quarta-feira, junho 30, 2021

Por este rio acima

 

A coisa sussurada pelo leito de um rio,

Restos de vísceras,

E animais que surpreendentemente contribuem para mudar o curso das águas,...


Aí agito-me como propagador de doenças,

Aquela soturna enfermidade que,

Puxava para o futuro a desnutrição do passado,... 


Sem que os esquálidos que a fintam,

Saibam sequer a cor dos olhos que miram,

As fronteiras dos países que deixam de visitar,

Para poder estar ali,

Como fator erosivo,

Recidivo,

Enormemente perdido por este rio acima 

terça-feira, junho 29, 2021

Jazz frivolo e alcoólico



 Deixava-se estar deitado,

Corpo indiferente ao inverso do chão,

Os olhos como rolhas das garrafas de vazio da terra,

E a existência,

Uma solidão que dedilhava o que era um jazz,

Frivolo e alcoólico,

Que se amestrava com a ambiência reprovável da noite,...


Havia tantas pessoas a espezinhar como dormiam,

E o faziam sobre o problema de amarem o que restava de si mesmas,

Não se tolerava a descrença,

A persistência do medo neste quadro em que acomodado,

Se sentia persistente com a  veia única de renovador 

segunda-feira, junho 28, 2021

Prescrever uma dor


 

a doer,

não aguento mais se

esta sopa,

a mesma que derramei pelo

chão sujo da sala,

for uma estrofe apegada ao poema que não entendo,...


à luz da mediania,

forjo uma posição entre as brechas

de uma parede que desaba,

agora é sério,

pelo menos assim o parece,...


não consigo prescrever uma dor,

que não se alimenta mais de ar

domingo, junho 27, 2021

Elefante

 porque ligar infante a elegante,

triste a indigente,

refletido na porção certa da desordem,..


tudo é melhor do que um

elefante,

que pisa e repisa o argumento,

e faz tu, tu, tu,...


lá longe,

desenha-se com carvão,

e tudo adormece,

ao som dos passos

que nos afastam




sábado, junho 26, 2021

o frio a envolver-me

 se vens procurar-me aqui,

há uma razão para que as palavras desapareçam,

para que as pessoas se engilhem a ponto

de não haver peles,

que absorvam o amor,...


expliquei-te que o desejo,

é um pássaro que voa sem destino,

e melhor do que a mais pequena porção

de eufemismo que me resta,

é esta mão velha,

os sinais de encantamento que ela

ainda desenha no ar,...


se seguires a descrição,

eu estarei no final de 

um carreiro de verdade,

à tua espera com o frio a

envolver-me




sexta-feira, junho 25, 2021

de par em par

 a rapariga das mechas de cabelo alourado descia,

de par em par,

as escadas de acesso à rua,

deliciava-se com uma brincadeira que lhe parecia um

pulo pelo universo,

ligeiramente incomodada com uma camisola cinzenta,

que se agarrava ao corpo para despronunciar as curvas

de mulher,

que já queria acentuadas,...


jogava com o tempo como se

o tempo fosse um resto de sopa,

um peixe de que não se gosta em criança,

e pensava que assim estava bem,

porque o tempo,

ensimesmado numa base de retórica,

não lhe iria dar mais hipótese do que 

uma sedução breve,

uma hesitação inevitável,

o regresso pelo caminho inverso,

de par em par




quinta-feira, junho 24, 2021

Alumiar

 viver ao sol, 

recordar a menina 

dos olhos, 

que a sombra tapa 

e destapa, 

ao sabor da água fria,.... 


haja vontade de alumiar, 

recordar, 

bater em retirada 

se ler este livro, 

for mau, 

escrever este poema, 

entortar os dedos,.... 


e não há mais 

meninos alourados neste 

programa triste de televisão, 

só amizade falsa, 

e destapada




quarta-feira, junho 23, 2021

era aqui


 

era aqui, 

não havia um sentimento 

arrastado, 

nem a inconfidência 

do som, 

que em tudo 

era um barco que se afastava 

do Porto,... 


aqui tinha morada, 

um nó laço 

que envolvia o pescoço 

de todos nós, 

havia água fresca 

que nos acordava, 

do inverno ao 

desmaiar do calor, 

havia livros abertos,.... 


aqui era inofensivo, 

até prova em contrário, 

e só a poesia podia atestar 

qualquer contradição

terça-feira, junho 22, 2021

Do residual ao preenchimento

 Esta é uma tragédia grega com mais de dois mil anos,

A personagem principal não tem memórias familiares,

É uma mulher residual,

Que nos dias que correm,

Séculos e séculos depois de  se ter desvirtuado,

Caminha sem mãos pela névoa de rosto e com marca desta manhã de início de ano,...


As pessoas abordam-na, perguntando tu que de debaixo do chão vieste,

E guardas em ti uma beleza de tecido rasgado,

Inofensiva e mascarrada,

Estás deslocada no tempo,

De uma forma quase conservadora e que leva à troca de morada,

Entre o palácio de bronze onde já moraste,

E essa personagem que agora construíste e falhas,

A plenos pulmões,...


Talvez acordando, 

Esta seja uma mulher que faça sublinhar a importância pessoana de uma noção infeliz de amor 




segunda-feira, junho 21, 2021

Sorriso assexuado

 Vamos manter-nos a favor do vento,

O tempo há-de passar,

E com ele trazer a sensação de dever cumprido só com uma ideia pré concebida,

Faltava som a este projeto,

Na medida em que os velhos se recordam só da música,

E há sempre mais jovens para iludir conversas,

E estender ao sol roupa que nem precisa de ser seca,...


Já anoitece com um cheiro a revolta, 

Tudo terá sido um equívoco dificil de explicar,

E o teu sorriso assexuado pesa por si só, 

Não deixa dúvidas para que se recorra a Kant numa razão, 

Sem primado,...


Há esperança para mais desejos iludidos, 

Como este pretendeu ser 


domingo, junho 20, 2021

Deixar a luz sem controlo

 


Soava que a nossa música teria de ser a mesma,

O coração ditava-o,

Não se percebia a voz recusada da beleza,

Mas a obrigação estava lá,...


Sinto-me compelido a procurar nas pedras a poesia que perdi,

Como se o silêncio custasse letras,

Situações refletidas no espanto de deixar a luz sem controlo,

Até que dos nossos olhos não se lessem resquícios do fim do tempo,

Conforme ele se propusesse a ser ditado 

sábado, junho 19, 2021

Alimentar uma farsa

 


Quando o muro separou este curso de água,

Senti que já não podia confirmar o tempo,

Nas costas normais das mãos de sempre,...


O segredo passou a ser diagnosticar a confiança nas pessoas,

Sentir que já não era a mesma de sempre,

E passar pelas ruas do passado,

Com o sangue perfumado nas veias,

E a dissecar os argumentos da dúvida,...


Alimentar uma farsa,

Custava cada vez mais 

sexta-feira, junho 18, 2021

Eliminar um personagem

 


A personagem foi inconcebível,

Odiada até ao âmago,

Desenhada com pontos nos olhos,

E idealizada junto a um curso de água onde,

Penso já ninguém vai,...


Não teria nome,

Recontavam-lhe estórias Anuladas,

Amores inofensivos a que respondia com um sorriso de alusão,

Ao inconcebível,...


Espero pelo reflexo do sol moribundo no mesmo sitio de sempre,

E talvez ao personificar a intrusão do amor,

Se perceba que falo do passado feito aos pares 

quinta-feira, junho 17, 2021

Bem anónimo

 

Falta-me aquele bocado,

A lonjura entre os silêncios,

A razão pela qual há uma anotação na maldade do desejo,

Uma soltura na impressão de amor,...


Sentir-se incompetente porque não há escrita possível,

Nesta inofensiva ressalva,

Não tem mal,

Só o bem anónimo e que se esconde nas pedras 

quarta-feira, junho 16, 2021

Nos entranha a alma?

 


É aquela coisa que quando estamos vestidos de transparência,

Nos entranha a alma?,... 


É uma pergunta indecisa,

Eu sei,

Só me pareceu a correta quando vejo o tempo,

A desaparecer nas frestas deste edifício anulado,

A casa de dor de onde teimam em não querer tirar-nos,...


Há muito que das mãos,

A ansiedade,

O olhar cruzado com o medo,

Pertence-nos de pleno direito,

Sobrou-me só esta pergunta,

Como razão para uma interação concreta entre nós 

terça-feira, junho 15, 2021

A meio do mês


 À parte algumas gralhas,

Era um texto escorreito,

Com pessoas a atreverem-se a senti-lo insidioso até,... 


O autor,

Quando ia para a praia,

Levava-o debaixo do braço,

Por entre folhas amarfanhadas,

E a pulsarem celeuma pelo meio de palavras que o próprio inventava,

E pugnavam por ofender e ao mesmo tempo alourar o tempo,

Como se fosse a carne mais sumarenta que ainda houvessemos de comer,..


E lá,

Onde as pessoas se amealhavam como dinheiro,

À espera do que a política lhes trouxesse como inevitabilidade despida e sem olhos,

Havia uma memória como tema central desta obra, 

Como se me imaginassem a mim que leio a andar pela rua do centro, 

A caminho de um trabalho que nunca sequer tive, 

E com uma ofensa cabal e desiludida que, 

Quando fechava os olhos, 

Me deixava envergonhado das figuras de estilo que assim se ofereciam, 

Emudecidas


segunda-feira, junho 14, 2021

Desígnio comum verbal

 


Haveria um momento,

A percentagem de sucesso poderia permitir algum otimismo,

Mas havia um momento em que iria colher a razão,

Duas pessoas a conversarem por um desígnio comum,...


Celebravam-no com a mesma bebida,

O mesmo livro medíocre,

E lá ao fundo ainda restavam fios de sol,

Que o dia era inocente apenas o suficiente,

So até as pessoas quererem permanecer à chuva até se sentirem solidárias 

domingo, junho 13, 2021

Confusão monocromática

 


Agora que estamos neste sítio há algum tempo,

Começa a confusão monocromática,

Tudo parece ser só de uma cor,

As costas das mãos das pessoas,

Sempre o primeiro lugar onde me esqueço dos olhos,

Aquele refrão dos indizíveis,

Tudo transpirava uma cor indisposta,

Quase as hipostases que todos evitamos,...


E agora alumio esta porção de papel,

Para nela escrever o caminho de montmartre,

O que nunca consigo encontrar 

sábado, junho 12, 2021

Este sou eu



este sou eu,

uma indispensável criação 

sem luz,

sorrisos que foram,

abraços que regressaram,

envolvidos na bruma possível

da manhã,...


todas as situações criadas

pela ausência,

e que regressaram em gritos de

dor de multidões que se crucifixam,...


este sou eu,

recusava um fogo que

me queimasse esta vista possível,

a custo,

aceitar-te-ia envolta em escuridão

que me dissesse o suficiente,

para voltar ao sono que me

completa

sexta-feira, junho 11, 2021

Inofensiva expressão do mal

 


O jornal aberto na página dos cinemas,

Era sempre com a nódoa de cerveja,

Ciclo com duas sessões quase de madrugada,

Fruiam conversas de pôr debaixo do braço,

Num sítio asfaltado pela vulgaridade,

Em que se falava da cor do céu sem que a terra alguma vez,

Tivesse sido percebida,...


Um pequeno som de esburacar subia pelas condutas de ar dos prédios,

E a novidade era sempre a mesma tinta esboroada que  das portas das casas saltava,...


É a inofensiva expressão do mal,

A envolver o planeta,

Sem que ele resista 

quinta-feira, junho 10, 2021

Dia da (Des)portugalidade


 

pedia-te, 

o teu corpo não pode 

pesar menos que o vento que nos separa,... 

a tudo, 

ou em  tudo, 

havia o teu sorriso 

de silêncio, 

o que dava olhos 

às nuvens por entre o amanhecer, 

e deixava o sol doer 

um bocadinho menos na pele,....


 só percebeste quando de 

um lamúrio, 

me mostraste a noite, 

já sem forças, 

renovada, 

que parecia querer espalhar-se 

em ti, 

como uma dança inconsequente,.... 


já é tarde, 

e o silêncio impede o 

fortuito de me querer atirar, 

na infinda 

e perpétua frase sem fim

quarta-feira, junho 09, 2021

Inconsequente

 


Ao lado de mim,

Sinto a vontade anulada pelo frio,

Todos os passeios representam o músculo da dor,

O estar sentado ao lado do abismo,

Sem que se perceba onde o início anula o fim,...


Anúncio concreto de que custa tanto a solidão, 

Como a reformulação de uma situação inconsequente 


terça-feira, junho 08, 2021

Incontido e irrepreensivel

 


Três memórias indissociáveis do que é o principal,

O que ouço dizer aos sem voz,

A eles basta-me perceber a luz,

O desejo incontido e irrepreensível de superação,...


Falar de vida,

Remata o que se pensa da escrita sem apêndices,

E dos passeios inúteis que se faziam,

Sempre aos sítios em que nunca faltam ideias certas,

Em anúncios de comoção errados,...


E por fim, 

Por fim talvez o amor,

O que se conhece dele, 

E da realização pessoal da comoção 


segunda-feira, junho 07, 2021

Doem-me as imperfeições

 


Menos maus são os dois lados da mesma questão,

A tal com que abordo as minhas deficiências,

Enquanto o mesmo trompete de sempre soluça,

Do outro lado da rua,...


Há um marcador a pender da página do medo,

Não me recordo do nome do livro,

Só sei que me falaram mal do seu fim,...


Doem-me as imperfeições,

Não sei se poderei responder,

Ou a mim só me permitirão minudencias,

Como observar uma faca grande que balouça da mesa,

E pensar se haverá novo capítulo para repetir,

E banalizar 

domingo, junho 06, 2021

Centro da cidade

 o centro da cidade,

   mas na parte baixa,

recordo-me da hesitação,

    dizíamos nunca ter feito o

encovado do adeus naquele local,

      e que não havia água suficiente 

a cair do céu,

ao darmos o desprezo de uma 

partida sem idade,...

  

   o mesmo centro da cidade,

onde já dei por terminado este 

desnível de sentimentos,

   que deverás estar a ler como poema









Contorno incompleto do corpo nu

 


Abandonada na cama,

Como que um dedo desenhava o contorno incompleto do corpo nu,

Ninguém esperava,

Não apareciam reprovações,

Olhares por resolver,

Nada,...


Só um parcial e confinado abandono,

Havia uma voz rouca e inodora,

Que ejaculava música como um aguaceiro de Primavera,

Quando o calor acasalava com a perdição daquele espaço,...


O tempo impedia que o sorriso envelhecesse, 

Quando se pensava que já nem sorriso poderia haver, 

O limite, 

Quem estabelecia a fronteira entre o são, 

E a dor,

Entrou e bateu com a porta 


sábado, junho 05, 2021

Catástrofe de lábios silenciosos


esquece tudo, 

a partida, 

a chegada, 

o vento que te leva a pele, 

a pele que te leva o tempo, 

o tempo que te traz a condenação, 

o espírito que  andou 

contigo pela mão, 

e a ventura de recordar,.... 


esquece porque ao 

lembrar, 

a fortuna que 

te é trazida anota 

 o suficiente, 

em silêncio, 

para que o retorno,

 seja uma 

catástrofe de lábios silenciosos

Duas oitavas mais acima

 A música nunca concordará com o medo,

E há uma aldeia perdida,

Todas as irritações insonoras que falam mais alto que os deuses de taberna,

Aquela espécie de olhos de Zeus que deixei,

A bramir a inocência ao sair porta fora,

Depois de um poema me deixar indefeso,...


Em suma,

Olhos vermelhos de raiva que me fizeram explicar,

Duas oitavas mais acima do que devia,

O que parecia uma valsa,

Entre copos meio cheios de despedida,....


E ao fundo há a obrigação de desrespeitar a lógica,

Quando se escreve 

sexta-feira, junho 04, 2021

Dias de semana finda

vem à quinta-feira, 

despedido de casa, 

afrodisíaco nas expressões 

melodramáticas, 

que puxava dos bolsos 

como lenços de um fim de tarde invernoso,... 


chamava-se com a idiossincracia possível, 

enlutado, 

desesperado, 

até fruindo a música 

de sempre, 

com acordes inúteis 

e de notas importadas,... 


vai-se embora à 

sexta-feira, 

e lá em cima 

luz tanto como o 

perdão do desencontro, 

que me ensinou na despedida

quinta-feira, junho 03, 2021

Cabimento

 

Nenhuma palavra está completa,

Nenhum pensamento cabe numa rua delimitada,

Todas as hesitações de sofrimento são períodos perdidos em frases anuladas,... 


A nada se perdoa a ausência,

A tudo se permite uma voz acertada,

Um passo para a concordância,

Notas soltas que não fazem a música que permanece por completar,....


Deixa-me pois assumir que mais longe,

Nem sempre pode ser mais perto,...


Encontramo-nos a meio caminho 

quarta-feira, junho 02, 2021

Cervejaria

 


O meu melhor amigo explicava-me que entrar naquela cervejaria era como extravasar emoções. A música soava baixinho naquele espaço sem nome que fica entre os dois ouvidos gastos que temos, e só conseguíamos olhar para as cadeiras enferrujadas. Tinham quatro pernas periclitantes, e um encosto a meio termo, nem muito direito nem recostado. Havia sempre copos meio cheios, mais vazios que outra coisa. Todos pareciam preferir cerveja, e quase ninguém haveria de comer por muito e muito tempo.

O meu melhor amigo, que eu me tinha habituado a chamar Leitão, apesar de saber que ele era qualquer outra coisa de pai que eu preferia ignorar, dizia que gostava de para lá ir escrever letras de fados. Ele conhecia um senhor, que vivia sozinho, duas portas abaixo da dele na rua de sentido descendente que sempre havia conhecido, apaixonado por fado. O homem parecia viver de duas, três noites que tinha na mesma casa típica, da qual eu nunca quis saber o nome, e onde ele transmitia melancolia a doses industriais, como sempre parecia ter sido. Lembro-me que para mim, sem nunca lho ter dito, sempre lhe tinha chamado o oposto do homem revoltado.

E voltando à cervejaria que me traz nestas linhas, era lá que o Leitão esboçava, de uma forma tosca e quase sempre cheia de anátemas, as letras dos fados que polvilhava pela semana de solidão que era obrigado a viver. E eram essas palavras, quase sempre expressas por entre os olhares dos que ali entravam, e os lamentos mudos dos que chegavam para se sentarem naquelas cadeiras de encosto difícil de definir, que depois entregava ao conhecido, que fazia deles a mesma coisa, mas com outras roupas. E por outros caminhos. 

O meu amigo leitão passava muito tempo a falar de todos os problemas que ali encontrava. Eu habituara-me a ouvi-lo quase como se fosse uma voz das pessoas que dizem as notícias na rádio. Que estão lá, mas que nós nunca verdadeiramente conhecemos.

Por estranho que pareça, e depois de até me ter imaginado a comer uma boa refeição sozinho no interior daquele espaço, da qual só guardaria boas recordações, optei por nunca verdadeiramente lá entrar.

Acabei agora mesmo de me lembrar de escrever este episódio. Vou deixar estas palavras escritas numas folhas toscas, antes de sair para nunca mais voltar... 

26 anos de saudade

 


A noção de ter aqui uma sombra recortada,

Passível de me fazer descansar os lábios em ti,

Tudo era um dia diferente do que tinha lido,... 


Chamava-me arrependimento,

Sentia não ter idade,

Nem longe nem perto,

Só a fraca percepção de que era correto forçar-me a esperar,...


Sem saber se ao partires,

Voltarias antes que o sol se destapasse da cama em que dorme 

terça-feira, junho 01, 2021

Junhando a 20 de Março

 


Não entendia o feminismo cínico,

As tiradas sem sentido e sem sentir sobre mulheres que resistiam,

Perdendo-se no desenho irregular das pedras do caminho,...


Optava sempre pelo desejo,

Ajudava a afastar a luz inodora,

Porque preferia o escuro ao senso indefectível do tempo,

A passar,...


E havia água ao canto,

Para ajudar na escrita solitária 

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