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sábado, 25 de julho de 2026

Nós despidos,....

 Nós que somos o problema,

Que desaprendemos de nos aconchegar para que o frio mude de nome,

E seja hospede noutra cama,....


Nós os que desapertamos calças,

E gostamos de ser exibicionistas para ninguém,....


Nós os tarados,

Os sem caminho e sem idade,

Estendidos naquele empedrado que dói,

Massacrante de corpo e resquícios de juventude,...


Nós despidos,

E a falar para políticos de ocasião,

Desafiantes com a ignorância sem meias,

E o que mais vier,

Depois do último grito 

sem roupa 

                                                                               Tirado daqui

quinta-feira, 16 de julho de 2026

E a falta de voz,....

 Lembrar de como ele falava,

De mãos ofensivas mas firmes,

De uma maneira própria e intrínseca de demonstrar amor,...


Saber que me vê,

Que desaprova como peso a vida,

Como de pele me acobardo aos dias maus,....


E a falta de voz,

Permitir que não me ouçam,

Que desaprendam de me sentir,....


Ele respira audivelmente,

Num plano alternativo ,

sem tempo e de espaço limitado,

E eu sinto o,....


Até o mundo se inverter

Tatoo
De: Hannah Pixie
                                                                        Tirado daqui

sexta-feira, 12 de junho de 2026

E por fim a mentira,...

 Ao longo deste desânimo que habitamos,

Socorremo nos de acordes de instrumentos,

Uma guitarra a chorar sem solução,

Soluços intermináveis do batuque de distâncias explicado,....


E somos nós,

E os vizinhos do que deixamos de ser,

Quem amassa argilas de verdades,..


E por fim a mentira,

A moça que escolhi em definitivo apresentar te,

Aqui está para que silencies as últimas letras 

De: Elina Krima

terça-feira, 9 de junho de 2026

Parti

 Parti. Deixei a cama por fazer. Há sangue no lavatório e paredes da casa de banho. Não me sinto em condições para te explicar o motivo. Ficou um livro aberto, na página 100, o teu número preferido, em cima da mesa da sala. Estão cadernos por estrear dispostos, sem qualquer ordem, de forma aleatória pela casa. Fiz uma festa no cão, que sempre me ignorou em tua preferência. E ainda passaram alguns segundos, para que te mirasse, nua, em cima dos lençóis da cama de corte medieval que talvez tenha sempre sido o nosso maior tesouro. Pensei em artefactos, na vontade de mestre em alisar a nossa rotina com constantes inovações de originalidade. Voltar ao passado, quando nos conhecemos, e tu me convenceste a sujar as mãos com frequência, nas coisas que até ai nunca tinham sido da minha rotina. Levo a tua música a tocar na aplicação. A que fora escrita quando o tempo era plano, e ainda não tinha ganho as curvas que só nós sempre soubemos descrever. Se tivesses acordado, far me ias desistir desta ideia sem sentido, e pintada a cobardia. Mas as certezas aquecem se a si mesmas, e sao o nosso maior alento. Talvez volte um dia. Quando ja não fizer falta ao mundo, e para ti for a nota musical única do teu acordar, que eventualmente me agarrar à tua memória.

 Entretanto chove, e ainda bem 

                                                                                    Tirado daqui

quarta-feira, 6 de maio de 2026

E por isso agarrar, ..

 Estas mãos recusam a provavel lonjura,

Saber que nunca é nunca, 

E a insistência no presente,

Trará o futuro desordenado,....


Não é de hoje a indecisão,

As loucuras reais com o desejo,

Os corpos insuficientes para tanto lastro de tempo,....


E por isso agarrar,

Persistir no momento,

Fazendo com que ele persista,

Sem cor mas imune a tudo

De: Mirrorpalais

domingo, 3 de maio de 2026

Ao invés voltou a casa,...

 Tinha a roupa gasta,

Com um odor a sítios fechados,

De difícil localização,....


Seria o suficiente para se desculpar,

Olhar em volta e pensar que o julgavam,

Que até o som sibilante do vento a roçar nas copas das árvores,

Seria uma crítica tosca ao seu desligamento,....


Mas não se deixou afetar,

Ao invés voltou a casa,

Fechou a porta e aninhou se,

Em forma de ovo,

Na cama velha mas intemporal,

Onde as suas noites se lesavam a si próprias 

One sings,the other doesn't
De: Agnes Varda (1977)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Um odor tal a sereia,...

 Talvez maresia,

Um vento puxado a ferros,

Que desilude o pessimista,

Incentiva covas desordenadas,

No bairro dos doze irrefletidos,....


Sim,

Um odor tal a sereia,

Que faça desembocar no amor a reprimida indecisão da liberdade,...


E em cada canto dos desalinhados,

Plante flores mortas do fundo do oceano,

Obrigando à ascensão meteórica de tudo o que,

As gargantas mudas seguram,...


E depois,

A valsa sem som de um entardecer a meio sol

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

E achava-se rendida,....

 Morreu,

Não morreu estava ajoelhada,

As mãos encarquilhadas,

Uma ladainha impercetivel como um fio de névoa,

Lia-se misturada com a névoa da manhã,....


Estava perdida,

Depois de deixar de ser mulher,

Deixara de ser borboleta,

Saber voar,

E ter esperança,

Não necessariamente por esta ordem,....


E achava-se rendida,

Destino próprio de uma vulgar mulher,

Não definitivo,

Mas provisório 

                                                                     Tirado daqui

De: Dorothy Bohm

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

E vai sentir-se,...

 No final,

Todas as palavras caberão,....


Será uma ideia simples, 

Curta,

Com uma adolescente de lábios pintados,

Ansiosa por perigosos passos no desconhecido,....


E vai sentir-se,

Prometo,

A tinta de um aparo antigo a faltar,

Mas ainda a suficiente para definir prioridades,

Estabelecer distancias entre o correto e o necessário,....


E deixar o par de olhos cansados e doentes,

Que há muito observam este mundo a descolar-se,

Desaparecer,

 por entre os folhos de saia do tempo

                                                                          Tirado daqui

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Agora que escolheste ficar,....


                                                                      Tirado daqui

Day of dread

De: Michael Mcgrath

Tudo me prende à hora da luz,

Palavras mal construidas,

O sol por entre as árvores,

de recorte imperfeito,....


Até uma rejeição pária do sombrio 

Sem razão nem ligação umbilical a nada,

Que me torna ilusório,

Imperfeito,

Capaz de dissecar o que me atiram para me quebrar,

E devolver como simples arma de defesa,....


Agora que escolheste ficar,

E continuarei a partir do território literário que gostas de marcar,

Quero que fiques com este mapa,

Da pessoa imperfeita que escolho ser

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

A tal que corta os quartos,...

David Korty
1971
Untitled



Ficou por escrever,
Ficou um personagem que arrisca,
Rodeia os assuntos,
E uma mulher solitária,....

A tal que corta os quartos,
Com desfasados olhares de gesso,
E deixa para o fim a água suja do sexo,....

Foi a prosa que fez esperar,
Como das palavras se estendesse um tapete que convém evitar,....

Fui eu,
Não virás tu,
De certo,
Quando há algo escrito,
Por acabar 

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Talvez fosse

 talvez eu devesse contar-te,

talvez o tempo inocente o fogo,
e hajam muitas mais histórias de desilusão,
do que as que imaginámos juntos,.....

ainda seria tarde,
não fossem as horas impolutas
decidirem o contrário,...

um escrito curto,
ofensivo,....

dizem bem do escrito,
enquanto se acariciam ao de leve,
as cabeças dos filhos que não
são nossos,...

talvez fosse tudo o
possível,
antes que houvesse luz

Social mixer
Filme It(1927)

domingo, 7 de setembro de 2025

Fim de capítulo,...

 O sentido da água,

Um crime que devassa a vida santa de uma ideia,

Chuva desprendida do basalto do céu,...


Página virada,

Descobre-se o sol,

Som concentrado no vento,

Saído do sino de uma capela esconjurada,...


Fim de capítulo,

Ela pensa nele,

Olha de soslaio pelas cortinas envelhecidas de uma casa encovada,

E escurecida,...


Ele dorme longe,

Muito longe,

Sozinho por opção própria,

Doente com a finta do destino,...


Chove de novo,

Será uma experiência religiosa,

a ficar na ideia de qualquer leitor

                                                                    Tirado daqui

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

...batimentos irregulares

 Eram todas as dúvidas fechadas numa mão, bem pressionada, com os cinco dedos em forma de coração. Bem apertados, pulsavam a simular batimentos irregulares. O grupo era restrito, fechado em círculo. Pessoas que se conheciam razoavelmente bem, e naquele momento tinham um assunto por resolver. O desejo de saber se o futuro em comum iria compensar. Se o presente seria lucrativo, para que os passos a dar valessem a pena. A desconfiança era comum. Os olhares eram trocados a medo, com o chão sempre como refúgio. Muita pergunta por fazer. Era um cenário difícil de explicar. Cinco pessoas jovens, vestidas de forma atabalhoada, sem qualquer critério visível. E assim iria continuar, até haver quem tivesse a iniciativa de definir o rumo. Teria provavelmente de ser quem tinha o punho fechado. A ansiedade estava toda contida naquele punho, fechado em contrição 

                          Tirado daqui

Pintura de Kaye Donachi

domingo, 20 de abril de 2025

...um jogo de póquer

 O meu relógio. O tempo como ofensa, e as ofensas alinhadas junto à parede, como se fosse oito da manhã num qualquer depósito de almas com grades, e fosse preciso ver se alguém exerceu o direito à liberdade. O tempo tem camadas, e se calhar da mesma forma que a cebola. Para fazer chorar, trazer o arrependimento. E quando as decisões forem um jogo de póquer, em que a escolha é única e o erro tem a forma de um pesadelo definitivo, o tempo desaparece. E eu escondido, atrás de uma parede, à espera que alguém passe para contar estas minhas constatações. A noite aproxima-se. Não sei de ti. Disseste que voltavas, mas é a tua sombra, e só ela, que agora me olha nos olhos, e me faz companhia de uma forma assustadoramente trágica. As conversas foram o que deixaste para trás. E a vontade faz de catalisador de todas as memórias, para que a verdade, a filha da puta da verdade, continue a morar nesta casa. Como eu, aliás, sempre fiz questão que acontecesse.





sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Logo mais

 Os teus cabelos não aconteceram,

Foram a ilusão fantasmagórica daqueles beijos que nos acordam petrificados,...


O teu corpo está desenhado a tracejado irregular,

Fazes uma presença de fim dos tempos,

Assustada ,...


E admiro-te com a ignorância tosca dos homens irracionais,

Que dançavam com a própria sombra,

No escuro de grutas perdidas,.. 


Não sou o vento que assim pensas,

Nem a parte vetusta de um livro,...


Estou sem estar para a tua curiosidade,

E só para o fim dessa tua latitude,...


Nada mais específico,

Conseguirás de mim


Filme: Anatomia de uma queda (2023)

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

...como sumidades de sombra

 Entregou-me ao sol,

Já não tinha corpo,

Estava escrito nas paredes como sumidades de sombra,

Voláteis como um sentimento desesperado,....


Não me conhecia,

Por isso é provável que me tenha querido iluminado,

Deixado ao abandono,

Para que o seu caminho se separasse de restias de consciência,

E seguisse vestido de egoísmo,.....


No meio de passos milhares de passos,

Penso tê-lo perdoado,

Teria de me reencontrar para me entender melhor 

                                                                              Tirado daqui

"Tennis, Oranges"-Curta Metragem de 'stop-motion'

terça-feira, 19 de novembro de 2024

...copo do temor

 Estás excelente a manter as aparências,

Senão vejamos,

Como se escreve desilusão?,

E tu passeias na praça central,

Cabelos ao vento,

Cheiro a vitória a desprender-se de todo o teu ser,....


A procura pela ilusão,

Explícita e com laivos poéticos intensos,....


Ainda me lembro do que foram as parcelas da nossa conta conjunta,

Razão, explicação,

Virtude coerente e nunca desilusora,....


E agora,

Queria-te para bebermos juntos do copo do temor,

Do medo concentrado por entre as mãos suadas,...


Mas já vais lá tão longe,

E esta frase que para mim,

Não devia ter fim


                                                                        Tirado daqui

Wilhelm Sasnal  
Sem título   
(óleo sobre tela, 2017)

terça-feira, 24 de setembro de 2024

...o destino violento

 Era tarde, tarde a ponto de a noite ser chaga e o dia ferida purulenta,

A ponto de a dor se espalhar pelas pessoas como peste,

Sem que elas mudassem a aparência ou o som dos respetivos corações,...


Com passos subtis,

A pesarem menos que as nuvens opacas que namoravam a lua,

Uma mulher tentava enganar o destino violento,...


Queixava-se do amor,

Que nunca o tinha tido,

Nem desejado,

Nem sequer lido em madrugadas vazias,...


Com ela a dor parecia contar menos,

Um pouco menos,

A ponto de achar que algo de mau se poderia passar consigo 

                                                                            Tirado daqui

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Mascarrar o desejo

 Escavar,

Escavar sem parar,

Até encontrar o nada,

E nele desenhar o vento,...


Com a terra possivel,

Mascarrar o desejo,

E as pernas,

Com a mãos a servirem de desilusão,...


E que neste poema curto,

Se encontre a liturgia dos esquecidos,

Com muito bálsamo de uma luz coartada

                                                                            Tirado daqui