novembro 30, 2020

... E o que nos resta?


Acentos tónicos

 




Ao andar na rua,
 talvez seja a ameaça de 
um conflito sem nome, 
o que me perturba,....

 refletindo, 
com os acentos tónicos
 nas palavras,
 e sem silêncios 
que comprometam 
por onde queiramos ir, 
isto é uma nota de rodapé, 
não interessa, 
não aligeira nada que possa perturbar 
o amorfo dos dias assim descritos,... 

só me senti forçado 
a dizê-lo, 
antes que ficasse esquecido

novembro 29, 2020

Pouco amor próprio

 Todos os caminhos estavam travados,

Em vez de traçados,

Sim,

Porque não acreditava em pré concepções,

Só no livre arbítrio kantiano,...


Isso explicava o pouco amor próprio no vestir,

A economia nas palavras,

Como que se esperasse pelo induzir da dor,

Em vez da supremacia do argumento,...


E tanto que custava espezinhar a areia na engrenagem,

Era só mais um lugar comum à espera de ser conquistado




novembro 28, 2020

Devir do tempo




 o ar pesava mais 

que um sorriso desnecessário,... 

havia inocência 
que pairava, 
aninhada em pétalas 
de dentes de leão, 
pelo menos a suficiente 
para que o enternecimento 
das pessoas fosse palpável,... 

não me doía a idade 
que já tinha, 
nem a que esperava vir a ter, 
só me sentia mal por não 
saber antecipar a carga política 
de momentos semelhantes, 
pus-me acocorado 
debaixo de uma árvore, 
de copa frondosa, 
até porque chovia, 
e já conhecia a envolvência 
do devir do tempo para me proteger,....
 adivinhei, 
deitei-me a adivinhar, 
e fiz mais qualquer coisa 
do que o teórico, 
quiçá teológico,.... 

e o fim veio desenhado,
pintado com o ocre
da solidão

novembro 27, 2020

A frase e o sentido

 este é o momento em que revês aquelas

palavras estranhas,

as mesmas que num dia à noite,

na tua infância,

quase pecaste ao escrever,

e de tão ameaçadoras que se tornaram,

foram rasgadas aos bocados,

e atiradas para o fundo do mesmo 

universo em que sorrateiramente,

te sentavas para afogar o desnível que

ainda faltava para a maioridade,...


a medo prescutas o sujeito,

o que se pretende com letras dispostas

irregularmente,

sem qualquer sentido,

e só depois,

só muito depois,

ao lado do que hesitantemente te é

apresentado,

está a solução,....


não há número concreto que

faça dela percetível




Giz

 Não sei porque as memórias crescem,

Enquanto me esforço por encolher mãos,

E pés,

E passadas já dadas mas nunca registadas,...


Tudo se desfaz se não for concretizado,

Nem satisfeito com o apagador de giz da nossa escola de emoções,...


Podia continuar por tanto tempo,

Neste jogo ridículo de puxa metaforas incisivas,

Mas não vale a pena,

O meu passo será sempre inferior a todas as pernas que já tive




novembro 26, 2020

Sinto saudades tuas, pai

 eu não escrevo mais,

não vou desejar para os 

outros o que as

reticências fazem comigo,

invasão de espaço,

laqueação de conteúdo

criativo,...


seja o que for,

não escrevo mais,

de hoje em diante serei

uma carrancuda interrupção de personagem

secundária




novembro 25, 2020

Fruto inóspito

 Ias para onde,

De que a ignorância te levasse,

Percebia-se a ajuda,

O vestir simplório,

As maneiras irrisórias e

Até infelizes,...


Mas voltar pelo mesmo caminho,

Ai sim passaria a residir a dúvida,

Porque a alternativa é sempre pior do que o fruto inóspito da hesitação



 

novembro 24, 2020

Doença dos olhos vazios

 Não sei como se come a desilusão,

Se com ar como se do prenúncio do fim houvesse retorno,

Ou mesmo sem nada,... 


Um prato de solidão acometido da doença dos olhos vazios,

Tornaria os nossos refluxos dourados,

Como se desta circunstância se  esperassem apenas anulaçoes,

E nunca a confirmação irresoluvel do que deixamos por dizer,...


Sem saber o que se acrescenta mais a esta teoria,

Deixando-a por aqui torna inofensiva a reação de armas




novembro 23, 2020

A mosca

 Eu não sou 

aquela mosca,

Não estou aqui trancado contigo,

Nem com todas as tuas frustrações a escorrerem pela parede,

Como se a minha vida nada mais valesse 

que uma orientação de negócio,

Um adeus mal medido no livro mais lamechas que imagines,...


Já que falei em mosca,

No sentido prático do termo,

A frase certa é um verso na canção que preferires 

do Bob Dylan,

Com um punhado de alienados a protestarem 

contra a guerra,

Sabendo que é ela que lhes dá de comer,...


Pronto,

Resume-me a essa mosca, 

E cheira-te com a pituitária proeminente, 

Descobrirás e depois anota aquilo que és 





novembro 22, 2020

Retomar de esperança

vontade de te contar 
o lustro dos minutos,
 as minhas noites 
eram a frase certa, 
do que me lembro 
terem sido os teus dias,
 os mesmos que anormalmente transpiravam enquanto a tua 
desconfiança crescia,...
 
e era  agora o possível 
discorrer dos 
projetos em comum, 
das encruzilhadas 
sem nome, 
que me contavas 
no fim de cada livro anónimo,...

e por fim a vontade
 de ser o mesmo de 
sempre, 
se tu o quiseres,
 lacrada está a 
esperança em 
que tudo se retome



novembro 21, 2020

Um dia gostava de saber escrever assim

 

Vimos do Tempo da Falta Mínima

Vimos do tempo da falta mínima
da casa construindo as folhas de quadrícula
(quando um traço mais que expressivo preenche
o vazio de uma folha)
nem beleza nem fim
nem número ordenador como fantasma.

Todas as memórias partilhámos
a ruína compreende tudo.
Compreender quer dizer abraçar
(linhas e cruzamentos na procura da folha)
o mundo inteiro nos é dado.

Mais tarde (mais além
dois furos a passagem para o útil)
as dunas darão lugar a campos cultivados?
Quero dizer
não rejeito do movimento toda a impaciência
toda a dissolução.
(pouco a pouco) Até onde podemos ir?

João Miguel Fernandes Jorge, in "Vinte e Nove Poemas"

Irrealismos

 Enquanto as pessoas se lembrarem,

Verei falhas na fluência de versos errados que faço o favor de deixar fluir,

Não há génio,

Nem défices entre ideias,

Quanto muito um ou outro sujeito desdiz o que sempre defendeu,

E isso dará a interrupção suficiente para que se respire,...


Não há mãos suficientes para tanta expetativa frustrada,

So silêncios por domar





novembro 20, 2020

Analfabetos de reclusão

 



Ainda há pouco, 
enquanto estivemos abraçados, 
dissemos tanta coisa em surdina, 
que só a linguagem fazia 
a cama, 
ao que só nós entendiamos,...

e havia reflexões, 
momentos de números findos 
em que, 
analfabetos de reclusão, 
nos achávamos prontos 
para tanta coisa, 
e ao mesmo tempo para nada,... 

agora renova a morbidez,
para que embalemos
as coisas,
com o adeus em mente

novembro 19, 2020

I love all things small

  e agora, 

fazer qualquer coisa 

com esta manhã, 

que nos entra pelos  

cílios dentro,

deixando o quente 

da verdade de fora, 

e a acidez de uma mentira 

possível, 

como que a nadar, 

em silêncio

Esboroado

 


Não entendia se haveria maneira de me dar a conhecer num futuro,

Que parecia já de círculo vicioso,

Sem acomodação,

Com as ideias desestruturadas,...


Sim tinha medo,

Basta ler que o que agora te escrevo se calhar já nem sentido faz,

Mesmo que te junte uma ilusão ou duas,

Que até nem custam nada,...


Já não será a mesma coisa de custo pornografico,

Com o desejo todo que manifestavas só por eu ser quem era,...


Acabou agora,

O sentido esboroou-se,

Não me apetece mais sequer espelhar-me na água por cima de onde moro




novembro 18, 2020

Olhar cruzado

 

Desamparadamente,
caem-me os impossíveis,
as frases sem cês de cedilha,
e os ditongos emudecidos,
os que melhor exprimem a volúpia,..

não recupero a forma,
nem o conteúdo das imperfeições,
só me fazem esperar tanto,
e tanto tempo pelo que me dás em troca,
e nada surge,
nem o restolho do desprezo a que
me habituaste,...

e já lá vem o crucifixo do olhar,
já que depois de renegar o 
impossível,
comprometi-me com o desprezo aos 
lados inúteis da criação




novembro 17, 2020

Mar sem cor

 A nossa memória,

O que nos passou pela pele,

Advertiu que ser capaz de nos transformar pode não ser possível,...


Manter-nos à tona de um mar sem cor,

O mesmo que sustenta a farsa incolor da felicidade,

Isso sim é possível,

Mas só regressa mais tarde na vida,

Quando o resultado de todas as contas que não soubemos fazer,

Se desfaz em mentira nas nossas mãos,...


É isto que se me oferece dizer sobre o relapso da loucura








novembro 16, 2020

Canis artis

 



Urgência

 


à medida que era olhado,
os próprios olhos esvaziavam-se,
num pop barulhento de início,
e depois como se falássemos
da vida que sai,
lentamente,
do corpo de
um velho que se deixa ir,...

recusava-se a conjeturas,
só pedia para sair dali,
estar num milhão de sítios
diferentes,
sem que estivesse em nenhum,
havia urgência nisso

novembro 15, 2020

Because cruelty is a thing

https://qmata.tumblr.com/post/630373834288168960

Deus dará

 


A urna,

Não a coisa tanatoria,

Com a carga simbólica que a solidão dá,

Mas a precisão esfingica de uma hora depois da outra,

Um segundo a matar o outro,

Sangue no início de qualquer coisa que acaba ao Deus dará,... 


Sozinhos entendemo-la,

Desde que anotada no rodapé com as mnemonicas que precisamos ao luar,

Acompanhados não,

E não me ocorre nada mais de impressionante para partilhar ao sol invulgar 

novembro 14, 2020

Matemática tosca

 Sobre a insistência em avançar os números,

Com as pessoas inseguras a fazerem um forte intransponível de melancolia,

Dizia-se que merecia apreensão,

Desdém até,.. 


As pessoas vivem sem fendas na ignorância,

Não há invasor que transponha a irrecorrencia de nada saber,

De se dizer o contrário do que se faz,

E por isso não haveria contas inconsequentes,

So música de trabalho, 

Que fizesse avançar o que quer fosse de que se falava




novembro 13, 2020

Temor cego

 Muitos anos depois,

Tirado da gaveta onde ficou esquecido,

Ainda cheirava a arrependimento,

No meio de papéis amarrotados,

Anotacoes de cálculos feitos sem alojar o propósito,...


Dizia-te que ceifar tanto resto de planos sem braços,

Iria correr mal,

Acabariamos por baixo daquelas árvores sem dono,

Que temiamos






novembro 12, 2020

Indecoroso

olhos cravados no chão,

dia que nasce,

abraçado à noite em comcubinato,
a mesma rotina de sempre,
só que naquele dia,
naquele momento,
algo era diferente,...

uma mulher de ar triste,
pele suja,
de olhos cravados no chão,
envolve o corpo num abraço
ao divino,...

sobe-se a rua,
um saco intacto,
balouça ao vento,
com os despojos da noite aconchegados
em desvario,
nada é o que parece,
para tudo permanecer igual
a sempre,
e há tanto por contar no topo da rua,
mas tem de se seguir



novembro 11, 2020

Isto saiu de uma penada, e sei que devia ter continuado. Mas lá veio o habitual sentimento de que não é bom o suficiente🙄

 Certo dia, o homem sem nome chegou mais cedo do que habitual à rua onde eu vivia.

Habituara-me a ver como ele se insinuava às pessoas sem se apresentar, e aproveitava-se do que as pessoas não lhe davam, por andarem absortas nas respetivas rotinas de todos os dias, para lhes tirar anos de vida. Fazia-o sem pedir licença, a pentear o cabelo crespo e parcialmente grisalho para trás, e distribuindo olhares de soslaio, por entre sorrisos mais cheios de perguntas do que de respostas.

Naquele dia chegava mais cedo. Estacionou o carro branco,  e de linhas deformadas, mesmo em frente ao mini mercado do velho Malaquias, e saiu. Ainda entrou na porta de madeira apodrecida, desviando com cuidado desmesurado a cortina de missangas que as pessoas já se tinham habituado a ouvir como qualquer coisa que hipnotizava, ao invés de um simples atavio que nem sequer servia para impedir a entrada das moscas que se dançavam a si próprias até à morte.

Pegou em dois pêros raquiticos, castanhos esverdeados, colocou-os num saco, fez um nó improvisado. Abeirou-se do velho Malaquias, e só se dignou a perguntar quanto custava com um olhar que eu nem consegui ver, pois do homem sem nome só estava a conseguir ver as costas rectangulares, que naquele dia estavam como que embrulhadas numa capa de chuva que ele vestia, apesar de a manhã até estar com um calor que quase era metálico.

Saiu, o saco preso entre os dedos anelar e médio da mão direita. Na outra mão segurava um porta chaves, de onde pendiam as chaves do carro, e uma pequena bola russada de futebol, que me lembrava um novelo de cotão que dia sim, dia não, apanhava nos cantos da minha sala.

Desceu a rua com passos acelerados, mas irregulares. Parecia à espera que alguém lhe saísse ao caminho. De vez em quando parava, levantava os olhos com hesitação, e eu já tinha dificuldade em vê-lo. Já só conseguia perceber as suas costas rectangulares ao longe, encimadas pelo cabelo irregularmente grisalho que parecia fazer daquela pessoa uma daquelas chatas com vela de pano, que me recordava ver sair para a pesca quando o meu avô me levava a passear junto à Foz do rio que sempre baptizou todos os meus medos, e alguns dos meus anseios.

Naquele dia, como já tinha aqui começado a explicar, as coisas fugiram um pouco à regra. Este homem chamava-me a atenção por razões que eu nem conseguia sequer explicar. Talvez porque já sentia os trinta a pisar-me as costas, e ansiava escrever qualquer coisa que se parecesse com um romance. E aquele homem surgiu-me, pela primeira vez na vida, como uma possibilidade de personagem. Alguém que, desde que bem observado, descrito com contornos quase impressionistas, talvez me levasse a uma história de culpa, de ambição desmedida, de amores por explicar, e vícios escondidos a sete chaves no silêncio de um móvel centenário de quarto secular.

Por isso resolvi segui-lo. Depois de vestir um fato de treino velho, e calçar umas sapatilhas de futebol já rasgadas na biqueira, que foram a unica cobertura que arranjei naquele momento, sai de casa.

O céu tinha escurecido um pouco, e um quarto do sol, que aquela hora já quase se descobria na totalidade por cima do pincaro da igreja, parecia estar escondido atrás de nuvens cor de cinza.

Contornei a esquina do palacete devoluto que ficava do outro lado da estrada da rua onde ficava a minha casa, e acelerei o passo. Temia já não o conseguir encontrar. Levava um bom avanço, e eu arriscava-me a encontrar pessoas conhecidas. Aquela hora era habitual dar de frente com dois ou três bêbados meus vizinhos, que já regressavam a casa em busca do almoço completamente sem tino e prontos para bater nas mulheres se preciso fosse. Vi um deles, o anacleto, o soldador reformado que naquele dia, e ainda bem, nem me viu.

Acabei por encontrar o homem sem nome já na descida para o Porto da cidade. Era uma rua de que gostava muito, pois garantia vida durante quase todo o dia. Aquela hora estava cheia de homens que entregavam encomendas nos cafés, e de velhotas que arrastavam pesarosamente os carrinhos de compras como se a vida delas já nem dependesse disso.

O homem sem nome estava parado junto a um quiosque de jornais. Só ali reparei, com um pouco mais de pormenor, que tinha uma pêra irregular que lhe cobria a boca, e descia quase ao nível do externo, dando-lhe um ar inexplicável de confúcio arrependido. Quase amargurado de tanto medo que guardava por explicar.

Parei como se nada fosse. Pus a mão direita no bolso das calças velhas de treino que trazia, e reparei que guardava, amarfanhado, um maço com alguns cigarros. Deviam estar ali desde que eu prometera, pela enésima vez, deixar de fumar. Acho que havia alguns dias estar a conseguir cumprir, mas pronto.... Como um homem é um ser que se contenta com os seus falhanços, saquei do cigarro que me pareceu em melhor estado. Passou um velhote com cara de político ao meu lado, a fumar cachimbo, e pedi-lhe lume. Parecia ter já construída uma imagem de transeunte sem nome, e por isso pus-me imóvel, numa posição quase diagonal à bissetriz da rua, a dar baforadas nervosas. Observava o homem que me  tinha dignado a perseguir, e sentia-me clandestino. Talvez fosse essa a melhor forma de me consolidar com o ambiente em que me encontrava. Eu nunca tinha tido a aspiração de ser escritor. Aliás, eu sempre abominei letras. Punham-me nervoso, receoso de me entregar a elas, quase como se elas me pudessem engolir e nunca mais me vomitar. Só que me encontrava num momento da minha vida em que precisava de uma decisão radical. E era isso. Pus-me então a tentar captar todos os pormenores que conseguia daquela pessoa que eu só tinha visto um punhado de vezes antes.

O sino da Igreja do meu bairro, que só ouvia muito ao longe tal a distância a que me encontrava do meu mundo, soou duas badaladas. Era meia hora talvez próxima do tempo de almoço.

O homem sem nome recomeçara a andar. Reparei que tinha comprado dois maços de tabaco, um jornal que me pareceu desportivo, e uma coisa retangular que eu não conseguia descortinar. Continuou a desenvolver passos em direção ao Porto. Acho que ainda não tinha visto que estava a ser seguido, e eu começava a sentir-me mal com a intromissão... 

Definição sem cor

 Quero ser estendido,

Existem raízes de problemas que não me afetam,

Vem de lá a noite,

Haverá um equívoco a ponto de me fazer repensar,...


Estão convidados a fazer com que pense de forma diferente,

Sabendo que este é um momento de definição sem cor




novembro 10, 2020

Intenções

 a memória é exaustiva, 

exaustante, 

delimitadora do

 que esperas, 

de tudo o que 

nunca ansiaste,....


 a procura de novas 

explicações para

 um falhanço,

 serve-nos de abrigo,...


 ingere o suficiente

 de nada, 

para que ao acordarmos seja o oposto o que 

nos acompanha,.... 


à memória 

ao arrepio dos sentimentos, 

um sentimento 

indecoroso,

 um beijo enevoado, 

e todas as fruições 

de que te lembras, 

ao chorar




novembro 09, 2020

Codícia

 Os enigmas,

Nao saber o que pensar das coisas,

Levava a que provavelmente fosse 

forçado a passar a mão pelo áspero,

Dizer que os contornos não seriam assim 

tão precisos,

se escritos quando se chora,...


Lá fora,

A falar em códigos 

desconhecidos,

Atenuava o cheiro da 

codícia,

Do anseio de tanta coisa iliterada 

que desejava,

E sabia nunca poder vir a ter,...


Esta irregularidade assim escrita se calhar,

Teria de terminar noutra língua,

Para refúgio,...


Just maybe




novembro 08, 2020

Aquiescência



 do novo silêncio nada se entendeu, 

um sentimento de posse que acabava, 

outro que tentava começar, 

e tanto pesava um equívoco, 

como se dissimulava uma certeza,....


dizíamos a quem quisesse ouvir, 

que a dor de estar vivo, 

é diferente do relógio que marca o atraso 

que devemos à morte,.... 


o tal silêncio, 

o que se refugiava nas cores hediondas 

da insubmissão, 

parecia ter ficado para trás,.... 


só nos restávamos como presença fixa, 

no sumir afrontado da herança escrita, 

que já não é nossa

Um dia gostava de saber escrever assim

 

alexandre o'neill / mesa dos sonhos

 
 
Ao lado do homem vou crescendo
 
Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente
 
Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas
 
Ao lado do homem vou crescendo
 
E defendo-me da morte povoando
De novos sonhos a vida.
 

 
alexandre o´neill
no reino da dinamarca 1958
poesias completas
assírio & alvim
2000

Por vezes, o tempo é indistinto da matéria. Da dor....


 

Cartilagens

 Depois de comer.

quando a fome já não se 

explicava a si própria,

O objetivo de coisas 

entediantes como respirar,

Escrever cartas com 

destinatários ao critério,

Passava a ser diferente,...


Tinha outro som,

As pessoas deixavam 

de ser sempre iguais,

E o desejo até de escrever bonito,

Com osso lá dentro,

E cálcio para chupar nas cartilagens,

Também isso divergia,...


Agora quando anoitece,

Se calhar o cordel irá servir para enforcar 

nem que seja menos um




novembro 07, 2020

O Inatingível não concede, nem abdica

Parar, e pensar

 O mundo não lhe ia fazer mal ao mesmo tempo,

Primeiro surgiriam os equívocos,

As estórias mal contadas,

Que se consolidaram deficientemente,

E agora obrigavam a ocultar sentimentos,

A fechar portas em nome de um bem maior,...


Por outras palavras,

Teria de se minimizar,

Como que entrar no mundo 

dos insetos sofredores,

Porque assim tinha de ser,...


Não havia outra expetativa que não esta,

O tempo já tinha recomeçado a passar




novembro 06, 2020

Sopa de lentilhas

 Andam a descobrir corpos,

A terra parece ter nódoas depois de uma refeição de sopa de lentilhas,

Sem ter uma mãe que saiba limpa-las,

E um pai capaz de trabalhar para ganhar mais lentilhas,

E assim garantir que a sopa não falha,...


Temente ao silêncio,

À esperança de que assim se louve a diferença,

Pensava o pior,

A guerra inexplorada de sons abafados,

Talvez como a defesa possível das linhas

 vazias de um ressurgimento da morte,...


E anotava - se como ser possível negar este tiro que furava um maxilar,

Permitindo que fosse o outro a fazer ressurgir a fala,

E adiar pouco mais que se descobrissem ainda mais corpos




novembro 05, 2020

Praia alienante

 

as pessoas são ilegais,
merecem um grito num
grande descampado,
a insultar a res pública e
o conluio daquilo que
elas nos oferecem,...

há tanta raiva,
     momentos inadaptados quando
estas pessoas se afirmam numa 
lonjura,
   difícil de entender,...

e tu também,
com poros excitados de ditador,
e     as narinas a dizerem flores,
a ti também te considero ilegal,
no sentido de que não há
tempo a perder,
   quando se volta atrás em espaços
que não cabem na ânsia de chorar,...

acho o fado,
   tanto choro que verti para
entender isto,
que no fundo,
escapa a qualquer perceção,...

  se reduzido
fiquei   ao poema insuficiente,
a culpa será do que de ilegal este momento
teve,
enquanto a embarcação em
mar alto,
se afasta desta praia

novembro 04, 2020

Cinematografia


o meu destino choveu
sobre ti,
a razão,
as coisas explicadas,
tudo enclausurado em pequenas
caixas sem cor,...

não há crenças mais fortes
que as que nos fazem dormir,
sem vontade de acordar,
se to dissesse,
renovarias uma defesa incondicional,
incrustada na solidão,...

e parava o filme de
monólogo,
que não cessava
de passar em mim

novembro 03, 2020

The most important day of my life... Happy birthday, V...

Na terceira vez a forma,
Antes do encanto o redondo dos desejos,
Esferica a resposta à glória da dedicação,
Com metro,
Passo a passo a lonjura para o compromisso,
Encurta a distância que tinhas prometido,...

Não estipulo a verdade,
Nem as críticas à sua hermenêutica,
Anoto só cada grito,
Todas as exaltacoes que são veículos,
Para as perfeiçoes possíveis,...

Ao longe a despedida,
Ao perto a frase embrulho que combinamos,
À medida,
Para a envolver




novembro 02, 2020

Pesadelo indefinido

não sei o que quero,
sonhar amedronta-me menos
do que pensava,
calçar sapatos que não são
os meus parece
ser a solução,
mas esfuma-se,...

o que esperava é que sobre
o animal que escorre sempre sangue
do rabo nada saísse,
os olhos se encovassem,
e a perceção
pesasse menos que o confronto,....

por isso nada reprova o que
se erra,
e menos ainda o que
fica por disputar,
sonhar amedronta-me
mesmo o
que se calhar deve


novembro 01, 2020

'Novembrando' a 13 de setembro


o presente é um clarão
que olfata a memória,
desgoverna os sentidos
escorreitos,
   desperta os inutilizados,
e ao fundo uma mesa,
de toalha garrida,...

e dois homens animam-se
mutuamente,
há vinho,
e palmadinhas nas costas,
   com tudo que um desprezo deve ter,...

se chover,
a liberdade terminará,
e o normal vai voltar com
a presença inaudita de um grito,
e os pedidos de solução
sem memória,
silenciados pelos trovões

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