domingo, fevereiro 28, 2021

Vagamente Cesário

 


Por aqui, por ali,

Por tanto sítio sempre as mínimas coisas,

Vazam-se olhos à procura de qualquer refúgio a este desvairado destino,

Como se fossemos um canto camoniano que nunca  conseguiu sair do lamaçal do atraso,...


Há gente atrasada para os empregos,

Como personagens sem nome,

Sem idade,

Numa vulgaridade aviltante como a velha resolução de estar morto,

Mesmo quando ainda somamos os dias de estar vivos,

Sem que o nosso sangue faça barulho nas veias,...


Sinto-me épico com carimbo de vitral por pintar,

Partem em meu redor patrulhas de silêncio,

A galope,

Em busca de uma triste história enlutada,

Que me permite continuar a escrever sem conseguir parar uma borra de papel manteiga,

Como só e apenas consegui chamar a tudo o que crio e desprezo,...


Agora saio,

A noite pesa e ao longe ouço a palidez romântica e lunar das sombras que vou,

Recortando,

No caminho de escuridão que a noite sempre me dedicou

Alojar sexo

 Pedira que o fim viesse mais cedo,

Talvez assim acreditassem neste desfecho multicolor,

Inaudito até,

Em que uma ideia custava tanto como um crime,

E a vontade de alojar sexo dentro do arrependimento possível de um amor sem valor,

Fosse uma realidade,...


Não seria fácil,

Mas plausível,

Incorreto todos os dias até se tornar prevalência naquela infelicidade feita passar do tempo,...


E quanto esperava deixava-se encantar pela música suave, das crianças sem nome,

E dos velhos sem idade




sábado, fevereiro 27, 2021

Exúvia

 Um dia enquanto pensava,

apercebi-me de que a criança que

moldei,

tinha desaparecido,

deu-me medo,

a exúvia soltara-se,

e por fim veio o sol,...


a ciência de se saber estas coisas,

foi para mim o mistério inequívoco,

a mudança de manhã que deixava escapar,

a cada acordar,

em todas as despedidas,

uma e outra vez quando recuava,

de olhos carregados de sal,

tinha desaparecido,...


talvez para sempre




sexta-feira, fevereiro 26, 2021

Retração

 


Eles querem a minha morte,

Aqui de baixo soa a razão perdida,

E ela escutava,... 


A frase proibida lambia de uma forma precisa,

Cada retração,

Foi preciso que voltasse,

Menos forte,

Chorando se uma música não me preenchesse,

Para que deixassem de me perseguir,... 


Agora entrava sozinho por onde me quisessem,

E ela sempre a observar-me,

A tua língua,

A forma como te expressavas,

Era a dela,

Tão iguais sem serem diferentes 

quinta-feira, fevereiro 25, 2021

... de dentro da falta de ser

 Fazia por saber a matemática dos acentos,

O dar tónica aos silêncios,

Desespero às resoluções de final de dia,... 


E silêncio,

Acima de tudo silêncio quando resolvesse acabar um qualquer poema,

Para depois vir o nada,

O estranho barulho que vem de dentro da falta de ser



quarta-feira, fevereiro 24, 2021

A verdade 'encaixotada' por aí....


 

00h45

 Eis uma poesia desestruturada,

De unhas limadas,

Dentes gastos,

Sentindo que o amor só se torna esforço se dele bebermos toda a água que nem vemos,

E nos esforçamos com o rendilhado dos fins de tarde sem sol que só suportamos,

Porque assim tem de ser,...


Não há sentido afirmativo em pensar no verso perdido,

Na rima desnecessária,

No querer escrever bonito só porque nos faz dormir à sombra de árvores que,

Já nem vivas são,...


Como último esforço,

Eu respondo a isto que se calhar nem um dilema é,

Com a imagem de um jardim frondoso onde já ninguém vai,

Estive cá há muitos anos, 

Sentindo que devia dinheiro aquele sitio,...


Permaneci um pouco nos intervalos das pedras redondas daquele lugar deserto,

E saí acompanhado,

Por mim mesmo consciente de que nada devo à falta de estrutura na escrita



Paleta

 


Vou cruzar-te num estilo um dia como estes,

Não vai fazer mal como se irão enumerar os tons dos teus pálidos,

Nem as roupas dos tristes inocentes que a paleta de sempre te deixava,

Irei atravessar-te com a languidez exclusiva,

Deixar a possível alocução ao mar que expressas,...


E depois será dia,

Não haverá tempo para mais do que um som inaudível 

terça-feira, fevereiro 23, 2021

Rua dez, 1.o esquerdo

 Esperar tanto tempo para desviar o rosto do certo,

Esperar que isso seja a perfeição possível,

Com um campo de restolho à espera,...


O calor é certo,

Efusiva a resposta do mundo quando de uma boca,

O silêncio imuniza este som de luz,

Querendo que assim tudo se sele em sombra,...


Há um tempo antes desta confissão,

E outro que traga as veias sem sangue,

Que nos hão de levar além do impossível,

Até quando não houver mais verbo



segunda-feira, fevereiro 22, 2021

Glosar

 



Não se ocultam sentimentos assim,

Os olhos glosam-se como madeira,

E depois a renovação de um ciclo,

Com uma voz que lamenta só o suficiente,

Uma idade avançada em crescendo de arrependimento,...


E logo ali,

A rua ficava fechada,

Não ia haver mais novelas sem nome com amores que facultam a classe dos poetas,

Nem sequer um vento,

A árida vertente de desgosto é tua para mudares tudo isto 

domingo, fevereiro 21, 2021

Concordância de final de fim de semana

https://blocodeespantamentos.tumblr.com/post/629684265003663360/you-have-to-use-fantasy-to-show-different-sides-of

Ideólogo

 Uma conduta aberta de sedição, 

Maternidade,

Sentimentos abertos de pertença que o tempo guardava,

Com livros abertos nas mesmas páginas,

Onde o grupo passava em direção à capital,...


E foi no dia que o sol remendou com a sombra da noite,

Respirando só o ar suficiente para que a mudança se esgueirasse por entre o medo,

Que viria a revolução possível,

Eles passariam a um,... 


Ele,

O que pensou,

Tornou-se invisível,

E não poderia desenhar-se maior infelicidade,

Sem que as cores do mundo pudessem intervir



sábado, fevereiro 20, 2021

Poesia desconectada

 Cinquenta anos,

assim mesmo,

escritos tremulamente,

com capitular,

passaram em poucos segundos,

com o lento envelhecer acelerado,

pela mesma brisa de todos os dias,

vi o grisalho do desespero a

tomar conta do teu contorno,

mãos enrijecidas a tomar o lugar

de assobios leves de amor,...


nunca pensei que o tempo me

desdobrasse em pequenos equívocos,

assim,

como que a chuva que cai não,

tivesse já parado de representar algo




sexta-feira, fevereiro 19, 2021

Um dia gostava de saber escrever assim

 

manuel antónio pina / a quarta porta

 
 
É a solidão
o que o coração procura,
como poderei não
saber o que não sei?
 
Estou cada vez mais longe de qualquer coisa,
regressarei alguma vez
a tudo o que há-de vir?
O que está atrás de ti
 
é a tua imagem
que o Futuro persegue.
Este é um lado de tudo
e o outro é o mesmo e o outro.
 
 
 
 
manuel antónio pina
o que está atrás de ti
todas as palavras, poesia reunida
assírio & alvim
201

Recortes

 penteados e atitudes,

dias felizes,

sombras tristes,

há qualquer coisa escondida

no canto do teu sorriso,

não consigo ver,

a dúvida da postura que emanas,

não o permite,...


mas se calhar nem interessa,

eu refugio-me aqui,

onde ainda há um pouco de sol

envergonhado,

e continuarei a recortar o reforço

da solidão,

à medida que sempre pretendeste




quinta-feira, fevereiro 18, 2021

Oração sem nome

 


Foi,

Eu esqueci-me de que havia limites,

Mais soluções do que hipóteses no alavancar de uma intriga,... 


Tanta e tanta coisa por explicar se aqui optarmos por continuar em descrédito,

Cientes de que o tempo não se suja só com a sofreguidão,

Mas também com os velhos registos de uma conversa por terminar,...


De cantar aos gritos sempre que falar por cima da voz falha,

E ficar aqui,

Se torna sem rodeios uma oração sem nome,

Na religião maldita dos inocentes de coerência 

quarta-feira, fevereiro 17, 2021

Locução do horror

 


Não obrigado,

O inverno não é daqui,

As pessoas só sabem pela metade o que este lugar lhes transmite,

Há razões por explicar em cima dos olhares de todos nós,

Que por sua vez proliferam como vagalumes inofensivos,

Anotando desilusões de amor por todos os lados,...


Este lugar é o que é,

Eu já sou um pouco mais do que a herança do meu desespero,

E não me parece bem terminar a locução do horror que o som nos imiscui,

Com o mesmo sorriso de desprezo que me brindas

terça-feira, fevereiro 16, 2021

Liberdade de ser diferente

 


Ia para as ruas e tratava-as como pessoas. Manuel, o desanimado. Via-o naquele pedaço de calçada que subia, ou descia, consoante a pinga que se tivesse bebido. Consentia tudo, o manuel. Não tinha estudos, pelo menos era o que via nas sacadas das janelas que pareciam cair para a rua, se as observassemos num ângulo certo.

Mal se virava à direita, e o Tejo aparecia de frente, vinha a Alzira. Uma antiga corista do parque Mayer:pelo menos era assim que a via. Ainda com pernas esguias e altas, como os dois lampiões de petróleo pareciam mostrar. Tinha olhos ainda cheios de vida, e uns Olás que saltavam de boca em boca, como um sinal de vida desperado por  vencer a morte.

 Todos os dias, sempre à hora do final de tarde, aparecia o Francisco. Um Chico mortiço, sem cores, que só via um carteiro a  bater às portas como unico sinal de ânimo.

Ficava feliz por achar assim os contornos da vida de todos os dias. E propunha-se a descobrir mais ruas com nomes possíveis de pessoas. O relógio parecia deslizar mais facilmente desta forma. 

dobra da sombra do adeus


 o cardo,

sublinhado pelo peso da letra,

desafiado por um passado

inodoro,

tudo refletido em consequências

desavindas,

filhos que se descrevem como

a ofensa,

de pais longinquos,....


um cardo,

só assim consigo descrever 

a reflexão,

e já moro na dobra da

sombra do adeus

segunda-feira, fevereiro 15, 2021

Projeto de homem novo


 Por mais alguns idiotas,

Este é um círculo que nunca se fechará,

Para sempre com a ilusão de mais patriotas,

Mais projetistas de sociedades perfeitas com discursos concêntricos,

Sem apelo nem agravo para com os pessimistas,

Os ilustradores de modelos inusitados,...


E cá em baixo,

Onde fazem falta a mostra de jovens iludidos,

O lustro dos velhos rebeldes,

E a simples formatação opaca da vida,

Aqui já não há nada,

E também falta não faz,

Há uma mão gigantesca que nos guia pelo pó 

domingo, fevereiro 14, 2021

...a mais inofensiva solução de uma história feliz

 deixei de ouvir-te, 

tenho entranhas em que sinto 

o mundo decrépito do pós-dia, 

a felicidade astuta que 

devora a resolução de problemas,....


ao mesmo tempo indefeso, 

e com relógios que assinalem 

um tempo que não virá, 

defendo o silêncio abstrato, 

em que te possa escrever a 

mais inofensiva solução de uma história feliz




Sinalização de uma evidência


 

Desaprender a dor

 O cansaço não nos dita o que nos revela,

Responde só com uma breve inspiração,

E amarfanha a limpidez de todas as dores, 

Que alguma vez nos foram apresentadas,

E esconde as meninas inseguras que já fomos,...


Custa-me a respirar,

Estou absorto no que me falta andar,

E no que já tive de percorrer,

Pois ganho a vida aparentemente a fugir,

Sem ter desculpa,

Nem amparo,

Só com uma peça de roupa para trocar,

E um imenso leito de chuva onde me fazer esquecer,...


Este escrever sobre o cansaço tem todas as cores,

E ensina-me um pouco sobre a dor,

Desaprendi de a ter comigo




sábado, fevereiro 13, 2021

Comuna de casquinha

 O ódio à diferença,

Semeava nas mãos a falibilidade da inveja,

O desnorte de racionalismos embebidos em éter,

Que tudo faziam arder,...


Estava decidido a não recomendar um lado apenas de qualquer olhar,

Era o que de mais certo poderia parecer,

Se amanhã fosse diferente do que já tinha corrido de hoje,

E não se acumulasse a fuligem da poluição, 

Que o lamento da falta de amanhã provocava,...


Ia fazer uma comuna de casquinha,

E adormecer com aquela miragem




sexta-feira, fevereiro 12, 2021

Um dia gostava de saber escrever assim

 

paul éluard / eu falo em sonho

 
 
Nos veios da nossa cidade
Estendiam-se os homens pobres diabos
Um rosário de amores infantis
E bem comportados como cristais
 
Sobre todos os caminhos dos nossos olhos
Pavoneavam-se mulheres sagradas
Como véus de mulheres casadas
Intactos ou remendados pesados ou luzidios
 
Estou a falar em sonho e transmito
O curto instante do grande repouso
O momento em que nada é impossível
Um pouco mais de carne e mel a mais
Estar enlevado é uma forma de realidade.
 
 
 
paul éluard
últimos poemas de amor
corpo memorável 1948
trad. maria gabriela llansol
relógio d´água
2002

Génese

 



Parecia manifestamente insuficiente acreditar em teorias vetustas,

O homem tinha de ser abraçado na sua génese,

Onde a perceção de finitude doesse mais,

E depois viria a sebenta habitual para citar filosofos,

E rescisões com a filosofia,...


Quando tudo é simples,

E sequer nem tem idade,

A explicação para o fatalismo dos homens,

Está nas aldeias,

Em ouvir as tradições,

No sujar das mãos com a poeira da idade,

Para que se deixe de fazer o pão que não interessa conhecer,... 


Assim haverá uma renovação pronta, 

dos nossos princípios de vida 

quinta-feira, fevereiro 11, 2021

Resquícios

 já comecei a dar de mim,

a minha voz condói-se com 

vestígios de sangue,

repisado e perfumado em nuvens

sem cor,...


houve um passado,

há um presente sem rosto,

e do futuro inodoro,

sem vestígios para que o descubra,

sobram pequenas notícias de

enlevo pelos resquícios de humanidade,

as coisas que ainda me sobram,

debaixo dos passos de quem

foge da morte




quarta-feira, fevereiro 10, 2021

Crepúsculo

https://hedda-gabler.tumblr.com/post/641957815149363200/fireairshadow-how-long-will-i-live-till

Exercício de cidadania

 Agora que o sol está no intervalo

do razoável,

a palavra emagrece a olhos vistos,

sem comer,

sem sequer confessar-se como

é o seu direito religioso,...


agora esta é uma cidadania plena,

com realização nos dias ímpares,

e desespero sempre que a 

vontade assim o dita,....


mas encontro-me tranquilo,

com um avental de equívocos

até aos artelhos,

o que me faz caminhar com dificuldade,

mas imprevisível sempre com a dose

necessária de contentamento




terça-feira, fevereiro 09, 2021

Palavras cheias de ecos


 À frente da confusão,

Todas as palavras cheias de ecos,

Quem as escrevia exalava um amor diferente,...


Sofrido,

Inspirado por um neo-realismo anotado em papel retocado,

E quase histórico de tanta duvida,...


Faltava pouco para que outra noite começasse,

E os que se encontravam absortos no que parecia uma revolução de todas as cores,

Conversavam à medida que o tempo mudava de forma,

E se encaixava nos espaços que o descontínuo que leva à morte,

Deixa para trás

segunda-feira, fevereiro 08, 2021

À volta



 à volta,

um arroz com bicho,

à volta,

um desatino sem olhos,

tinha pés, 

os braços mexiam pouco,

à volta,

desenhava-se um círculo,

e nada se conseguia comer,

ao Leste gritava-se que ela

haveria de vir,

a plenos pulmões,...


à volta,

a Terra estava gretada,

esgravatada,

impossibilitada de inseminar a poeira dos tempos,

à volta,

desenhado a tricotado de chão,

tudo era um escrito sem personagens,

para mim,

à volta,

era uma luz que enfraquecia 

a escuridão

Sons que se curam a si mesmos de desgostos

 



Displicência,

Forma azulada,

De penas brancas,... 


Pássaro canoro de um passado inútil,

Malfazejo,

Repleto dos sons que se curam a si mesmos de desgostos,

Só para voltarem ao Leste da má formação humana,...


E tanta regulação destas políticas que só se fazem sem decreto,

E das quais nada entendo,

Nem me auto censuro para entender,

Porque talvez seja melhor assim

domingo, fevereiro 07, 2021

Línguas à solta

 



Milhares de línguas desdobradas, 

que o mundo tão ácido permitia acontecer,

Recordo-me quando há Muitos anos,

Isto era um desafio para a minha geração, 

Ser no fundo um texto que mostrava tudo a ser questionado,

Tudo a ser pintado tão perigosamente de cores insidiosas, 

Perigosas para a pele dos representantes do destino sem cores das pessoas,...


Voltando à escrita, 

Ter tantas pessoas ansiosas pelo diferenciar de questões que isto representava,

Era uma vitória, 

A mesma que devolver o silêncio às línguas que ainda andavam à solta 

sábado, fevereiro 06, 2021

distância do teu querer

 Já não me lembro de

ter despenhado do teu olhar,

a sorte,

o evento da razão,

o peso das coisas,

tanto que nem interessa agora,

que me vejo no fundo de

um precipício,....


e lá em cima,

onde as palavras se

elevam por falta de peso,

dois clarões rasgam o céu,

será que me arrependo da

distância do teu querer?




sexta-feira, fevereiro 05, 2021

Sexteto

 


sei que ela marcou encontro

no centro da cidade,

lembro-me da hora,

do assunto,

dizia querer qualquer coisa

envolta em jornais,

penso que seria a lembrança

de um momento morto,...


a ideia era passearmos ao

longo da colina que gritava,

o sítio em que ela mais se 

sentia à vontade,

e depois apreciar o pôr-do-sol

com o mesmo café de sempre,

mas olho em redor,

e só vejo aquela nuvem em forma 

de velho que chora de solidão,

e mais algumas árvores que

compõem o cenário ardido,

não sei onde estou,....


acho que ela me pediu para

resumir tudo num sexteto,

se isto acontecesse

quinta-feira, fevereiro 04, 2021

Falar para a imagem (exercício de escrita)

não tenho cara de ti,
do que me recordo,
dissolvida estavas na névoa
da luz dos dias enebriados,
sentada,
sem que a memória nascesse das tuas
ancas,
sem que dos teus pés,
entontecidos pela dança da
loucura,
saísse um ritmo esperado,
aconchegante,....

passei invisível,
porque de tudo o mais 
invisível era o suspiro da solidão,
a húmida perceção da inconsequência,
numa casa perdida em si mesma,
como indefinida porção,
de um universo alternativo

Torradas

 Torradas. Duas. Mal barradas com a manteiga translúcida, a parecer a capa de um lago de jardim. Café na caneca de sempre, rachada parcialmente. Tinha uma vez rasgado um lábio nela. Nada de grave. Tudo continuava a ter o mesmo sabor de família provindo daquele pedaço de cerâmica, por isso haveria de continuar a ser assim. Não se sabe por quanto tempo. Ela fazia fé de que um dia tudo mudaria. Por enquanto tudo começava e acabava da mesma forma. Havia umas réstias de pão para trás quando ambos saiam para reforçar a presença no que restava desta vida



quarta-feira, fevereiro 03, 2021

Implorado


 Por favor,

Sim,

Um pedido de ajuda porque não sei se é este o caminho,

Lembro-me há muito tempo,

Ainda refletia na altura,

Com todos os perigos que sabia que isso poderia trazer,

Passei por um sítio em que se declinava um pedido de amor,

Apreciava-se até uma certa forma de beijar,

Por ser errada,...


Dizia-se que não vinha nos livros,

E por isso merecia ser desprezada,

Como se faz aos velhos por vezes,

Aqui não reconheço nada disso,

Se calhar estou no local errado,

Devia procurar alguém para

Apreciar a forma correta de enganar


terça-feira, fevereiro 02, 2021

A minha dama do lago

 



Encontrei-a,

A minha dama do lago,

A ideia vespertina com olhos amargos de manhã,

Que procurei com a certeza inesperada de uma lágrima,...


Por entre os normais acólitos do amor,

Pela verdade,

Encontrei-a ao ver o ser caminhar impávido para a perdição,...


A minha dama do lago chama-se tranquilidade, 

Tem pele imperfeita do normal,

A voz suficiente, 

Pautada como a noite que se estende pela imperfeição da tarde,... 


A minha dama do lago termina uma estrofe, 

Da mesma forma que não consegue começar outra, 

A poesia anula-se quando o silêncio lhe marca o caminho, 

E ela vem para nunca mais partir 


Anui


 caí agora,

se me levanto as 

marcas do teu olhar

pesarão,

levantando poeiras de milhões

de anos indescritíveis,

com a solidão personalizada

no sol de meio dia,

e nos ressoares estranhos

dos pássaros que se enamoram,....


haverá um tempo antes 

de tudo isto,

e o sol anui o que tem

de discordar,

e soma ao longe o que

frisando,

faz dissolver 

segunda-feira, fevereiro 01, 2021

Sadness😢

https://lovechords.tumblr.com/post/623647799252271104/tame-impala-the-less-i-know-the-better

fevereirando a 10 de dezembro do ano passado

 ouço os despaupérios

deste coração,

como se ladrasse,

a minha língua fala a 

tua,

só diferença de fisiologia,....


anotada a hora,

a data de interrupção,

quantos respirares couberam

nesta despedida,

tudo foi amarfanhado para

uma carta mal redigida,

com erros propositados de sintaxe,

e remeto-a para o sítio possível,

e este coração continua 

animalesco,

no sentir




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