quem o observa ao radicalismo de uma vida de balões esvaziados. Odeio metamorfoses de monstros. Sei-o, de uma forma conflituosa, que dentro do golfinho azul está.... Está o que nunca quis imaginar. Assombros de pesadelos magnéticos, que deixam marcas no corpo e na alma quando o sol nasce. Gemidos de crianças que acordam, e em vez de braços abertos em ondas de amor, são esbofeteadas pela escuridão madrasta. São quase horas de abdicar de tudo. Mas antes de um final de encadeamentos, uma tirada de completa clarividência..... Amo a vida... Espero que ela se apaixone, sem remissões, também por mim....






