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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Início do desânimo

 Nunca se sabe se o desejo do dia de hoje,

Será o último,

Ou o primeiro de uma orelha de novos sons,

De outros sonos,

De descansos que pesam tanto no leito de suposições em que nos habituamos,

Ainda a descansar,...


E eu renovo uma anotação infiel para com o ar corrente,

O peso incolor do que nos completa,... 


E tudo porque um grito,

Citando a poesia portuguesa do início do desânimo,

Fica sempre melhor do que um beijo apaixonado de reconhecimento 




domingo, 18 de outubro de 2020

Irascivel

 a ousadia leva 

ao irascível, 

às coisas sem tento,

 e tanto que se me oferecia 

dizer das reclusões 

sem tempo, 

e dos livros comidos 

nas pontas pelos vermes,... 


tudo o que vimos 

e esperámos cair em pé, 

veio de ‘chofre’, 

derramar-se aos pés do tempo, 

deixando-o sem idade, 

sem expetativas,.... 


irascível pois o 

que deves ler no rodapé 

deste galicismo, 

tudo o que te mando, 

defraudei as pessoas 

na Place Pigalle, 

enquanto chovia, 

e eu morria aos bocadinhos, 

acobardando-me




sexta-feira, 16 de outubro de 2020

'tum-tum-tum'


 

achava melhor esperar,
sempre aquele 'tum-tum-tum',
que lhe descascava os ouvidos,
com a segurança imposta por 
a mesma distância que a fazia chorar,...

vestido roto,
transparência aos olhos de quem queria,
remoía nas músicas certas apenas
porque sim,,...

e sem mais para dizer,
achava sempre ser melhor
esperar,...

existia uma nova geração de 
criação literária,
que a assustava,
com pé-ante-pé,
antes da loucura,
e à porta de qualquer coisa
inofensivo,
mas perigoso,
,
esperar,
sempre alongava a vontade
ignóbil de falhanço

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Poema anulado

 com a correção que me deste,

parecia-me ter

 ficado bem

esta resposta a mim mesmo,...

sempre acentuaste a 
veia inaudita deste narrador,...

quis-me assim mal vestido,
impoluto,
até como que a cheirar mal 
das recordações
 mal resolvidas,
que ostensivamente me circundavam a boca,
dando-me um ar impressionado,
e talvez um pouco frágil,...

respondi-te com várias 
reticências,
e uma nota de rodapé sob
a forma de uma faca,
de lâmina irregular,
a minha ideia seria que
lesses tudo isto como
uma carta,
não necessariamente de despedida,
mas antes como uma 
sucessão de instruções,
inflamadas,
que sabia poderes transformar
numa Divina Comédia dos tempos
inesperados




terça-feira, 13 de outubro de 2020

Entre mesas

 Joga tudo,

Entre as mesas,

Lábios de purpurina,

Considerações desnecessárias,

Se for para tudo,

Até revoltas mal resolvidas,...


Por entre mesas,

A batota favorece,

Não magoa ninguém,

E tudo jogado,

Alumia rostos,

Por entre mesas,

Como se o esclarecimento não tivesse cheiro




segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Alimento para a alma

 

cuidado onde tocas, uma coisa é o céu, e o divino que ele encerra, outra é vir sempre à mesma hora, com o mesmo intuito, e beijando a mesma boca, para participar numa vetusta denúncia por procuração,.... apelando ao sentimento, as portas de luz abrem-se o suficiente para escapares desta rotina, pelo que amanhã há mais desta fornada de alimento para a alma

domingo, 11 de outubro de 2020

Concha

 Uma porção,

As mãos escavadas pela demora,

Encerradas em concha,

Refletindo a luz de porcelana que a medo se revela,...


Esperava-se nada,

Tudo ao mesmo tempo,

Mas o suficiente para que só fosse possível acumular uma porção,

De lustro,

Amor,

O que fosse,

Mas pouca coisa desde que dita pela boca do silêncio,...


Observava a introspeçao perfeita ao longe,

Refletindo sobre o muro do que se lamenta,

Com a religião inodora do que deixou de se acreditar 



sábado, 10 de outubro de 2020

Chama-se ver mais à frente

 As boas maneiras estragaram o cenário,

Ela queria atraso no período menstrual,

Que fizessem pouco do seu lado incauto,

No fundo adiantar-se à concorrência,

Especificando favores,

Deixando recados aos interessados,

E sobretudo que lhe pedissem o favor de ser inocente,...


Só o saberia com aquele truque dos lábios,

Humedecidos o suficiente até parecerem início de primavera,

E depois desfolharem num dia quente de meados de Maio,

Ásperos para acolher masculinidades,

Sem deixar ressentimentos,... 


Entretanto era hora de voltar a escrever bonito,

E regressar aos caracóis dos dias que se contam a si próprios 



sábado, 3 de outubro de 2020

Pedra de sexo

 Mas se tivesse a tua fé,

O que se quisesse e mais uma pedra de sexo,

Tudo que ardesse e a lonjura de um par de coxas,

As tuas,

Como se um farol fossem na tempestade efémera do que choro,

Sem confessar,...


Ali nunca mais seria a noite que me propões,

Sendo que a repousar no que por aqui te exponho,

Está o claudicar possível do que já não sei criar 



quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Outubrando ainda em agosto

 

em qualquer outro sítio,
com quaisquer outros argumentos,
faltam mais tardes de sol
como esta que se esvazia,
tanta gente a refletir,
tantas ideias que se esfumam,..

a propósito de desespero,
enumero as vezes em que
aludi às pequenas coisas,
que de ti se ligavam,
umas às outras,
até fazer uma espécie
de buraco concêntrico no céu,
e de lá voltarem para o meu regaço,
onde em sentido figurado,
cabem as falhas de todo
este discorrer de conceitos,...

e mais qualquer coisa
por dizer,
em qualquer outro sítio,
que não aqui

domingo, 27 de setembro de 2020

Anotado no barro

 

entrar,
preencher os espaços que
me são permitidos,
por fim uma esquina,
a duração certa do respirar,
para que te ensine
que pintar os lados de 
uma esfera,
é impossível,
o mundo como o conheces não
tem faces,
é plano,
tanto assim que escorreguei até
aqui sem pedir licença,...

e agora sair,
reforçar a inveja que
tenho de que,
como tu,
saber que os outros não valem
nada,
é feérico,
anotado até no barro
dos minutos que já se perderam

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Grito preso


naquele último sentido, 
meramente aproveita, 
haveriam nódulos de sangue
na garganta,... 

um ai preso, 
gritos encaixados , 
não que nos importemos 
com a menoridade, 
sonoridades distintas 
passam nos intervalos do ar,.... 

só que soa tanto a medo 
a distância, 
o que falta para o salto, 
antes do último micron,... 

e por fim, 
num texto sem 
pontuação, 
a falha detetada, 
inconsequente, 
mas por menos que 
uma fase negativa da Lua

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Hesitações


Insistia em querer dizer que estava tudo bem,
E podia vir a estar ainda melhor, 
E agora, 
Socorria-se das colunas de névoa que a envolviam quando era obrigada a,
Dançar com o frio insinuante das manhãs de Inverno daquelas bandas, 
Para adorar as coisas sem nome que as pessoas lhe atiravam aos pés,
Quando fosse a maior rainha de jasmim que aquela terra alguma vez tinha visto,... 

Tímida, 
Olhava com um calor por explicar os olhos das pessoas, 
Tentando falar sem voz, 
Com as palavras recolhidas nos nós gretados dos dedos gelados, 
E queria dizer a todos como pesava a  vontade de fazer coisas, 
De alumiar com a alegria desmedida apenas um céu que nunca passava daquele cinzento gretado, 
Mas que ela queria todo refletido de histórias felizes,
De enternecer,... 

Noa sítios onde chegava a cada dia, 
A realidade voltaria a ser pesada, 
Anónima até com laivos de remoinho de amargura, 
Mas não iria fazer mal, 
Tudo cheirava bem o possível,
E amanhã tudo poderia recomeçar com novas cores 


quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Mundo redondo

Nem sequer precisas foram as notas,
As pessoas conheciam-se ao sol,
Desprezando que tudo tinha sido indeciso antes de ter chovido,...

A mesma foto de felicidade estava no centro do amor,
Adoravam-se os rebordos fúteis,
As porventura certas descrições do redondo,
Das certezas paradas,
E ninguém queria sequer saber escrever,...

Chamava-se mundo previsível à felicidade de não perceber os sentimentos anotados sem sombra