domingo, 11 de outubro de 2026

O meu corpo é teu,....

 falamos,

desobstruímos o ar,

a casa está vazia,

recusa-se o tempo,

o espaço,

a virtude do desejo,

pousado que está na estante

poeirenta,….


o meu corpo é teu,

os nossos corpos são

de ninguém,...


e se me devoto

à luz de olhos,

como os teus,

a contornos irregulares,

mas sedosos,

de um corpo como o teu,...


à voracidade de um desejo,

como o meu,

que solta

incontrolável

por estes recantos

de fundo de rua,

é porque há um coração,

meu,

metaforicamente nosso,

que pulsa por te ter,....


e uma casa,

de ambos,

chamada amor,

amor com todas as letras,

amor de hoje,

de ontem,

de quando quisermos,...


e agora o silêncio

Alison (música dos Slowdive)
                                                                    Tirado daqui

sábado, 10 de outubro de 2026

O parthenon está a cair,.. .

 O parthenon está a cair,

Olho para ele,

O olhar dói me de tão desperto que está,

Um calor desabrigado,

Insolente,

Tão próprio de Atenas a dizer que não nos quer no seu ventre,....


Não tenho como avisar as pessoas,

Vejo o nervosismo de quem se lembra do Parthenon,

Em todas as suas facetas,

A ponto de ele começar a tremer,

E ser normal,

Ser tão normal como a história,

A pedir por água num calor,

Fétido como o daquela terra

Foto de David Bowie, Iggy Pop e Ronnie Wood
(1978)

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Mas guardam,...

 De todos os que não chegaram,

Os que desejavam monstros,

Vistos ao longe,

E vestidos de nada,

Nós ficámos sempre a uma 

Distância segura,....


Escrita a maiúsculas,

Com árvores pelo meio,

E a verdade adaptada,

Consoante origens,

Inocências,

E aqueles malditos princípios políticos,

Que as pessoas renegam,. ..


Mas guardam,

Em caixinhas bonitas

Cap sounio,Greece

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Olá de ti,...

 Olá, 

De detrás do pó,

De vírgulas a mais espaçadas,

Com sons irritados e voláteis,

Olá pra todos e para ninguém,....


De grito em riste,

E voz tolhida,

Um Olá redondo,

De letra grande,...


Olá de ti,

De mim,

Para todos,....


Eu desenho te um Olá,

Espera despida,

Aos pés da cama,

E a ler sartre

                                                                             Tirado daqui

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

As pessoas,...

 Sim, devagar,

As pessoas,

Os instintos que desperdiço,

A verdade empacotada e desiludida,

Nada faz de uma intenção precipitada,

O certo,....


Aquilo que faz de um fim de dia a vantagem,...


E para duas pessoas diferentes,

Ser igual nas pretensões,

Nas desilusoes,

Torna falar assim efetivamente impressivo,... 


Capaz de deixar realidades

 tatuadas

                                                                              Tirado daqui

terça-feira, 6 de outubro de 2026

E à terceira violência,...

 À primeira pancada desordenada,

Que deixou marca profunda,

Quase como um prenúncio de fatalidade na pele,

Perdoou,...


Ele não estava em si,

Os dias pesavam lhe mais que os destroços da noite,

E ele chorou,

Sozinho,

Sem que para ela houvesse desculpas,

Mas chorou,....


Ao segundo golpe,

Chorou para si mesma,

Haveria de ser a mulher que tinha sido,

Mas não naquele momento,...


E à terceira violência,

Que voltou a deixar marca,...

Sangrou da pele alva do rosto,

Disse que sim a um livro,

Que releu até ter coragem,

De mudar a vida noutro sitio 

                                                                     Tirado daqui

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Espreitou à rua,..

 Emprestaram lhe o namoro,

A infância,

O trocar das pernas com quem se ama,

Em projeções conjuntas de corpos,....


E fizeram dele o silêncio,

Aquele momento da madrugada que é escurecido,...


Mas cheira a magnólias espalhadas pelo chao,

E à total ausência de desculpas,

Pelo desrespeito indefinido de qualquer coisa,....


Espreitou à rua,

Sozinho e pensativo,

Um gato fixou o nos olhos,

Como se falasse a sua língua 

                                                                                 Tirado daqui

domingo, 4 de outubro de 2026

Substitui o choro,..

 O que é terror desprende se da mão,

Perdoar,

Ou um desenho anacrónico desalmado pelo chão,

Substitui o choro,

E querer moldar um sorriso,

Numa cara de compromisso,....


Assim,

Parece me certa a água que corre à porta de casa,

Porque ainda não será daqui a pouco,

Que o mundo poderá ser deixado em pausa 

                                                                       Tirado daqui

sábado, 3 de outubro de 2026

A chuva pesa,...

 De ti recordo o dia, mês, ano,

O tempo resguardado num discurso,

Estapafúrdio O suficiente,

Para que fosses tema em ti mesma,....


Sem a tua essência,

As mãos na mesa,

Os corpos de cada segundo que ocultavas,

A página virava se com mais dificuldade,....


E aqui,

A chuva pesa,

E o sol evapora mais do que antes

                                                                               Tirado daqui

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Ruína

 Nao posso estar mais aqui,

Cheira a ódio,

Sim essa pequena mala envelhecida,

E as dores nos olhos que sinto,

Entristecem me de uma forma atroz,....


Tenho a noção aperfeiçoada da ruína,

Sem que a aceite mas ela está cá,

E por isso devo seguir,

Nunca confiei em caminhos,

Só em sugestões de fracasso,...


E isso segue uma possibilidade 

                                                                       Tirado daqui

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Outubrando a 24 de janeiro

Valerie and Her Week of Wonders filme de: Jaromil Jireš, 1970

                                                                        Tirado daqui

Hoje é dia de paz,
De assinares a libertação 
deste trabalho,...

Não se justifica ser
 mais noite no meu olhar,
Dia nos teus toques,
Haver um livro algures,
No mundo desconhecido e
 ficcional,
Que esteja a contar 
a nossa história contida,....

E nós não a consigamos viver,...

Basta de versos soltos,
E este primeiro passo 
renasce a verdade,
Entre o nosso espaço 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Porque ela aspirava a mais, ..

 A poeta e filósofa abeirava se da coisa pública,

Onde as pessoas discutiam sonhos e prioridades,

Os mais experientes de forma enfática,

E os arrependidos em silêncio,....


Abeirava se para dizer que ja bastava,

Ela surpreendia pelo tom pastel de olhos cansados,

E não estava disponível para que o provável,

Os conceitos abastardados de vida,

Servissem apenas para de forma tosca fintar a morte,....


Porque ela aspirava a mais,

Suava mais mesmo que dormisse de cabeça pendida da cama,

E não seria ali que permitiria apropriacoes provisórias,

De uma obra que decididamente ficaria para a humanidade 

The music lesson (1665) de: Johannes Vermeer
                                                                            Tirado daqui

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Um dia gostava de saber escrever assim

February, de Margaret Atwood


 Winter. Time to eat fat

and watch hockey. In the pewter mornings, the cat,
a black fur sausage with yellow
Houdini eyes, jumps up on the bed and tries
to get onto my head. It’s his
way of telling whether or not I’m dead.
If I’m not, he wants to be scratched; if I am
He’ll think of something. He settles
on my chest, breathing his breath
of burped-up meat and musty sofas,
purring like a washboard. Some other tomcat,
not yet a capon, has been spraying our front door,
declaring war. It’s all about sex and territory,
which are what will finish us off
in the long run. Some cat owners around here
should snip a few testicles. If we wise
hominids were sensible, we’d do that too,
or eat our young, like sharks.
But it’s love that does us in. Over and over
again, He shoots, he scores! and famine
crouches in the bedsheets, ambushing the pulsing
eiderdown, and the windchill factor hits
thirty below, and pollution pours
out of our chimneys to keep us warm.
February, month of despair,
with a skewered heart in the centre.
I think dire thoughts, and lust for French fries
with a splash of vinegar.
Cat, enough of your greedy whining
and your small pink bumhole.
Off my face! You’re the life principle,
more or less, so get going
on a little optimism around here.
Get rid of death. Celebrate increase. Make it be spring

Como se o Norte,...

 de uma certa forma a flor, 

só queria que esta,

 esta voz recortada, 

substantiva,

 fosse a que chegasse onde tu não estás,... 


assim porventura a ouvisses, 

deslindada, 

como se o Norte,

 cheirasse diferente, 

do que de estranho te ofereço

                                                                               Tirado daqui

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Obrigado Meta AI por saberes escrever sobre politicos corruptos


Lá fora uiva o vento,...

 Hoje é o dia de celebrares,

De faltares à palavra,...

De sentires prazer 

nos risos imperfeitos,

E nos passos que

 se dão para os conseguir,....


Nem que nos equivoquemos 

como ilusão,

Como presente indesejado 

de todos,

E para todos,....


E agora assino um bilhete 

de ingenuidade,

Como se de crianças 

nos restasse a chuva onde 

passeámos um dia,

E peçam o possível para que

 continuemos,...


Lá fora uiva o vento

Fotografia de Evelyn Sanchez
                                                                          Tirado daqui

domingo, 27 de setembro de 2026

Não sabia para onde,...

 Nem o que se chamou um dia edifício,

Prédio de emoções,.. 


Nem por tudo o que já foi real,

Chão de todos os dias pisado pelo amor,

A verdade,

Os donos da perfeita

 luz de enganar,....


Nem por isso ela cedia,

Mãos de carros a passar

 à porta de casa,

Pés leves como a caruma daquele caminho perdido,...


E um coração que perdia força como um corpo que se abandona,

Ela seguiria,....


Não sabia para onde,

Nem se a acompanhariam,

Mas um pé haveria

 de seguir o outro 

Unearthed de:Tsunaina
                                                                              Tirado daqui

sábado, 26 de setembro de 2026

E agora sim,...

 De modo que te dizia uma cama feita,

Passos de nada,...


E espera

Há volta de querer sair,

Sem esperar voltar?

Sem que os olhos possam abrir,

E sejam autorizados a ver a aurora,

O efeito da manhã em quem não nos conhece,....


E agora sim,

Neste poema é tempo da pausa que esperas,

E só me resta uma assinatura em branco,

Que explico no entardecer,

Com o tempo que precisares

                                                                                 Tirado daqui

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Sem poderes efetivos,....

 presidente de uma viela deformada,

estreitei laços com

quem ali sofria,...


 almas impuras,

sôfregas por morticinios

de vidas,

e um ou outro afundar de um desejo,....


sem poderes efetivos,

os discursos curtos e inconsequentes,

proferidos à sombra de um sol

que por ali ia passear,

recuperavam a prevista

desordem das ideologias,....


a mutação do devir,

sentido ali ao entardecer,

quando o ar arrefecia,

aumentava,

 debaixo de pés aligeirados, 

esta república desvirtuada só para mim


Love (1995)
Pintura de Paula Rêgo
                                                                       Tirado daqui

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

....hexágono vazio

 E eram poucas as vozes. Nem sequer chegavam para que o dia corresse sem questões de veracidade. De integridade. Olhava para o outro lado do coreto velho, e ainda assim atual, da cidade, e via um velhote vestido formalmente, com uma gabardine castanha de fazenda, desadequada ao tempo de primavera que já começava a aquecer. Olhava fixamente para o hexágono vazio da estrutura,se calhar a pensar nas notas soltas de música que outrora dançaram com ele, tardes a fio. Ao lado, uma senhora de meia idade, com uma criança inquieta pelo meio, tenta acalma la apontando para a arquitetura decrépita daquela estrutura velha e permanente da terra. 

                                                                                   Tirado daqui

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

E decido...

 Atapeta me,

O vento a tamborilar nas árvores,

Ter estado aqui ha tanto tempo,

Que um dedo na pele não existia,,

Gostar de um corpo,

Devotar restos de amor aquecidos,

Era o amanhã ainda por desenhar,....


Saber que ter desejado,

Ter luz pelo desejo,

Ja houve alturas que nao existiu,....


E decido,

Parar o presente 

Nude with sunflowers
De: Diego Rivera (1946)
                                                                        Tirado daqui

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Era melhor o falar,...

 O problema era da memória,

Amanhã dizia se paz,

Quando um leve 

Sublinhado azul,

Por vezes irregular,

Por vezes inocente,

Contornava a lua 

desenhada pela única

 criança que sobejava,....


Dantes,

Até onde a mesma 

memória chegava,

Era melhor o falar,

O sentir,

Abraços avulsos que os desnorteados distribuíam antes de partir,....


E as inscrições ficavam,

Imperdoáveis,

Amordaçadas,

Felizes ainda assim,

Como só o conformismo

 o sabia ser

                                                                                 Tirado daqui

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

A ver se mudo,...

 Toda a gente toma

 conta da minha vida,

Os idiotas,

O ir e vir do ar podre 

das palavras,...


O prazer decantado, 

Como o abre e fecha das bocas dos desiludidos,....


A ver se mudo,

A ver se priorizo o amor,

A ver se me deixo estar,

como peça solta da engrenagem,....


Enquanto isso balelas,

Histórias montadas do pavor de ser diferente

Balelas é o que te digo 

De: A Ghost Story (2017)
                                                                   Tirado daqui

domingo, 20 de setembro de 2026

E para o presente,...

 Às vezes não era eu,

Não podia ser,

A mão estava fora de tom,

O rosto escorria a legítima vontade de partir,....


Era como se me lesse na lage da manhã,

Fria e anunciada,

E la estivesse um poema averbado e sem consolo,.....


Subia na minha vontade de mudar,

E para o presente,

Tornava me inconsequente e com a utilidade possível 

De. Táxi Sófia (2017)
                                                                           Tirado daqui

sábado, 19 de setembro de 2026

Olhos abertos,..

 podia ser pior para mim,

uma pele esgatanhada,
optar por crismas constantes,
batismos de língua,
e de experiência,
e de sexo,....

e mesmo assim
pagar muito,
por um beijo atravessado,
uma novidade indecisa de lábios,
 sem que perceba a autoria,...

 e esperar pela noite 
de pé, 
olhos abertos, 
braços estendidos
 ao longo do corpo, 
e a verdade, 
longa e esquecida
                                                                             Tirado daqui

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O anoitecer será de todos,...


Eles sabem que por mais azeda que a água esteja,

Mesmo que o ar saiba a fim de vida,
Ainda que os sorrisos sejam de maldade,
De querer matar e fugir para não ver,
O livro aparecerá escrito,....

Tem de haver um por do sol,
O anoitecer será de todos,
E nao do envelhecido dono do enredo,
E será a provável desonra de um povo,....

O que escolhido com desdém,
Sobressair deste introito sem nome 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Um púlpito,...

 Ando aqui a poupar amor,

A dizer as coisas possíveis,...


Um púlpito,

Duas garrafas de água vazias,

Um bem maior perdido,...


Tudo o que adiante

 à escassez de ilusões,

E a achar que será melhor,

Todos os 

segundos melhor que no passado

                                  Tirado daqui

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Um traço,...

 Perguntavam se deixariam sequer a putrefacção,

Palavras passadas do prazo,

Que esperavam a morte em caminhos onde a verdade ja nao passava,....


Perguntavam pela mentira,

Por um pedaço de chao,onde o sono fosse uma presença da impuridade,

E não houvesse idade para os gritos,...


Afirmavam um ponto,

Um traço,

Uma mão pelo grito da Terra dentro,....


De onde se tirasse uma casa de números,

Representada a transparência,

Para que o silêncio,

Se implantasse a cores de desafio

terça-feira, 15 de setembro de 2026

O olhar,...

 Perguntava se,

Haveria água,

Esta terra teria coração,

Voltarei a ter livros para virar páginas,...



Uma casa onde esconder,

O olhar,

As mãos trémulas,

Este sexo de que me envergonho,

E apavora,....


Questões que a resposta demorava,

Enquanto a chuva doía na alma,

De formas ainda por inventar 

                                                                             Tirado daqui

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Entrem por haver espaço,..

 entra quem lê, 

quem diz que é 

diferente, 

os pés de barro, 

com passos alargados,… 


entram os que escrevendo,

 abrem espaços a 

palmo,

 janelas escancaradas, 

onde o vento não entra, 

e a cor é feita com mãos de luz,

 e a felicidade ijoga ntermitente 

com a morte,… 


entrem por haver 

espaço, 

por não se 

meterem 

dúvidas, 

como exclamações sem idade, 

e para interrogar pausas, 

difíceis de traduzir, 

e que servem para 

aplaudir


                                                                           Tirado daqui

domingo, 13 de setembro de 2026

Com algo marcante,....

 Crime pelo qual foi julgado e condenado,

Deixava uma pessoa,

Já de si de poucas palavras,

Sem esboçar reação,...


Tinha deixado de acreditar na voz,

Na vontade de arranjar explicações para tudo,

Estava condenado,

Ia perder a liberdade em breve,....


E por isso pensava em marcar a despedida do mundo cá fora,

Com algo marcante,....


Talvez um beijo no vento,

Como nunca sequer tentara antes 

                                                                             Tirado daqui

sábado, 12 de setembro de 2026

Posta na mesa,..

 De um prato meio vazio de comida,

As mãos,
O rosto acabrunhado,
A vontade de mudança escondida num bolso,
E no outro nada,....

A marca da loucura permaneceu assim,
Posta na mesa,...

Enquanto uns olhavam para a demência descrita desta forma,
Outros deixavam o passeio do desespero avolumar se à porta
                                                                       Tirado daqui

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O perdão virá,...

 esperemos pelo perdão,

pelas meninas de
vestidos ajustados,
cor de sonho,
e destino de paraíso,...

esperemos pela água
que o céu não verte,
e faz um rio à porta das
casas dos silenciosos,...

esperemos pelo vento,
o que vem em carros de
doces,
para fazer dos olhos das
crianças,
lagos de floresta esverdeada,...

o perdão virá,
mas não acredito que fique,...

vai partir
Ghost in the Shell (1995)
                                                                               Tirado daqui

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

De um livro de vidro...

 Perguntava se,

Andavam a ve lo como uma cor?...


A verdade debaixo da mesa,

Confirmada,

Despedida da ficção,

Uma personagem dispensável talvez?,...


De um livro de vidro,

Adensado por um enredo de outras origens,

Desconhecido,....


Custava caminhar pelos dias sem conhecer este,

Que era um enigma de fato e sapatos,

Vestido para assustar 

A Paixão de Anna (1969)
 de: Ingmar Bergman
                                                                           Tirado daqui

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Faltava só quem o entendesse

 A menina não queria saber do escuro,

Do claro cozinhado de vegetais pelo dia,...


Nada lhe diziam as cores dos pontos finais,

Nem os choros,

 abafados pelo baque de agressões rosas e azuis,...


Ela estava nas paragens de transporte no interior,

Perdidas e bafejadas pelo vento amadurecido,

Estava no último virar de página,

Do livro das resoluções falhadas,...


Estava em pequenos defeitos por resolver,....


Faltava só quem o entendesse 

Kiko Mizuhara
De: Alex Leese
                                                                              Tirado daqui

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Primeira coisa escrita em 2026

 Não me mostres piedade,

A verdade,

Polvilhada de queijo e

 escondida na massa,...


Não me definas como sinal de

 pontuação,

Pausa para almoço,

Ansia de ser noite,....


E ter te nos meus braços,

Para que o sol venha depois da luta,

O solo árido e virgem,...


Se sobreponha ao pó,

E haja enfim luz,

Antes de o nosso

 nome ser o nada

                                                                               Tirado daqui

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O que invejo,..

 Dizes que o irremediável são dois sapatos,

Gastos e que já não palmilham caminho,....


Mas eu ainda gosto da verdade,

Pequenos lábios de pássaros invisíveis,

A beijar me o que desejo,...


O que invejo,

Sabendo que o irremediável continua lá,...


Como dois sapatos,

Ou acordes,

Pequenos e desesperados sons de música,

Que servem para tapar,

Invejas que não vêm ao caso 

                                                                                  Tirado daqui

domingo, 6 de setembro de 2026

E pensou em pássaros,..

 Quando lhe tiraram as amarras, que mais não eram do que luzes invisíveis que a agarravam a uma rotina monocórdica e de uma cor, ela andou. Havia um único caminho disponível, enlameado, que passava por baixo de uma árvore altaneira, mas que se percebia estar moribunda. Andou, com esforço para desenvolver os músculos, até senti Los quentes e a pedir uma marcha cada vez mais intensa. Não procurava nada, nem ninguém, ate porque se tinha habituado a uma solidão demonstrada, que falava consigo própria, e a afastava de todas as explicações racionais para a situação única em que se encontrava.pensava numa rotina que pudesse readotar, que lhe desse cor e especialidade, num resto de vida que queria marcante. E pensou em pássaros. Poderia ser com isso, amar o céu, e entregar se à vontade de se exceder sempre, e a qualquer momento.

                                                                               Tirado daqui

sábado, 5 de setembro de 2026

E a apologia do certo,.. .

 Nenhuma vez mais do que as outras vezes,

As desilusões,

As caixas de sonhos perdidas nas ruas de todos os dias,...


Os outros voltarem para casa,

Sem que tu e eu sequer nos importemos,...


É atirar para fora a escolha de dias de reflexão,

E a apologia do certo,

Desdizer a versão correta do errado 

Foto de Jean Marie Périer
                                                                                Tirado daqui

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Um dia gostava de saber escrever assim


 

E é solitário,...

 Porque é Solitário falar do que achamos que ja fomos,

E há um homem alto,

Que finge passear crianças pela mão,....


E uma mulher fantasmagorica,

Acentuada nas esquerdas e laudatoria nas direitas,... 


E é Solitário,

Talvez abrir mais a boca,

E redige se o nome e a data,...


Para que se satisfaça 

quem não é da casa

                                                                                  Tirado daqui

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Chama me religioso,...

 Eu não disse quem me podia salvar,

Não defini a temperatura do chá,

Nem sei se és melhor na poesia,

Ou em descrições puras de cenários de rotina,...


Nada passa por mim entendes,

A cor da minha pele exala transparência,

Os meus olhos não sabem definir,

Por nunca terem visto um horizonte,....


E hoje em dia espero da noite,

A paz que ela nunca me deu,...


Chama me religioso,

Se quiseres

There are two means of refuge from
the miseries of life: music and cats.
                                                                    Tirado daqui

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Que deixei de ouvir

 As plantas têm anemonas,

Um pontinho de mar apenas,

E um cheiro inofensivo e também literário,....


Trouxe te para escreveres algo assim,

Uma paisagem de um mar saturado de sujidade incompreensível,

Com árvores alargadas,

À beira mar,

Que se curvem à indiferença,

E perpetuem o silêncio sobre o amor, ...


De qualquer destas formas esta é uma pressão admitida,

Querer fazer de ti a presença e a herança das ondas,

Que deixei de ouvir 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Setembrando a 26 de Dezembro de 2025

 Nao são as nossas vitórias,

A sopa fria que nos servem ao final de cada tarde,

Nem é um pedaço de pão que nos confiam por pena,

Nada é a verdade inquestionável,

Nem a loucura instalada numa casa isolada,....


Descreve me tu o à vontade que,

Para mim,

Não existe nesta questão,

Sou o farol de estranheza nesta porção de loucura,

E não entendo,

Só talvez se me recitarem algo irracional

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Elas que disseram,...



Protestam Porque me deixei descobrir,
Tenho a pele colada ao vento,...

A pressão está do lado das pessoas,
Dos seus gritos,...

Elas que disseram,
De olhos abertos e preconceitos nos corações,
Não aceitar razões desenhadas,
Vozes empobrecidas,
E o desejo solto em sopros avulsos de vento,....

E por isso protestam,
Chamam a nova razão para o amor,
Ao que vão deixando pelas ruas 

domingo, 30 de agosto de 2026

A voz imprópria da previsão

 Anda é por aqui,

Nao tinha medo do escuro,

E repetia um mantra tão antigo como o tempo,

E desnecessário como o vento absoluto,

Enquanto deitava pelo chao,

A voz imprópria da previsão 

Apartamentos Hilliard (2025)
Bertrand Goldberg

sábado, 29 de agosto de 2026

E andei por sitios afiançados,

 Escolhi parar o tempo. Foi uma decisão intempestiva, tomada num final de tarde como os outros,....


Em que as letras se juntavam em cacho,

Com laivos de clima tropical,

Ao lado dos homens silenciosos que escolhiam acentuar a vida,

Sentados no mesmo cafe de sempre,...


E andei por sítios afiancados,

Promessas de paraíso que nunca antes havia conhecido,...


E apenas para que a razão fosse minha,

A mim viessem os laivos de uma filosofia moderna,

Efetivamente transformadora,

 e que adiasse os pormenores estouvados de uma existência isolada,...


Agora,

Dois decimetros de dia depois,

Vejo que falhei no meu propósito,

O dia corre ainda,

 fétido neste ribeiro escurecido

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Diz me para dizer...

Man with a movie camera (1929)
De: Dziga Vertov


Dizem dos que evitam,
Dos que deixam a cara ao sol,...

De mãos no peito,
Maioridade alcançada,
Dizem a poderosa forma de silêncios,
Que este cenário ajuda a exaurir,...

Dizem o fim e o princípio do mesmo verbo,
Como se facilitasse um pouco de expectativa na presença táctil da felicidade,...

Diz me para dizer,
Como ainda fomos sem continuar a ser próximos,
E deixamo lo provado,
No concilio da palavra e do fulgor 


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Havia livros constantes,....

 Vilma insistia em adormecer para o poente. Era um nome que lhe tinham posto, e convencia se que, por ser estranho, fora do comum, a obrigava a seguir um caminho de nao retorno, que a distinguisse da normalidade enfadonha. Nao é que os últimos raios de sol de um dia ainda entrassem, desmamados, pela janela do quarto, quando ia dormir. Mas o propósito era fechar os olhos sempre para o mesmo sitio. Havia livros constantes em cima da mesa de cabeceira de pinho, e poderia dizer se que fossem um obstáculo à luz.  Mas se ja era noite escura, isso nem se colocava. E havia ainda o pormenor de Vilma exigir de si mesma o contacto da pele nua, com a suavidade dos lençóis.  Eventuais companhias não se colocavam. Vilma forçava se a soltos pensamentos de prados acastanhados,  algures no que conhecia da Escandinávia.  Que lhe deixassem os pulmões ficcionalmente cheios de ar, o que providenciava aquele torpor cerebral que conhecia, mas preferia não definir. E o sorriso. O leve esboço de art deco, que a emoldurava como se estivesse perdida em qualquer museu do mundo. O amanhecer fazia terminar o bordar subtil do vestido transparente que Vilma desejava para si.

Man with a movie camera (1929)
De: Dziga Vertov

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

....o recurso do gemido

 Se por trás das flores,

Contas feitas ao lado da terra,

Enegrecida e sem idade,

Se sobrevivesse sem letras,....


O recurso do gemido,

Comprar amor sem o poder do argumento,....


Escolher quem manda à frente de decidir quem parte,....


Se por trás das flores,

Hoje fosse a força que perdemos,

A forma de uma base,

Circular e experiente

Man with a movie camera (1929)
De: Dziga Vertov
                                                                              Tirado daqui

terça-feira, 25 de agosto de 2026

....a honra é algo que não se apregoa

 Dizer que nasci por engano. Com a contribuição do acaso. Que a senhora minha mãe nunca realmente me planeou. Que na sua cabeça apenas pulsava a ideia de um filho:nunca o mais velho nem o mais novo. Apenas um. O que monopolizasse os beijos de inverno, e os copos de refresco açucarado de verão. O que tivesse tudo em tamanho único, roupa, meias, sapatos, discos, livros de colorir. Eu surgi numa madrugada de meio de Outono, com chuva mortiça, e caminhos de rotina na rua semi cheia de um dia semana, porque, defendia e praticava a senhora minha mãe, a honra é algo que não se apregoa, pratica se. Isso não impede que tenha sido um engano. Uma volta ao túmulo da ansiedade e das decisões mal tomadas, que os meus progenitores deram. Juntos, apesar de tudo. A minha pele clareou como um engano, à medida que crescia. O meu esqueleto alargou. A minha voz sumida, vencida pela timidez doentia, rodeava me de noite, na cama, no espelho das manhãs. Na leitura monótona do resumo das novelas. Cantava em surdina ate canções, que faziam de mim um gigantesco ponto de interrogação.  

                                                                                   Tirado daqui