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domingo, 9 de abril de 2023

Vagamente inspirado na 'Condição Humana', de Malraux

 


um uivo pardacento,
gritos sem idade,
de corpos sem rasto,
de pés incapazes do futuro,
subiam em uníssono
pelos ares,
sem que se percebesse
a vocação,
a raíz política do
fenómeno,
faziam-no com
olhares de dúvida,
amores sem sentido
e gastos assistiam,
e o voo,
a incapaz situação
de nómada das pessoas,
mantinha-se agrilhoada,...

e pareceu tudo ter acabado,
com livores de morte,
espalhados pelos grumos
sequiosos da Terra,....

 
e o que sobrava da ilusão?,
da feliz insuficiência da virtude

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Impasses

as pequenas questões não têm
legendas,
lembrei-me o suficiente da pergunta
que gerou este desconforto,
foi feita à socapa,
depois de mortes não anunciadas,
e quando numa rua,
já não se percebia o desejo da felicidade,...

admiro-te por isso como resolutora
de impasses,
mas continuam a não haver
legendas para as minudências,
só mais impasses


quinta-feira, 6 de junho de 2019

Escrita automática sem fim

e eu pensei que não havia Norte
no que dizia,
com as reticências postas sempre
a meio dos lamentos de estar só,
e nunca poderiam ser mais que
algumas, as vezes em que a poesia
deixava de estar escrita desta forma,
e tudo não sobrava para mais que umas
odes sem fim, com princípio, e
que deixavam a vontade de arredondar
as letras com vulgaridade que se bebia
em copos, e se me pedissem para parar com
esta lengalenga, eu talvez já não saberia,
porque ao ar só se pergunta a idade, e quando
os tempos vão acabar


domingo, 29 de janeiro de 2017

Ponto prévio....

Desfez um pouco de areia molhada em cima da mesa. A toalha de linho ficou suja, mas era por um bom propósito. Um pequeno alguidar de um branco sujo foi recurso para colocar o pó, que misturado com água fez de argamassa para prender aquele resto de coração a um quadro de tapeçaria. Era esta a única coisa na sala de reflexão daquela moradia, envolta por uma chuva que parecia trazer o Armagedão. Este podia ser o início de uma história de solidão. Mas não. É só um relato de quem quer que a vida tenha um pouco de sentido. Que não sirva para desfiar rosários de frustrações. Se calhar vai continuar para qualquer lado este caminho.....

domingo, 9 de outubro de 2011

Blood


faz com tu e por,
menos serás contigo e só,
à hora o segundo,
terceira pessoa de singulares,
plurais consciências que azulam escuros,
avanço que sim,
parto pelo não,
e no fim princípio,
restas parte,
somada de nada,
ao vento....

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Fraccionado

Subsidiado pela dor. Estava assim descrito no pequeno boletim de papel ratado que guardava na mesa de cabeceira, dobrado em quatro, e com cheiro de qualquer coisa que estava para acontecer. E ficavam-se por aqui os sintomas de auto-estima que demonstrava. À noite, ainda tentava pensar em coisas consubstanciadas no destino. Como o desfazer de aplausos. O entardecer adormecido pela forma intensa como as ondas morrem na praia. Mas nada parecia querer partir e regressar com intenções de ficar para lhe garantir a felicidade.
Assustava-se com pouco. Até se o dia nascesse com menos dois raios de luz na bruma em que gostava de se deixar levar pelo sono, permanecia quieto com medo que o mundo fosse acabar. Outra das coisas sobre as quais escrevia. Dizendo-o em voz baixa, obtinha textos consistentes. Com princípio, meio, e os fins que lhe apetecia. Sempre negros. Nunca de finais felizes. O auge roçou-o na pequena carta de uma menina apaixonada por um cantor, que descobriu gostar de ser mulher, e depois quis levar a sua própria vida na falésia mais bonita do país onde habitava. Tudo veio a esfumar-se na infelicidade de trazer assim qualquer coisa de desastroso que não se explica.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Nova de escrita automática

velho sopro de



pressão cardíaca



com amores por



resolver assim como



o segundo demora



a cair na infalibilidade



do dia que nos sova



em inconsequentes necessidades



de estupro emocional e infelicidades



tudo assim emparedado em



resoluções que



automaticamente são



impossíveis de determinar neste



tipo de escrita....

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Ser livre (Poema de alfabeto)


Abraços são profissões
Belas de querer
Consentimentos expressos
De um amor
Evasivo e pleno de
Futilidades próprias de
Gotas de orvalho a
Hibernar em
Indicas condições da
Jovialidade anexa à
Luz. Raios que
Martirizaram sem
Nada mais
Oferecer em troca que
Pensamentos místicos, Tudo a
Que têm direito os
Rasteiros da
Séria condição humana.
Temos assim a
Unica e possível
Via de solução.
Xilofones dourados a
Zombar do desejo de ser livre....

terça-feira, 23 de setembro de 2008

rimas duplas em sofrimento

de excelente deliberador,
o que resta por favor,
de si como pedra de toque,
ponha-lhe o enfoque,
de dois momentos tristes,
vividos como despistes,
de lamas difusas do contra,
livres se quiser ser lontra,
mas presos ao firmamento,
de quem dorme sem chamamento,
dos rimadores idiotas,
que com ar de hilotas,
tentam fazer sentido,
num desvario sustenido,
para concluir enfim,
que mesmo em latim,
ser burro não pesa,
mas farta.....

quinta-feira, 27 de março de 2008

A vida em escrita automática



Explodir-me em explosões parvas,
coisas que pecam por uma combustão
fraquinha, banhada a risinhos de meninos
de pastelaria, rabinos dos tais que param o
tempo que for preciso para ajudar a acicatar
ainda mais o grito estridente da velhinha
que tropeçou à entrada da pastelaria, ir-me
em nuvens de calmaria parola, isso, apetecer o
que nada parece ter de intelegível, desenhar
simplesmente semi-círculos que fazem lembrar
estropiados de um conflito que ainda não acabou,
só no fim acreditar que se me explodir em explosões
parvas, alguém contemplativamente contará os
pecados que a minha infelicidade desenhar na calçada...