de um tempo,
dentro de um tempo,
ela não me ouvia,
como se o lugar se desprendesse
da razão,
e para ela o silêncio fosse o somar
de todas as coisas,
as mesmas que recordava de uma
hora sem formas,
que tinha ficado lá atrás,
e agora não existia mais,...
lembro-me de lhe dar
a precisão de uma presença,
tudo o que estar apenas trazia a mais
do que o falar,
do que o desnecessário do verbo sempre
que o gesto o suplanta,
mas ela não me ouvia,...
a cada manhã,
a cada segundo que trocávamos um olhar,
optava por se afastar mais,
e mais,
até que ao pé dela,
deixei de a ver,
como se o momento pesasse agora
mais que toda a história de
passos inconseguidos