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sábado, 22 de janeiro de 2022

Strand of Oaks II

a vida já não é a mesma,

come-se à mesa sem que a luz

namore com os nossos espíritos,

nos espaços que haviam entre as

 sombras,

repousa agora a velhice dos tempos

modernos,,,,


e lá ao fundo,

onde antes a luz se acomodava para

dormir,

não está nada,...


sim,

obrigam-nos a conviver com a ausência de ser,

porque a vida já não é a mesma,

há um fruto da dúvida que nos,

corrói a carne

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Folha branca, amarfanhada

 O que escrevo é de um duro envolvimento,

Não se me oferece dizer nada mais que a preparação,

Deixar a quem apetece da forma insurrecta e clarificada,

Que convém a que quem lhe apeteça,

Possa repetir o mesmo,...


O segredo é simples,

Uma folha branca,

Amarfanhada,

Desilusões consecutivas,

A inocência literária que nos leva a olhar para o céu,

E reproduzir o limite da loucura,

Nada mais,

Nunca mais se possa repetir este destino 

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Gole de água

 Agora que já não me completo com um gole de água,

As gargantas do som que me emudece auto completam o resto de uma antítese,

Agora somo dois e dois passos,

E à minha frente abre-se o que a raiva de viver permite,...


Odeio o som,

Um epitáfio longo para o que quiseres de mim,

Para o que aquele transporte que nunca mais passa,

Trouxer ocultado no banco sujo e anonimo de trás,...


Agora,

Tanto pode ser amanhã,

Como de certo já foi ontem,

O hoje nunca se me revela 

sábado, 19 de junho de 2021

Alimentar uma farsa

 


Quando o muro separou este curso de água,

Senti que já não podia confirmar o tempo,

Nas costas normais das mãos de sempre,...


O segredo passou a ser diagnosticar a confiança nas pessoas,

Sentir que já não era a mesma de sempre,

E passar pelas ruas do passado,

Com o sangue perfumado nas veias,

E a dissecar os argumentos da dúvida,...


Alimentar uma farsa,

Custava cada vez mais 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Letras de farsa

 quando ouvi o leve toque na porta,

comecei a rasgar pa

péis,

dezenas de estórias presas por

pouco,

com destino infeliz,

novenas de incertezas eunucas

na lapela,

das senhoras da missa,

dos cavalheiros que escondem solidão

com atrevimento,

e vilania,

com pequenas doses de bom senso,

encaixado no passar indómito

do tempo,....


por me deixares ver o teu sorriso,

tudo isto será

à borla,

para ti,

prometo contar-te com pê de

poema,

e jota de 

jocoso,

e até Á,

de avareza,

todas as letras que queiras,

porque eis-me sem palavras,

para um recôndito falhanço,

de caráter


sábado, 24 de outubro de 2020

Ângulos mortos de solidão

 So agora preciso que me abraces,

Dantes,

Esperava que a terra aguardasse pelas minhas deceçoes,

E era suficiente, 

para suster qualquer resvalo de noites sem amparo,...


Agora é diferente, 

Deixei de saber somar ângulos mortos de solidão, 

E só sobra a mesma ladaínha de força desmaiada, 

Os refúgios nos livros sem mensagem, 

E com mais ou menos os mesmos números de ansiedade,.. 


Se me restar só um abraço como teste, 

Se calhar aguentarei






terça-feira, 17 de março de 2020

Hoje acordei assim


Eu devo ter querido isto,
Passar despercebido à máfia do vício,
Sabendo que a noite cai sempre para mim de forma diferente,...

Não me arrependo,
Sem dizer que a frase certa,
Soa-me humildemente ao errado,...

Acho que aperceber-me assim das coisas imprevistas,
Faz de mim mais velho,
Menos imprescindível,
Dispensável até quando da minha ausência se espera tudo

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Assobio

Um assobio podia,
Assim,
Pelo menos aquele assobio,
Entrar numa notícia sobre um crime,
Como se precipitasse o final inesperado,
E depois fizesse um zumbido nas cabeças das pessoas,...

Deixei de pensar sobre isso,
Agora,
E quando parei de ler o melhor poema,
Pelo menos o mais improvável de todos,
Friso o meu anonimato,
E o despacho que isso dá à habitual solidão que exalo

sábado, 28 de dezembro de 2019

nos últimos dias


nos últimos dias,
talvez,
as pessoas sem eira nem
beira,
comigo não achavas
bem à situação de distropia,
em que todos os passos
ficavam gravados,
e desenhados,...

talvez,
dizendo que nos últimos
dias,
a sorte sabia a azul,
e nada fazia
sentido,
(talvez a maior parte
das coisas nascessem tortas),....

nos últimos dias,
soando ao deve
e haver,
somados sem quociente,...

talvez,
nem haja últimos dias

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

às vezes, nem sempre

os sentimentos não se compram
avulso,
a formulação certa para este pensamento
julgo ser esta,
não me ocorre descrever melhor
um beco sem saída,
com pessoas a medirem-me
as hesitações na rua,
e frases sem ritmo cardíaco
suficiente para que eu as profira,
nem sequer livros prontos a morrerem
na minha falta de bom senso,...

achar portanto que sentir é o mesmo
que duvidar,
não nos deixa em dúvida perante a
a militância de uma incerteza política,
nem resgata o que já se sentiu
por uma pessoa que já cá não está,....

às vezes não há palavras que completem
a forma como isto,
pode fazer sentido


terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Interrogação

se eu soubesse explicar a cor do fogo,
não andaria aqui mão na mão com o velho que o tempo tem,
E daria passos maiores do que a perna,
Só para chegar a lados onde nunca tinha estado,
E ver as ervas a crescerem-me por entre os dedos,
Como se nada mais interessasse do que o sublinhado nos gritos

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Se só estivesse eu

E se só estivesse eu,
Se fosse um mundo de duas pernas,
E asco pelo silêncio,
Com pessoas a mostrar o sexo,
Sem que ninguém sequer parasse para a luz,...

Se só estivesse eu,
A dúvida nunca faria escola,
E das escolas anotavam-se urros de ignorância,...

Apetecer representar a solidão em estados de espírito,
Deu-me para o egocentrismo,
Se só estivesse eu,
Não haveria música a escorrer das paredes,
Só cada vez mais dúvidas



sábado, 9 de novembro de 2019

desmancha-prazeres

sem sequer saber o que dizer,
um dos desmancha-prazeres de toda
esta questão,
não falava,
respirava aos solavancos,
descrevia escrevendo o que se tinha
arrependido havia não sei quanto tempo,...

afinal era só uma tarde pintada a opaco,
em que não se sabia como desatar
um nó invisível,
e na rua os cães olhavam nus para o chão,...

a que mais se aspirava quando
o mundo perde assim a esquadria



quarta-feira, 14 de agosto de 2019

História de final indefinido

...só sentia saudades de contar uma história de final indefinido. Por isso sentei-me no degrau de entrada da minha casa, eu que de forma tão marcadamente irresponsável moro no campo, com a frontaria da minha habitação escondida por copas de árvores que de tão velhas, já cruzaram destinos, aguardando a morte de abraços fechados.
Inventei um homem de meia idade. Sozinho, desmazelado, que gostou de ler mas agora perdeu a vontade de impedir os neurónios de morrer. Não lhe dei nome, porque as pessoas sem futuro não têm nome,... perdem-no ao primeiro desgosto forte que os abana tanto até cairem. Não alimenta expetativas sobre nada. É assexuado, por razões que não explica.
Enchi um copo de vinho branco, quando chegou a altura de lhe moldar os pensamentos. Acreditava numa sociedade sem exploradores e explorados, porque o pai lhe tinha dito que isso era bom... Mas nada mais... A política deixava-o deprimido... Um dia conheceu uma mulher perdida. Tinha-se esquecido do caminho para casa, porque não tinha ninguém à espera... Era um dia de Verão menos quente que o habitual....


domingo, 9 de junho de 2019

Prioridades

As suas prioridades nunca estiveram bem definidas. Tanto podia ser o bolo de iogurte, que saía sempre bem feito, queimado nas pontas como os meninos gostavam. Como os três quilos de arroz que, simetricamente guardados na terceira porta dos armários da cozinha, tinham de dar para várias semanas, quase como se a Rainha Santa Isabel não fosse mais do que aquela insegura dona de casa. Eram prioridades comesinhas, é certo, mas as possíveis. As únicas que tinha apreendido na vida. Lembrava-se de ser menina, à porta da cozinha da casa da avó, e ver aquela senhora que envelhecia a olhos vistos a andar, sofregamente mais devagar, mas incapaz de deixar de parar de satisfazer os gostos que não eram os seus. Regendo-se por um tempo que era sempre igual, e que parecia tirar-lhe tempo de cima, da mesma maneira como se podam as árvores.
Aprendeu, por isso, a priorizar as prioridades. Mas era uma tarefa inglória. Um dia percebeu que talvez, se se atrevesse a viver, as coisas começariam a mudar. Comprou um livro de auto-ajuda, que ainda se esforça por perceber.


terça-feira, 28 de maio de 2019

Crença vazia

se nas vezes dos pés,
minhas fossem as mãos do queixume,
não deixaria rasto no teu querer,
nem frases no teu silêncio,...

alumiadas no pretérito do escrito
na noite,
ficavam as lousas,
desnortes ao meio do que foram
as escolas,
as lições,
toda a vulgar manutenção da vida em minguante,...

e por fim se quiséssemos a marca
excelsa do que foi nosso,
estaria talvez no redondo do teu adeus,
em transparência
sem acreditar


terça-feira, 21 de maio de 2019

Hesitante

não sei dizer,
talvez se nunca tivesse dito,
discorrer sobre a ilusão fosse mais fácil,
e nunca deixaria de haver a manhã
depois da noite ensaguentada,...

assim com o mutismo,
a recusa de abraçar-te com
qualquer coisa vã,
em vez de me fundir com a
disfunção imperfeita de ti,
e as tardes assoberbadas de chuva
que me deste,
esquecidas ao fim de tanto tempo enleado,
tudo se torne menos projetável no espaço,
mais previsível,...

até lá,
como de ti até me esvair em nada


quarta-feira, 10 de abril de 2019

Um dia ainda descubro onde o amor vai morrer

um dia ainda descubro onde o amor
vai morrer,
pelo menos nos recortes das
cidades,
estarão indecisos os cangalheiros
desta imprecisão,...

com as devidas reticências a
ponderar erro nas pausas das frases,
e poemas sem sentido que os homens
sem pronome escrevem,...

talvez o amor nem morra,
não é que me importe,
só me faz espécie