quinta-feira, 2 de julho de 2026

Uma mulher que o entendia,....

 Por cada grito sobre campos afastados dos olhos,

Recebia se em casa um vento de duas vozes,...


Uma mulher que o entendia,

E todos os que ouvindo sem barulhar, 

O percebiam de forma muito própria,....


E era mesmo de todos,

Desenhar um traço que fosse comum,

Por cima da presença do amor

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Julhando a 23 de Outubro de 2025

 Deixava que fosse com damascos,

A pele das pessoas refletia a simplicidade,

E era o entardecer quando se chamava pelo passado,....


Num cesto a fruta disposta,

Um jarro de água com vários copos,

E chamavas me,....


Longas e possíveis formas de me prenderes à tua passividade de sempre,

A tua longa,

E deliciosa calma cativante,....


Comigo num silêncio de cetim,

O meu respirar continuava,...


Parecias assegurar,

Seres o vestido de cetim da jovem que ali tinha vivido décadas antes,

E saia de casa para percorrer os verões intermináveis de então,....


Será que havia também damascos 

                                                                                Tirado daqui

terça-feira, 30 de junho de 2026

Via esse homem despido,...

 lembrou-me o homem de chapéu tirado,

o que acenava a tudo,

e com quase nada recebia a voz,...


 o homem de todas as roupas,

que fez muito quando precisava,

e nadava no nada do silêncio,....


via esse homem despido,

de roupa,

de argumentos,

de palavras que concretizassem,...


o homem que descia a rua,

no sentido descendente,

passava sem falar,

comia o que descansava

                                                                         Tirado daqui

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Especiais

 Antes que seja tarde,

Dizer de forma intensa que um par de lábios envelhecidos,

De tez ressequida,

Que provaram o amor,

Disseram adeus consecutivamente,

Entre estações,....


São espécies ainda vivas,

De proporção desmesurada,

E trazem por arrasto vários pares de olhos raiados a sangue,....


Desnecessários porque anónimos,

Anónimos de dois em dois Desesperos que o anonimato costuma trazer 

                                                                               Tirado daqui

domingo, 28 de junho de 2026

As pessoas tiravam anos de cima,...

 Foi essa árvore, a mesma senhora distinta, de casaco comprido de inverno, plumas ao pescoço, e pés delicados cravados no chao, que ensinava a rir. As pessoas tiravam anos de cima, procurando o prospecto daquela maravilha da criação por todos os lados. Nas estações do ano, nas parangonas dos jornais quando caminhavam para os seus trabalhos. Houve até o caso de uma mulher, atrasada no tempo, e de amores tépidos e sem sabor, que estendeu manta de retalhos na abertura do jardim onde a multidão de pessoas se concentrava, e ali ficou o tempo necessário ate conseguir um pouco de tempo para se confessar defronte de ramagens, folhas, folículos, caules e raízes ocultas. Falou, depois de comprovar a ausência de testemunhas, do que tinha deixado para trás em vários pontos das redondezas. Conversas por acabar. Amores ocasionais e desnecessários. E ate o sitio escolhido onde, num acaso de loucura depreciativa, deveriam deixar as suas cinzas quando morresse. A árvore respondia como sempre. Deixando o vento percorre la em mil acasos de brisa, o que inexplicavelmente despertava nas pessoas a vontade e o estímulo do riso. 

                                                                Tirado daqui

sábado, 27 de junho de 2026

Como um verso bonito,...

 Era preciso. Não se dizia. Nao se sentia. So se achava necessário que a água fosse cantada todas as noites naquele local. O processo era simples. Não restava muita gente por ali, e as pessoas que escolhiam ali acabar os seus dias, viravam se para dentro. Sem desejo, nem expetativas de nenhum tipo. Assim, impunha se que precisassem uns dos outros, através do olhar. A entoação deste laudo inesperado, que todas as noites mudava, para no fundo se manter igual, era monocordica. A água amava se, como se um órgão sexual de mulher se tratasse. Como um verso bonito, antigo de tão contemplativo. Uma cantiga que, junta à alegria esporádica de quem ali a cantava, subia nos céus, com um destino semelhante à condensação da água das chuvas...

Dorothea Lange
'Paul's hands'
(1957)
                                                                          Tirado daqui

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Toma,...

 Os miúdos deitados,

Sopra e deixa ficar o desejo na mesa,....


Há uma comida de corpo a suprimir a de espírito,

Que espera pelo desenrolar do tempo em forma de madrugada nua,....


Toma,

Ofereço te a vontade em forma de poema

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Gritos

 O coração andará perdido,

Enquanto rebenta o ódio em certas ruas deste país,....


As pessoas caminham sem destino,

Roupas gastas,

A espicaçar o sangue,

Do que sobra nas esquinas do tempo,....


Personificado em projeto livresco,

O coração cria um enredo de segundas feiras,

Invisível como o ar de inicio de inverno,

Para assistir à calma que vem depois da violência,....


Gritos,

Desenhos de amanhãs redescobertos,

E um sermão teutónico,

Que não tardará a dissolver se no silêncio comprometido dos que concordando,

Amedrontam se com o Sublinhado a fel das mudanças 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Tempo breve,...

 Breve,

Breviário,

Aviltado pela ausência,

Gritos despidos,

E números,

Contas mal feitas,

Com roupas de mulher,

Uma e apenas uma nudez de homem,...


Tempo breve,

Já não morando na casa de outras alturas,

Com um desenho a acompanhar,...


E percebo que és quem descreve,

Esta parte,

De loucura mal feita,

De um fim de dia diferente de outros

                                                                              Tirado daqui

terça-feira, 23 de junho de 2026

Era a escritora,...

 -era a escritora. 

Todos a observavam no centro da vila, sem que a mesma percebesse. Era uma mulher assustada. Cabisbaixa. Olhava ocasionalmente para o céu, enquanto levava as mãos ao peito, fingindo estar num transe que so ela percebia. Já tinha sido bela, num passado que optara por esquecer. Era ainda a escritora. As pessoas lembravam se quando passava tardes sentada no único assento público, instalado junto ao coreto da cidade. Olhava muito. Um olhar penetrante, que dissecava a razão das coisas, e as opções que tomavam na vida.

Mas estava agora diferente. E tomava todos preocupados. Ninguém queria deixar de saber como estava a escritora 

Foto tirada em Jacareí, Brasil

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Só Porque Sim....

 


De:Eugénio de Andrade
Primeiros poemas, as mãos, os frutos, os amantes sem dinheiro

A ideia de mudar,...

 Uns cá que gritam impropérios,

Nadam em confiança,

Outros à volta do sol,

Desabridos,

Em ilusão,....


Por ali,

Onde o pombo se perde,

E há passos para contar verdades,

Os daqui razam a proposta,

A ideia de mudar,

E nem sorriem para o ar,....


Amor haverá por aqui,

Até que o ar desinche a razão,

E as coisas deixem de novo,

De ter aquele sentido de odor

domingo, 21 de junho de 2026

A Luísa,...

 A Luísa,

O nome não existe,

Deixa que permaneça escondido na base da janela da sala,

Por onde a chuva vai entrando em fila,

Nas dobras deste inverno que nao desaparece,....


A Luísa fez costura há muito tempo,

E viveu aqui,

Por entre as roupas que o silêncio desenhou,

E longe da chuva que ficava de fora,

Porque o tempo a julgava improcedente,....


A Luísa amanhã voltará,

Basta que deixes a gaveta aberta,

A segunda a contar do fim 

sábado, 20 de junho de 2026

Obrigado a observar,....

 Algo deixou de pesar,

A voz,

Pedir-te que nos uníssemos em brisa de menta,...


E ia sendo hora do desejo,

Pé ante pé,

Ele chegava,

Despia-te com gestos fluidos,

Sem idade,....


Obrigado a observar,

Percebia-me como um estudo,

Um método de possibilidades sempre eventuais,

Testadas toscamente numa nudez,

Como a tua,

Que hesitava em ficar como ungento nas minhas mãos 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

...frases de menta

 A Mira mata mas ao menos,

Meticulosa a vontade mediana,

De por mais qualquer coisa,

Dar menos a mostrar,

E aproveitar frases de menta,....


Tudo o que de medíocre nada tiver,

Nem deixar mares por dobrar,

Serve nos para que,

Ao desconfirmar a mediania,

Faça da mala,

Onde o coração perde a melena,

Perde também a Mira,

E ganha margem de morte 

Perchta
De: Marko Karadjinovic

quinta-feira, 18 de junho de 2026

A verdade agora,..

 Sim cheguei a amanhã,

O tempo atrasado,

E o chão arrasta um par de pés velhos,

E desinteressados,....


Pensei me preso no passado,

A desconstruir verdades,

E falando a maioria de números rotos e sem sentido,....


 A verdade agora,

Liberta sons e reside ao lado do silêncio,

Sem que de mim precise de mais que um afago

quarta-feira, 17 de junho de 2026

E querer ficar,....

 Haverá pouco que um risco evite,

Nem desejar mal quando se respira,

Muito menos fugir,...


Deixar para trás os mundos que foram os nossos,

E os que palpitam por um corpo despido,....


E querer diferente falando assim,

É entreabrir uma janela,...


Olhar fixamente para a chuva que reabre livros,

E querer ficar,

Amar desalmadamente com todas as letras 

Artwork
De: Stephen Mackey


terça-feira, 16 de junho de 2026

Não era tempo,...

 reparaste no sossego,

árvores a dar e dar,

um ribeiro encastrado

no frio de janeiro,

e nós escudados num longe

que sabia a perto,….


Não era tempo,

nem espaço o que sentíamos,

antes flores como componentes

elétricos,

e o solo,

o erotismo da terra,

a confortar o corpo único da nossa ambivalência,…


e veio a noite,

o borrado da noite,

o grito indeciso das primeiras horas do que ali vem,

e sempre morre antes de ser pessoa,…


e a verdade,

a verdade desenhada voltou

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Além

 Aqui só ontem,

Uma noite e dores,

A desculpa por dizer,

O presente possível,

De quem almeja a pouco,

Vai ficar por abrir por muito tempo,...


Aqui as cordas de um suicida,

A vontade de perceber que a vida se corta,

Como uma fita de prenda,

E não há lamentações a fazer, 

Nem ordens que fique bem dar,...


Além,

Onde a liberdade se finge como mulher insinuante,

Novas escolas filosóficas vão assustar os mortais 

                                                                        Tirado daqui

domingo, 14 de junho de 2026

Era intuitivo,..

Pequenos ladrões de abóboras
(Ilustração)

Ela podia ter qualquer coisa que nunca se iria descobrir,
Por muito que se tentasse,...

Um casaco aberto,
Em dia de vento tresmalhado e sem passado,
Tornava a diferente,....

O rescaldo de amor,
Como ela qualificava a próxima noite sozinha,
Após a última acompanhada,
Era indolor,....

Mas sabia se,
Era intuitivo,
Que ela se escrevia em línguas mortas,
E podia ser disposta em mesas antigas,
De madeira cheia de nós,
E nem assim seria amanhecer na sua boca,...

Algo havia,
Para os dispostos a tentar enriquecer com um sorriso,
Que se abria em privado

                                                                                 Tirado daqui

sábado, 13 de junho de 2026

Julgo não ter idade...

 Vendam-na,

Está na bissectriz do centro da cidade,

Julgo não ter idade,

Sentiu pessoas perder a vida,

Foi encosto para sexo de ocasião,....


Está gasta pela inocência da chuva,

As cores desmaiadas do sol,

Mas penso ainda poder ter significado para alguém,....


Assim se recorde que um quadro de uma beleza intransponível,

Ali foi alinhavado,...


E que é um abrigo para praticamente todo o tipo de pessoas,

E por isso será uma boa nave para,

Os que fechando os olhos,

Se lançam na viagem concêntrica pelo universo,

A que todos nos obrigamos nesta bola de rocha

Autoestrada em Manhattan,
Nova Iorque, EUA
                                                                               Tirado daqui

sexta-feira, 12 de junho de 2026

E por fim a mentira,...

 Ao longo deste desânimo que habitamos,

Socorremo nos de acordes de instrumentos,

Uma guitarra a chorar sem solução,

Soluços intermináveis do batuque de distâncias explicado,....


E somos nós,

E os vizinhos do que deixamos de ser,

Quem amassa argilas de verdades,..


E por fim a mentira,

A moça que escolhi em definitivo apresentar te,

Aqui está para que silencies as últimas letras 

De: Elina Krima

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Razonar

 aí o que os jovens

deixaram de saber dizer,

uma pausa prolongada,

isso pode estar num livro,

um livro de fim arrastado,

maçador para leitores exigentes,

com silêncios em várias línguas,...


e isso razonou junto

de quem viveu ainda pouco,

e deu-lhes uma abúlica vontade do nada

                                                                            Tirado daqui

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Por isso,...

 Às vezes estar aqui sem estar,

Começar simples,

Pensando que as decisões são de todos quando amadurecem,

Mas a loucura de as tomar,

Cabe em poemas deste tipo,....


Que vão aumentando de cadencia,

Luminosos,

E impossíveis de se reproduzirem a outros olhos,

E outras formas desgarradas de análise do real,....


Por isso,

Andar,

Desenvolver o tato de análise,

O trato infindo de ser humano,

Cada vez mais aperfeiçoado 

                                                                             Tirado daqui

terça-feira, 9 de junho de 2026

Parti

 Parti. Deixei a cama por fazer. Há sangue no lavatório e paredes da casa de banho. Não me sinto em condições para te explicar o motivo. Ficou um livro aberto, na página 100, o teu número preferido, em cima da mesa da sala. Estão cadernos por estrear dispostos, sem qualquer ordem, de forma aleatória pela casa. Fiz uma festa no cão, que sempre me ignorou em tua preferência. E ainda passaram alguns segundos, para que te mirasse, nua, em cima dos lençóis da cama de corte medieval que talvez tenha sempre sido o nosso maior tesouro. Pensei em artefactos, na vontade de mestre em alisar a nossa rotina com constantes inovações de originalidade. Voltar ao passado, quando nos conhecemos, e tu me convenceste a sujar as mãos com frequência, nas coisas que até ai nunca tinham sido da minha rotina. Levo a tua música a tocar na aplicação. A que fora escrita quando o tempo era plano, e ainda não tinha ganho as curvas que só nós sempre soubemos descrever. Se tivesses acordado, far me ias desistir desta ideia sem sentido, e pintada a cobardia. Mas as certezas aquecem se a si mesmas, e sao o nosso maior alento. Talvez volte um dia. Quando ja não fizer falta ao mundo, e para ti for a nota musical única do teu acordar, que eventualmente me agarrar à tua memória.

 Entretanto chove, e ainda bem 

                                                                                    Tirado daqui

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Portentos por cumprir...

 Não era tanto o céu que se via,

Como que periclitante,

Seguro só pelo alheamento,

dos que seguindo uma rotina desconcentrada,

Ignoravam que o tempo conhecido podia estar a acabar,....


Era sim a oportunidade de criar ,

Abrir uma tela e sentir o vento a lamber o sexo da terra,

Com isso deixar deslizar pincéis a um ritmo sem pressão, ....


Ou calcular destinos para personagens,

Que assim a sorte quisesse,

poderiam ainda vir a existir,....


Era a oportunidade de espiar falhanços,

Portentos por cumprir,

E aguardar que um último trovão precipitasse o fim 

                                                                         Tirado daqui

domingo, 7 de junho de 2026

E estares aqui,. .

 Isso que me parecia juizo,

Não haver mais livros naquela casa,

Sentir que o mundo acabava sem que soubesse matar o cartesianismo,

 Assustava me deveras,....


Os dias enrijeciam como fruta seca ao sol de Verão,

A música,

A parte enliante de Uma melodia,

Soava a insulto,...


E estares aqui,

A conversar sobre nada com esta sombra de mim que carrego,

Não ajudará a que ressoe o ribeiro,

Que insisto eu,

Parou de correr há muito por aqui 

                                                                            Tirado daqui

sábado, 6 de junho de 2026

Inatingiveis on tour, 2026 (Marrocos)


Sala de hotel em Marraquexe

Deixou de reparar na beleza,

Na forma como as vogais se apagam quando queremos seduzir,

Confiava Agora num tampo de mesa rústico, 

De uma madeira tacanha, 

E Dolorosa ao toque,....


Na vontade de emprestar sedução,

Permitindo agora que a ponta áspera de uma língua,

A acordar um sexo adormecido em manhãs que se cruzavam,

Se desvanecesse,

Quase como a vida efémera de uma flor,....


E por isso pensava,

Refletia,

Despia se e vestia de argumentos que dessem sabor à vida,....


Mas tinha,

Parado de confiar no bom senso,

E na vontade multifacetada dos humanos, 

Em abrir a alma ao semelhante 

É o que está dito,.. .

 

Ilha Lofoten, Noruega
De: Leafyfleece
                                                                            Tirado daqui

Dizem me que és a melhor versão de mim,
E que a chuva nos completa,
Nesta ausência forçada de renovação,
A que nos forçamos,
De tempos a tempos,....

Dizem que rio como se a verdade me doesse,
E estivesse escrito que a dor pertence a todos de igual forma,...

Para não ser de ninguém quando a noite regressa dos passeios a que nos habituou,...

E sendo a melhor versão de mim,
A tua percepção somos nós,
É o que está dito

sexta-feira, 5 de junho de 2026

A.macieza do olhar,....

 Quisera eu ser de facto a má notícia,

Tremida a escrita,

Num bilhete sem sentido,

Deixado nas bainhas da porta da velha casa,....


Quisera ter memória,

Um sentido de um beijo,

A macieza do olhar,

A maldade do sexo que sobra do atropelar de todas as rotinas,...


Quisera sem conseguir,

E agora que desces a rua,

Querendo sou um resto de vento velho,

Que ao ouvido,

Faço e digo de ti imprecisões,

Vidas previstas ,

Sapatos maltrapilhos da solidão 


                                                                               Tirado daqui

quinta-feira, 4 de junho de 2026

A figura humana do desejo,..

 A gente vai falando,

Sao horas de apressar,

Folhear livros como se a tua desculpa ja não existisse,...


E a presença,

A figura humana do desejo,

Fosse agora envelhecida,

Inodora para quem passa,

E insensível ao elogio,

E aos remendos do amor,....


Acertamos com a boleia dos versos,

Um titulo ou dois que ainda venha,

A tempo de nos fazer apetecer madrugadas,

Pulsares de corpos semelhantes à pré morte de uma qualquer galáxia,.....


E expliquei te o fim da obra que mastiguei,.

Enquanto redesenhava os teus contornos longe da vista que perdi 

Filme: The Shannara Chronicles (2017)
                                                                           Tirado daqui

quarta-feira, 3 de junho de 2026

A mentira retalhada,..

 é o mínimo,

cada vez que se estende

uma mão,

recolhem-se os olhos em dor,....


custa tanto como

a ausência,

apresentar um manto

de desconhecimento,

e com ele deixar ocultos

restos de memórias,

que não foi possível

limpar ao partir,....


não se pede mais

que uma verdade,

a mentira retalhada,

muitas notas de rodapé,

escritas toscamente

no livro que alguma vez amámos,...


é o mínimo,

e depois,

o silêncio pode voltar

terça-feira, 2 de junho de 2026

31 anos sem ti, mãe

 Aos poucos,

Ler a memória começa a ser um fino traço, 

Fica o riso,...


É dia mas a noite veste se de seda,

E passeia nos limites do desenho que deixamos feito,

Antes de a loucura sair,....


Vestir de escuro,

Calçar o eter até os pés sangrarem,

E principalmente a.reserva feita para dois no final de um livro,....


Explicada assim,

A parcela de um personagem ainda por nascer,

Pesa menos e fere talvez mais

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Junhando a 26 de setembro de 2025

Mirror, 1975   
De. Andrey Tarkovski

Estou preocupado?,
Sim, alguém bate à porta,
Nao interessa a hora,...

O tempo quando se esvazia,
Perde preponderância e significado,...

As vezes que descrevemos,
Escritas estavam as dúvidas,
Os medos travestidos de sexo dúbio,
A luz possível,
De um dia esclarecido e esquecido,...

Por isso estou receoso,
A medida do nojo,
Veste me o olhar 

domingo, 31 de maio de 2026

Já não sou inquirição,....

 Agradeço que me pintem,

Um corpo devastado,

Extremidades cor de sangue,

Uma conversa de morte,

Acicatada pela nudez dos finais de manhã,....


A inocência serve me a água,

A lassidão de uma noite cálida,

Convidativa,

Escrita a presente,

E de um passado jocoso,

De tantas idades,

E ao mesmo tempo ainda por nascer,....


E agora espero,....

(Próxima madrugada)

Já não sou inquirição,

Pergunta por fazer,

Mão levantada à espera de minutos por colorir,....

Sou agora o que tem de se impor,

E ler o que tendo de ler,

Se vai vestir de nova vida 

De. Johan Jakob Walther
                                                                              Tirado daqui

sábado, 30 de maio de 2026

Quando e como,...

 E a minha mao,

A gravidade conduziu a,

Tinha um corpo,

O teu,

Que em silêncio amedrontado,

Me conduziu,....


E havia uma prosa,

Um conto de ausência de palavras,

E entendimento desapegado, 

Escrito algures,

Que te contei,

Olhar com olhar,...


Quando e como,

Te ouvisses a ser minha

Nasir A. Aziz Eleyan
Mãe palestiniana
2007

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Dos sem nome,...

 Acho que só estamos aqui porque o tempo acabou,

Ela dava aulas com a sinceridade de fora dos bolsos,

E patente no sorriso,....


Descrevia o círculo semi cerrado capaz de provar,

Que o tempo não ia realmente regressar,...


E a vontade desiludida das pessoas seria a perdição,

Dos sem nome,

Sem idade,

E sem vontade de se definirem num ou dois versos,....


Para ela,

Só a filigrana do infinito do espaço,

Era sebenta a partir de agora 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Estás bem?...


                                                                             Tirado daqui

As vezes que te olhamos e pensamos,
Terra sem nome,
Estás bem?,...

Pareces numa esquina de rua,
Onde o mundo se inclina,
E a verdade se agasalha porque o armagedao ja passeia ao sol,.. .

Fazes que reflitamos nos autores sem nome,
Nos pratos vários para quem nada tem,
E espreita por uma janela imperfeita,
À procura de aves que contem novidades em línguas mortas,...

E mesmo assim olhamos te,
Porque são o que faltar para o fim da tarde,
E a salsugem das palavras por dizer,
Agarra se à roupa,
Aos passos,
Ao tiquetaque de um 
gato que nos olha 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Uma vírgula,....

 Por tudo aquilo que deixou de caber numa folha impura,

A chegada do Inverno,

O toque da primeira virtude,

De posição por definir no corpo da mulher que se perde na bruma,....


Uma vírgula,

Pontos que finalizem um choro sem tempo,

E de tez escurecida,....


Esperando por outro capítulo,

De todas as coisas ao litoral,

Com a brisa de um final de verão,

A anunciar a ajuda de quando ler ainda for sabido

terça-feira, 26 de maio de 2026

Ser uma ilha

 a verdade meu amor,

 a verdade é uma ramagem
 de árvore, 
que balouça sem 
destino,...

na música sem tom
 do vento forte, 
a verdade veste-se 
de branco, 
e tem a idade que
 lhe damos, 
não a que grita inocentemente
 ter,…. 

A verdade é um passo, 
dado atrás do outro, 
e que procura a marca
 profunda na terra molhada,…

 é, 
talvez ainda,
 um choro brevíssimo
 da criança sozinha, 
que se acumula 
na terra que lhe trava 
o regresso ao tempo real

                                                                              Tirado daqui

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Faz parcelas de problemas,..

 Voto,

É me dito continua a trabalhar,

Faz das fraquezas forças,

Diz que não ha cores debaixo do horizonte,

Nem se dorme com um monte de nada,....


Faz parcelas de problemas,

Deixa de fora os ditados gastos,

Lugares comuns irregulares e previsíveis,

E grita,...


Tudo a plenos pulmões,

Como se o medo ja não fosse amanhã depois de cada pausa,

E para ti,

Se confirmasse o silêncio,

De gritos de peito vazio

                                                                                      Tirado daqui

domingo, 24 de maio de 2026

...o padrão das roupas

 Porque lhe tinham fixado o padrão das roupas. Assim o parecia, pelo menos. Repetia se, quase sempre com a mesma geometria regular. Quadrados de cores escuras, sobrepostos, espalhados em fundos brancos. Eram vestidos alegres, reveladores de silhueta, com os braços bem visíveis, a rasgar o vento. Uma figura aue se enfiava pelos olhos de quem a queria ver, e cabelo. Cabelo farto, escuro, em cachos soltos e que se enamoravam do vento que marcava histórias, descobertas e esquinas naquela terra. Tinha se habituado a ser só mais uma, apesar de reconhecer a dificuldade desse desígnio. E passeava. Imiscuia se propositadamente na ordem natural das coisas, pedindo licença ao passado para se tornar uma exclamação ruidosa do presente. Recordo me ainda quando e porque a trouxe para esta história. Apareceu me num sonho. Sei que não existe, que pode ter todos os sonhos do mundo, e ser o grito preso no peito de quem a aceite como é, e não como querem que ela seja. E não há muito mais a perorar sobre quem realmente não existe no mundo do palpável 

                                                                                      Tirado daqui

sábado, 23 de maio de 2026

A virtude de um final de romance,...

 O dia fechava-se como o último ato de uma produção teatral.  Havia o sol, que descendia no horizonte como um dedal no dedo disforme de uma mulher sem idade. Havia sangue, pequenos fios que envolviam a fina linha que separa o que alcancamos, do que nunca experimentámos.  Duas ou mais noções de tranquilidade estendidas, como naprons despreocupadamente tricotados por mãos anónimas, em cima da mesa irregular de nenhures onde esta história escolheu acontecer.  Um episódio literário sem potencialidades.  A virtude de um final de romance mais acentuado. E o desejo de se escrever, mesmo que não se saiba.  Tudo muito confuso para se continuar

                                                                                   Tirado daqui

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Os sorrisos não chegaram,....

 Tenho a esperança que um dia voltes,

Não sou pessoa de deixar escrito o resto de um dia,

Com o caderno fechado,

E a noite a chegar com desculpas,

Dizendo não ter passado,

E só recordações com crianças desaparecidas,....


Os sorrisos não chegaram,

Para que os equívocos que foram nossos se extinguissem,

E achasses um fogo para guardar no peito,

E assim te sentisses presa a mim,...


Não serve o resto de um prato de comida,

As provas de que a vida pode ser mais que uma chama de tristeza,...


Só te poderás servir,

E a mim como continuação 

                                                                          Tirado daqui

quinta-feira, 21 de maio de 2026

De novo abraço,...

Portanto abraço,
Sinto que o peito se abre,
É de noite num quarto 
qualquer sem lua,,...

Abraço sem pessoas,
Como poema 
sem sentido,
Pessoas desordenadas,
Exército de fantasmas 
sem explicação,...

E pelo menos ao alvor,
Quando a palavra perde o valor que se espera,....

De novo abraço,
As verdades estendidas 
agora ao luar

quarta-feira, 20 de maio de 2026

...atalho escondido

 mandam-me ser infeliz,

 que atire dados

ao rio,

sendo o filósofo

estagnado,

que caminha para

a morte pelo atalho escondido,....


manda-me ter tino

no que digo,

ofender só a mim mesmo,

com um silêncio

imprevisível,

como nota de rodapé

de ensaio sobre o riso,...


mandam-me e

obedeço,

tipo parafernália

ambiciosa de droga,

responsável por mortes

de anónimos


                                                                               Tirado daqui

terça-feira, 19 de maio de 2026

Dos dias imprecisos,..

 lembrar como ele falava,

o tal das palmas coloridas,

que dizia perefiro,

para ferir,

e razuar,

para elogiar,

e dava os nós

dos dedos como presente aos outros,...


recordá-lo quando partiu,

e ainda se fala do que lia,

das voltas afundadas

ao específico dos livros,

que sabia elogiar,....


lembrá-lo de

cima abaixo,

e talvez poetar

em volta dos seus pés,

cravados ainda

na lama persistente,

dos dias imprecisos

                                                                         Tirado daqui

segunda-feira, 18 de maio de 2026

O verbo,...

 há palavras escuras

 dentro de nós,

o verbo,

a solução

para a morte,…


um sorriso oculto

em sapatos gastos,

pés ensaguentados,....


a viver como a parecer,

debitar a ausência

de cor,

um gemido,

uma profissão de fé,.....


palavras escuras,

como a presença do eu,

na mentira

Guatemala
Foto de :Mary Asperlag

domingo, 17 de maio de 2026

Campo florido

 ela esqueceu-se do campo florido. Ao amanhecer, em cada despontar de dia, permitia apenas que a sua cabeça fosse invadida por escuro. De diferentes dias. O escuro do caminhar. A ausência de luz da solidão. Dois dedos apenas longe da morte, e o que isso tolda a compreensão do real. Houve, lá atrás, quando o sorriso era um companheiro de dia, e de chamada do descanso, um campo extenso. Pejado de vários tipos de flores, e com cores que a amparavam em todos os momentos. Pediu-lhe, o que a observava e segurava na mão, que lhe descrevesse o que tinha sido. Queria que voltasse a ser. Antes que a memória se apagasse, no que o sempre tem de assustador. 

                                                                            Tirado daqui

sábado, 16 de maio de 2026

Cor de nada,..

 A vontade de fazer doer,

Da dor permanecer intacta,

Cor de nada,

Sentada na loucura,....


E quando for amanhã,

Que ela se levante,

Traga o dia para dentro da noite,

E se torne habitual,

Carne de peitos abertos,

Decisão aberta e vontade de lamento,....


Uma dor literal,

Cada vez menos encarnada,

Profunda e acentuada,

Como a que os livros tratam por personagem secundária 

                                                                                Tirado daqui