Vilma insistia em adormecer para o poente. Era um nome que lhe tinham posto, e convencia se que, por ser estranho, fora do comum, a obrigava a seguir um caminho de nao retorno, que a distinguisse da normalidade enfadonha. Nao é que os últimos raios de sol de um dia ainda entrassem, desmamados, pela janela do quarto, quando ia dormir. Mas o propósito era fechar os olhos sempre para o mesmo sitio. Havia livros constantes em cima da mesa de cabeceira de pinho, e poderia dizer se que fossem um obstáculo à luz. Mas se ja era noite escura, isso nem se colocava. E havia ainda o pormenor de Vilma exigir de si mesma o contacto da pele nua, com a suavidade dos lençóis. Eventuais companhias não se colocavam. Vilma forçava se a soltos pensamentos de prados acastanhados, algures no que conhecia da Escandinávia. Que lhe deixassem os pulmões ficcionalmente cheios de ar, o que providenciava aquele torpor cerebral que conhecia, mas preferia não definir. E o sorriso. O leve esboço de art deco, que a emoldurava como se estivesse perdida em qualquer museu do mundo. O amanhecer fazia terminar o bordar subtil do vestido transparente que Vilma desejava para si.
| Man with a movie camera (1929) De: Dziga Vertov |
Uma crônica interessante, gostei da sutileza entre adormecer e amanhecer
ResponderEliminarQue venha mais prosas, M
Já nem me lembro do contexto e momento em que escrevi isto.
EliminarJa foi ha tanto tempo. 🙂
Miguel,
ResponderEliminarAinda vou ler a
sua publicação, mas
por enquanto vou
deixando meu abraço
Bjins
CatiahôAlc.
Obrigado catiaho sempre pelas suas visitas
EliminarMe gusto tu poema. Te mando un beso.
ResponderEliminarUn beso tanbien
EliminarQue venha a próxima!
ResponderEliminarIsabel Sá
Brilhos da Moda
Obrigado
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