segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Elas que disseram,...



Protestam Porque me deixei descobrir,
Tenho a pele colada ao vento,...

A pressão está do lado das pessoas,
Dos seus gritos,...

Elas que disseram,
De olhos abertos e preconceitos nos corações,
Não aceitar razões desenhadas,
Vozes empobrecidas,
E o desejo solto em sopros avulsos de vento,....

E por isso protestam,
Chamam a nova razão para o amor,
Ao que vão deixando pelas ruas 

domingo, 30 de agosto de 2026

A voz imprópria da previsão

 Anda é por aqui,

Nao tinha medo do escuro,

E repetia um mantra tão antigo como o tempo,

E desnecessário como o vento absoluto,

Enquanto deitava pelo chao,

A voz imprópria da previsão 

Apartamentos Hilliard (2025)
Bertrand Goldberg

sábado, 29 de agosto de 2026

E andei por sitios afiançados,

 Escolhi parar o tempo. Foi uma decisão intempestiva, tomada num final de tarde como os outros,....


Em que as letras se juntavam em cacho,

Com laivos de clima tropical,

Ao lado dos homens silenciosos que escolhiam acentuar a vida,

Sentados no mesmo cafe de sempre,...


E andei por sítios afiancados,

Promessas de paraíso que nunca antes havia conhecido,...


E apenas para que a razão fosse minha,

A mim viessem os laivos de uma filosofia moderna,

Efetivamente transformadora,

 e que adiasse os pormenores estouvados de uma existência isolada,...


Agora,

Dois decimetros de dia depois,

Vejo que falhei no meu propósito,

O dia corre ainda,

 fétido neste ribeiro escurecido

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Diz me para dizer...

Man with a movie camera (1929)
De: Dziga Vertov


Dizem dos que evitam,
Dos que deixam a cara ao sol,...

De mãos no peito,
Maioridade alcançada,
Dizem a poderosa forma de silêncios,
Que este cenário ajuda a exaurir,...

Dizem o fim e o princípio do mesmo verbo,
Como se facilitasse um pouco de expectativa na presença táctil da felicidade,...

Diz me para dizer,
Como ainda fomos sem continuar a ser próximos,
E deixamo lo provado,
No concilio da palavra e do fulgor 


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Havia livros constantes,....

 Vilma insistia em adormecer para o poente. Era um nome que lhe tinham posto, e convencia se que, por ser estranho, fora do comum, a obrigava a seguir um caminho de nao retorno, que a distinguisse da normalidade enfadonha. Nao é que os últimos raios de sol de um dia ainda entrassem, desmamados, pela janela do quarto, quando ia dormir. Mas o propósito era fechar os olhos sempre para o mesmo sitio. Havia livros constantes em cima da mesa de cabeceira de pinho, e poderia dizer se que fossem um obstáculo à luz.  Mas se ja era noite escura, isso nem se colocava. E havia ainda o pormenor de Vilma exigir de si mesma o contacto da pele nua, com a suavidade dos lençóis.  Eventuais companhias não se colocavam. Vilma forçava se a soltos pensamentos de prados acastanhados,  algures no que conhecia da Escandinávia.  Que lhe deixassem os pulmões ficcionalmente cheios de ar, o que providenciava aquele torpor cerebral que conhecia, mas preferia não definir. E o sorriso. O leve esboço de art deco, que a emoldurava como se estivesse perdida em qualquer museu do mundo. O amanhecer fazia terminar o bordar subtil do vestido transparente que Vilma desejava para si.

Man with a movie camera (1929)
De: Dziga Vertov

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

....o recurso do gemido

 Se por trás das flores,

Contas feitas ao lado da terra,

Enegrecida e sem idade,

Se sobrevivesse sem letras,....


O recurso do gemido,

Comprar amor sem o poder do argumento,....


Escolher quem manda à frente de decidir quem parte,....


Se por trás das flores,

Hoje fosse a força que perdemos,

A forma de uma base,

Circular e experiente

Man with a movie camera (1929)
De: Dziga Vertov
                                                                              Tirado daqui

terça-feira, 25 de agosto de 2026

....a honra é algo que não se apregoa

 Dizer que nasci por engano. Com a contribuição do acaso. Que a senhora minha mãe nunca realmente me planeou. Que na sua cabeça apenas pulsava a ideia de um filho:nunca o mais velho nem o mais novo. Apenas um. O que monopolizasse os beijos de inverno, e os copos de refresco açucarado de verão. O que tivesse tudo em tamanho único, roupa, meias, sapatos, discos, livros de colorir. Eu surgi numa madrugada de meio de Outono, com chuva mortiça, e caminhos de rotina na rua semi cheia de um dia semana, porque, defendia e praticava a senhora minha mãe, a honra é algo que não se apregoa, pratica se. Isso não impede que tenha sido um engano. Uma volta ao túmulo da ansiedade e das decisões mal tomadas, que os meus progenitores deram. Juntos, apesar de tudo. A minha pele clareou como um engano, à medida que crescia. O meu esqueleto alargou. A minha voz sumida, vencida pela timidez doentia, rodeava me de noite, na cama, no espelho das manhãs. Na leitura monótona do resumo das novelas. Cantava em surdina ate canções, que faziam de mim um gigantesco ponto de interrogação.  

                                                                                   Tirado daqui

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

...a minha moral

 Eu sabia que era uma vantagem ter bolsos fundos. Não é cativante descrever o que podemos transportar, provavelmente sem sequer precisarmos. Mas, naquele dia, consegui encaixar um papel de desejos, como lhe chamava, num espaço reduzido de uns jeans velhos e rossados.  Escrevia o que me apetecia nestas folhas. Versos de Rima, versos de viagem, prosas curtas e reveladoras, a minha moral quase traduzida em desenhos de esquadria. De tudo um pouco, o que me traduzia como pessoa e ser pensante. Caminhei pela beira mar, num dia cinzento e que me presenteava com chuvas aquecidas e com cheiro a cidade decrépita e envelhecida. Gostava disso. Conseguia, em dias como o de hoje, arranjar ainda espaço para dizer a mim mesmo, em quatro, cinco curtas palavras no máximo, que ainda assim me sentia poucochinho. A precisar de um reforço, que só talvez viesse de um ocaso em silêncio, num dos vértices daquele mundo que eu lutava por manter pequeno e sem importância. 

                                                                                  Tirado daqui

domingo, 23 de agosto de 2026

Com paredes sujas,...

 as nossas coisas,

o mesmo de sempre,

embebido em sangue,

em crimes por explicar,....


a razão porque

o dia começa enegrecido,

com paredes sujas,

sem estarem,

com uma música repetitiva,

e que convida à morte,...


as nossas coisas,

as que só vemos,

dispostas em alternância,

no chão enevoado

da casa que não é nossa


                                                                           Thanks so much

sábado, 22 de agosto de 2026

Atrasado na idade,...

 As ondas chegam recuadas,

Como prenúncio de destruição que o mar anuncia,

Encorpado,

Atrasado na idade,

No que diz de insultuoso,...


E desta vez abstendo-se de escrever no areal,

Como toalha estendida à sevícia e ao resumo de um adeus

                                                                              Tirado daqui

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Serei breve,...

 

                                                                                   Tirado daqui


Aconteceu me de poema para poema,
Deixar de saber escrever a luz,
E ouvir a perfeita conjugação do adeus,....

Serei breve,
Tanta coisa ficará por dizer,
Quando me apresentar perante a revolta,
Encarnecido e com a presença da vida nos olhos

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A prova,....

 

E sua,

Sua uma testa,

A roupa rasgada e única que se tem,

E um olhar,

Atrasado,

Sem os ajustes normais,....


Continua difícil dizer que se odeia,

Antes de se amar desesperadamente,

Fingir que se sabe uma página perdida,

E nem ter livro para acalmar,

Sentir o tranquilo desabrochar de uma noite escurecida,....


A prova,

É a luz deseperada do novo dia 

Atypical
(2017)
                                                                     Tirado daqui


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Chama se a voz,...

 Não é daquele,

Nem da minha raiva,

Não está dentro de nós,...


Tão pouco nos acorda a um qualquer fim de madrugada,

A pedir que balancemos a vida,

A façamos de todos,

Porque assim tem de ser,....


Chama se a voz,

Talvez seja maior de idade,

Constante,...


Dona de um corpo e de uma atratividade,

E é ilusão deste lado do que se descreve em prosa,

Com um titulo desafiador,

E uma única ordem coloquial como vontade,....


E agora,

Para que reparemos na bondade das flores de beira de estrada,

Que ainda restam,

Sentiremos o amor na ponta fria da língua de um felino

                                                                                 Tirado daqui

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Com o ar irresponsável,...

 Estava sempre assombrado,

pela ideia de que este espaço ja não era meu,..


Talvez um dia tenha sido,

Quando me chamavam,

E eu respondia em vazio,....


Com o ar irresponsável,

A fazer perigar um coração velho,

E diatendido,.....


Já não estamos nos tempos que se confiem,

E ha uma volúpia nas mãos que o confirma,....


Porque do dezembro desse encorpado desejo de amor,

Eu quero entender o suficiente,

Para que aqui seja de novo meu

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Este é um poema desatento,...

 À noite contávamos um número infindo de pardais,

Uns atiravam se contra os vidros embaciados das janelas,

Numa mistura opaca de loucura e amor por corresponder,.....


Outros alinhavam se nos beirais das janelas do bairro,

Cabisbaixos,

Sempre atentos às conversas impuras e desordenadas do final de dia,....


Este é um poema desatento,

Inspirado neles,

As criaturas que sem esforço,

Contribuem para a recolha de suspiros,

De uma rotina sem cor,

Mas com sons aperfeiçoados,

E fugidos da rotina,....


Dedico a pássaros de beiral,

Estas letras desordenadas

domingo, 16 de agosto de 2026

Com uma peça de roupa ao sol,..

 Mas a verdade,

E o publico,

As canções que por ali estão a passar,

Sem que a alma doa mesmo às pessoas,.....


Acho que o tempo até pode ter parado,

E um sorriso de um adulto em construção que o prova,....


Com uma peça de roupa antiquada,

Mas intensidade na forma de se relacionar com os outros,

E principalmente atractividade,

Muita mesmo,....


O tempo pára sempre quando assim é 

sábado, 15 de agosto de 2026

Escrito a 9 de dezembro de 2025, a ver o canal 180

 


De um rotundo não,

As penas de um corvo,

Desejo vos como

 um todo,

Sentindo nos abraçados

 na noite,....


Com um velho desiludido,

Que conforta uma mulher do mal,

Vestida de tudo o que o negro desfaz,....


Sim,

Falei de um rotundo não,...


O dia hesitará em 

regressar,

Enquanto saltamos,

Desfazemos,

Nos desiludimos,

Sendo nós,

Por mais algum momento 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A gente descobre,....

 A gente descobre,

Ao acaso,

Dizerem da vida a pouca sorte,...


Roupas espalhadas pelo chao,

 Narizes ainda por formar,

Com muco seco,

E olhos tristes a acompanhar, .. 


A gente descobre que falta pouco para o entortar do dia,

Vir a mulher de todos os dias,

Aba de grilo irregularmente pendurada no antebraço,

E a dizer desculpas sem qualquer atenção e prazer, .. 


E ao recomeçar a ler o livro,

Descobrimos ainda assim alguma solidão,

Nao pesa,

Está nua,

E teremos de a aquecer,

Enquanto o jazz não termina 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

E fossem as recusas,...

 Ao fundo da rua,

A experiência de um ato interrompido,...


Como a respiração inconsequente,

Dolorosa,

Andando por aí como se o andar doesse,...


E fossem as recusas,

Todos os naos ditos e espalhados pela calçada,

Que nos condicionassem como seres humanos,....


Como criaturas da malvadez medida em cigarros mal fumados,

Em experiências desnorteadas de amor por nós próprios,...


E depois disto,

Percorrido o calvário das estrofes,

Chegado o tempo de ao provar o teu corpo,

Palmilhar as imprecisões que te deixei na mesa da cozinha

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Antes de ti,...

 Nem tanto pelo tempo,

Nem pela verdade,

Antes de ti,

E de tudo,

Surge como explicar os números do silêncio,....


É um dever para a memória da nossa eternidade,

Roupas que vestimos às feridas que não saram,

Para assim deixar contidos os fantasmas do passado,....


E como contas do que nos surge como verdadeiro,

Uma folha limpa,

Sem nada para dizer 

Nature artwork
De: Andy Goldsworthy

terça-feira, 11 de agosto de 2026

À beira da ribeira,....

 À beira da ribeira,

Tu e eu passamos a fogo,...


Os destinos que escolhemos,

Juntos e no mesmo olhar,

Galgam assim encostas consecutivas,

Seguindo por montanhas e vales,

E sob formas de tantas ideias,

Abeiram se dos últimos pontos do mundo,

Para do alto do inalcançável,

Perder a mão ao que vai ser o fim do mundo,....


Prostrado e sem tempo nem lugar de estudo,

Mas constante para sempre,

À beira da ribeira 

The Shanara Chronicles
2017

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O deve e o haver,...

 O deve e o haver,

Deitar na cama que concebemos,

Sem companhia,

De consciência perfeita e mal desenhada,

A pensar que a relação com a verdade,

Com os desejos deixados por completar,

Poderão surgir,

Sem roupa,....


Afortunados sem saber,

Para que a noite,

Deixe de resto zero,

O peso do resto de uma vida,

Que se viverá a si própria 

Folhas (Leaves)
Foto de: Ricardo Félix
                                                                                Tirado daqui

domingo, 9 de agosto de 2026

...como uma banana madura

 Caramba, ainda me lembro. Eu não tinha culpa das observações descontextualizadas. Da roupa mal escolhida, com cores que não combinavam. Ou até dos silêncios fora de tempo, com durações erradas. E as reações. Sim, lembro-me das reações. Como se a praça central daquela terra, fosse o tribunal final da raça humana, capaz de julgar os incapazes, e absolver os suportáveis a mais algum tempo de vivência. Eu não tinha culpa. Era um miúdo. Lia os livros errados. Tomava notas de rodapé por amor ao ato de me cultivar. Mas de pouco me serviam. Assim conheci um destino à prova de água, à prova de sepultamento. À prova de tudo. Prosseguir, sem destino, fintando os obstáculos, as decisões mal tomadas, os juízos formulados para magoar. Eu era o invisível, aquele em que todos acabaram por aprender a não reparar. E havia muito para andar ainda, até que outro mundo se me descascasse,… como uma banana madura.

Fotografia de Anna Paola Guerra
                                                                          Tirado daqui

sábado, 8 de agosto de 2026

E sais,..

 Vês,

Pressiono esta ferida no limite do corpo,
E a dor apresenta se,
Olhos suaves,
De cor macia e raiados a sangue,....

Lábios pintados de um vermelho invasor,
Defendidos pela madrugada que se amedronta com gemidos dispersos,....

Nao domino o resguardo do prazer,
A vontade de limitar danos,
A um corpo que se esqueceu de identificação e  idade,....

E sais,
Sem assim me conheceres,
Dizeres importância,
Quando me esquecerás pela ponta da sobranceria
Fotografia de: Anna Paola Guerra
                                                                 Tirado daqui

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Por isso temos problemas,...

 Também temos os nossos problemas. A água nem sempre arrefece da mesma forma. Que nos digam é de noite, quando acabei de me sentir afligido pelo calor desnutrido que baila pelo ar.

Nao tens de entender como me expresso. Não tens de gostar da forma como leio oa meus livros, se entoo o amor de maneira profunda, e o desespero como uma passagem sem importância.  

Tudo o que não seja entender isto como uma religiao, a maneira como nos vemos como divindades um do outro, é errada. Por isso temos problemas. Mas que não sirvam para nos afligirmos. Ainda so temos um peso relativamente acessível para suportar, na rotina de todas as horas, quando tentamos vencer esta escadaria que nos ha de levar a algum sitio 

                                                                        Tirado daqui

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O novo normal,..

 É difícil isto e aquilo,

Dizer de um quadro,

De um prato de sopa frio,

Aquilo que nos obrigam,

Que querem impor nos

 como linguagem supra legal,....


O novo normal,...


É difícil prosseguir,

Sabendo que não temos mais mão,

Ordem suficiente para nos fazer continuar,

Como se de uma flor,

 se fizesse algo que compense,

E do vazio uma mesa cheia de comida,....


E parecerá certo,

Mesmo que o errado,

parta para longe,

E nós como se espera,

Nos deixemos desesperados,

E mais velhos 

Fotografia de: Nina Papiorek
                                                                        Tirado daqui

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

E do fundo,...

 Foste ao fundo de dizer que não se gosta,

Com o sono esvaido em sangue numa cara feia refletida num espelho,...


Sem parte de um dia avariado,

Com verdades, 

Ilusões, 

Gatos envelhecidos em chapéus escondidos em várias casas,....


 Não se gosta é agora estação do estio,

Arranjaram se letras que amanhecem num dia aniversariante,...


E do fundo,

Do chao gasto de uma fortuna feita pão,

É fome e um ramo de flores no teu olhar distante,

E de meio da semana com que sabes fechar os dias


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Como de costume,...

 como de costume, eu digo que é tarde.olho em frente, está um relógio velho, sem pilha, parado no meio dia, ou na meia noite, por falta de pilha. Dois azulejos da parede estão rachados. a parede precisa de pintura urgente, com um branco desmaiado e sem idade. Precisas de letra grande, como esta. Capitular. olhas-me com um perder inerente. Um verbo conjugado tão irregularmente, como sem odor. e a tua roupa prova uma vivência irregular. cheia de livros por ler. cumprimentos insonsos, dados a pessoas que se calhar nunca conheceste. não é tarde, porque assim nunca será. Vai ser sempre de dia, com um azul agravado, cheio de censura e insultos díspares, e distribuídos sem qualquer ordem específica. não é tarde. mas também já não falta muito para a noite.

Museu MOA 
Países Baixos
                                                                               Tirado daqui

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Uma noite que nos entenda,...

 

Friendly Rivalry
Episódio 16

É difícil perceber,
A nudez sobrepoe se ao silêncio,...

Nem sempre escrever presença,
Dizer daqui que se gosta,
Que se sentiram as ausências,
E se descreveram as últimas roupas antes da morte,
Faz uma razão clara,....

Uma noite que nos entenda,
E se aperceba da vontade que uma versão diferente de um título,
Traz ao esforço de recordar,
Semelhante a este mirar de medos 

sábado, 1 de agosto de 2026

Inatingiveis on tour

Rua de acesso à catedral de santo Estêvão, 
Budapeste, Hungria 



 

E quando a noite chegar,....

 A vida passa,

E eu repito as horas que o explicam,...


Vestido de roupas velhas,

Despido à janela com o frio como companhia,

É indiferente,....


A verdade está nos pormenores,

Quando antes estava na volta matinal da mulher que ja viveu,

À volta do quarteirão,

Sem que o destino esteja entre as prioridades que tenham defesa,...


E quando a noite chegar,

Estarei a desistir de promessas inconsequentes

Foto de: Haik Kocharian
Nova Iorque, EUA
                                                                  Tirado daqui

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Inatingiveis on tour

Edifício do Parlamento húngaro em Budapeste,  à beira do rio Danúbio



 

Agostando a 25 de novembro de 2025

 penso que o poema 

pode dizer muito de ti, 
um aceno,
 dois livros por ler,...

a verdade retalhada 
e a sangrar em praça pública,.... 

uma sextilha antiga 
como o tempo, 
em que nos acolhemos 
no breu,
 e de ti percebo os 
passos, 
o que resolves 
não mostrar, 
a forma como te entendi, 
em simultâneo com um olhar perdido e envidraçado,....

 há espaços para este poema,
 espraiar e ser maior,
 que o nosso mundo

Spellbound (1945)
De: Alfred Hitchcock
                                                                        Tirado daqui

Inatingiveis on tour

Vista de Bratislava e rio Danúbio a partir do castelo da cidade capital da Eslováquia 

 

À espera da prisão do teu corpo,...

 Era eu sem o fel,

Com aquele espaço entre o silêncio e a água,

Eu presente,...


O mesmo do toque quotidiano,

Das letras douradas de um livro infindável,....


Era eu de casaco e mais nada,

À espera da prisão do teu corpo,

E de mais um de muitos sorvos do teu sexo colorido,....


Era eu e a previsão de encontro,

A dizer que chegarei,

Quase como a falta de vida 

Na ausência 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Inatingiveis on tour

Stephansplatz
Viena de Áustria 

 

O mesmo do toque quotidiano,...

 Era eu sem o fel,

Com aquele espaço entre o silêncio e a água,

Eu presente,...


O mesmo do toque quotidiano,

Das letras douradas de um livro infindável,....


Era eu de casaco e mais nada,

À espera da prisão do teu corpo,

E de mais um de muitos sorvos do teu sexo colorido,....


Era eu e a previsão de encontro,

A dizer que chegarei,

Quase como a falta de vida 

Na ausência 

Obrigado



Obrigado. 
Escrevi para ti este rabisco, com uma história de pessoas ansiosas. Tão estupidamente ansiosas, que telefonam com insistência, todas de forma alternada, para um número no lado oposto do mundo, sem saber com quem irão falar. Nem todas conseguiram ainda retorno. As que conseguiram, falam de uma voz bela, tão enternecedora que obriga a esquecer depressões, e mágoas recalcadas, e passar a levar a vida a acreditar no lado bom da condição humana.
Agradeço te, pois, agora que me lembro das coisas bem, acredito teres sido tu a revelares me esta história. Foi no Verão passado, durante um passeio à beira mar, com um daqueles pores do sol tepidos e perfumados, que ficam para sempre na ponta escorregadia do coração.
E por isso, de novo, obrigado. Acho que ja fiz destas linhas um revitalizante de alma,, que consumo, noite sim noite não, enquanto beberico a mesma cidreira de tantos anos.
Obrigado.
Agradeço te de sorriso nos lábios 

terça-feira, 28 de julho de 2026

...os sinais do desalento

 O meu silêncio,

E tu avisaste me,

Disseste que o corpo iria ressoar,

Como um xilofone antigo,...


E que nesta terra as pessoas deixariam de caminhar,

De mãos dadas e final em conjunto anunciado...


Eu iria fazer os sinais do desalento,

Como se sozinho não resolvesse a mais intensa dúvida da madrugada,...


Agradeço a tua presença de espírito,

Teres conseguido carregar me sem haver esforço,....


Dependo de ti,

Como ar do espaço a entrar neste planeta 

E serás prazer,...

 Vê se não demoras na margem de uma folha envelhecida,

A árvore,

espera o suficiente pela renovada presença de um estranho,

Mas com o tempo aprisionado,

Em pequenos passos de animais escolhidos,

Na chuva,

que faz exalar os odores,

que a terra pode oferecer,....


E serás prazer 

Desordem permitida,

Se o contrário disso,

Deixares feito 

Fonte:weheartit.com

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A gerência do Inatingiveis chegou ao meio século

 Um dia, 

Tomar banho em sangue,

Com patilhas farfalhudas e irregulares como os ratos de taberna,

Vai parecer natural,....


A garganta ficará seca,

Uma pele saberá a pouco,

Precisaremos de um virar de página reptiliano,

A olhar para o lado,

A água custará a descer no cano,....


E à volta de uma fogueira,

Alta como o saber,

E esguia como o sexo,

Haverá vontade de um novo renascer,...


Sozinho como o profeta,

Inexperiente como voz,

E sim,

A pele vai reflorescer como dois dias de primavera

domingo, 26 de julho de 2026

Percebo a forma,.. .

 À espera de outras terras,

De outros modos de fazer o momento,

De esperar ser perseguido por memórias de fim de tarde,...


Sim porque insistentemente repito o sitio onde o sol está,

Onde me lembro de estar vazio,

Com passos atrás,....


E como tal não me chames oco,

Percebo a forma,

A forma como acaricias,

E só quero que seja amanhã nesta conversa 

                                                                  Tirado daqui

sábado, 25 de julho de 2026

Nós despidos,....

 Nós que somos o problema,

Que desaprendemos de nos aconchegar para que o frio mude de nome,

E seja hospede noutra cama,....


Nós os que desapertamos calças,

E gostamos de ser exibicionistas para ninguém,....


Nós os tarados,

Os sem caminho e sem idade,

Estendidos naquele empedrado que dói,

Massacrante de corpo e resquícios de juventude,...


Nós despidos,

E a falar para políticos de ocasião,

Desafiantes com a ignorância sem meias,

E o que mais vier,

Depois do último grito 

sem roupa 

                                                                               Tirado daqui

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Sem género,....

 Fiz cansado,

Fiz sozinho,

Abri o braço assustado com o desperdício,

E a luta aflitiva poder continuar,...


Sem género,

Sem idade,

Absurdo no sexo,

Na visão monolítica do prazer,...


Para que ao voltar para casa,

Seja dia de novo,

Mas da forma Sem suor,

Sem cansaço,

E de vento silencioso lá fora,

A que me fui habituando,

Sem dores e remorsos à mistura

                                                                                Tirado daqui

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Em liquido estagnado,..

 Nao falhei enquanto pessoa,

Enquanto conceito,

O som das palavras prova que estou correto,

Ao silvar como o amanhecer,

Embebido em certezas,

Em liquido estagnado,

E proveniente da noite,....


Agora,

Represento o motor do inicio,

E a certeza de um fim desenhado na areia da praia

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Um dia gostava de saber escrever assim

Natureza morta com Marx
De: Nuno Júdice





 

Diferente de tudo,....

 Podia ser possível que mantivesse o respeito,

Um ar coloquial mas jovem,

Libertino,

Algo que aquela pessoa gostasse,

E encaixasse como peça de lego naquele cenário mentiroso e enganador,....


Sabia ser o homem dos dois rostos,

Até mais se vantagens houvessem com isso,

E orgulhava se da que era a sua verdade,

Válida de dia,

Confundivel com a noite,...


Diferente de tudo,

E de todos os cheiros 

Bjork, pagan poetry
Vestido de Alexander Mcqueen (2001)