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domingo, 27 de dezembro de 2020

ela não me ouvia

 de um tempo,

dentro de um tempo,

ela não me ouvia,

como se o lugar se desprendesse

da razão,

e para ela o silêncio fosse o somar

de todas as coisas,

as mesmas que recordava de uma

hora sem formas,

que tinha ficado lá atrás,

e agora não existia mais,...


lembro-me de lhe dar 

a precisão de uma presença,

tudo o que estar apenas trazia a mais

do que o falar,

do que o desnecessário do verbo sempre

que o gesto o suplanta,

mas ela não me ouvia,...


a cada manhã,

a cada segundo que trocávamos um olhar,

optava por se afastar mais,

e mais,

até que ao pé dela,

deixei de a ver,

como se o momento pesasse agora

mais que toda a história de 

passos inconseguidos